quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Gestão Financeira e o Fluxo de Caixa

O que é Gestão Financeira?

   A gestão financeira é uma tradicional área funcional encontrada em todas as organizações. A boa funcionalidade financeira integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controle dos recursos financeiros da organização.


A função financeira integra:
O planejamento de todas as necessidades financeiras, a descrição de todos os recursos disponíveis, a previsão de todos os recursos futuros e o cálculo de eventuais necessidades de obtenção de recursos externos. 
A obtenção de créditos de forma mais vantajosa (tendo em conta os custos, prazos e outras condições contratuais, as condições fiscais, a estrutura financeira da empresa);
A aplicação criteriosa dos recursos financeiros, incluindo os excedentes de tesouraria (de forma a se obter uma estrutura financeira equilibrada e a correta adequação aos níveis de eficiência e de rentabilidade pretendidos).
As análises financeira do período em questão, da viabilidade econômica e financeira dos investimentos.
- Fluxo de Caixa -
O fluxo de caixa (inglês - Cash flow), indica o montante recebido e gasto por uma empresa, instituição corporativa ou uma pessoa física durante um período de tempo definido. Também pode estar atrelado a um projeto específico.
Na Contabilidade, uma "Projeção de fluxo de caixa" demonstra todos os pagamentos e os recebimentos esperados em um determinado período de tempo.
O Gestor de fluxo de caixa necessita ter uma visão geral e clara sobre todas as funções da empresa, como: pagamentos, recebimentos, compras de matéria-prima, salários e outros, por que é necessário prever o que se poderá gastar no futuro dependendo do que se consome hoje.
O fluxo de caixa é uma ferramenta essencial ao administrador. Ela permite que os gestores das empresas possam tomar as decisões necessárias e é através deste mapa que os custos fixos e variáveis ficam evidentes, permitindo-se desta forma um controle efetivo sobre determinadas questões empresariais.
    
- Elaboração dos fluxos de caixa
A demonstração de fluxos de caixa pode ser elaborada por dois métodos diferentes, irei citar apenas o método direto.
Método Direto:
Divulgam-se os principais componentes dos recebimentos e pagamentos de caixa em termos brutos, pela efetivação dos compromissos assumidos, das vendas, custo das vendas e outros.
Seria um erro, acima de tudo, considerar que o fluxo de caixa possa ser utilizado apenas por empresas. Atualmente, cada vez mais pessoas físicas se interessam por uma organização financeira mais eficiente. Existem hoje no mercado diferentes tipos de ferramentas que tem por objetivo facilitar a confecção do fluxo de caixa. Algumas empresas oferecem inclusive ferramentas específicas para pessoas físicas e jurídicas, além de excelentes manuais de funcionamento e materiais didáticos.
  • Fluxo de caixa é um instrumento gerencial que controla e informa sobre todas as movimentações financeiras (entradas e saídas de valores monetários) de um dado período – pode ser diário, semanal, quinzenal, mensal, trimestral, etc. O fluxo de caixa é composto dos dados obtidos dos controles de contas a pagar, contas a receber, de vendas, de despesas, de saldos de aplicações, e todos os demais departamentos que representem as movimentações de recursos financeiros disponíveis da organização.
O demonstrativo de fluxo de caixa também pode ser um instrumento contábil legal, contexto em que toma um aspecto mais formal e rígido. Se a sua intenção é realizar o controle contábil de uma empresa, para propósitos fiscais, societários ou outros, provavelmente a melhor alternativa é procurar orientação com um contabilista experiente neste segmento.
  •  - Fluxo de caixa como uma ferramenta gerencial
Antes de prosseguirmos, é bom saber que:
O mecanismo do fluxo de caixa é bastante simples, mas, nenhum sistema de informações pode funcionar sem que os dados relevantes sejam constantemente atualizados nele. Da mesma forma, o sistema não tem qualquer utilidade se os dados não forem analisados periodicamente, e se a organização não tiver confiança neles. Em outras palavras: se não existir o compromisso em manter o fluxo de caixa sempre atualizado, pode ser melhor nem mesmo se dar ao trabalho de tentar implementá-lo.

Outro aspecto a ser levado em conta é o das dependências: o Fluxo de Caixa precisa de dados que correspondam a verdade do controle de contas a pagar, contas a receber, acompanhamento de saldos de aplicações bancárias, faturamento, despesas, etc. Antes de se preocupar com sistemas agregadores, como o Fluxo de Caixa, você precisa dar atenção a estes outros métodos de coleta de dados específicos. E isto tem vantagens adicionais, como levar a um melhor acompanhamento das suas posições em relação a clientes, fornecedores, taxas públicas, gastos internos, etc. Não há como ter um relatório de fluxo de caixa atualizado se você não registra regularmente as faturas e nem acompanha se os seus clientes estão pagando em dia.

