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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Planejamento e Execução do Orçamento: por que tantas empresas ainda erram?


O planejamento financeiro é fundamental para garantir a saúde financeira de uma empresa. Com o início de um novo ano, todos os departamentos de uma empresa também precisam fazer seus planejamentos individuais para que um objetivo maior seja alcançado.

Se pensarmos, em especial nas pequenas e médias empresas, por que será que a maioria ainda falha no momento de executar o plano? Porque será que nessa hora, muito do que foi discutido anteriormente fica guardado na gaveta? Em qual das fases do “planejar, executar, monitorar e avaliar e revisar” é comum que um gestor perca o foco?

Em palestra para Finance Conference, Gilles de Paula, CEO e cofounder da Treasy explicou essa questão.

Por que as pequenas e médias empresas falham na execução do planejamento?

Para responder a isso, Gilles de Paula cita alguns pontos críticos entre as pequenas empresas. “Planejar é algo universal. O processo de planejamento é simples (na teoria). Mas, a realidade das pequenas empresas é diferente. O empreendedor fica ocupado com outras coisas e um profissional financeiro qualificado custa caro. O resultado é um crescimento tímido no final do ano”, observa.

Para ele, as médias empresas enfrentam outro tipo de dor. “Nas estruturas maiores, em geral, há um processo de planejamento implementado, mas que roda de forma pouco ágil. A revisão também leva muito tempo. Além disso, muitos usam softwares, mas que atuam de forma desconectada”, avalia.

Para ambas, o resultado, segundo o palestrante, é um grande abismo entre a estratégia da empresa e a execução.

Os desafios de começar um planejamento financeiro

“O primeiro desafio é ‘vender’ a necessidade do planejamento orçamentário dentro da empresa. O segundo é implementar um processo. O terceiro é criar uma cultura orçamentária.

Depois, é necessário descentralizar o orçamento. E por fim, é preciso saber simular cenários com agilidade para poder se reinventar a todo momento, principalmente, em épocas de crise”, comenta.

Quais são os passos para eliminar o abismo entre o planejamento e a execução do orçamento?

De acordo com Gilles, as etapas que levam ao desenvolvimento de um bom planejamento financeiro podem ser divididas da seguinte forma:

- Definição das metas;
- Planejamento;
- Execução do plano;
- Monitoramento e avaliação;
- Revisão dos planos (caso necessário).


1- Definição das metas: como fazer na prática?

“O planejamento que tem muitas metas é o famoso ‘pato’. Não faz nada muito bem. É preciso definir o OTM (a métrica que importa)”, comenta.

Afinal, toda empresa quer crescer faturamento, reduzir despesas operacionais, melhorar a margem de contribuição sem sair do ponto de equilíbrio, melhorar o EBITDA. Mas, um planejamento financeiro empresarial que tenta atender a diversas demandas ao mesmo tempo será pouco efetivo.

Segundo ele, para começar, o primeiro passo, portanto, é definir, de forma clara, um único objetivo.

2 - Planejamento: como envolver a empresa?

“O profissional de outras áreas não é obrigado a conhecer a fundo o mundo das finanças. Para fazer o orçamento da empresa, é preciso que o financeiro comunique muito bem qual é a meta primária do negócio”, comenta.

De acordo com Gilles, o que acontece de forma mais comum dentro das empresas é o compartilhamento de um ‘planilhão monstro’, na qual se espera que seja feito um orçamento para o próximo ano.

“O que vemos é que a equipe de outros departamentos se planeja adicionando ‘extras’ ao orçamento para atender ‘hipóteses’ que poderão acontecer no meio do caminho. Para solucionar essa situação, a primeira providência é comunicar devidamente a OTM (objetivo principal do negócio)”, recomenda.

Além disso, Gilles orienta que o profissional de finanças ofereça uma direção ao gestor de cada área. Assim, ele poderá planejar a partir das estratégias que estão funcionando, e que serão mantidas, e eliminar do plano o que não está.

Para essa reflexão, Gilles recomenda o uso da ferramenta 3C’s, que auxilia no entendimento do que se deve:

- Começar a fazer - o que é novo
- Continuar a fazer - porque gera resultado
- Cessar de fazer - o que não será mais feito

3 - Executando o plano em cenários diferentes

“Simular cenários é fundamental. Ninguém acerta de primeira. Não se deve parar na primeira versão do orçamento”, o palestrante observa.

Para ele, é preciso sempre se questionar se não há outra maneira mais fácil, mais simples, mais barata, mais rápida e menos arriscada de chegar na mesma OTM.

