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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O Legado de Elza Soares a Cultura Brasilileira


Elza Soares: a história da diva da música brasileira

Quando falamos da história cultural do Brasil, o samba é um dos protagonistas. Agora, quando o assunto é especificamente este estilo musical brasileiro, lembramos, de imediato, do legado de Elza Soares. Com sua voz inesquecível e coragem de “viver a vida”, no dia 20 de janeiro de 2022, a carioca nos deixou órfãos de um dos grandes nomes da música.

Trata-se de um personagem com qualidade e importância indiscutíveis naquilo que fez e que enfrentou de forma muito dura o machismo e o racismo. É a essa grande mulher, que virou purpurina (como ela mesma dizia em entrevistas), que deixamos a nossa homenagem. Veja a seguir!

O legado de Elza Soares

O legado de Elza Soares foi construído em muitos dias de luta. Nascida em 23 de junho de 1930, ela foi obrigada pelo seu próprio pai a se casar aos 12 anos de idade. Com 13, engravidou do primeiro filho, que não sobreviveu. Aos 15, veio o segundo, que também faleceu cedo demais.

Seis anos mais tarde, ela se tornou viúva do homem do qual herdou o sobrenome Soares. Aos 27 anos, ela já era mãe de cinco crianças. Tudo isso enquanto lidava com preconceitos por ser uma mulher negra em um espaço ocupado por homens brancos.

A voz que em defesa das minorias

Pense só, se hoje o racismo ainda mata e desrespeita pessoas negras, imagina nos anos 50. Com a visibilidade que teve, Elza deu voz às minorias: mulheres, negros, LGBTQIA+, todos eles foram, de certa forma, representados por meio das obras memoráveis da artista.

Em Lama, ela canta sobre empoderamento e a coragem de superar o passado. Em A Carne, do preconceito e da violência vivida por pessoas negras. Já em Maria da Vila Matilde, fala da violência doméstica sofrida no seu casamento com Garrincha, que será abordado aqui mais para frente.

É por conta do legado de Elza Soares enquanto pessoa que seu falecimento impacta tanta gente. Sua contribuição em vida vai muito além do universo da música, sendo sempre fundamental mostrar tudo o que ela representa, representou e vai representar.

O amor de Elza Soares

Vinda de uma família pobre, aos 13 anos, Elza viu um de seus filhos adoecer, logo quando a sua carreira musical começou. Na Rádio Tupi, ela participou de uma competição para conseguir comprar remédios para o seu filho e venceu a disputa!

Foi na emissora onde foi reconhecida pela primeira vez por seu talento. Mas, também, onde sofreu uma das várias violências que marcaram a sua vida. Em um programa de calouros conduzido por Ary Barroso, a jovem cantora foi criticada pelas suas roupas. “De que planeta você veio?”, do “Planeta Fome”, foi o que ela respondeu. Tanto que no álbum Planeta Fome, lançado décadas após o ocorrido, Elza conta dessa história e de várias outras lutas que viveu durante a sua carreira.

Família, amor e dor

Vale mencionar que, quando falamos do amor de Elza Soares, não necessariamente tratamos do amor romântico e sim de todas as suas formas, principalmente com a família. Infelizmente, dois de seus filhos morreram de fome. Uma de suas filhas foi sequestrada ainda criança por um grupo de amigos e só foi encontrada mais de uma década depois.

Junte isso ao seu relacionamento com Garrincha. Os dois se conheceram durante a Copa do Mundo de 1962, um dos pontos-chave de sua carreira. Foram 20 anos juntos, e, em todo esse tempo, a cantora foi acusada de destruir famílias e agredida por ser mulher.

O casamento de Elza Soares com Garrincha

Por mais que a própria Elza deixasse claro que era mais do que a ex-esposa do atleta, as histórias que impactam até hoje não podem deixar de ser citadas. Como ela mesma dizia, era uma relação de amor e ódio.

A verdade é que, na época, nem a mídia nem os fãs aceitavam bem a união entre os dois. Há, inclusive, relatos de um show em que ela foi impedida de se apresentar e teve que sair escondida para não ser agredida.

Mesmo depois de casados, o assédio contra a cantora se fazia presente. Dentro e fora dos palcos, a sua vida se complicava. A união gerou um filho que, aos 9 anos, faleceu em virtude de um acidente. Elza tinha que enterrar mais uma de suas crianças enquanto era vítima de violência doméstica, provocada por um marido alcoólatra.

Embora tenha se apresentado com um dente quebrado uma vez, foi só após se separar que a cantora contou as agressões que sofria. Divorciada, em luto e perseguida pelas pessoas, ela quase desistiu da sua carreira. Foi Caetano Veloso que lhe deu forças para seguir no universo da música.

O sucesso de Elza Soares

Antes de entrar nas conquistas profissionais de Elza Soares, precisávamos passar pela sua intensa história fora dos palcos. Justamente porque muitos desses fatos influenciaram parte das canções e foram eternizados em letras memoráveis. Separamos algumas delas abaixo!

  • Se Acaso Você Chegasse

Apesar de ter começado a carreira aos 13 anos, foi só em 1959 que Elza Soares gravou o seu primeiro disco, Se Acaso Você Chegasse. A destacável faixa-título é um samba tradicional, inspirado pelo jazz e pelo soul, e marcou o seu primeiro sucesso.