É muito importante achar e usar uma ferramenta tecnológica confiável e segura para o controle de suas atividades. Neste caso, além de poder escolher entre diversos sistemas financeiros voltados para vários segmentos, alguns até mesmo adaptados a necessidades específicas.
  • Mas, afinal para que serve o Fluxo de Caixa ?
O Fluxo de Caixa é um instrumento de controle que auxilia na previsão, visualização e controle das movimentações financeiras de cada período. A sua grande utilidade, é permitir a identificação (especialmente prévia, mas também posterior) das sobras e faltas no caixa, possibilitando ao profissional planejar melhor suas ações futuras ou acompanhar o seu desempenho.

Pode-se utilizar o fluxo de caixa para verificarmos se o resultado esperado foi alcançado. É comum se fazer um fluxo de caixa do período de 3 meses, e passados os 3 meses, apuramos a previsão inicial, com o realizado.
Em uma empresa, pode-se utilizar os fluxos de caixa de vários períodos, como: diário, semanal, quinzenal, mensal. Já os autônomos que usem o sistema exclusivamente como instrumento gerencial podem se virar com períodos específicos, como o semanal ou até mensal – dependendo da sua liquidez. Períodos menores permitem maior eficiência nos investimentos e aplicação financeira dos saldos positivos, mas em compensação geram maior esforço ou custo de acompanhamento.
É importante que você encontre o seu ponto de equilíbrio.
De uma forma ou de outra, um bom controle de fluxo de caixa bem feito é uma importante ferramenta para lidar com situações de alto custo de crédito, taxas de juros elevadas, redução do faturamento e outros fantasmas que rondam os empreendimentos.
  • Um fluxo de caixa na mão, permite:
 Avaliar se as vendas presentes serão suficientes para cobrir os desembolsos futuros já identificados.
Calcular os momentos ideais para reposição de estoque ou materiais de consumo, considerando os prazos de pagamento e as disponibilidades.
Verificar a necessidade de realizar promoções e liquidações, reduzir ou aumentar preços.
Saber se é ou não possível conceder prazos de pagamentos aos clientes.
Saber se é ou não possível comprar à vista dos fornecedores, para aproveitar alguma promoção.
Ter certeza da necessidade ou não de obter um empréstimo de capital de giro.
Antecipar as decisões sobre como lidar com sobras ou faltas de caixa.

Modelos de Fluxo de Caixa
Como já mencionado acima, para propósitos contábeis, fiscais e societários existem modelos e métodos bem mais formais e restritivos para a construção do fluxo de caixa. Para uso como instrumento gerencial, você pode adaptar da forma como melhor servir aos seus propósitos.
Note que para cada um dos períodos há duas colunas: uma dos valores previstos, e outra dos realizados. A segunda coluna, naturalmente, só pode ser preenchida quando o período acabar.
As linhas são muito importantes, e estão divididas em blocos. Vamos analisar uma a uma:
Saldo inicial: é o valor disponível no início do período, correspondendo ao dinheiro que está “na gaveta”, ou no bolso, somado aos saldos das contas correntes disponíveis para saque. No fluxo de caixa, não são considerados nos saldos os valores que estejam imobilizados, ou os que estejam em aplicações consideradas indisponíveis para saque no período.
  • Bloco “Entrada”: nele constam as diversas categorias de entrada de dinheiro em caixa ao longo do período. Vendas à vista, cheques pré-datados que se tornem disponíveis ao longo do período, créditos de contas a receber (exemplo: depósitos de clientes referentes a transações realizadas anteriormente), ou o que for.
  • Total entradas: é a soma simples do bloco Entrada, corresponde basicamente ao dinheiro novo que entrou em caixa ao longo do período.
  • Bloco “Saídas”: aqui vão as diversas categorias nas quais você realiza pagamentos. Energia, telefone, manutenção de veículo, equipamentos, material de escritório, aluguel, condomínio, impostos, etc. Um aspecto essencial deste bloco é a inclusão do pró-labore, que no caso de um fluxo de caixa individual, corresponde ao dinheiro do empreendimento que é retirado para uso pessoal do empreendedor, como se fosse o seu salário – idealmente em parcelas fixas e periódicas, e sempre registradas.
  • Total Saídas: é a soma simples do bloco Saídas, corresponde basicamente ao dinheiro que saiu do caixa ao longo do período.
  • Saldo operacional: Corresponde ao Total Entradas menos o Total Saídas. É, portanto, o saldo de caixa referente exclusivamente ao período, sem considerar o saldo anterior que estava disponível. Pode eventualmente ser negativo – por exemplo, na data do pagamento do IPTU -, mas uma seqüência de saldos operacionais negativos sucessivos é sempre um grande sinal de alerta.
  • Saldo final: É a soma do Saldo Inicial com o Saldo Operacional, considerando os respectivos sinais, caso algum seja negativo. Basicamente, é o dinheiro que restou em caixa ao final do período, e é imediatamente transcrito como o saldo inicial do período seguinte.
Certamente você deve ter percebido que não há nada de complicado na construção da planilha – embora a obtenção dos dados em si possa ser trabalhosa, e exija vários controles e acompanhamentos adicionais. Construir a mesma planilha de cálculo não exige nenhuma função matemática avançada – para criar a do exemplo, a única função que usei foi a SOMA(); é possível que você queira acrescentar funções estatísticas para identificar desvios em relação à média, pontos de máxima e de mínima, ou mesmo colunas adicionais para comparar o previsto com o realizado, ou até gráficos da evolução – tudo isso é simples aplicação dos recursos da planilha eletrônica, mas não amplia os conceitos de fluxo de caixa aqui demonstrados.
E estas análises são exatamente o objetivo de se realizar o fluxo de caixa como descrito acima. Se você tiver um bom método de controle, é possível começar a preencher as colunas de “Previsto” com grande antecedência, e detectar a necessidade de realizar liquidações, ou a possibilidade de oferecer maiores prazos aos clientes, por exemplo, de forma antecipada.

