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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Os Danos da Pornografia pode te Causar

 Os danos da pornografia não se limitam somente aqueles que trabalham nela, você também sai prejudicado. E muito!

A morte de 5 estrelas pornô em menos de 6 meses, acendeu um alerta sobre a indústria pornográfica mundial e os danos psicológicos e físicos de se trabalhar em uma indústria em deterioração que já não pagam mais como nas décadas de 80 e 90, devido a pirataria e outros tipos de plataformas que fornecem conteúdos dos mais variados gratuitamente na internet. 
O estresse mental, o estigma social, cenas cada vez mais degradantes e nenhum tipo de apoio psicológico levam muitas mulheres jovens que entram na indústria se tornarem depressivas e dependentes em álcool ou drogas. Segundo a Pink Cross Fundation, uma ONG sem fins lucrativos, fundada pela ex atriz pornô Shelley Luben, a expectativa de vida de uma atriz pornô é de 36 anos, enquanto a média nacional americana é de 78 anos. 
A taxa de infecção por gonorreia e clamídia é 10 vezes maior entre atores pornográficos, 70% de atores e atrizes são dependentes de álcool ou drogas e aproximadamente 20% dos atores tem alguma DST.
O debate que se acendeu nos últimos meses, fala sobre péssimas condições de trabalho em uma indústria que destrói seres humanos, os tornando produtos altamente rentáveis em uma indústria que movimenta milhões. Usando a mesma técnica mercadológica de marketing da indústria do tabaco, o monopólio da Mindgeek (empresa que detém os maiores sites pornográficos do mundo) sutilmente leva o expectador a consumir seus produtos sem uma análise mais profunda nos danos que ela causa não somente naqueles que diretamente estão envolvidos nela, como no caso dos atores e atrizes, mas no consumidor final: a sociedade como um todo.
A pornografia comercial começou a tomar forma quando Hugh Hefner, introduziu a revista Playboy, em 1953 juntando uma revista de sexo e estilo de vida. Hugh Hefner vendeu uma fantasia. O sonho de cada homem era ter a vida dele. 
Ele tornou a venda da carne feminina chic e conceituada e tornou o soft porn aceitável no mundo todo. Hoje o soft porn está em filmes, novelas, seriados e no nosso dia a dia como algo comum.
Em 2008, a empresa Hitwise catalogou 40.634 sites que distribuíram pornografia online. Em 2009, o Media Research Center (MRC) examinou as pesquisas mais populares do YouTube para a palavra “pornografia”, produzindo 330 mil resultados. O estudo relatou os 157 melhores vídeos, todos com um milhão de visualizações ou mais.
Se analisarmos,a nossa sociedade de tornou um grande consumidor de pornografia. Ano após ano ela vem contribuindo e mudando a forma como encaramos e como lidamos com o sexo, pois ela tem feito o papel de educadora sexual. 
Se não falarmos com as crianças e adolescente sobre sexo saudável e consensual, a pornografia vai tomar pra si essa função. O que ocasiona o que vemos hoje, a pornificação das relações interpessoais.
A pornificação de uma sociedade leva ela a níveis desastrosos de abusos sexuais, estupros e violência contra mulheres e meninas. O lado sombrio da indústria vai muito além dos danos que ela causa pra quem atua diretamente nela. O debate liberal que se concentra somente nos danos dos trabalhadores da indústria, ignora por completo os danos que ela causa também nos consumidores. 
Por desinformação ou por não querer mudar o status quo que a pornografia se tornou,ou seja por uma falsa liberdade sexual propagada ou por achar que ela é algum tipo de arte, muitas pessoas acreditam que uma mudança nas condições de trabalho dos profissionais, mais direitos e melhores salários (que acredito que deveria ter) ou a criação de pornografia feminista ou ética, esses efeitos seriam menos desastrosos. Mas, ignoram que no capitalismo e patriarcado, qualquer mudança que se faça no sistema vigente trará somente frutos para aqueles que detém o poder e não aqueles que são subjugados por ele.
Diversos estudos ao longo das últimas décadas tem mostrado que a pornografia se inseriu na nossa sexualidade de maneira sorrateira, de maneira quase imperceptível. Se queremos combater a violência sexual, é extremamente necessário, combater e falar sobre os malefícios da pornografia.
Quando um menino perde sua virgindade, ele provavelmente já viu mais pornografia que qualquer adulto teria visto há 20, 30 anos atrás.
Um estudo que analisou 304 cenas dos filmes mais assistidos mostrou que 88% das cenas contêm agressão física (principalmente palmadas, engasgos, bofetadas, etc.) e 49% das cenas contêm agressão verbal e que a violência é centrada nas mulheres e ela é propagada por homens.
Gail Dines, professora emérita de sociologia e estudos femininos no Wheelock College de Boston, estuda o impacto da pornografia há mais de 25 anos.
Em um artigo de 2017, Dines disse que a domesticação da internet, que começou em torno de 2000, tornou a pornografia “gratuita, acessível e anônima — os três fatores-chave para aumentar a demanda e o consumo”.
A tempestade perfeita está aqui, onde temos uma geração jovem de crianças que têm acesso a pornografia hardcore e violenta em seus celulares aos 9, 10 e 11. Eles estão crescendo viciados em pornografia; Isso está moldando seu modelo sexual. E em algum momento, eles vão passar da visualização para atuação.
O impacto disso é que esses meninos vão crescer acreditando que o sexo é violência e as mulheres são objetos com o único propósito de dar prazer a eles.
Andrea Dworkin e Catharine MacKinnon definem a pornografia como “a subordinação gráfica sexualmente explícita das mulheres através de imagens e / ou palavras” (1988, p.36). Elas mostram três formas em que esta definição geral pode ser atendida, por exemplo, “as mulheres são apresentadas desumanizadas como objetos, coisas ou mercadorias sexuais”.
A objetificação sexual é outra característica comum da pornografia. 
Refere-se ao retrato de seres humanos — geralmente mulheres — como coisas sexuais despersonalizadas, como “peitos, bocetas e ânus”, não como seres humanos multifacetados que merecem direitos iguais aos homens. Ela mostra que o não de uma mulher pode ser facilmente mudado com muita insistência, ou pouca resistência física. Que mulheres se fazem de difíceis, mas acabam cedendo depois. Com essa alienação sexual, homens abusam de mulheres e meninas. 
E meninas e mulheres não se dão conta de que foram abusadas por também ter no inconsciente que elas não podem dizer não ou não podem reclamar para não serem taxadas de frigidas ou frescas, pois na pornografia todas as mulheres estão sempre dispostas para o sexo, porque com ela seria diferente? 