  • Eu Sou a Outra

Em 1965, ela canta Eu Sou a Outra, música que fala do seu relacionamento com Garrincha de forma irônica e mostra indiretamente o que eles viveram.

  • A Carne

A clássica A Carne, de 2022, é uma obra que eterniza o sofrimento de pessoas negras. “A carne mais barata do mercado é a carne negra”. Com a composição, ela expôs toda a questão racial vivida no Brasil.

  • Língua

Nos anos 80, sua carreira estava abalada. Foi quando Caetano a convidou pessoalmente para cantar Língua. Isso abriu portas para outros artistas importantes a chamarem para trabalhar, como Lobão e Zé Miguel Wisnik, mantendo o foco de Elza em fazer música.

  • Maria da Vila Matilde

Anos após o fim do relacionamento com Garrincha, Elza cantou sobre a violência que viveu. Mais do que isso, em Maria da Vila Matilde, ela fala sobre a lei Maria da Penha e as agressões que várias mulheres sofrem diariamente.

Os prêmios de Elza Soares

Retornando ao passado, em 1999, dois fatos foram marcantes para a história e legado de Elza Soares. Primeiro, a rádio BBC elegeu a carioca como a “cantora brasileira do milênio”. Depois disso, ela caiu do palco em um show e precisou passar por uma cirurgia na coluna, o que dificultou seus movimentos. Tanto que nos anos finais de vida, a cantora fazia os seus shows sentada.

2002 foi quando ela recebeu a sua primeira indicação ao Grammy. O disco Do Cóccix Até o Pescoço teve contribuições de Caetano Veloso, Chico BuarqueCarlinhos Brown e outros nomes ícones da música brasileira. Inclusive, impulsionou várias turnês da cantora pelo Brasil e pelo mundo.

Em 2015, lançou o disco A Mulher do Fim do Mundovencedor de Grammy Latino e eleito um dos dez melhores álbuns de todos os tempos. O projeto fala sobre negritude, sexo e outros assuntos que fizeram parte de sua vida.

Elza Soares sempre será um ícone

A história de Elza Soares é marcada por momentos felizes e tristes, de luta. É inegável a sua contribuição na luta contra o machismo, a violência contra a mulher e o racismo. 

Isso sem falar que ela é uma referência do samba, da MPB e de vários outros ritmos brasileiros. Infelizmente, aos 91 anos, a artista veio a óbito por causas naturais.

Ao longo deste conteúdo, elencamos alguns fatos que fizeram parte da sua trajetória. Do casamento forçado aos prêmios conquistados, todos esses acontecimentos contribuíram para a formação do legado de Elza Soares, eternizado entre nós.

Esperamos que você tenha entendido um pouco mais sobre este grande nome que o Brasil perdeu. 

Descanse em paz, Elza!

Por Ayllana Ferreira - https://m.cifraclub.com.br/

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DO CARNAVAL E SUAS ORIGENS

carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil e que, ao longo do tempo, tornou-se elemento da cultura nacional. Porém, o carnaval não é uma invenção brasileira nem tampouco realizado apenas neste país. A História do Carnaval remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia quanto na Grécia e em Roma.
palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.
Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.

O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.
O que havia de comum nas duas festas e que está ligado ao carnaval era o caráter de subversão de papéis sociais: a transformação temporária do prisioneiro em rei e a humilhação do rei frente ao deus. Possivelmente a subversão de papeis sociais no carnaval, como os homens vestirem-se de mulheres e vice-versa, pode encontrar suas origens nessa tradição mesopotâmica.
As associações entre o carnaval e as orgias podem ainda se relacionar às festas de origem greco-romana, como os bacanais (festas dionisíacas, para os gregos). Seriam festas dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos), marcadas pela embriaguez e pela entrega aos prazeres da carne.
Havia ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

Mas tais festas eram pagãs. Com o fortalecimento de seu poder, a Igreja não via com bons olhos as festas. Nessa concepção do cristianismo, havia a crítica da inversão das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, invertia-se também a relação entre Deus e o demônio.
A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.
Durante os carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.
Durante o Renascimento, nas cidades italianas, surgia a commedia dell'arte, teatros improvisados cuja popularidade ocorreu até o século XVIII. Em Florença, canções foram criadas para acompanhar os desfiles, que contavam ainda com carros decorados, os trionfi. Em Roma e Veneza, os participantes usavam a bauta, uma capa com capuz negro que encobria ombros e cabeça, além de chapéus de três pontas e uma máscara branca.

A história do carnaval no Brasil iniciou-se no período colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que na colônia era praticada pelos escravos. 
Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.
Copiado: http://brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm

sexta-feira, 17 de julho de 2015

João do Vale - O Poeta do Povo [ÁLBUM COMPLETO] ... Um Maranhense de Pedreiras












UM MARANHENSE DE PEDREIRAS...





Por Ferreira Gullar...

Devo dizer que considero João do Vale uma das figuras mais importantes da música popular brasileira. Se é certo que em 1964-65, quando se realizou pela primeira vez o show Opinião, os grandes centros do país tomaram conhecimento de sua existência e lhe reconheceram os méritos de compositor, não é menos certo que pouca gente de seu conta do que ele realmente significa como expressão de nossa cultura popular. Isso se deve ao fato de que João do Vale não é um compositor de origem urbana e que só agora se começa a vencer o preconceito que tem cercado as manifestações populares sertanejas. 

É verdade que em determinados momentos, com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, essa música conseguiu ganhar o auditório nacional, mas para, em seguida, perder o lugar conquistado. É que o Brasil é o grande e diversificado. 