4 - Acompanhando o orçamento

“O processo orçamentário exige rotina. É preciso fazer o controle periódico mensal para identificar desvios relevantes para corrigi-los a tempo. Para ajudar, faça uma classificação em 3 grupos: identifique os desvios corriqueiros, os desvios de indexadores e os desvios estratégicos”, observa.

Para compreender esses cenários, ele recomenda o uso de uma ferramenta chamada “FCA - fato / causa/ ação”.

5 - Revisão dos planos: quando fazer?

“O acompanhamento do orçamento deve ser mensal. É preciso entender se o plano continua coerente no decorrer do ano. Se não, é preciso revisá-lo”.

Mas, uma dúvida que surge é se o gestor sempre deve fazer esta revisão. “É preciso ter consciência de que os planos servem para guiar as ações. Se o plano perdeu o contato com a realidade, começa a surgir o abismo entre a estratégia e a execução.”

Caso os planos não estejam mais coerentes com o cenário atual da empresa, é hora de fazer uma revisão orçamentária, criar um novo plano para tentar resolver os desvios.

E quando as metas da empresa deixam de fazer sentido se deve fazer um novo planejamento orçamentário. “O fluxo de trabalho pode ser manter a meta e manter o plano; manter a meta, mas revisar o plano; ou revisar a meta e revisar o plano”.


A prática da execução do orçamento: como não errar

Para encerrar, Gilles reforça o checklist do papel do profissional de finanças para o sucesso do planejamento e execução do orçamento:

1 - Facilitar a definição de uma meta primária alinhada à estratégia do negócio;
2 - Facilitar para que os gestores elaborem um bom planejamento para chegar nessa meta;
3 - Facilitar para que a diretoria e gestores simulem cenários alternativos;
4 - Facilitar para que os gestores acompanhem efetivamente os planos, encontrando os desvios a tempo de corrigi-los;
5 - Facilitar para que as revisões orçamentárias aconteçam quando forem necessárias, de forma ágil e rápida.

Copiado: https://assecontabil.com.br/ Fonte: Portal www.contabeis.com.br

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

NÃO ALIMENTEM AS PIRÂMIDES FINANCEIRAS!

O assunto de hoje é muito importante e de grande utilidade para a sociedade. É um assunto muito sério que destrói famílias e até levam pessoas à morte. Pode até parecer que não tem tanta importância assim mas na verdade é muito importante entender sobre as pirâmides financeiras e melhor, não alimentá-las.

Nas últimas semanas temos vistos alguns perfis no Twitter pedindo dinheiro no site Vakinha para pagar dívidas advindas de investimentos errados na bolsa de valores. 

Estes pedidos aumentaram nos últimos tempos e algumas notícias ruins incluindo até morte, circulou nas redes sociais. Algumas pessoas resolveram ter ganhos rápidos e acabaram se endividando muito mais do que suas capacidades. Com pirâmides financeiras não é diferente. 

Educação Financeira

No Brasil temos muita deficiência com educação financeira, o que leva o brasileiro a ter dívidas altas. Estas dívidas são feitas geralmente para pagar coisas supérfluas ou então pagar juros de outras dívidas. O endividamento do brasileiro é ruim. Ruim no sentido do motivo. Nosso endividamento não é para comprar uma casa ou então empreender em um negócio. Nosso endividamento é para pagar carro, celular, viagem, cirurgias estéticas dentre outras coisas.

Esta falta de educação financeira leva os brasileiros a ampliarem suas dívidas contratando empréstimos para pagar empréstimos anteriores. Se olharmos nossos extratos bancários veremos uma opção de troca com troco, ou seja, eu faço um refinanciamento do meu empréstimo e ainda saio com mais dinheiro porque eles emprestam mais e aumentam o prazo de pagamento. Problema é que os juros são muito grandes. 

Muitos ainda entram no cheque especial os quais têm os juros mais abusivos do planeta. Todos os bancos cobram mais de 300% ao ano de juros caso você permaneça no cheque especial. Esta dívida fica de um tamanho impagável. O brasileiro de bem ainda fica tentando renegociar estas dívidas que cresceram por causa de uma pequena compra.

Parece não haver um interesse legítimo sobre a educação financeira dos brasileiro, uma vez que não vemos isso nas escolas. As famílias mais antigas possuem tabu de falar de dinheiro. Muitas pessoas não conversam de dinheiro em família e escondem o que ganham. Outras não sabem dizer não e acabam comprando o que não precisam.