Ela não quer ser diferente das mulheres que o seu parceiro sente desejo e se masturba, ela quer também ser desejada, nem que pra isso suas vontades sejam colocadas em segundo plano. E esse ciclo de abuso tem se perpetuado por muito tempo.
Uma pesquisa indicou que 25 % a 30 % de estudantes universitários nos Estados Unidos e Canadá admitem que existe alguma probabilidade de que estuprariam uma mulher se pudessem fugir disso. ( Malamuth, Haber e Feshbach, 1980)
Cerca de 20 % a 30 %mostra uma excitação sexual substancial por representações de estupro em que a mulher nunca mostra sinais de excitação, apenas aborrecimento. (1985, p.95)
Cerca de 50 %para 60 %mostram algum grau de excitação por uma descrição de estupro em que a vítima é retratada como se ficasse sexualmente excitada no final.
A pornografia tem criado gerações de predadores sexuais.
Em 2014, a neurocientista Valerie Voon de Cambridge realizou um estudo comparando os cérebros daqueles com comportamentos sexuais compulsivos (CSB) aos cérebros de indivíduos saudáveis. Sua equipe de pesquisa mostrou 19 sujeitos com CSB e 19 sujeitos sem CSB, tanto filmes pornográficos quanto vídeos esportivos. 
As varreduras funcionais de ressonância magnética de sujeitos em testes com uso de CSB mostraram que o estriado ventral, o cingulado anterior dorsal e a amígdala reagiram para ao ver material pornográfico da mesma maneira que o alcoolatra reage ao ver uma propaganda de bebidas. 
Essas regiões do cérebro estão envolvidas no processamento e antecipação de recompensas e motivações, e processando o significado de eventos e emoções.
A revista Human Brain Mapping publicou um estudo em 2002, demonstrando que, embora muitos homens e mulheres tenham regiões similares do cérebro ativadas durante a visualização da pornografia, apenas nos homens existe uma ativação significativa do tálamo e do hipotálamo. 
O hipotálamo é responsável pelas unidades primárias de alimentação, água e sexo, bem como motivação e controle hormonal. Isso significa que, quando os homens são ativados por pornografia, seus corpos experimentam a excitação sexual, não apenas como um desejo, mas como uma necessidade de sobrevivência.
Além disso, outras pesquisas mostram que a exposição à pornografia está associada a atitudes mais permissivas em relação ao sexo casual, maior probabilidade de se engajar em comportamentos sexuais de risco, dominação dos homens sobre as mulheres e maior aceitação da violência sexual. 
Muitos homens consideram a pornografia como seu modelo pessoal para relacionamentos do mundo real, esses efeitos são especialmente problemáticos. A pornografia geralmente não inclui romantismo, não tem diálogo e nenhuma conexão emocional, ensinando assim a esses usuários masculinos que os relacionamentos são puramente físicos. 
Assim, esses homens são incapazes de formar relacionamentos saudáveis ​​e igualitários.
Em uma meta-análise de 46 estudos publicados de 1962 a 1995, que inclui uma amostra total de 12.323 pessoas, os pesquisadores concluíram que o material pornográfico coloca um risco maior de:
  • Desenvolvimento tendências sexualmente desviantes (aumento de 31% no risco), como pedofilia e zoofilia por exemplo.
  • Cometer ofensas sexuais (aumento no risco de 22%)
  • Aceitar mitos de estupro, como culpar a vítima (aumento de risco de 31%)
Em uma meta-análise de 24 estudos realizados entre 1980 e 1993, com um total de 4.268 participantes, os pesquisadores correlacionaram positivamente a aceitação de mitos de estupro à exposição a não-violência ou pornografia violenta.
Entre os perpetradores de crimes sexuais, a exposição de adolescentes à pornografia é um preditor significativo de violência elevada e humilhação de vítimas.
Em um estudo de 187 estudantes universitárias, os pesquisadores concluíram que a exposição precoce à pornografia estava relacionada a “fantasias de estupro” e a atitudes subsequentes a favor de relações sexuais violenta contra as mulheres. Os pesquisadores acreditam que a pornografia consumida em uma idade jovem contribui para que as mulheres sejam socializadas para aceitar a agressão sexual como um evento sexual / romântico.
A pornografia remove a empatia e promove o assédio e o abuso.
A empatia e a objetivação sexual são incompatíveis. Há evidências de que, quando os observadores aguçam a aparência física de uma mulher, ela se torna “menos humana” e “mais objeto” aos olhos do observador. Sob um olhar sexualmente objetivador, os corpos das mulheres tornam-se momentaneamente a “propriedade” daquele que observa — quer tenham consentido ou não. Desafiar esse elemento da cultura masculina é uma tarefa extremamente importante — e vital. 
O professor de jornalismo, Robert Jensen , escreveu que “a pornografia é como será o fim se não invertermos o curso patológico em sociedades patriarcais e corporativas-capitalistas”
Ele também sugere dar aos homens (e mulheres) as ferramentas críticas e educacionais necessárias para rejeitar o que ele chama de “masculinidade tóxica”. Não podemos rejeitar a cultura tóxica que a pornografia criou sem rejeitar a própria pornografia.
A pornografia não requer tradução, nenhuma explicação e nenhuma pátria em particular. É uma linguagem universal, e também pode ser um campo de treinamento para abuso. Ela da voz e está diretamente ligada com a pedofilia, tráfico de mulheres, prostituição e violência contra mulheres.
Alguns estados membros da ONU estimam que entre 60% a 90% das mulheres no comércio sexual são traficadas. As estimativas tailandesas mostram que 40% do comércio sexual é abuso sexual infantil e cerca de 90% das meninas traficadas são menores de idade.
A desigualdade global há muito incentivou a exploração sexual, mas apenas recentemente foi transmitida pela pornografia. Quantas dessas mulheres estão em filmes pornográficos vistos em todo o mundo? Pesquisas sugerem que os usuários não se importam. 
A retórica da escolha, faz com que os expectadores não queiram saber a verdade por de trás da pornografia que ele assiste. 
Por isso é importante e urgente falar sobre pornografia, não é ser anti-sexo, não é ser moralista, nem pudico combater uma indústria que lucra com a misoginia, que lucra com mulheres e crianças e que te envolve em sua teia o tornando submisso a ela.
E se pensar que quero banir a pornografia, eu responderia que sim, que eu desejaria sua abolição. Mas, no modelo atual de sociedade vigente isso se torna impossível. Então, levar uma política de redução de danos para todos, junto com educação sexual baseada em igualdade e respeito é o inicio para combatermos os malefícios que ela causa na sociedade atual. Recuse a clicar, recuse a fazer parte de algo que degradas as relações humanas.