Recomendações adicionais
Organizar e manter o fluxo de caixa dá trabalho, mas é recompensador. Você precisa ser sistemático, e lembrar de alimentar as planilhas no início de cada novo período. Especialmente, você precisa estar disposto a manter atualizadas, com a antecedência que for possível, as colunas de valores previstos, e analisá-las sempre que necessário, para de fato poder colher o principal fruto desta ferramenta: a possibilidade de prever com maior precisão quando haverá sobra e quando haverá falta de dinheiro em caixa.
A análise antecipada também permite tomar as providências necessárias para que haja disponibilidade de caixa nas datas de vencimento de impostos, taxas, prestações, financiamentos e outros desembolsos com data certa, que incorrem em multas e juros caso atrasem.
Se o seu mercado for sazonal, leve isto em conta nas suas previsões, pois freqüentemente os custos fixos (que ocorrem mesmo na baixa temporada) acabam sendo um grande vilão, e o faturamento da alta temporada precisa ser administrado com juízo, para cobrir as futuras despesas.

Observação do autor.
Há algum tempo trabalhando em departamento financeiro, atuei como Gestor Financeiro de Agências de Publicidade aqui da praça de São Paulo, também atuei em Corretoras de Valores, em produtoras de Filmes Publicitarios e de Propagandas, também fui Gestor Financeiro em agências de Marketing Político e em consultorias de Propaganda Corporativa, finalmente, por todas estas empresas aonde desempenhei a Gestão do departamento financeiro sempre utilizei  o Fluxo de Caixa como a ferramenta principal, e posso afirmar, é indispensável o uso desta ferramenta quando se pretende navegar por águas calmas, sem "surpresas" negativas.
Copiado: http://administracaonoblog.blogspot.com.br/

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Relacionamento Com Stakeholders: Um Importante Desafio para as Organizações