Basta dizer que, quando João do Vale se tornou um nome nacional, já tinha quase trezentas músicas gravadas, que o Nordeste inteiro conhecia e cantava, enquanto no Sul ninguém ainda ouvira falar nele. Lembro-me da primeira vez que o vi cantar em público, em 1963, no Sindicato dos Bancários, no Rio, convidado por Thereza Aragão. 

Dentro de um terno branco engomado, pisando sem jeito com uns sapatões de verniz, entrou em cena. Parecia encabulado, mais, quando começou a cantar, empolgou o auditório. Era como se nascesse ali o novo João do Vale que, menos de dois anos depois, na arena do Teatro Opinião, faria o público ora rir, ora chorar, com a força e a sinceridade de sua música e de sua palavra. 

Autenticidade é uma palavra besta mas é na autenticidade que resida a força desse João maranhense, vindo de Pedreiras para dar voz nacional ao sertão. Mas não só nisso, e não apenas no seu talento, como também em sua cultura. Há gente que pensa que culto é apenas quem leu muitos livros. No entanto, se tivesse tido, como eu a oportunidade de ouvir João cantar as músicas sertanejas que ele sabe, veria que ele é a expressão viva de uma cultura. 

De uma cultura que não está nos livros mas na memória e no coração dos artistas do povo.
Ferreira Gullar

Copiado: http://www.cecac.org.br/

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Bumba Meu Boi do Maranhão


O Bumba Meu Boi é a festa mais marcante da cultura popular da região maranhense. Em homenagem ao protetor do auto, São João, a festa acontece principalmente entre os meses de junho e julho, mas há muitos eventos fora de época que ocorrem durante todo o ano.
A tradição surgiu no século XVIII e ainda hoje envolve a população de São Luís que, durante as festividades, ocupa todas as partes da cidade, da periferia aos shoppings. Grupos de todo o estado se reúnem, dançando e cantando noite adentro.
O Bumba-meu-boi é uma festa democrática, que envolve pessoas de todas as idades e extratos sociais. Por ser uma festa de origem negra, ela sofreu perseguição política e policial, chegando a ser proibida de 1861 a 1868.
O enredo do Bumba-meu-boi conta a história de Pai Francisco, um escravo que, para saciar o desejo de sua esposa grávida por uma língua de boi, mata o gado de estimação do senhor da fazenda. Percebendo a morte do boi, o senhor convoca pajés e curandeiras para ressuscitar o animal. O boi volta à vida e a comunidade festeja.
Essa história é um retrato das relações sociais e econômicas vigentes naquela região no período colonial. O nordeste brasileiro vivia da monocultura e da criação de gado, apoiando-se em um regime de escravidão.
Hoje em dia, a forma como o boi é apresentado não narra mais a história completa. São contados enredos simplificados, também conhecidos como “meia-lua”.
O festejo se divide em quatro etapas. Ainda na preparação começa o primeiro estágio e os ensaios. Eles se iniciam no sábado de aleluia e terminam dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, ou no sábado mais próximo dessa data.
A segunda fase é o batismo, quando o boi recebe todas as bênçãos do padroeiro da festa. A celebração com brincadeiras em arraiais durante todo o período de festa junina é a terceira etapa. A quarta e última etapa é a morte do boi, que acontece no final do mês de julho e termina definitivamente em outubro.
Somente na cidade de São Luís existem mais de cem grupos de Bumba-meu-boi. Cada um deles tem o seu sotaque, ou seja, uma forma própria de se expressar através das vestimentas, da coreografia, dos instrumentos escolhidos e da cadência da música. Os cinco sotaques mais famosos são:

MATRACA

Vindo de São Luís, tem como principal instrumento a matraca, dois pedaços de madeira que são batidos um no outro, e o pandeiro rústico, feito de couro de cabra. O sotaque de Matraca tem um ritmo bem acelerado, embalado por dezenas de matraqueiros.

ZABUMBA

Forte na região de Guimarães e arredores, tem como puxadores o ritmo africano das zabumbas, tambores bem grandes socados por uma maceta. Pandeirinhos e matracas também participam, mas somente como complementos O figurino é bem rico. Os brincantes usam roupas aveludadas, saias amplas bordadas e chapéus cheios de fitas que quase cobrem seu rosto.

ORQUESTRA

Tem origem na região de Munim, seu ritmo é festivo e de muita alegria. Seu destaque é uma banda com instrumentos de sopro e corda. Os participantes também têm trajes de veludo com ricos bordados e miçangas e dançam ao som de saxofones, banjos e clarinetas.

BAIXADA

Tem o som mais leve e lento, apesar de também usar pandeiros e matracas. Na verdade, é o toque ritmado que dá o tom suave. A roupa vem com penas e bordados em bases de veludo e chapéus suntuosos. O Cazumba, bicho e homem são personagens características desse sotaque.

COSTA DE MÃO

Surgido na região de Cururupu, esse sotaque vem embalado por um ritmo cadenciado ao som de pandeiros tocados com as costas da mão, caixas e maracás. As roupas também têm bordados em calças e casacos e seus chapéus em cogumelo funil são adornados com flores.
As fotos são de Autoria: Jorge Cavalcante ( JORGENCA)
Copiado: http://bumba-meu-boi.info/

quarta-feira, 3 de junho de 2015

ZECA BALEIRO DE A a Z: O CANTOR DO FINAL DOS TEMPOS (OU DO COMEÇO DE OUTROS)

Já se foi o tempo (e não faz muito tempo) que a gente ficava esperando sentado o lançamento do disco do nosso artista preferido para, no espaço máximo de dois anos, ficar digerindo uma a uma aquelas canções, despreocupadamente.