Texto de Fernanda Aguiar - O Monge Moderno

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

No Sem Vergonha, Mônica desmistifica a transa do primeiro encontro.


Jornalista Maranhense MONICA MOREIRA LIMA... falando de sexo de forma descomplicado....

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Sexo na Boca do Povo

Um menino chega para uma amiga e comenta que está com dores na virilha. A menina, vermelha de vergonha, fica sem jeito e vai embora. Hoje, essa cena não faria o menor sentido, mas, no século XIII, essa seria a reação esperada. 
A palavra “virilha” não era lá um termo muito educado para se dizer a uma donzela. Da mesma forma, muitas outras palavras surgiram com uma conotação sexual ou chula e, hoje, são empregadas no dia-a-dia sem o menor pudor. 

Conheça algumas.
 VIRILHA
Na Idade Média, era tida como palavra obscena, pois deriva do latim virilia, nome dado às partes sexuais do homem. Com o passar do tempo, e pela proximidade anatômica, a palavra comportou-se e passou a designar os músculos localizados na junção da coxa com o tronco.
 ESCULHAMBAR
Vem do termo “colhão” (testículo) e apareceu com esse sentido no final do século XIII. Há também estudiosos que afirmam que o vocábulo foi oriundo de “ânus”, daí a palavra ter, na segunda sílaba, um sinônimo mais vulgar para o termo. O processo pelo qual esse verbo deixou seu passado chulo é pouco conhecido. Atualmente, a palavra é sinônimo de avacalhar, desmoralizar, ridicularizar.
 BACANA
A teoria mais conhecida sobre o passado desse vocábulo afirma que bacana se originou da palavra bacanal – festa pouco comportada em homenagem a Baco, deus do vinho na Roma antiga. A palavra seria o feminino de bacano – ou seja, um termo utilizado para designar as mulheres que participavam das bacanais. Outra corrente admite “bacana” como uma variante de macana, uma arma parecida com uma clava usada pelos índios taínos, do Haiti. De macana surgiu o derivado “macanudo”, com sentido de “grosso como um tacape”, que depois passou a significar “grande” e “extraordinário”.
 BABACA
Usado, em tempos antigos, como sinônimo chulo do órgão sexual feminino. Babaca vem do latim balbu, originalmente gago, que deu em bobo, sendo boboca e babaca algumas de suas derivações. Babaquice, hoje o mesmo que besteira ou asneira, era o termo utilizado para indicar “o gosto de focinhar a babaca”, como registra o Dicionário de Termos Eróticos e Afins, de Horácio de Almeida (Editora Civilização Brasileira, 1981).
 COITADO
Há contradições sobre a origem desse vocábulo. Alguns especialistas acham que vem de coito (ato sexual). Eles acreditam que a palavra tenha se originado do latim coitus – união, cópula –, que se mesclou com o particípio do verbo coagere, coactus. Esse verbo (que significava “juntar”) seguiu vivo no espanhol com os verbos coger e agarrar, que vulgarmente indicam o ato sexual. Para essa teoria é possível que exista a relação de coitado com desgraçado – afinal, antigamente o ato sexual era usado metaforicamente para designar desgraça e aflição das donzelas que perdiam a virgindade. Mas, atenção! Para a maioria dos conhecedores da língua portuguesa, essa teoria está furada. Segundo eles, coitado vem de coita – palavra presente nos dicionários atuais e que manteve seu sentido original como sinônimo de desgraça, aflição, pena ou mal. E que não tem nada de obsceno.
 APORRINHAR
A mesma coisa que apoquentar ou aborrecer. O termo surgiu no final do século XIX e é um vocábulo que faz parte do grupo dos descendentes da palavra “porra”, tais como pô, porrada (grande quantidade ou pancada), esporro (bronca, na linguagem coloquial) e porra-louca (pessoa sem noção de responsabilidade). Todas elas perderam a conotação sexual que sua palavra de origem mantém até hoje. “Porra”, definida nos dicionários como esperma ou pênis, é um termo antigo que significava “clava com saliência arredondada num dos extremos”. Por ironia do destino, o vocábulo, até o século XV, estava longe de fazer parte do clã dos palavrões e do vocabulário chulo. Ele servia para designar um cetro eclesiástico usado por autoridades da Igreja durante procissões e outras cerimônias.
 RECUAR
Não é preciso muita imaginação para decifrar de onde provém esse vocábulo, sinônimo de hesitar e retroceder. A palavra é derivada do latim reculare, assim como os termos recular (espanhol), rinculare (italiano) e reculer (francês), todos com origem datada do século XVI. Recuar é literalmente ir com o ** para trás (os asteriscos designam uma palavra de duas letras que talvez fosse melhor representada por um asterisco só). É também a ação de evitar ser acuado, isso é, ser ameaçado de tomar naquele lugar.