Mas tudo isso que falei é apenas para ilustrar o caminho do endividamento do brasileiro. Essas dívidas vão aumentando simplesmente por falta de conhecimento, ou seja, por falta de educação financeira e é aqui que pirâmides financeiras entram.

Ainda sobre educação financeira, mesmo sendo aprovada para o currículo escolar, ainda há a preocupação de como o Governo passará essas informações aos estudantes. O modelo de ensino deve ser atualizado. Deixo aqui o post do Diário do Milhão onde podemos debater o assunto.

Pirâmides Financeiras 

As pirâmides financeiras existem há muitos anos mas elas não fazem parte do sistema financeiro nacional. Não é uma operação autorizada pelo Banco Central do Brasil. Fazendo uma rápida pesquisa no google, a gente encontra a história de Charles Ponzi. Se você não sabe, um esquema Ponzi é um esquema de pirâmide. Em uma rápida pesquisa ao Wikipedia, encontramos este resumo sobre Charles Ponzi. 
Um esquema Ponzi é uma operação fraudulenta sofisticada de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve a promessa de pagamento de rendimentos anormalmente altos ("lucros") aos investidores à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi.
E é aqui que toda aquela falta de educação financeira se encaixa. As pessoas fazem dívidas grandes e depois não tem como pagar. Com os bancos pressionando pelo pagamento das dívidas, alguns procuram como ganhar dinheiro de modo mais rápido para pagar contas. Após rasas pesquisas, encontram esquemas de pirâmides oferecendo ganhos de 1 a 4% ao dia!

Encantados com a possibilidade de retorno, essas pessoas colocam tudo o que tem e até o que não tem para obterem retornos rápidos. Percebam que a falta de educação financeira faz com que as pessoas entrem em dívidas. Estas dividas são construídas ao longo de anos e depois estas mesmas pessoas querem uma solução rápida para quitar suas dívidas.

Se uma pessoa não tem educação financeira durante anos, não vai ser agora que com um ganho repentino para pagar tudo que ela vai aprender. No entanto, ainda na falta de conhecimento, essas pessoas entram nos esquemas sem saber os perigos que estão correndo. Por mais que falemos que esse tipo de operação é fraudulenta, a possibilidade de retornos rápidos e altos encantam.

Não alimente uma pirâmide financeira

Alguns amigos entraram em algumas pirâmides e depois, em tom de brincadeira, disseram saber que era uma pirâmide mas que tinha colocado pouco dinheiro la. Se perdesse não teria problema e se ganhasse, estaria rindo.

O problema é que as pessoas que entendem que este tipo de operação é uma pirâmide mas mesmo assim entram, não pensam no mal que estão fazendo para aqueles que não conhecem o esquema e estão desesperados por ganhos rápidos e repentinos para pagar contas e até mesmo comprar uma casa ou carro. Geralmente não nos importamos se o outro erra em não conhecer o esquema e falamos que isso é problema de quem entra mas na verdade é um problema de todos.

É essencial que não alimentemos uma pirâmide financeira e ainda por cima devemos denunciar à polícia caso tenhamos conhecimento de alguma. Vários esquemas já foram desbancados, muitos milhões apreendidos em espécie, carros, casas, moedas diferentes e joias dentre outras cosias. As pessoas que montam um esquema de pirâmide ganham muito dinheiro e depois desaparecem.

Antes de pensar em entrar em uma pirâmide, mesmo que seja de brincadeira, pense no mal que você estará fazendo para outras pessoas que acreditam nos retornos altos e rápidos e que acabam perdendo até dinheiro que não tem. 

Não alimentem este tipo de esquema e não permitam que seus amigos o façam.  Se quiserem ganhar dinheiro com investimentos, estudem bastante sobre o investimento que estão te oferecendo para não cairem em fraudes.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Fundos de Investimento: o que são?

Os fundos de investimento são um dos tipos de investimento ou aplicação financeira mais comuns no país. Um fundo reúne os recursos de diversos investidores, chamados de cotistas, para que possam, juntos, aplicar em uma série de ativos financeiros, que vão variar de acordo com o tipo e estratégia do fundo. Eles são carteiras ou cestas de investimento que podem ser compostas por títulos públicos, títulos de renda fixa, ações, derivativos, commodities e até mesmo cotas de outros fundos.

Em janeiro de 2018, cerca de R$ 4,2 trilhões estavam aplicados em fundos1. É possível que você tenha dinheiro aplicado em fundos de investimento e, ainda assim, tenha dúvidas sobre como eles funcionam. Neste artigo fazemos um resumo completo e fácil de compreender para que você possa saber o essencial sobre esse tipo de investimento.