Em se tratando de um grande cantor/compositor de “MPB” ou potencial que pudesse se encaixar na sigla, bem provável que uma dessas músicas embalasse algum romance fatal de novela das oito.
Quase sempre havia nesse interstício um disco ao vivo, de qualidade sonora duvidosa, com as mesmas canções de estúdio cantadas de forma despojada, misturadas a outras de tempos atrás. Era o prenúncio de que, dali a mais ou menos um ano, certamente já estaria a caminho um novo disco de inéditas.

Tínhamos assim exatos o domínio do tempo dos cantores, das bandas, dos discos, das canções e de como as digerir em certa hora até que elas se desgastassem nas ondas sonoras das AM´s e FM´s e nas paixões avassaladoras das telenovelas.

Era esse o timing da indústria fonográfica até a massificação da internet que causou um impacto substancial na forma de se fazer e de se consumir música.

Perdidos no meio dessa transição, no completo caos de tempo-espaço, muitos artistas não conseguiram se desvencilhar da fórmula anacrônica. Mas não é o caso de Zeca Baleiro que, desde o início de sua carreira, já anunciava não se amoldar a qualquer esquema que pudesse restringir sua criatividade.

E é com surpreendente destreza que ele tem abraçado simultaneamente vários projetos, sem medo de transver as velhas fórmulas, o que na verdade muito tem servido à sua qualidade multimídia e ao seu impulso produtivo incansável.

O Baleiro esteve na novela das oito, cantando o tema de um par romântico que ficou massificado em sua voz, uma das canções mais executadas de ultimamente. Mas muitos poderiam se perguntar: em que novo disco do compositor maranhense está a badalada canção? Zeca Baleiro cantando Geraldo Azevedo? Estaria em crise criativa? E sua veia autoral, que fim deu a Rede Globo?

Não, ele não acabou de compor! Eu li em uma rede social que ele tocou aqui em São Luís na semana passada. Estaria em uma nova turnê com Zélia Duncan. Parece que os dois andam fazendo composições para um disco novo que deve sair até o final do ano. Já tem até uma música nova no site do Baleiro.

Nada disso! Se não me falha a memória, acabou de sair do forno um disco só para crianças, parecido com aquele projeto da Adriana Calcanhotto. Até o vi no Jô Soares cantando algumas canções pra promover o novo trabalho.

Mas posso estar equivocado... Ouvi dizer também que ele largou de compor canções para se dedicar somente às crônicas, virou escritor. Já havia lançado em 2014 uma coletânea com textos publicados na Revista Istoé. Quando canta é só para homenagear poetas de quem gosta muito, como Hilda Hilst.

Não, não largou a música! Resolveu se especializar em trilhas sonoras para filmes. Li em um blogue que ele vai assinar a trilha sonora de um documentário baiano sobre o lendário Edy Star. Aqui e ali, tem ainda atuado como produtor de artistas novos e outros esquecidos no tempo. Fez discos resgatando as obras de Sérgio Sampaio e Odair José.

Tudo errado! Ele lançou há pouquíssimo tempo o Ao Vivo “Calma Aí Coração”, do seu último disco de inéditas. Já, já vem música nova do velho e bom Zeca, vocês vão ver... O único projeto paralelo de que tenho conhecimento é o Baile do Baleiro. Ano passado eu o vi na virada cultural em São Paulo, tenho certeza disso!

Afinal, Por onde andará de fato Zeca Baleiro? É o que deve estar se perguntando agora Stephen Fry... Só falta ele ter montado uma banda de rock e ter virado o novo Renato Russo, descrente que andava há muito tempo do rock nacional.

As respostas são diversas e, no caso do Zeca, são hoje a melhor representação de como o compositor de música popular, assessorado por uma equipe muito bem antenada, pode ter vida longa e original, distribuindo-se de forma inteligente nessa multiplicidade caótica de espaço-tempo.
Zeca Baleiro está na TV aberta como tema da novela das oito, ao mesmo tempo em que está na TV fechada em um projeto ousado homenageando Zé Ramalho, assim como está no circuito alternativo de cinema, compondo trilhas sonoras. Vai virar CD, DVD?  Ainda lançará disco de inéditas? Em que tempo? Não se sabe. É Zeca Baleiro solo, piano e voz, e em registro ao vivo com direito a coreografia parodiando megahits do funk nacional. É compositor, intérprete, cronista, produtor. Um itinerário de confundir mesmo os seguidores mais assíduos. Zeca Baleiro é Adriana Partimpim e canta com Zélia Duncan. É artista de A a Z. Deve ser mesmo o sinal dos tempos ou quiçá, o começo de outros. O futuro não é mais como era antigamente.

Por Samuel Carvalho Marinho 
 http://blogdoedwilson.blogspot.com.br

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

PEDREIRAS- MA - MEU PEDAÇO DE CANÇÃO


MÚSICA - 252 PEDREIRENSES - (Veja o Vídeo)
MÚSICA: Meu pedaço de canção
AUTORES: Paul Getty e Zé Lopes
INTÉRPRETES: Garrincha, Kosta Netto e Chico Viola
LETRA

Pedreiras, meu pedaço de canção 
Minha cidade, minha poesia 
Verso, universo da minha alegria 
Terra onde plantei meu coração 

Geraldo, Professor Pereira, Zé Moscoso, Genuíno, 
João Velho e Chiquito 
Iam com Joaquim Pinheiro e Chiquim da Calçadeira 
Pro forró de Edite Brito. 