Uma das formas recomendadas para ajudar as empresas a definirem corretamente os temas a serem tratados é o diálogo e engajamento com seus stakeholders. 
Algumas razões que motivam as empresas ao engajamento com seus stakeholders são:
  •  Fortalecimento dos relacionamentos;
  • Melhoria de sua reputação;
  • Coleta de informações favoráveis ao processo de tomada  de decisão;
  • Aprendizado e inovação;
  • Solução de conflitos.
Acontece, porém, que as dificuldades em lidar com stakeholders começam com o próprio significado do termo. 
O significado mais comum, difundido por Freeman (1984), diz que stakeholder é “qualquer grupo ou indivíduo que pode afetar ou é afetado pelas atividades e objetivos da organização”.
Nesse sentido, podemos pensar em colaboradores, comunidade do entorno, clientes, acionistas, fornecedores, órgãos públicos, dentre outros… 
Ufa! Com esse conceito tão amplo é possível reconhecer uma quantidade enorme de stakeholders numa empresa!
O problema decorrente dessa definição é que, mesmo considerando todos os stakeholders de uma empresa, não é possível realizar um diálogo efetivo com tantas partes envolvidas. 
Além dos muitos recursos humanos e financeiros, nem todos os grupos demandariam diálogo, por diferentes motivos, como por exemplo, não se sentirem afetados pelas atividades da organização. Por isso, as organizações devem avaliar e identificar quem realmente importa para o alcance dos seus objetivos estratégicos.
Uma boa solução para isso é a realização de um mapeamento que permita identificar os públicos mais relevantes para a empresa, limitando a abrangência do termo. Existem diferentes metodologias para a realização deste mapeamento.  
Trazemos aqui a proposta de Mitchell, Agle e Wood (1997), que indicam a consideração de três atributos chave para essa identificação: poder, legitimidade e urgência. Vejam:
  1. Poder: diz respeito à avaliação das habilidades que cada stakeholder, que possui poder, tem para fazer acontecer os resultados que deseja. Nesse aspecto, haveria o poder coercitivo (relacionado aos recursos físicos da força, violência ou restrição), utilitário (recursos materiais ou financeiros) e normativos (recursos simbólicos);
  2. Legitimidade: percepção ou suposição de que as atividades de uma organização são apropriadas, relevantes ou desejadas num determinado contexto social. Nesse caso, não seria apenas uma autopercepção, mas um processo de avaliação sobre as duas partes – indivíduo/ grupo para a empresa e vice e versa.
  3. Urgência:  esta última diz respeito ao tempo e grau de importância do stakeholder – até que ponto é grave o atraso na resposta de um pedido ou na relação com o stakeholder, e se é crítico o atendimento, ou não aos seus anseios?
A análise desses três critérios possibilita perceber que os indivíduos ou grupo de indivíduos que não têm poder, legitimidade ou urgência com relação à empresa provavelmente não serão considerados públicos de interesse, o que facilita na priorização e direcionamento de um plano de comunicação.
É importante também considerar que a identificação  de stakeholders não é definitiva. Esse processo deve ser visto como uma construção, que pode sofrer mudanças com o passar do tempo. 
Isso significa que a análise das partes interessadas deve considerar a situação do momento e os cenários futuros – um grupo não priorizado neste momento, pois ganhar mais atributos no futuro, tornando-se mais estratégico.
Para finalizar, é importante ressaltar que a liderança tem um papel fundamental na identificação e engajamento de stakeholders. Tendo em mãos as informações obtidas com a análise desses três critérios (poder, legitimidade e urgência) e de acordo com a análise de cenário, os líderes apoiam na classificação dos vários grupos e os priorizam  em suas relações com a empresa. 
Assim, é possível definir uma estratégia de abordagem, que garanta o uso eficiente de esforços para comunicar e gerenciar as expectativas das partes interessadas identificadas e classificadas.
Por: 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Santiago de Compostela e Gestão: Dois Caminhos Que Se Cruzam



 No auge dos meus 65 anos, lancei-me a um desafio. Digo auge, pois na idade em que me encontro, não me classifico como um senhor da terceira idade, assim como ditam as estatísticas. Uso as sábias palavras de uma experiente jornalista, de que hoje me considero um talento maduro, com ricas experiências a serem transmitidas. E com essa maturidade, decidi realizar o caminho de Santigo de Compostela, na Espanha. Incorporei todo o conhecimento profissional na área de gestão e o apliquei neste momento particular. Aqui, compartilho os aprendizados durante a jornada.
O desafio era percorrer, em 30 dias, exatos 827 quilômetros, partindo de Saint Jean Pied de Port, na França, e chegar ao meu destino final, na Catedral de Santiago de Compostela, na Espanha. Para os que não sabem, o caminho é feito por peregrinos do mundo inteiro e, nos últimos anos, voltou a ser procurado por executivos que buscam autoconhecimento, autorrealização, momentos de reflexão ou apenas aliviar-se da pressão do dia a dia. 
Para todo objetivo é necessário planejamento. E posso afirmar que apliquei integralmente o conceito de aprendizado organizacional chamado de ciclo PDCL - planejar (plan), fazer (do), checar/corrigir (check) e aprender (learn) em minha viagem. Decidimos pelo caminho, eu e mais dois velhos amigos, e o planejamento teve início um ano antes. Conhecemos o “mercado”, buscando informações em diversos lugares; aplicamos uma pesquisa, falando com pessoas que já haviam feito o caminho e tomamos nota de valiosas dicas sobre o que levar na mochila, o mapa das cidades, os pontos turísticos e a altimetria que iríamos enfrentar. 
Os preparativos são essenciais para o sucesso de qualquer atividade. Além de todo o planejamento, preparei também o meu corpo com treinos de longas distâncias. Afinal, andar 28km/dia, em média de 8h, não foi uma tarefa fácil. Foi necessário pensar, ainda, na bagagem, pois a mochila precisa ter até 10% do peso de seu corpo. Você sente isso nos primeiros dias de caminhada. Então, se desapegue das coisas que você não precisa, pois é necessário fazer o certo e mais com menos – os conceitos de eficiência e eficácia.