O que é um fundo de investimento?

O fundo de investimento é um mecanismo que reúne o dinheiro de diversas pessoas (chamadas de cotistas) com o objetivo contratar um gestor para cuidar do dinheiro ali investido. O objetivo final dos cotistas é obter ganhos a partir da aplicação no mercado financeiro.
Tecnicamente, diz-se que a figura é de um condomínio — e essa comparação ajuda muito a compreender sua estrutura. O fundo funciona de maneira semelhante a um condomínio residencial, onde cada condômino é dono de uma cota (um apartamento) e paga a alguém (síndico ou administrador) para administrar e coordenar as diversas tarefas do condomínio (jardineiro, limpeza, porteiro, manutenção de elevadores e equipamentos de academia, entre outros).
Assim como no condomínio residencial, o fundo de investimento possui um regulamento, onde estão estabelecidas as regras de funcionamento que se aplicam igualmente a todos os cotistas.
Ao comprar cotas de um determinado fundo, o cotista aceita suas regras de funcionamento (aplicação, resgate, horários, custos, etc), e passa a pagar uma taxa de administração para que um administrador coordene o funcionamento do fundo.
Graças a esta forma de investimento coletiva, é possível aplicar em diversos tipos de produtos financeiros, com diferentes graus de rentabilidade e risco, sem precisar de grandes valores. E o mais interessante: você terceiriza o trabalho de gestão para um profissional.
Imagine morar numa casa, mas manter toda a estrutura de um prédio: portaria 24h, piscina, jardineiro, academia, elevadores, garagem, portões automáticos. Há uma infinidade de rotinas a serem cumpridas e problemas a serem resolvidos, e você arcaria sozinho com o trabalho e os custos de tudo isso. Num prédio bem administrado, você usufrui dos benefícios sem ter tanto trabalho, e pagando uma fração do custo, já que é tudo dividido com os demais moradores.

O gestor dos fundos de investimento

No fundo de investimento, os gestores são os profissionais responsáveis por gerar rentabilidade e controlar o risco da carteira. Credenciados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), eles acompanham diariamente os recursos do fundo, avaliando as opções existentes, cenários, acontecimentos políticos e econômicos, e possuem poderes para tomar decisões de investimento com o dinheiro dos cotistas (sempre respeitando o regulamento do fundo!).
Então, quando você decide colocar dinheiro em um fundo, o que você está fazendo é contratar o gestor para tomar decisões a respeito de onde aplicar o seu dinheiro, e para acompanhar diariamente sua rentabilidade e risco. Por isso, a escolha do gestor é um dos pontos mais importantes na hora de aplicar em fundos de investimento.
A escolha do gestor é uma das decisões mais importantes na hora de escolher um fundo de investimento

Estrutura de cotas dos fundos de investimento

O fundo cria uma camada de separação entre os cotistas (investidores) e os ativos (investimentos comprados). Ao invés de comprar diretamente um ativo, você compra cotas do fundo, e o fundo compra os ativos, seguindo a política de investimento pré-definida.
Como investir em fundos de investimentos
estrutura de cotas é bastante interessante. É ela que possibilita que todos os cotistas de um mesmo fundo tenham sempre a mesma rentabilidade (dentro das mesmas datas), que o dinheiro de um cotista não se misture com o dinheiro de outro, e que ninguém seja prejudicado ou leve vantagem sobre os demais cotistas.
Se você investe em um fundo, o número de cotas que você possui só muda quando você aplica, resgata ou quando ocorre o come-cotas (tributação de Imposto de Renda específica dos fundos de investimento).
Assim, investir equivale a comprar cotas do fundo e resgatar equivale a vendê-las. Durante todos os outros dias, a quantidade de cotas que você possui fica estática, e o que varia é o valor unitário das cotas. As variações de rentabilidade fazem esse valor aumentar e diminuir, e é por isso que o seu saldo aumenta e diminui sem mudar o número de cotas.

Estratégia de investimento dos fundos

Existem diversos tipos de fundos, como os que investem em ações, em renda fixa, fundos DI e os fundos multimercados, por exemplo. Os aspectos estruturais de funcionamento são os mesmos, mas cada um tem uma diretriz de investimento própria, chamada política de investimento. É essa política que determina o tipo de investimento que você está escolhendo.
Na prática, o investidor não precisa se preocupar com as atividades do dia a dia do fundo, apenas com a escolha do gestor e do fundo que estejam alinhados às suas expectativas. Toda a parte operacional fica a cargo de um grande banco, inclusive o recolhimento de impostos.
Toda essa estrutura tem um preço. É importante atentar também para os custos dos fundos de investimento, pois eles podem ter um impacto enorme na sua rentabilidade.