Zé do Carmo costurou pra Valdeci 
Zé Ramalho anunciou o forrozão 
Palhano e Maria Corinto dançavam ao som dos Zíngaros 
Domingo na União. 

Pixuri, Dos Santos, Toinha e Esmeralda a bela 
Sairam da Trizidela com Alzira, Perpétua e Mariazinha 
Carmelita, Dalva, Raimunda, Ciroca, e Luiza 
Foram dançar no Diogo no terreiro de Rosinha. 

Terezinha, Aldenora Veloso, Cotinha Trindade, 
Dona Brazilizia e Maria Ferreira, Deuzina, 
Isabel, Tia Dica e Diá... 
Tia Cotinha, Dona Sinhá 
Que saudade que dá 
Do lírio da Maricô e do surubim da Irá. 

Zé Cirilo, vê se aprende a lição, senão vai entrar agora 
Na palmatória do Seu Conceição. 
Iraci Melo, Colégio Gonçalves Dias, 
Ver teus alunos doutores é motivo de orgulho e de grande alegria. 

Iris Lane, Beatriz, Maria Alzira, Dona Moreninha, 
Dona Olinda e Mariquinha (Cacilda Abreu) 
Maria do Hélio, Raimunda Gama, Noalda, Domingas, 
Maria Onilde, Valdirene e Antoninha. 

Chico Leite, Enxuga o Rato, Sebasto e Mergulhão (pescador) 
Pato Broco, Sete Capa e Rolão (tão no céu) 
Taba e Raimundo Duro, Manga Rosa 
Catespera, Arturzinho e Gabriel. 

Chico Pinto, Jorge Atta, Osmundo e João Pinheiro 
Nair Maranhão , Antônio Santos, Sebastião Roxo e Zé Monteiro 
Antonio Chofer , Antônio Rosendo e Antenor Pinto 
Dão as cartas do baralho pro velho Chico Corinto. 

Dom Jacinto veja como é bonito 
A igreja preparada pro festejo de São Benedito. 
Frei Raimundo tua santa missa é bela 
Na igreja de Santo Antônio abençoando a Tresidela. 

Pedro Nicolau, Antônio Braz, João Pinton, Antônio da Viúva, 
Melico e Milson Coutinho, 
B.A.Braga, Zé Dantas, Tonhô e Aidá 
Foram pro Chatô do Inácio 
Com Zé Preto farrear. 

Tiago Costa, Zé Santos e Edmilson Alencar 
Dr Antônio, Zequinha Sampaio e Bocão, 
Gumercindo e Zé Gomes, Antônio Pereira e Natinho 
Invadiram o Taboão. 

Seu Cordeiro, Dr. João Alberto, Zeca Florentino 
Zé Carvalho e Chico Velho, Tenente Helvécio e Raimundo do Bar 
Zequinha Apolinário, junto com o Sibá 
Tomaram o microfone de Helvecinho, pra João Barreto cantar... 

Brandinho dê o tom no violão 
Que Paulo Geovane encanta com a voz saída do seu coração. 
Bebeto toque um samba pra Niltão 
Que Lucy Frabis e Pitando o Sete entoam pra Chagas a nova canção. 

Filagrode, Caçimbão, Biné Fogueteiro, Coringa, Roldão, 
Maria Pacu e Maria Melão 
Pedro Fulô e Chico Cabeludo faziam salseiro 
Com Carlito Capelobo e Ludrugero Sorveteiro. 

João Tomaz, João Pedro, Manoel Barbeiro e Gipão (Mainha) 
Zé Mendengue, Zé Eugênio e Zé Bimbão (Simplício) 
Lulu Braúna – O fogueteiro foi olhar no Bar do Índio 
A lista dos caloteiros 

Sandro Alex, Zequinha Ribeiro, Bené, Manelzinho 
Vigário, Sabrina, Lorinha, Carlinhos 
Netão do Kavaco, Paúla, Itamar 
Santiago, Josivan e Marcílio de Moraes 
Daniel Lisboa e Paulo Piratta esse som é bom demais... 

Chico Viola dê o tom pra Damião 
Pra ele fazer um repente falando em Diouro e também em João. 
Os Pachêcos, arte como inspiração, 
Desenho, gravura, pintura, samba de raiz, é terra, é chão! 

Neto Arraes, Wescley Brito, Samuel Barreto, Paulinho Nó Cego, 
Zé Roberto e Joaquim Filho 
Filemon, Nonato Matos, Floriza, Vicente 
Kleber Lago, Moisés e Edivaldo, são os poetas da gente. 

Bombilha, Inácio e Derrinha 
Benjamim, Sabugo, Hélio e Quarentinha 
Riba de Alonso e João Filho a driblar 
Passa a bola para o Robert, pro Nestor e pra Cocá. 

Entendente Abílio Monteiro e Homero Braúna 
Vicente Benigno, Pedro Barroso, Edmilson Filho e Graça Melo 
Josenil, Dr Kleber, Josélio e Chico Sá 
Carlos Melo, Raimundo Louro, Lenoilson e Paulo Maratá. 