As etapas de fazer, checar e corrigir estiveram presentes durante toda a viagem. Pedir informações, cuidar da reserva de água e comida, descansar o corpo e prepará-lo para o dia seguinte. Em meu ritual matinal, também tinha uma conversa franca com meus pés. Eu os tratei muito bem, o que resultou em “zero” bolhas e nenhuma contusão. Digo isso, pois muitos peregrinos que encontrávamos, na pressa e ânsia de fazer as coisas rápido, ganharam várias bolhas e dores que carregaram durante o caminho. Mais uma constatação: a pressa continua sendo inimiga da perfeição.
E a cada passo, a cada amizade que fizemos e momentos pelos quais passamos, ficaram muitos aprendizados. Entre eles, observar as pessoas e os seus contextos. A Espanha ainda não saiu da crise e o empreendedorismo foi uma das alternativas para driblar o desemprego. Observei a produtividade nos albergues. Em um deles, o casal que era dono do estabelecimento trabalhava sozinho, sem a ajuda de funcionários. Cuidavam de tudo, faziam as camas e a limpeza e acordavam antes dos hóspedes, às 5h, para fazer o café da manhã. 

Conversei com o rapaz e ele disse que havia feito uma capacitação para receber os peregrinos, além de ter feito o “camino”, como dizem, para poder orientar os seus hóspedes. Outros empreendimentos tinham a mesma estrutura enxuta. Refleti o quanto os brasileiros têm sofrido em relação à crise, buscando reduzir custos e criar novas oportunidades. A crise faz você rever seus processos e a Espanha aprendeu com isso. 
Outro grande aprendizado adquirido: respeite o seu limite e tenha paciência. Mesmo ao lado de amigos, você fica boa parte do tempo sozinho. O ritmo é diferente para cada um e dessa forma você pode aceitar o seu tempo, refletir sobre as coisas certas e erradas que fez durante o caminho, e principalmente durante a sua vida. A paciência é a virtude de suportar situações desagradáveis e tolerar o outro. Mesmo em uma grande amizade ou nas relações interpessoais é necessário exercitar isso. 

Nesses mais de um milhão de passos dados, reencontrei pelo caminho um jovem coreano estudante de teologia, que me deu um grande abraço, após quase uma semana sem nos vermos, acompanhei, em um trecho, duas jovens cariocas, uma delas com faixas no joelho e me chamaram de anjo da guarda, passei uma noite em um convento, ouvindo belas palavras de uma freira dizendo que cuidar dos peregrinos era sua missão. 
E após tudo isso, enfim cheguei ao meu destino. Peguei meu certificado junto com meus velhos amigos, hoje muito mais do que simples amigos. Estive aberto para o aprendizado e concluí com sucesso o meu trajeto. Vi pessoas que desistiram por ter sofrido alguma lesão, por não aguentar a dor ou o cansaço. Veio-me uma frase cantada pelo Paulinho da Viola, que diz:

“As coisas estão no mundo, só que é preciso aprender”. Tenho certeza que o planejamento, a paciência e o aprender com o erro foram essenciais para eu cumprir a meta. Agora, preciso de outra, para desenvolver novos talentos na idade madura. “Buen camino!” 

Por Jairo Martins - http://www.fnq.org.br/

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FLEXIBILIZAÇÃO DO HORÁRIO DE TRABALHO


O assunto já virou pauta obrigatória em muitas empresas: flexibilizar a carga horária ou apostar na rotina tradicional? 

Há quem defenda que o melhor é trabalhar por entrega, ou seja, cobrar prazos e resultados, independentemente de quando o funcionário vai realizar. 

Mas tem os que preferem a versão chamada"bate ponto", que opta por manter o colaborador dentro da empresa tendo - ou não - projeto para ser executado.  

Flexibilização do horário de trabalho 

Qual o melhor e o pior? 
O presidente da consultoria Arquitetura Humana, Elmano Nigri diz que depende da cultura do negócio e das lideranças. Caso seja uma empresa com um perfil mais tradicional, vale o horário de trabalho. “Não podemos esquecer que existem leis trabalhistas que regulamentam e devem ser seguidas em ambos os casos”, reforça Nigri. As empresas mais novas e com líderes mais jovens estão percebendo que a flexibilidade na jornada de trabalho, em alguns casos até alternativos, permite bons resultados.