Tributação dos fundos de investimento

A tributação nos fundos de investimento é simples.
O fundo em si é isento de Imposto de Renda sobre os ganhos que acumula, ou seja, o fundo não recolhe IR quando vende um ativo para comprar outro. O ganho das operações vai ficando acumulado na valorização das cotas, e o fundo vai provisionando o imposto que seria devido pelo cotista, um sistema conhecido como come-cotas.


Não iremos nos alongar no tema, pois já temos um artigo com o panorama geral sobre a tributação de IR e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outro que detalha o funcionamento do come-cotas. Vale a pena dar uma olhada!

Glossário dos fundos de investimento

Aplicação mínima

Valor mínimo para o primeiro investimento no fundo. Em geral, o valor mínimo exigido para a primeira aplicação realizada no fundo é maior que o valor mínimo para as aplicações seguintes.

Aporte

Quando o cotista investe recursos no fundo. O cotista envia dinheiro e o fundo emite, em troca, cotas em nome do cotista.

Benchmark ou referência

É um indicador que funciona como parâmetro para a performance mínima do fundo. Alguns fundos se propõem a acompanhar o CDI, outros o Ibovespa, por exemplo.

Come-cotas

Sistema de tributação aplicado a alguns tipos de fundos de investimento.

Cotização

É o processo de troca de dinheiro por cotas ou cotas por dinheiro. Na maioria dos fundos, a cotização é diária, ou seja, existe apenas um valor de cota para cada dia útil (os ETFs são um tipo de fundo bastante diferente dos demais, e são exceção a essa regra).

Investidor profissional

Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 10 milhões e declarem-se investidores profissionais. Essa condição permite o acesso a investimentos de ainda maior risco e/ou que requeiram conhecimento mais apurado do mercado2.

Investidor qualificado

Pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1 milhão de reais e declarem-se qualificadas. Essa condição permite o acesso a investimentos de maior risco e/ou que requeiram conhecimento mais apurado do mercado3.

Liquidez ou prazo de resgate

Prazo estabelecido para que os recursos solicitados sejam depositados em conta. É a soma do prazo de cotização de resgate com o prazo de liquidação de resgate. Alguns fundos têm maior liquidez, com prazos de resgate de um ou poucos dias. Outros investem os recursos em operações de prazo mais longo e, por isso, determinam um prazo de resgate maior.

Movimentação mínima

Valor mínimo exigido para realização de aportes e resgates.

Prazo de cotização

É a quantidade de dias que o fundo demora para converter os aportes em cotas (prazo de cotização de aporte) ou para converter cotas em dinheiro (prazo de cotização de resgate). Geralmente é contado em dias úteis.

Prazo de liquidação

É a quantidade de dias que o fundo demora, depois da cotização, para depositar na conta corrente do cotista o valor do resgate efetuado. Geralmente é contado em dias corridos.

Resgate

Quando o cotista retira recursos do fundo. Suas cotas são eliminadas, e o fundo devolve dinheiro para o cotista.

Taxa de administração

Taxa cobrada para remunerar as instituições envolvidas na gestão, administração e distribuição do fundo. Normalmente é expressa na forma de um percentual aplicado sobre o patrimônio.

Taxa de performance

Taxa cobrada por alguns fundos de investimento para remunerar o gestor que apresenta bom resultado. É como se fosse um bônus pelo bom trabalho. Normalmente é expressa na forma de percentual sobre os ganhos que excederem o benchmark do fundo. 

Vantagens e desvantagens dos fundos de investimento

Vantagens

Gestão profissional: Profissionais especializados dedicados em tempo integral à gestão dos recursos de forma mais eficiente
Diluição de riscos e custos: Os custos operacionais e administrativos são divididos entre todos os investidores que aplicam no fundo
Alinhamento de interesses: O gestor do fundo é remunerado pelas taxas de administração e performance. Apesar de não ser um modelo perfeito, ele tem mais alinhamento aos interesses do cliente que um gerente de banco ou uma recomendação de corretora
Diversificação: Por ter valores mínimos de entrada geralmente baixos, fundos permitem montar uma carteira diversificada a partir da alocação em estratégias diversas, com diferentes níveis de risco e retorno