Zé Galinha vá buscar o Colozinho 
Que vai ter Piau no azeite no bar de Zé Reis e no de Dominguinhos. 
Seu Zezico toque o sax com jeitinho 
No Terraço Xavier vai ter arrastapé com o Luis Bracinho. 

Batistão, Otacílio e Walter Brandão 
Brás Paulino, Cor de Rosa, Tibúrcio, Astor e Bentivi 
Vicentão, Juarez da Oficina, Carrinho Martins, 
Seu Pili, Pedro Calheiro, Nivaldete e Janduí. 

Skailab, C. Rolim, Cinquentenário (futebol) 
Cabrante, Solibrante, Tambor Furado (carnaval) 
Na carroça de Zé Brac 
Durval levava a saudade do Treme-Treme e do Tric-Tric (Trac). 

Santaninha, Belmiro, Chiquinho, Bambinha e Magão 
Rômulo Lago, Biné Carvalho, Júlio, Ratinho, Bastos e Tigrão 
Da galera, tá no sangue, tá na veia 
Reunir lá no Demir para falar da vida alheia. 

Paulo César, Totonho Chicote, Hermes e Dedê 
Diquinho Gomes, Chico Lázaro, Carlito Cantanhêde e Raimundê 
Manel Babau, Galeria, Arcap, Terraço Seringal 
Bar do Rodrigo, Almir e Polyarte 
Cidades e Notícias o JORNAL. 

Garrincha solte aqui seu vozeirão 
Pra enaltecer Pedreiras e encantar o Maranhão! 
Jackson Lago, Pedreiras é teu torrão, 
Um sonho, uma realidade, amor, paixão e coração. 


sábado, 21 de julho de 2012

MEU CORAÇÃO - BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS



O Botafogo de Futebol e Regatas nasceu oficialmente no dia 8 de dezembro de 1942, como resultado da fusão de dois clubes com o mesmo nome: o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo Football Club. Os dois clubes tinham suas sedes no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e se uniram depois de um triste fato.
No dia 11 de junho de 1942, os dois clubes disputavam uma partida de basquete pelo Campeonato Estadual e o jogador Albano, do Botafogo F.C., durante o intervalo, caiu em quadra, vítima de um ataque fulminante. A partida foi interrompida a dez minutos do final, quando o placar marcava CRB 21x 23 BFC. O corpo de Albano saiu da sede de General Severiano e, quando passava em frente ao Mourisco Mar, o então presidente do C.R.Botafogo, Augusto Frederico Schimidt, disse: "Comunico nesta hora a Albano que a sua última partida resultou numa nítida vitória. O tempo que resta do jogo interrompido os nossos jogadores não isputarão mais". O então presidente do Botafogo Football Club, Eduardo Góis Trindade, respondeu: "Nas disputas entre os nossos clubes só pode haver um vencedor, o Botafogo!" Schimidt então selou a fusão: "O que mais é preciso para que os nossos dois clubes sejam um só?".
Com a fusão foram feitas apenas três alterações: a bandeira perdeu o escudo das letras entrelaçadas do BFC e ganhou a estrela solitária do Clube de Regatas Botafogo; a equipe passou a usar calções pretos e a bandeira ganhou um retângulo preto, com uma estrela branca ao alto. Nos anos 30, durante a cisão entre amadores e profissionais, o Botafogo conquistou o único tetra do Campeonato Carioca, representado por quatro estrelas acima do escudo na camisa. Atualmente, porém, o Botafogo não utiliza mais essas estrelas complementares, deixando apenas a do escudo e fazendo valer o apelido de Estrela Solitária.
O primeiro título veio seis anos depois, em 1948, com Carlito Rocha como dirigente e o cachorro Biriba como mascote, derrotando em General Severiano o lendário Expresso da Vitória, do Vasco da Gama. Os anos que se seguiram foram marcados por vitórias e ídolos. Em 1957, o título carioca foi conquistado com uma histórica goleada por 6 a 2 sobre o Fluminense. O time alvinegro reuniu craques como Garrincha, Nilton Santos, Didi, Quarentinha, Amarildo, Paulo Valentim e Zagallo, conquistando três Campeonatos Estaduais, três Rio-São Paulo e servindo de base para a Seleção Brasileira que conquistou as Copas do Mundo em 1958 e 1962. Outro time glorioso foi o de 1967-1968, que conquistou o bicampeonato carioca e a Taça Brasil.
A volta dos títulos começou em 21 de junho de 1989, na histórica vitória de 1 x 0 sobre o Flamengo, quebrando o jejum de 20 anos com uma campanha invicta. No ano seguinte veio o bi, em 1993 a Copa Conmebol e, em 1995, o Campeonato Brasileiro, comandado por Túlio, Gonçalves e Donizete, entre outros. No mesmo ano, o clube voltou para a antiga sede, onde a torcida comemorou a Taça Guanabara (com 100% de aproveitamento) e o Campeonato Estadual de 1997. Para completar a década, o tetracampeonato do Rio-São Paulo em 1998.
Como nada é fácil para o Botafogo, o clube voltou a passar por dificuldades. A maior delas foi a queda para a Segunda Divisão em 2002. No ano seguinte, entretanto, abraçado por sua torcida, o time garantiu o acesso. Em reconstrução, o Botafogo conquistou o Carioca em 2006 e chegou a três finais consecutivas nos anos seguintes. Paralelamente a isso, em 2007 ganhou a licitação para administrar o Estádio Olímpico João Havelange durante 20 anos. Em 2010, o Botafogo ganhou o Campeonato Carioca de forma histórica, arrancando de uma goleada por 6 a 0 para o Vasco para a conquista das Taças Guanabara e Rio e do Estadual, sem necessidade de final. No jogo decisivo, uma vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, com cavadinha de Loco Abreu e Jefferson defendendo pênalti de Adriano.

domingo, 24 de junho de 2012

A origem da Festa Junina no Brasil e suas influências

Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Por isso, as festas que acontecem em todo o mês de junho são chamadas de "Festa Joanina", especialmente em homenagem a São João.