Por Lygia Rebello - http://super.abril.com.br/

sexta-feira, 15 de março de 2013

SEXALESCENTES!!!!!‏


Se estivermos atentos, podemos notar que está surgindo uma nova faixa social, a das pessoas que estão em torno dos sessenta/setenta anos de idade, os sexalescentes- é a geração que rejeita a palavra "sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.
Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica - parecida com a que, em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.
Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta/setenta, teve uma vida razoavelmente satisfatória.
São homens e mulheres independentes, que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram, durante décadas, ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a atividade de que mais gostavam (ou não) e que com ela ganharam a vida.
Talvez seja por isso que se sentem realizados... 
Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já se aposentaram gozam plenamente cada dia sem medo do ócio ou  solidão. Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabe bem olhar para o mar sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela de um 5.º andar....
Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.
Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude em que eram tantas as mudanças, parou e refletiu sobre o que na realidade queria.
Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas, diplomatas... Mas cada uma fez o que quis ou e melhor possível: reconheçamos que não foi fácil, e no entanto continuam a fazê-lo todos os dias.

Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.
Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos "sessenta/setenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe  e até se esquecem do velho telefone para contatar os amigos - mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.
De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se desfazem em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e parte para outra...
... Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou dos que ostentam um terno Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo.Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.
Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao longo da sua vida, estão estreando uma idade que não tem nome. Antes seriam velhos e agora já não o são.Hoje estão de boa saúde, física e mental,recordam ajuventude mas sem nostalgias parvas, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios...
Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60/70 no século XXI!
Autor Desconhecido
Contribuição - Ana Lígia Monteiro Oliveira

terça-feira, 12 de junho de 2012

DIA DOS NAMORADOS


A tradição do dia dos namorados

No Brasil comemorarmos o dia dos namorados no dia 12 de junho.

Mas em grande parte do mundo (como EUA, Itália e Canadá), a data escolhida é 14 de fevereiro, dia de São Valentim (São Valentino, para alguns, ou o Valentine's day dos americanos), um santo devotado à idéia do amor.
Na verdade, há dois santos "Valentino". Um deles foi um padre, santo e mártir, que viveu no tempo do império romano, no ano de 269, durante a perseguição aos cristãos.

Segundo a lenda, o imperador Cláudius II estava mais interessado em seu exército e nas guerras do que na vida em família , e ele estava convencido de que os solteiros, sem esposas nem filhos, eram melhores soldados do que os casados e não teriam medo no campo de batalha.

Tanto era verdade, que o imperador foi tão longe a ponto de ditar uma lei proibindo o casamento. São Valentino, contudo, desafiou o imperador e continuou a celebrar matrimônios em segredo, até ser descoberto, preso e executado.

O outro São Valentino também viveu sob o império romano. Ele levava uma vida simples e era especialmente bondoso com as criancinhas. Um dia, Valentino foi jogado na prisão pelos romanos por ter se recusado a adorar os deuses deles. Dizia-se que as crianças escreviam mensagens de amor para ele e as lançavam pela janela da cela. Estes foram os primeiros cartões do "dia dos namorados". Mas não existe nenhum registro histórico disso.

Os cartões que conhecemos hoje foram feitos pela primeira vez por volta de 1800 e alguns eram bem enfeitados e decorados com pássaros e flores. Hoje, alguns dos cartões mais populares são os de humor.

No Brasil, apesar de ser comemorado às vésperas do dia de Santo Antônio, o famoso santo casamenteiro, tudo começou com uma campanha realizada em 1949 pelo publicitário João Dória - na época na Agência Standard Propaganda - sob encomenda da extinta loja Clipper.
Para melhorar as vendas de junho, então o mês mais fraco para o comércio, e com o apoio da confederação de Comércio de São Paulo, instituiu a data com o slogan:
"Não é só de beijos que se prova o amor".

A Standard ganhou o título de agência do ano e a moda pegou, para a alegria dos comerciantes. Desde então, 12 de junho se tornou uma data especial, unindo ainda mais os casais apaixonados, com direito a troca de presentes, cartões, bilhetes, flores, bombons....uma infinidade de opções para se dizer "Eu Te Amo!".

Nem todos os países comemoram o dia dos namorados como nós fazemos. Na Itália, as pessoas fazem um grande banquete no dia 14 de Fevereiro. Na Inglaterra, as crianças cantam canções a recebem doces e balas de frutas de seus pais. E na Dinamarca, as pessoas mandam flores prensadas umas às outras, chamadas "flocos de neve".