Desvantagens

Custos: Para manter a estrutura operacional, há cobrança de taxa de administração. Esse é um dos principais pontos de atenção, já que taxas elevadas minguam a rentabilidade de um fundo
Dificuldade de realocação: A cada realocação, o dinheiro precisa circular pela conta corrente do cotista, que precisa tomar uma nova decisão (para onde enviar o dinheiro?), o que causa desgaste, retrabalho e custos. A aplicação mínima e prazos de resgate dos fundos também dificultam o processo. Isso faz com que muitos investidores “invistam e esqueçam”, abandonando a disciplina de rebalancear 
Cadastro: Os fundos possuem uma estrutura de controle rígida e são extremamente regulamentados, sendo exigido um cadastro um pouco extenso e novas assinaturas a cada fundo
Falta de transparência: Apesar de todos os esforços do regulador, a figura ainda tem pouca transparência. Há informações disponíveis no site da CVM sobre as carteiras, mas não são claras e acessíveis para o investidor comum, por isso você fica sem saber exatamente onde está investindo

Copiado : https://verios.com.br


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Economia Circular

O modelo econômico ‘extrair, transformar, descartar’ da atualidade está atingindo seus limites físicos. A economia circular é uma alternativa atraente que busca redefinir a noção de crescimento, com foco em benefícios para toda a sociedade. Isto envolve dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos, e eliminar resíduos do sistema por princípio. Apoiada por uma transição para fontes de energia renovável, o modelo circular constrói capital econômico, natural e social. Ele se baseia em três princípios:
· Eliminar resíduos e poluição por princípio
· Manter produtos e materiais em ciclos de uso
· Regenerar sistemas naturais

O conceito de uma economia circular

Em uma economia circular, a atividade econômica contribui para a saúde geral do sistema. O conceito reconhece a importância de que a economia funcione em qualquer escala – para grandes e pequenos negócios, para organizações e indivíduos, globalmente e localmente.
A transição para uma economia circular não se limita a ajustes visando a reduzir os impactos negativos da economia linear. Ela representa uma mudança sistêmica que constrói resiliência em longo-prazo, gera oportunidades econômicas e de negócios, e proporciona benefícios ambientais e sociais.
O modelo faz uma distinção entre ciclos técnicos e biológicos. O consumo se dá apenas nos ciclos biológicos, onde alimentos e outros materiais de base biológica (como algodão e madeira) são projetados para retornar ao sistema através de processos como compostagem e digestão anaeróbica. Esses ciclos regeneraram os sistemas vivos, tais como o solo, que por sua vez proporcionam recursos renováveis para a economia. Ciclos técnicos recuperam e restauram produtos, componentes e materiais através de estratégias como reuso, reparo, remanufatura ou (em última instância) reciclagem.
O modelo de economia circular sintetiza uma série de importantes escolas de pensamento, incluindo a economia de performance de Walter Stahel; a filosofia de design Cradle to Cradle de William McDonough e Michael Braungart; a ideia de biomimética articulada por Janine Benyus; a economia industrial de Reid Lifset e Thomas Graedel; o capitalismo natural de Amory e Hunter Lovins e Paul Hawkens; e a abordagem blue economy como descrita por Gunter Pauli.

Princípios

A economia circular oferece diversos mecanismos de criação de valor dissociados do consumo de recursos finitos. Em uma economia circular verdadeira, o consumo só ocorre em ciclos biológicos efetivos. Afora isso, o uso substitui o consumo. Os recursos se regeneram no ciclo biológico ou são recuperados e restaurados no ciclo técnico. No ciclo biológico, os processos naturais da vida regeneram materiais, através da intervenção humana ou sem ela. No ciclo técnico, desde que haja energia suficiente, a intervenção humana recupera materiais e recria a ordem em um tempo determinado. A manutenção ou o aumento do capital têm características diferentes nos dois ciclos.
A economia circular fundamenta-se em três princípios, cada um deles voltado para diversos desafios relacionados a recursos e sistêmicos que a economia industrial enfrenta.
Princípio 1: Preservar e aumentar o capital natural
... controlando estoques finitos e equilibrando os fluxos de recursos renováveis.
Isso começa com a desmaterialização dos produtos e serviços – com sua entrega virtual, sempre que possível. Quando há necessidade de recursos, o sistema circular seleciona-os com sensatez e, sempre que possível, escolhe tecnologias e processos que utilizam recursos renováveis ou apresentam melhor desempenho. Uma economia circular também aumenta o capital natural estimulando fluxos de nutrientes no sistema e criando as condições necessárias para a regeneração (como, por exemplo, a do solo).
Princípio 2: Otimizar a produção de recursos
... fazendo circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico.
Isso é sinônimo de projetar para a remanufatura, a reforma e a reciclagem, de modo que componentes e materiais continuem circulando e contribuindo para a economia.
Sistemas circulares usam circuitos internos mais estreitos sempre que preservam mais energia e outros tipos de valor, como a mão de obra envolvida na produção. Esses sistemas também mantêm a velocidade dos circuitos dos produtos, prolongando sua vida útil e intensificando sua reutilização. Por sua vez, o compartilhamento amplia a utilização dos produtos.Sistemas circulares também estendem ao máximo o uso de materiais biológicos já usados, extraindo valiosas matérias-primas bioquímicas e destinando-as a aplicações de graus cada vez mais baixos. 
Princípio 3: Fomentar a eficácia do sistema
 