O nome joanina teve origem, segundo alguns historiadores, nos países europeus católicos no século IV. Quando chegou ao Brasil foi modificado para junina. Trazida pelos portugueses, logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros.

   A influência brasileira na tradição da festa pode ser percebida na alimentação, quando foram introduzidos o aipim (mandioca), milho, jenipapo, o leite de coco e também nos costumes, como o forró, o boi-bumbá, a quadrilha e o tambor-de-crioula. Mas não foi somente a influência brasileira que permaneceu nas comemorações juninas. Os franceses, por exemplo, acrescentaram à quadrilha, passos e marcações inspirados na dança da nobreza européia. Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses.

   A dança-de-fitas, bastante comum no sul do Brasil, é originária de Portugal e da Espanha.
   Para os católicos, a fogueira, que é maior símbolo das comemorações juninas, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel acendeu uma fogueira sobre o monte.

   No Nordeste do país, existe uma tradição que manda que os festeiros visitem em grupos todas as casas onde sejam bem-vindos levando alegria. Os donos das casas, em contrapartida, mantêm uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. Os festeiros acreditam que o costume é uma maneira de integrar as pessoas da cidade. Essa tradição tem sido substituída por uma grande festa que reúne toda a comunidade em volta dos palcos onde prevalecem os estilos tradicionais e mecânicos do forró.

Assim surgiu a Festa de São João

    Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se.
   Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria nascer seu filho, que se chamaria João Batista.
   Nossa Senhora, então, perguntou-lhe:
- Como poderei saber do nascimento do garoto?
- Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe poderá vê-la e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei, também, erguer um mastro, com uma boneca sobre ele.
    Santa Isabel cumpriu a promessa.
   Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, uma fumacinha e depois umas chamas bem vermelhas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia vinte e quatro de junho.
Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, e fogueira e outras coisas bonitas como: foguetes, balões, danças, etc…
   E, por falar nisso, também gostaria de contar porque existem essas bombas para alegrar os festejos de São João.
   Pois bem, antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste, porque não tinha um filhinho para brincar.
   Certa vez, apareceu-lhe um anjo de asas coloridas, todo iluminado por uma luz misteriosa e anunciou que Zacarias ia ser pai.
   A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz, emudeceu até o filho nascer.
   No dia do nascimento, mostraram-lhe o menino e perguntaram como desejava que se chamasse.
   Zacarias fez grande esforço e, por fim, conseguiu dizer:
- João!
   Desse instante em diante, Zacarias voltou a falar.
   Todos ficaram alegres e foi um barulhão enorme. Eram vivas para todos os lados.
   Lá estava o velho Zacarias, olhando, orgulhoso, o filhinho lindo que tinha…
   Foi então que inventaram as bombinhas de fazer barulho, tão apreciadas pelas crianças, durante os festejos juninos.
 

Santo Antônio - 13 de junho

Entre os santos que mais são comemorados durante as festas juninas, Santo Antônio é com certeza o que mais possui devotos espalhados pelo Brasil e também por Portugal.
 
Esse santo, que normalmente é representado carregando o menino Jesus em seus braços, ficou realmente conhecido como "casamenteiro"e é sempre o mais invocado para auxiliar moças solteiras a encontrarem seus noivos.

Em vários lugares do Brasil, há moças que chegam a realizar verdadeiras maldades com a imagem de Santo Antônio a fim de agilizarem seus pedidos.
 
Não são raras as jovens que colocam a imagem do santo de cabeça para baixo e dizem que só o colocam novamente na posição correta se lhes arrumar um namorado. Também separam-no do menino Jesus e prometem devolvê-lo depois de alcançarem o pedido. Na madrugada do dia 13 são realizadas diversas simpatias com este intuito. Mas não é só o título de casamenteiro que Santo Antônio carrega. Ele também é conhecido por ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos.
Padre Vieira, um jesuíta, definiu assim Santo Antônio em um sermão que realizou no Maranhão em 1663:
"Se vos adoece o filho, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se perdeis a menor miudez de vossa casa, Santo Antônio; e, talvez, se quereis os bens alheios, Santo Antônio", disse Padre Vieira.
Na tradição brasileira, o devoto de Santo Antônio gosta de ter sua imagem pequena para poder carregá-la. Por esse e tantos outros motivos que ele é considerado o "santo do milagres".
Ainda com a tradição que são realizadas duas espécies de reza e festa em homenagem a Santo Antônio. A primeira delas, chamada "os responsos, é realizada quando o santo é invocado para achar coisas perdidas e a segunda, designada "trezena", é a cerimônia dedicada ao santo do dia 1 ao dia 13 de junho, com cânticos, fogos, comes e bebes e uma fogueira com o formato de um quadrado.
Ainda há um outro costume que é muito praticado pela Igreja e pelos fiéis. Todo o dia 13 de junho, as igrejas distribuem aos pobres e afortunados os famosos pãezinhos de Santo Antônio. A tradição diz que o pãezinhos deve ser guardado dentro de uma lata de mantimento, para a garantia de que não faltará comida durante todo o ano.