No Japão a data foi introduzida em 1936 e o costume neste dia é as mulheres presentearem os seus amados com caixas de chocolates. Embora a data represente uma oportunidade para as mulheres declararem o seu amor, nos últimos anos o giri choco (chocolate de cortesia ou “obrigação”) também se encontra presente na cesta de compra de grande parcela da população feminina. Mas, muita gente ainda reluta em adotar a data, alegando que se trata de uma jogada comercial, no que não deixam de ter razão, uma vez que o Valentine’s Day representa cerca de 20% do volume anual de vendas das fábricas de chocolate do arquipélago. Mas, o que vale mesmo é a intenção e não há como negar que a vida fica um pouquinho mais doce com estas declarações de amor e com estes chocolates.

Nos Estados Unidos nos dias que antecedem 14 de fevereiro, lojas de cartões, livrarias, lojas de departamentos e drogarias oferecem uma grande variedade de cartões comemorativos chamados Valentines.

Os adultos costumam comprar cartões para acompanhar presentes mais elaborados como doces, flores ou perfumes. Nas escolas as crianças apreciam comprar ou fazer cartões para seus amigos e professores.

Mas, cá entre nós, todo dia é dia para se dizer 
"Eu Te Amo!"


sexta-feira, 6 de abril de 2012

EMOCIONAL...



Aquilo que vemos,



depende 


basicamente do 

que procuramos 


ver.


Postado- NAFTAMOR

quinta-feira, 29 de março de 2012

Assédio moral: saiba como comprovar que é vítima desse abuso

Vítima deve guardar todos os registros que comprovem o assédio – tais como e-mails, mensagens de celular e até gravações telefônicas e ao vivo (sob certas restrições); empresa deve dispor de canais de denúncia anônima para que o abuso seja relatado sem o risco de comprometimento da carreira.

Quem trabalha em órgãos públicos sabe o que representa uma troca de governos. Todos os cargos em comissão, concedidos a pessoas por indicação política, mudam – na prática é uma roleta-russa para os funcionários efetivos, que podem ganhar bons chefes, mas também podem ter a carreira destruída pelos superiores. Foi o que aconteceu com a servidora pública Maria*: após 20 anos trabalhando no departamento jurídico de um órgão estadual, ela passou a ser vítima de assédio moral, teve a saúde física e emocional abalada e foi obrigada a mudar de departamento antes que a situação se agravasse. Na ausência de meios para comprovar e combater os abusos, e com a suposta conivência dos demais superiores, essa foi a única saída viável.
"Primeiro ele já chegou ao setor dizendo que tomaria conta do departamento e que todas as decisões partiriam dele. A primeira vez que dei uma informação necessária ao andamento do processo, fui duramente repreendida. Na prática eu não podia mais fazer o trabalho que fiz durante todo esse tempo, minha função a partir de então foi atender telefonemas", relata.
Características - O assédio moral gera uma cadeia de eventos que tende a se justificar e ser tida como normal, ou seja: ele gera medo e, por fim, gera conivência por parte das próprias vítimas que, aos poucos, vai sendo esmagada emocionalmente. "O assédio moral é uma forma de violência psicológica reiterada: um veneno que sutilmente intoxica a vítima, até fazê-la pedir demissão por se achar absolutamente incompetente para continuar o desenvolvimento do seu trabalho", explica a advogada trabalhista Tamira Maira Fioravante. Eis a principal característica do abuso: humilhação (sob várias formas, sutis ou não) praticada repetidamente contra o funcionário. A partir desse limite, o que seria apenas uma exigência ríspida ou uma brincadeira, vira um crime que pode ser punido com até dois anos de prisão e multa (conforme o artigo 136-A do novo Código Penal Brasileiro).
É necessário compreender que muitas vezes essa conduta pode se dar de maneira pouco perceptível para outras pessoas além da própria vítima. Sônia Mascaro, doutora em Direito do Trabalho, destaca como formas de assédio moral "estipular metas e prazos impossíveis de serem cumpridos pelo empregado, tomar crédito de idéias de outros, ignorar ou excluir um empregado, sonegar informações e trabalho do empregado, espalhar rumores e fofocas, ridicularizar o empregado, criticar com persistência e subestimar os esforços da pessoa".

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
O assédio moral gera uma cadeia de eventos que tende a se justificar e ser tida como normal, ou seja: ele gera medo e, por fim, gera conivência por parte das próprias vítimas que, aos poucos, vai sendo esmagada emocionalmente.