... revelando as externalidades negativas e excluindo-as dos projetos.
Isso inclui a redução de danos a produtos e serviços de que os seres humanos precisam, como alimentos, mobilidade, habitação, educação, saúde e entretenimento, e a gestão de externalidades, como uso da terra, ar, água e poluição sonora, liberação de substâncias tóxicas e mudança climática.

Características
Embora os princípios de uma economia circular atuem como princípios para a ação, as seguintes características fundamentais descrevem a economia circular pura:
Design sem resíduo
Resíduos não existem quando os componentes biológicos e técnicos (ou 'materiais') de um produto são projetados com a intenção de permanecerem dentro de um ciclo de materiais biológicos ou técnicos, concebidos para desmontagem e ressignificação.
Os materiais biológicos não são tóxicos e podem ser, simplesmente, compostados. Materiais técnicos, como polímeros, ligas e outros materiais sintéticos são projetados para ser usados novamente com o mínimo de energia e maior retenção de qualidade (ao passo que a reciclagem, como normalmente entendida, resulta numa redução da qualidade e realimenta o processo com matéria prima bruta).
Criar resiliência através da diversidade
Modularidade, versatilidade e adaptabilidade são características que precisam ser priorizadas em um mundo de incertezas e em rápida evolução. Sistemas diversos com muitas conexões e escalas são mais resistentes a choques externos do que os sistemas construídos simplesmente para a eficiência – maximizando o rendimento a partir de resultados extremos nas fragilidades.
Transitar para o uso de energia proveniente de fontes renováveis
Os sistemas devem operar com energia renovável - energia renovável, o que é permitido pelos reduzidos limiares dos níveis de energia exigidos por uma economia circular e restaurativa. O sistema de produção agrícola se baseia no atual rendimento da energia solar, mas quantidades significativas de combustíveis fósseis são utilizadas em fertilizantes, máquinas, processamentos e através da cadeia de produtiva. Sistemas alimentares e agrícolas mais integrados reduziriam a necessidade de insumos à base de combustíveis fósseis e capturariam mais valor energético dos subprodutos e adubos.
Pensar em 'sistemas'
A capacidade de compreender como as partes se influenciam mutuamente dentro de um todo, e as relações do todo com as partes, é essencial. Os elementos são considerados em relação ao seu contexto ambiental e social. Embora uma máquina também seja um sistema, ela está claramente delimitada a ser determinista. O pensamento sistêmico geralmente refere-se à maioria esmagadora do sistemas do mundo real: são não-lineares, ricos em feedback (retroalimentação), e interdependentes. Em tais sistemas, imprecisas condições de partida combinadas com feedback levam a consequências muitas vezes surpreendentes, e a resultados que frequentemente não são proporcionais à entrada (feedback 'não amortecido' ou descontrolado).
Tais sistemas não podem ser geridos no sentido convencional, "linear", exigindo, pelo contrário, mais flexibilidade e frequente adaptação a mudanças das circunstâncias.
Pensar em cascatas
Para os materiais biológicos, a essência de criação de valor reside na possibilidade de extrair valor adicional de produtos e materiais em cascata através de outras aplicações. Na decomposição biológica, seja ela natural ou em processos de fermentação controlada, o material é desintegrado em fases por microorganismos como bactérias e fungos que extraem energia e nutrientes dos carboidratos, gorduras e proteínas encontrados no material. Por exemplo, uma árvore indo para o forno renuncia o valor que poderia ser aproveitado através das etapas de decomposição por meio de usos sucessivos da madeira e produtos madeireiros antes da degradação e eventual incineração.
Escolas de pensamento
O conceito de economia circular tem origens profundamente enraizadas que não podem ser ligadas a uma única data ou autor. Suas aplicações práticas para os sistemas econômicos modernos e processos industriais, no entanto, adquiriram uma nova dinâmica desde o fim da década de 1970, lideradas por um pequeno número de acadêmicos, líderes intelectuais e empresas.
O conceito genérico tem sido aperfeiçoado e desenvolvido pelas seguintes escolas de pensamento:
Design Regenerativo
Nos Estados Unidos, John T. Lyle começou a desenvolver ideias de design regenerativo que poderiam ser aplicados para todos os sistemas, ou seja, para além da agricultura, para o qual o conceito de regeneração havia sido formulado anteriormente.
Indiscutivelmente, ele estabeleceu as bases do framework de economia circular as quais foram notavelmente desenvolvidas e ganharam notoriedade graças ao Bill McDonough (que havia estudado com Lyle), Michael Braungart e Walter Stahel. Hoje, o Centro Lyle de Estudos Regenerativos oferece cursos sobre o assunto.
Economia de Performance
Walter Stahel, arquiteto e economista, em 1976 esboçou em seu relatório de pesquisa para a Comissão Europeia, “O Potencial de Substituir Mão-de-Obra por Energia”, em coautoria com Genevieve Reday, a visão de uma economia em ciclos (ou economia circular) e seu impacto na criação de emprego, competitividade econômica, redução de recursos e prevenção de desperdícios. Creditado por ter cunhado o termo "Cradle to Cradle" (Berço a Berço) no final de 1970, Stahel trabalhou no desenvolvimento de uma abordagem de “ciclo fechado” para processos de produção e criou o Product Life Institute, em Genebra há mais de 25 anos.
Cradle to Cradle – Do berço ao berço
O químico alemão e visionário, Michael Braungart, continuou a desenvolver, em conjunto com o arquiteto americano Bill McDonough, o conceito e o processo de certificação Cradle to Cradle™. Essa filosofia de projeto considera todos os materiais envolvidos nos processos industriais e comerciais para serem nutrientes, dos quais há duas principais categorias: técnicos e biológicos. O framework Cradle to Cradle é focado no design para a efetividade em termos de produtos com impacto positivo e redução dos impactos negativos da comercialização através da efetividade.
Ecologia Industrial
“Ecologia industrial é o estudo dos fluxos de materiais e energia nos sistemas industriais”. Concentrando-se em conexões entre operadores dentro do “ecossistema industrial”, essa abordagem visa à criação de processos de ciclo fechado nos quais os resíduos servem como insumo, eliminando assim a noção de um subproduto indesejável. A Ecologia Industrial adota um ponto de vista sistêmico, projetando processos de produção de acordo com as restrições ecológicas locais, enquanto observa seu impacto global desde o início, e procura moldá-los para que funcionem o mais próximo possível dos sistemas vivos.