São João - 24 de junho

Outro santo muito comemorado no mês de junho é São João. Esse santo é o responsável pelo título de "santo festeiro", por isso, no dia 24 de junho, dia do seu nascimento, as festas são recheadas de muita dança, em especial o forró.
No Nordeste do País, existem muitas festas em homenagem a São João, que também é conhecido como protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere a dores de cabeça e de garganta.
Alguns símbolos são conhecidos por remeterem ao nascimento de São João, como a fogueira, o mastro, os fogos, a capelinha, a palha e o manjericão.
Existe uma lenda que diz que os fogos de artifício soltados no dia 24 são "para acordar São João". A tradição acrescenta que ele adormece no seu dia, pois, se ficasse acordado vendo as fogueiras que são acesas em sua homenagem, não resistiria e desceria à terra.
As fogueiras dedicadas a esse santo têm forma de uma pirâmide com a base arredondada.
O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24. O mastro, composto por uma madeira resistente, roliça, uniforme e lisa, carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João do carneirinho. A bandeira é colocada no topo do mastro.
O responsável pelo mastro, que é chamado de "capitão" deve, juntamente com o "alferes da bandeira", responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro.
Contra a tradição que a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo.
O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro.
Uma outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, pessoa que está pagando por alguma graça alcançada.
A lavagem geralmente é feita à meia-noite da véspera do dia 24 em um rio, riacho, lagoa ou córrego. O padrinho recebe da madrinha a imagem do santo e lava-o com uma cuia, caneca ou concha. Depois da lavagem , o padrinho entrega a imagem à madrinha que a seca com uma toalha de linho.
Durante a lavagem é comum lavar os pés, rosto e mãos dos santos com o intuito de proteção, porém, diz a tradição que se alguma pessoa olhar a imagem de São João refletida na água iluminada pelas velas da procissão, não estará vivo para a procissão do ano seguinte.

São Pedro - 29 de junho

O guardião das portas do céu é também considerado o protetor das viúvas e dos pescadores. São Pedro foi um dos doze apóstolos e o dia 29 de junho foi dedicado a ele. Como o dia 29 também marca o encerramento das comemorações juninas, é nesse dia que há o roubo do mastro de São João, que só será devolvido no final de semana mais próximo. Mas como as comemorações juninas perduram alguns dias, as pessoas dizem que no dia de São Pedro já estão muito cansadas e não têm resistência para grandes folias, sendo os fogos e o pau-de-sebo as principais atrações da festa. A fogueira de São Pedro tem forma triangular.
 
Como São Pedro é cultuado como protetor das viúvas, são elas que organizam a festa desse dia, juntamente com os pescadores, que também fazem a sua homenagem a São Pedro realizando procissões marítimas.

No dia 29 de junho todo homem que tiver Pedro ligado ao seu nome desse acender fogueiras nas portas de suas casas e, se alguém amarrar uma fita em uma pessoa de nome Pedro, este se vê na obrigação de dar um presente ou pagar uma bebida à pessoa que o amarrou.

 

Festas Juninas no Nordeste 
Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.
Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas. 

Comidas típicas 
Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.
Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais. 

Tradições 
As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.
No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.
Já na região Sudeste são tradicionais a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse.

FESTA JUNINA NO MARANHÃO

Como manda a tradição, hoje é dia de acender fogueira e dançar em homenagem a São João. A véspera do dia do santo representa o ponto alto dos festejos juninos no Nordeste. No Maranhão, a festa é no ritmo do bumba-meu-boi, que traz um imenso colorido para as noites de junho.

São mais de 300 grupos espalhados na cidade que vão de arraial em arraial, durante todo o mês de junho, para contar a lenda de Catirina, a escrava grávida que desejou comer a língua do boi mais bonito da fazenda.
Segundo a lenda, o marido, pai Francisco, satisfez o desejo da mulher, mas o patrão colocou vaqueiros atrás dele para vingar a morte do boi. Foi preciso a ajuda de índios e feiticeiros para ressuscitar o animal - o que acabou virando uma grande festa.
Só na capital São Luís, a prefeitura cadastrou 60 arraiais que funcionam na cidade durante todo o mês de junho. Cada noite recebe uma média de cinco apresentações de grupos de bumba-meu-boi.
Os grupos variam de tamanho, possuem de 100 a 1,5 mil integrantes que são responsáveis por bordar suas roupas com miçangas e canutilhos. Eles são classificados de acordo com o ritmo predominante: o bumba-meu-boi de orquestra, de zabumba e matraca.
Para que a festa seja abençoada, os brincantes de bumba-meu-boi do Maranhão são batizados. O ritual é feito por um padre. A data depende da conveniência de cada grupo, mas alguns, que escolhem São João como "padrinho", marcam o batismo para a virada de 23 para 24 de junho.
Além de São João, a festa é em homenagem a Santo Antônio, São Pedro e São Marçal. Este último não é reconhecido pela igreja, mas é considerado o padroeiro dos grupos de bumba-meu-boi e reverenciado em São Luís no dia 30 de junho.

Copiado: http://www.arteducacao.pro.br/Cultura/junina.htm