Para Mascaro, no âmbito da empresa, o ideal seria que o trabalhador que sofreu assédio reportasse de maneira sigilosa o ocorrido para o RH ou os superiores do assediador, "evitando um tom denuncista, mas apenas relatando as condutas que fazem com que ele se sinta ofendido ou rebaixado, aguardando que a empresa tome as devidas providências para que isso seja solucionado". Lembrando que existem casos, ainda que raros, em que o assédio parte do subordinado contra o superior.
Justiça neles - Mas como enquadrar o agressor sem saber sequer como provar a sua conduta, se muitas vezes a reação da vítima não é outra senão silenciar? "É importante saber que a Justiça é a última instância a ser procurada. Nesses casos, o colaborador deve acionar o departamento de Recursos Humanos da empresa", afirma o consultor e sócio da Alliance Coaching, Sílvio Celestino. Por outro lado, Fioravante lembra que a empresa deve dispor de canais de comunicação onde o colaborador possa denunciar os abusos de forma anônima, para que a investigação proceda de forma sigilosa. "Um trabalhador jamais deve ter a sua carreira prejudicada por tentar proteger a sua saúde emocional e psicológica", explica a advogada.
Segundo Mascaro, "a prova do assédio moral é normalmente testemunhal, mas pode também ser feita por meio da apresentação de documentos – como e-mails – ou gravações que comprovem o comportamento do assediador". Já Celestino admite que não é tão fácil obter provas irrefutáveis dos maus tratos, mas é possível. "Você sempre pode gravar uma conversa da qual você faz parte, não é ilegal", lembra. Apesar de existir uma jurisprudência que considera a gravação – por celular ou ao vivo – como prova legítima, alguns tribunais podem contestar essa versão. E mesmo quando for feita, a gravação deve ser executada por um dos interlocutores, caso contrário constitui crime e não será aceita como prova. Em outras palavras, é bom consultar um advogado antes de fazer uma escuta. Já Ricardo Pereira, mestre em Direito do Trabalho, dá outra alternativa para quem não pretende se arriscar muito para conseguir provas. Para ele, "o auxílio de um psicólogo especializado em problemas relacionados ao trabalho auxilia tanto na comprovação do assédio como na superação do problema".
O assédio moral é um problema sério que atinge insidiosamente a vítima, produzindo tanto danos psicológicos quanto patologias físicas, como tremores, náuseas e enxaquecas. Por outro lado, a empresa é prejudicada à medida em que a qualidade e a produtividade do colaborador despencam e ações judiciais se multiplicam. "As empresas devem fazer um trabalho preventivo de gestão para que não ocorra a proliferação de casos de assédio e provoque, consequentemente, um grande passivo trabalhista no Poder Judiciário", conclui Pereira.
A servidora Maria*, citada no começo da matéria, conseguiu se afastar das suas funções e do departamento onde trabalhava e se encaixar em um novo. Mas não é a mesma coisa: "o trabalho que eu realmente sabia fazer era aquele. Acho que ele conseguiu o que queria, o meu afastamento", lamenta.   *Nome trocado por solicitação da fonte 
Por Eber Freitas, www.administradores.com.br

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A história do carnaval brasileiro

 O que você faz no carnaval?

 Talvez não goste de brincar o carnaval, e, pode ter certeza, sempre houve uma divisão entre os que gostam de comemorá-lo e os que querem sossego. Mas certamente vai achar bastante interessante conhecer um pouco das origens dessa festa popular que no mundo todo faz lembrar do Brasil. 

Durante o período da Quaresma, ou seja, nos 40 dias entre a quarta-feira de Cinzas e o domingo de Páscoa, o fiel da Igreja Católica não deveria comer carne, em respeito à memória da via-sacra percorrida por Jesus Cristo. Daí vem a palavra carnaval, do latim carne levare, que significa "privação de carne". No entanto, popularmente acredita-se que a expressão original era carne vale, ou seja, "adeus, carne!". A interpretação do povo está errada, mas certamente tem mais do espírito carnavalesco. 

O carnaval é uma festa popular de características regionais próprias, mas que quase sempre incluem folias, diversões, bailes, fantasias e música. As comemorações acontecem em três dias, do domingo à terça-feira. No Brasil, um país alegre por natureza, o "sábado de carnaval" também é dia de festa, sem falar nas diversas folias pré-carnavalescas e nas micaretas, carnavais fora de época. Em vários outros países, também se festeja o período carnavalesco. Entre eles estão a Itália, a França e a Espanha. Nos Estados Unidos, é tradicional o desfile da cidade de Nova Orleans. 

Essa festa popular não tem origens claras, mas acredita-se que, há mais de 2000 anos, comemorava-se na Europa a chegada da primavera, que lá acontece em março. Esse agradecimento aos deuses pela volta do clima agradável e bom para a agricultura pode ter evoluído para o carnaval moderno. Outra origem possível são as celebrações da Roma antiga, como as festas libertinas em homenagem aos deuses Baco e Saturno. No entanto, as festas mudaram muito daquele tempo para cá, principalmente durante o século 20. 

A primeira folia de carnaval do Brasil foi o entrudo, que acontecia já no início do período colonial. O entrudo era uma brincadeira violenta, que consistia em atirar baldes d'água, balões cheios de vinagre ou groselha, e pós como cal e farinha, com a intenção de molhar ou sujar as pessoas que passavam pelos foliões. A brincadeira foi proibida inúmeras vezes, mas ela só desapareceu no início do século 20, com a popularização do confete. 

O entrudo incentivou a criação de uma festa em local fechado, para um público selecionado, que queria se divertir civilizadamente. Assim, surgiram em 1840 os bailes de carnaval, inspirados nos grandes bailes de máscaras realizados na Europa. O sucesso incentivou outras casas de espetáculos a promover seus próprios bailes. Hoje, essas festas não são tão elitistas, e as máscaras praticamente deixaram de ser usadas, pois os foliões não têm mais medo de ser reconhecidos na festa. 

Os tambores apareceram pela primeira vez na metade do século 19, no chamado zé-pereira, uma espécie de passeata de foliões que ocorria nas ruas do Rio de Janeiro. O zé-pereira desapareceu meio século depois, ficando em seu lugar o corso, um passeio de carros e caminhões enfeitados. Os foliões, geralmente famílias em seus veículos, brincavam com as pessoas nas calçadas, cantando músicas de carnaval e jogando confetes uns nos outros. O corso desapareceu na década de 1930, junto com os caros veículos de capota aberta. 

A organização da folia surgiu no Rio com as grandes sociedades. Esses clubes de foliões, surgidos na década de 1850, tiveram o seu auge de popularidade no fim daquele século. Ainda hoje desfilam no carnaval carioca, embora atraiam pouquíssimo público. As grandes sociedades, embora tenham origem diferente das escolas de samba, apresentam-se com elementos comuns, como comissão de frente e carros alegóricos, ao som de suas bandas. Elas tinham bastante prestígio porque contavam com intelectuais e políticos importantes. Entre os famosos, Olavo Bilac, Quintino Bocaiúva e José do Patrocínio. Com isso, as críticas sociais e políticas que serviam de tema para seus carros alegóricos eram muito significativas. 