O executivo Wilson Campanholi é um exemplo de que para gerir uma empresa não existem fórmulas ou verdades absolutas. E o dia a dia, dividido em duas funções, faz com que ele consiga confirmar essa tese. Em parte do dia ele atua na Cotexo, empresa da qual é cofundador e diretor de negócios. A outra metade da agenda é ocupada pela Associação Campinas Startups, instituição sem fins lucrativos que oferece suporte em gestão para startups, da qual é presidente. Dois ambientes completamente diferentes e com estratégias de atuação também distintas.

Na Cotexo o ambiente é descontraído, porém com algum grau de tradição, mas isso não se confunde com falta de foco no trabalho. “As reuniões de planejamento e de acompanhamento precisam ser respeitadas e realizadas regularmente, pois isso dá o ritmo para a empresa”,revela Campanholi. O importante, para o executivo, é que, independentemente do horário que forem executadas, as atividades precisam ser feitas. “Os profissionais devem ter maturidade e saber se autogerenciar. E, claro, dependendo da função, é necessário, sim, uma regularidade maior nos horários por conta da atividade”, acrescenta. 

Já na Associação Campinas Startups, Campanholi precisa lidar com outro cenário. “Cada profissional e cada empreendedor que trabalha conosco doa seu tempo, e as tarefas são realizadas em horários alternativos”, diz.No caso de startups (empresas de base tecnológica iniciantes, também chamadas de empresas nascentes), como o recurso financeiro – e consequentemente de pessoal –, é escasso, o que precisa ser levado em conta é a estratégia de sobrevivência, e ficar de olho nas oportunidades que aparecem, para serem aproveitadas, se adaptando rapidamente ao que o mercado pede. Isso inclui trabalhar aos finais de semana, por exemplo.

Os exemplos de Wilson Campanholi mostram que o perfil da empresa é levado em conta na hora de decidir qual estratégia usar. Elmano Nigri, da Arquitetura Humana, diz que alguns setores, como o varejo, são necessários ter horários estabelecidos de forma fixa, até mesmo em função do horário de funcionamento das lojas. Em outras áreas vale por entrega de projetos e resultados, e isso depende mais do perfil do profissional. “O gestor precisa conhecer o perfil da sua equipe, o que só é possível por meio de um eficaz gerenciamento estratégico de pessoas”, lembra Nigri. Atualmente, existem ferramentas que ajudam os gestores a cruzarem o perfil da “cadeira”, ou seja, das competências técnicas para o exercício da função como perfil do profissional.

Para a diretora da Dom Graphein Consultoria, Luciana Boschi, em tempos de dificuldades de locomoção e deslocamento, as empresas estão buscando diversificar suas formas de contato. Dependendo do tipo de trabalho, o funcionário não precisa cumprir horário – pode trabalhar a distância ou em horário livre. Funções que dependem de inspiração e criação, como áreas de marketing, publicidade e propaganda, são mais indicadas para atuarem livremente. 

“Muitas empresas estão optando pelo horário flexível para evitar desgastes desnecessários entre gestores e colaboradores. Essa ação é uma opção para quem vive nos grandes centros urbanos e precisa de flexibilidade para administrar a vida pessoal e profissional”, exemplifica Luciana. 

COMO ACERTAR NA FLEXIBILIZAÇÃO  

Para utilizar o horário flexível de modo produtivo, é necessário que a empresa verifique de antemão como esse modelo impacta a organização, seus colegas, seus clientes, no exercício da sua função. O horário flexível pode afetar algumas rotinas. A função exercida pelo colaborador pode não ser adequada a esse modelo, já que pode afetar, por exemplo, o atendimento a clientes, a participação em reuniões na empresa, o relacionamento com o chefe, entre outros aspectos.

Hoje, áreas como Engenharia ou Tecnologia da Informação requerem profissionais que atuem por projetos. O problema é que muitas pessoas se perdem nessa flexibilidade. “É importante que o funcionário faça uma autoavaliação do desempenho profissional e verifique se tem perfil adequado para utilizar este formato de trabalho e se isto vai alterar sua produtividade. Em seguida, se preparar para fazer a transição no estilo de trabalho, que provavelmente afetará também sua família”, orienta Luciana.


Copiado: Revista Gestão & Negócios Edição Número 72.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"Spotlight" e os Ensinamentos Sobre Gestão

A 88ª edição do Oscar trouxe algumas surpresas, entre elas, a vitória de Spotlight como melhor filme. Na trama, baseada em fatos reais, um grupo de jornalistas de Boston (EUA) está imerso em uma investigação sobre abusos de crianças por padres católicos. O trabalho traz grandes aprendizados que podem ser aplicados na gestão das empresas.
O grupo de jornalistas do The Boston Globe realiza uma meticulosa apuração antes de divulgar suas reportagens. O levantamento sobre as denúncias pode durar meses e até anos, pois exige a confirmação dos fatos.