Biomimética
Janine Benuys, autora de Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza, define sua abordagem como uma "nova disciplina que estuda as melhores ideias da natureza e então imita esses designs e processos para solucionar os problemas humanos”. Estudar uma folha para inventar uma melhor célula solar é um exemplo.
Ela pensa nisso como "inovação inspirada pela natureza”. A biomimética se baseia em três princípios fundamentais:
• Natureza como modelo: estudar modelos da natureza e simular essas formas, processos, sistemas e estratégias para solucionar os problemas humanos.
• Natureza como medida: usar um padrão ecológico para julgar a sustentabilidade das nossas inovações.
• Natureza como mentora: ver e valorar a natureza não com base no que nós podemos extrair do mundo natural, mas no que podemos aprender com ele.
Blue Economy
Iniciado pelo ex CEO da Ecover e empresário belga Gunter Pauli, a Blue Economy é um movimento open source, que reune estudos de casos concretos, inicialmente compilados em um relatório homônimo e entregue ao Clube de Roma. Como afirma o manifesto oficial, “usando os recursos disponíveis em sistemas em cascataeamento (...) os resíduos de um produto se tornam insumos para criar um novo fluxo de caixa”. Baseado em 21 princípios base, a Blue Economy insiste em soluções determinadas por seu ambiente local e suas características físicas/ecológicas, colocando a ênfase na gravidade como a fonte primária de energia.
Diagrama Sistêmico
Uma economia circular busca reconstruir capital, seja ele financeiro, manufaturado, humano, social ou natural. Isto garante fluxos aprimorados de bens e serviços. O diagrama sistêmico ilustra o fluxo contínuo de materiais técnicos e biológicos através do ‘círculo de valor’.
Copiado: https://www.ellenmacarthurfoundation.org