Os ranchos ou cordões, outro dos vários tipos de festejo do início do século 20, tiveram sua origem no folclórico Reisado baiano, encenação de uma caminhada de pastores e pastoras até Belém. Durante essa caminhada, os participantes cantavam e batiam de porta em porta pedindo agasalhos. Os Reisados tinham como uma de suas principais qualidades a beleza e o luxo de suas fantasias. Os ranchos cariocas não ficaram atrás, eram muito organizados e evoluídos. As velhas marchinhas de carnaval se popularizavam ao serem cantadas pelos ranchos, numa época em que ainda não havia rádio. 

As escolas de samba também têm origem na cidade do Rio de Janeiro. Em boa parte, tinham como origem os ranchos, e deles veio a tradição, por exemplo, do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O primeiro grupo a ser criado com o título de "escola de samba" foi o Deixa Falar, em 1928 no bairro do Estácio. Seguiu-se a ele muitos outros grupos, em diversos bairros da cidade. Entre as escolas da época ainda em atividade estão a Estação Primeira de Mangueira e a Portela, que se chamava Vai Como Pode, mas teve de mudar de nome anos depois por exigência da polícia. 

Os desfiles das escolas caíram logo no gosto popular. A praça Onze se tornou pequena para abrigar a quantidade cada vez maior de foliões e de público, e as escolas passaram a desfilar nas avenidas do centro do Rio nos anos 70. Na mesma época, com a mudança na estética das fantasias, o carnaval se tornou muito caro, e os bicheiros passaram a financiar as escolas. A modernização da administração das escolas nos anos 80 permitiu que os desfiles continuassem acontecendo com o mesmo brilho, apesar da prisão dos grandes bicheiros. 

Os desfiles tornaram-se praticamente sinônimo de carnaval no centro-sul do Brasil. No Nordeste, as festas mais populares do carnaval são as de rua. Na Bahia, o trio elétrico, criado em 1950 pelo lendário Dodô e agora espalhado por todo o país, e em Pernambuco, a dança dos blocos de frevo. Foi assim, com tanta gente participando das folias, que o carnaval brasileiro se tornou o maior e mais conhecido do mundo. 

Por:  Daniel Perdigão Nass
Estudante de química do IQSC-USP - Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quem é o seu amante?



Amante é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..



Quem é o seu amante?

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.
Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.

Geralmente, são essas últimas que vêm ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.

Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: “Depressão”, além da inevitável receita do antidepressivo do momento.

Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam:
“Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas”?!
Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.



Para aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:

“AMANTE é aquilo que nos apaixona; é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono; é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso “AMANTE ” é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.



Às vezes encontramos o nosso ”AMANTE” em nosso parceiro.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto…

Enfim, é “alguém” ou“algo” que nos faz“namorar a vida” e nos afasta do triste destino de ir levando.
E o que é “ir levando”?

Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.

Por favor, não se contente com “ir levando”… Seja também um amante e um protagonista DA SUA VIDA!



Acredite:
O trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.
O trágico é desistir de viver…
Por isso, e sem mais delongas, procure algo para amar...

Por:Jorge Bucay – Psicólogo, Psicodramatista, escritor argentino e Gestalt-terapeuta nascido em Buenos Aires em 1949 em uma família modesta no bairro da Floresta, ele se formou como médico em 1973 na Universidade de Buenos Aires, especializado em doenças mentais no serviço de ligação do hospital Pirovano, de Buenos Aires e da clínica Santa Mônica. É psicoterapeuta de casais e adultos e atualmente, seu trabalho como ajuda profissional, como ele define, é dividido entre as suas conferências de ensino terapêutico, que emite vários anos viajando pelo mundo, e da divulgação de seus livros em ferramentas terapêuticas do autor.

Postado no Facebook de George Varela

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Meu colega é gay. E daí?

Dizer que respeita a diversidade está na moda. Na prática, entretanto, aceitar a convivência com um homossexual no ambiente de trabalho ainda é um desafio sobre-humano para muita gente.
 
Ex-vice-presidente corporativo da Compaq, ele ocupou cargos de diretoria na IBM e na Worldwide, e hoje tem a nada fácil missão de suceder um dos homens mais admirados do mundo, comandando a empresa que se tornou o principal ícone de uma era. Esse é Tim Cook, novo CEO da Apple, substituto de Steve Jobs e apontado pela imprensa norte-americana como o gay mais poderoso do mundo.

Executivo no Vale do Silício, um dos maiores centros científico-tecnológicos do planeta, Cook nunca falou abertamente sobre sua sexualidade. Até porque nem para Jobs isso parecia fazer alguma diferença: "Pedi a Tim Cook para ser responsável pelo dia a dia das operações da Apple. Tenho grande confiança de que ele vai fazer um ótimo trabalho de execução dos planos que temos para 2011", disse o fundador da Apple sobre o colega com quem trabalhou durante anos, ao anunciar seu afastamento temporário da empresa, em janeiro do ano passado.


E você: sinceramente, teria algum problema em trabalhar com um colega homossexual?

Eu não sou preconceituoso...

Bem como os anos 60 e 70, que ficaram marcados – entre outras coisas – pela liberação das mulheres – este início de milênio, muito provavelmente, será lembrado pela afirmação do homossexual na sociedade. Isso não significa dizer, entretanto, que do dia para a noite ninguém mais achará abominável a ideia de uma mulher beijar outra na rua ou um homem andar de mãos dadas com o seu namorado, significados incômodos culturalmente, construídos ao longo de séculos e que podem levar outros séculos até se desfazerem totalmente.