 Se traçarmos um paralelo com qualquer empresa no mercado, podemos compará-la, por exemplo, a um grupo de inovação. Da mesma forma que eles precisam apurar os fatos, cruzar informações e ter certeza de que estão no caminho correto, uma equipe necessita de tempo para desenvolver e executar algo novo. Testar os produtos e serviços, assim como saber qual a aceitação do mercado, antes de lançá-lo, é essencial.

Em Spotlight, os jornalistas levaram alguns anos levantando e checando as informações, consumindo tempo e recursos financeiros da empresa. Entretanto, a direção da companhia manteve o grupo ativo, mesmo sem geração de receita oriunda das matérias. 

Uma organização deve agir da mesma maneira: um projeto pode demorar tempo até ter um produto ou serviço que valha a pena ser lançado no mercado. Quem se compromete a ter um grupo de inovação ativo, precisam acreditar e investir no projeto para receber um retorno a longo prazo.
Outro aspecto interessante tratado no filme é a confidencialidade. Apenas poucas pessoas sabiam da investigação e, muitas vezes, excluir das reuniões outros “chefes” de departamento era necessário. Isso pode soar rude ou mal-educado, mas é um aspecto que precisa ser respeitado, pois, sem o sigilo, abre-se portas para os concorrentes. Tanto no filme como nas instituições, ser inovador é fundamental para ganhar market share.
Durante a trama, os jornalistas-investigadores perceberam que outra equipe estava próxima, porém, tiveram a agilidade para publicar suas matérias primeiro. Uma empresa precisa saber o momento certo para apresentar seu produto, avaliando o mercado que está inserido. 

Se a ação for realizada muito cedo, pode não causar o resultado esperado ou, se demorar, o concorrente pode fazê-lo na frente. Gerenciar essas expectativas e o timming certo é uma arte.

Outro ponto de reflexão sobre o mundo empresarial é a ética. No filme, o responsável pelo grupo de jornalistas deixou passar despercebido provas que envolviam a igreja. Ao descobrir a falha, o personagem levou o caso ao diretor. Esse, por sua vez, não rebaixou o funcionário, incentivou-o para que continuasse a investigação. Deve ser assim nas organizações. Ao invés de punir ou desestimular os colaboradores, procure incentivá-los na busca da melhoria contínua.

Por: Por Luiz Eduardo Teixeira Malta - http://www.fnq.org.br/

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Seja Águia ao Contratar e Abutre ao Demitir

O sucesso da área de vendas depende da habilidade do líder em montar e manter equipes vencedoras. Um time de vendas precisa estar sempre motivado e disposto a trabalhar em prol de algo comum, como, por exemplo, alcançar a meta de vendas.
Vender é como uma religião, gravitamos em torno das práticas.
O líder deve saber que terá que fazer escolhas difíceis se quiser contar com os melhores consultores de vendas. É algo elementar, mas que não pode ser subestimado. Quando eu era garoto todos os dias eu tinha que sair cedo de casa para ir a escola. 

Mal a aula começava e eu já estava torcendo para dar a hora do recreio para poder jogar bola com os amigos. Ao primeiro toque do sinal, os meninos saiam correndo em direção a quadra. Sempre existia um time contra, normalmente da turma mais adiantada. Todos queríamos vencer a partida. Daí era sempre uma grande disputa na hora de montar o time. Decidíamos no par ou impar o direito de escolher os jogadores.
Quem ganhasse no par ou impar escolhia o melhor e dai era uma questão de seqüência. O cara podia ser amigo, mas se não jogasse muita bola ia ficar aguardando os melhores serem escolhidos e torcer para chegar a sua vez.

A bola rolava e se alguém não estivesse rendendo o esperado o líder não pensava duas vezes em substituí-lo. Afinal de contas, ele não iria ficar esperando o tempo passar para reclamar a derrota. O sujeito era colocado pra fora e pronto. Se algo assim não fosse feito no próximo jogo o líder seria substituido.
... a regra é clara e necessária para os que querem vencer: admita com calma e demita rápido.
Com a equipe de vendas ocorre o mesmo. Se você deixar de escolher o melhor para colocar o amigo ou é complacente com a baixa produtividade do colega, vai acabar perdendo o direito de escalar o time e o amigo também. Assim como no futebol da escola você precisa adotar alguns critérios básicos para poder contar com uma equipe vencedora.
Tanto lá como na área de vendas a regra é clara e necessária para os que querem vencer: admita com calma e demita rápido. Se você não conhece a pessoa não tenha tanta pressa de contrata-la para a sua equipe. Analise, converse, teste, procure saber se os valores do candidato são compatíveis com os da empresa etc. Aja como se fosse uma águia, essa ave de rapina da família Accipitridae, geralmente de grande porte, carnívoras, e de enorme acuidade visual. 
Você já parou para observar a sua estratégia de caça? Ela fica horas a fio sobrevoando uma determinada área. Só observando. Parece até que não quer nada. Depois de algum tempo sem chamar atenção ela mergulha em alta velocidade e com precisão cirúrgica. O resultado? Quase nunca erra em suas investidas.
O que faz a diferença não é o que você faz quando tem que decidir e sim o que você deixa de fazer.
A outra dica é você não demorar agir para retirar do time quem não estiver produzindo a altura. Uma pessoa descontente pode desestruturar toda a equipe. Quando criança eu costumava acompanhar a minha avó a feira. Enquanto ela escolhia as mercadorias eu ficava observando o trabalho dos feirantes. Eles ficavam arrumando as frutas e os legumes na bancada e quando encontrava uma que não estivesse em boas condições eles jogavam em um caixote ao lado de sua barraca. Porque eles faziam isso? Simples: para evitar que uma única fruta estragada pudesse deteriorar todas as outras.

É isso: se alguém no grupo não estiver com “saúde e fome de vendas” não vai conseguir ir muito longe e daí fará tudo para justificar a sua baixa produtividade. Isso poderá ser, e normalmente é, prejudicial à produtividade da equipe. No esporte coletivo é a mesma coisa. Imagina uma equipe de futebol. Se o jogador não está rendendo a torcida exige que ele saia e não há técnico que resista. O cara acaba cedendo o seu lugar a outro que esteja saindo-se melhor, não é mesmo?
Veja como agem os abutres, aves falconiformes da família Accipitridae, e de hábitos necrófagos. Se elas identificam uma carcaça não ficam discutindo para saber quando vão atacar. Eles simplesmente vão lá e destroçam tudo rapidamente. Daí, a dica é: tem-se que demitir alguém de sua equipe de vendas faça-o imediatamente antes que seja tarde de mais. Se algo tem que ser feito que seja antes de haver perdas. Não permita que a tolerância sobreponha a prudência.
Pense nisso, muito sucesso e até breve,
Por: Evaldo Costa - http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Show de Chateação

Gravações com Moacyr Franco oferecendo um suplemento nutricional, embora o telefone esteja bloqueado para telemarketing. 
Alusões machistas mais ou menos explícitas nos comerciais de cerveja. Ligações insistentes de várias empresas que prestam assistência técnica a uma das principais marcas de filtros de água. 
Spam inclemente para oferta de planos de saúde, imóveis, cursos, produtos ‘fake’ para saúde, liquidações de roupas, pacotes de acesso à internet e telefonia etc.
São efeitos colaterais da facilidade de comunicação instantânea de que dificilmente nos livraremos. Irrita, ainda que saibamos da necessidade que as companhias têm de vender.
No caso dos spams, ao menos podemos usar filtros e marcar e-mails indesejados. A ligação do simpático Moacyr Franco, contudo, é feita também para telefones cadastrados no Procon para não receber ligações de telemarketing.
Proponho, então, que se crie uma senha para atender a ligação telefônica. Por exemplo, “Kryptonita”, o mineral letal ao Super-Homem. Ao receber uma chamada de vendas indesejada, você falaria isso e a prospecção terminaria.
Falando sério, devemos recorrer às redes sociais e denunciar as companhias que abusam dessa forma de assédio comercial. Seria fundamental, também, que as empresas parassem de comercializar cadastros de clientes.
Estamos em uma época em que tudo vem em grande escala, menos o tempo. Ainda mais para os profissionais que trabalham home office. É uma grande chateação ter de ouvir Moacyr Franco, a Hortência rainha do basquete ou o Tremendão Erasmo Carlos dissertar sobre os benefícios de um suplemento.
Façam propaganda séria com bons argumentos nos meios de comunicação tradicionais e nas novas mídias sociais. Além de divulgar seus produtos e serviços, os anunciantes contribuem para fortalecer boas publicações, sites, blogs, bons programas de TV e de rádio.
Com isso, será ampliada a geração de conteúdo de qualidade, feita por profissionais bem preparados que utilizarão os mais modernos recursos tecnológicos.
Moacyr, Erasmo e Hortência, agradeço a sugestão, mas não!