Como explica a pesquisadora Denise Jodelet, em Das representações coletivas às representações sociais: elementos para uma história, "as representações sociais são uma forma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado, que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social".

No ambiente de trabalho, como em poucos outros espaços, tais representações se materializam de forma mais clara, estabelecendo limites, basicamente, entre três níveis: a aceitação, o respeito distanciado e a intolerância. Na maioria das situações dos dois últimos casos, entretanto, é muito comum o preconceito velado, mais subjetivo, muitas vezes não percebido até mesmo por quem o põe em prática.

Quando estávamos redigindo esta matéria, perguntamos no Twitter e no Facebook se alguém teria problema em trabalhar com um homossexual. Até o fechamento da pauta, foram mais de 200 respostas e em nenhuma alguém manifestou oposição à ideia de ter um colega gay.

Já em uma matéria que publicamos aqui no portal, em julho de 2010, sobre a aprovação da união civil entre indivíduos do mesmo sexo, na qual foi possível comentar anonimamente, pôde-se ler opiniões como estas: "Já trabalhei com algumas(...) e as experiências foram as piores possíveis"; "eu não sou obrigado a aceitar que na minha equipe haja comportamentos homossexuais"; "isso é uma anormalidade, e com certeza eu teria muita dificuldade em contratar um homossexual".

Na opinião do consultor de carreiras Julio Sergio Cardozo, o mercado ainda enxerga o homossexual "com certa desconfiança, como algo estranho, e prefere contratar héteros", mas preserva "o discurso do politicamente correto, de que não faz distinção em razão da opção sexual".

O pernambucano Damião Nascimento, homossexual assumido, sabe bem o que é isso. Ele, que dá aulas de matemática, explica que assumir a homossexualidade em sala é sempre um desafio. "Posso ser gay, não há problema algum. Mas não posso me assumir em sala de aula, pois posso influenciar meus alunos", conta.

Formado em Ciências da Computação, Nascimento não exerce a profissão, e elege o preconceito no mercado da área como um dos empecilhos. "Uma área dominada por homens. Lá, muitos se vestem de uma falsa imagem. É um meio que possui muitos homossexuais, mas muitos fingem ser héteros para não se prejudicarem profissionalmente", afirma.

Segundo ele, as experiências em mercados mais conservadores e masculinos sempre foram problemáticas. "Certa vez, houve uma alegação de que a minha falta de peso – na época eu pesava quase 100kg e passei a 90kg em três meses, através de tratamento – era resultado de minha 'vida mundana'", conta Nascimento.

Diversidade: que mal tem?

Como você pode ler nas declarações anônimas que citamos acima, há muita gente que ainda tem resistências sérias à ideia de dividir o espaço profissional com um homossexual. Já para outros, isso não faz a menor diferença. A assistente comercial Amanda Mello, por exemplo, conta que já atuou em uma equipe com uma colega homossexual e que, no grupo, ninguém nunca a tratou de forma diferenciada, se opôs a desenvolver atividades em conjunto ou questionou sua competência por causa da sua sexualidade. "Todos se sentiam à vontade e também nunca notei que ela se sentisse inferiorizada por ser homossexual", conta Amanda.

O consultor de carreiras Julio Sergio Cardozo acredita que, sendo aceito na empresa, o profissional homossexual "passa a concorrer com os demais em iguais condições. O homossexual não é uma pessoa deficiente, problemática ou outros estereótipos inventados no passado. Se a empresa está em busca de gente competente, que faz a diferença, deve buscar o pessoal que precisa, independentemente da opção sexual, cor da pele, religião, preferência política ou qualquer outra coisa", destaca.

Cardozo ressalta ainda que, inclusive para cargos de chefia, "ser ou estar capacitado não depende do gênero nem tampouco da orientação sexual. O chefe não é 'um homossexual'. Ele (ou ela) é o chefe e como tal será respeitado e admirado, se for um chefe justo", afirma.

O consultor explica que o grande problema, muitas vezes, é na hora da seleção. Depois disso, acredita, as dificuldades não são grandes. "A barreira é de entrada, de ser aceito. Sendo aceito, o profissional será valorizado pelo seu talento", afirma.

Uma questão de direito

A legislação brasileira, hoje, não versa de modo específico sobre a discriminação contra o homossexual. Mesmo assim, existem alguns instrumentos legais através dos quais a questão pode ser tratada. "A Constituição Federal regula a forma como se deve tratar um cidadão, proibindo a discriminação por motivo de sexo, idade, raça, cor, religião ou de qualquer outra natureza. Por conseguinte, o princípio da não-discriminação também está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho", explica o advogado Eduardo Carvalho.

No Congresso Nacional, a Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT tem colocado em discussão o Projeto de Lei 122, que, como ressalta o deputado Jean Wyllys – principal nome da causa hoje em Brasília, tem como objetivo, entre outros, "garantir direitos aos homossexuais em vários espaços, inclusive no mercado de trabalho".

Segundo o parlamentar, o projeto – que equipara a homofobia ao antissemitismo e ao racismo – vai garantir isonomia nas seleções e evitar demissões motivadas pela sexualidade. "Muitos profissionais são demitidos e não admitidos pelo fato de a sexualidade ser considerada critério de seleção", afirma.

O caminho para a aprovação do projeto, porém, não será nada fácil. Fortemente condenado pela bancada religiosa em ambas as casas (Senado e Câmara), o PL tem gerado discussões acaloradas. "Nós, parlamentares progressistas, temos consciência da resistência da bancada evangélica. Mas o nosso papel é, pelo debate político, mostrar a eles que essa não é uma questão moral, mas de direito", afirma Jean Wyllys.

Por Simão Mairins, Revista Administradores