segunda-feira, 11 de maio de 2020

O Dia das Mães para Quem não Podia ser Mãe

Ontem foi uma overdose de mães nas redes sociais que eu decidi deixar esse post pra hoje. 

Desde que minha mãe partiu para o céu, em 2007, o dia das mães virou um drama. Um tabu. Sempre fomos muito grudadas, e eu era uma daquelas filhas que realmente mimava a mãe. Mesmo. Pensava no presente por semanas. Dava um jeito de descobrir o que ela queria e ela sempre me agradecia com um suspiro feliz de “Não precisava, filha”. 

Quando ela ficou doente, cinco anos antes de morrer, o dia dela era todos os dias. Tava com vontade de comer tapioca? Bôra achar onde vende. Quer passear? Só se for agora. A minha terapeuta, nesses anos difíceis, dizia-me sempre que  a doença – qualquer uma delas – era uma grande oportunidade de aproximar as pessoas. E realmente foi.  Não havia mais espaço para briguinhas, disse-me-disse, nada era deixado para depois. Não havia depois. Tanto que, quando ela morreu, meu coração estava tranquilo. Não tínhamos pendências, mágoas a resolver, nada.  Só gratidão, lembranças boas e, é claro, muita saudade.
Quando minha mãe partiu eu tinha 30 anos. Jovem que até então não tinha pensado em gravidez seriamente, mesmo estando em um relacionamento estável. Tinha muito por conquistar, cursos sempre inadiáveis a serem feitos, viagens, baladas. 

E um marido que já tinha 2 filhos e nenhuma vontade em se aventurar na paternidade novamente.  

Havia muitos obstáculos a serem superados. E quando o mais difícil deles foi transposto – o marido que aceitou ser pai de novo – apareceu mais um. Depois de mais de um ano de tentativas e vários exames feitos, o diagnóstico: O médico disse, em alto e bom som: “Você não pode ser mãe!” . 

Confesso que ele não foi seco, não foi duro, me deu alternativas, mas eu não escutei nada direito depois dessa bomba. Na minha cabeça só martelava um “COMO NÃO POSSO? Eu NASCI para ser mãe!”. Lembro que voltei para casa chorando, chorando liguei para o meu marido e chorando fiquei por várias semanas.
Meses depois, começou a batalha da fertilização in vitro. Agora meu marido além de querer ser pai, ia ter de pagar – e caro – por esse filho. Um pacote de 3 tentativas foi proposto pela clínica. Hormônios, injeções, ultrassom. Retirada de óvulos.  Fomos para a primeira tentativa. E doze dias depois, eu tinha de fazer o exame de sangue para saber se estava grávida. 


Caía em uma segunda-feira, depois do dia das mães. Fui convencida pela minha irmã a comprar um teste de farmácia no próprio domingo. 

Uma chance, segundo ela, de passarmos um dia das mães feliz. 

Era o nosso segundo dia das mães sem a nossa mãe. Cedi. Esperei meu marido sair para levar os filhos dele que iam passar o domingo com a mãe, fui até uma farmácia e comprei o exame. 

O resultado? NEGATIVO. 

Chorei, chorei, chorei, e chorei muito mais quando ele chegou da rua com rosas vermelhas para me presentear pelo dia das mães. A primeira tentativa fracassara.
Adiei por um mês a segunda tentativa. Queria descansar a cabeça e, principalmente, não contar para ninguém quando fôssemos tentar mais uma vez. Minha ansiedade já era difícil demais de dominar. Não podia cuidar da ansiedade dos outros também.  

A segunda tentativa foi marcada para o dia 25 de junho de 2009.

A data nunca saiu mais da minha cabeça porque, ao acordar para ir à clínica, vi que o mundo estava paralisado e chocado pela morte de Michael Jackson. “Melhor assim”, pensei. “Todos ocupados demais para perceber a minha ausência.” 

Saí de férias e de cena. Decidimos ir para a praia depois que saísse da clínica com três embriões na barriga. E assim foram mais 12 longos dias de espera pelo próximo exame de gravidez. Que deu positivo. Um positivo tão tímido no exame da farmácia, que me fez adiar a comemoração para o dia seguinte, data marcada para o exame de sangue. 

Mas a confirmação veio. Eu estava grávida! E o ultrassom confirmou que de apenas um bebê. Coloquei três embriões na barriga e apenas um vingou.

Por isso, ainda embriagada pelo dia das mães, quero agradecer à medicina que desde o nascimento da primeira bebê de proveta, Louise Brown, em 25 de julho de 1978, tem feito milhares de mulheres como eu: felizes, realizadas e completas.  Não só mulheres que não podiam engravidar. 


Casais formados por pessoas do mesmo sexo que quiseram ter seus filhos, mulheres que embarcaram em produções independentes porque os maridos não toparam a paternidade. E sobre essa luta pela felicidade que só uma criança às vezes pode trazer, divido com vocês um SBT Repórter sobre fertilidade que fui convidada a fazer o ano passado. 

Quando eu contava aos meus entrevistados a minha história, ele se abriam mais porque sabiam que eu entendia perfeitamente cada passo dessa luta. E por isso meu filho, Samuel, também aparece na reportagem.

Copiado: Rita Lisauskas. https://emais.estadao.com.br/

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Autoconhecimento: O Que É e 15 Exercícios para Praticar


O autoconhecimento é uma das habilidades mais importantes para o sucesso de uma pessoa. A forma como você se comporta e responde a situações externas é regida por processos mentais internos e conseguir identificá-los e compreendê-los é essencial para ter uma vida mais saudável e equilibrada.

Especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento profissional e em ambientes corporativos, o conceito de autoconhecimento tem se tornado bastante popular. Cada vez mais as pessoas têm buscado por formas de se conhecer melhor e esse processo está passando por um período de valorização e incentivo. Afinal, espera-se que um bom profissional saiba lidar bem com os outros e com o ambiente ao seu redor e, o primeiro passo para isso, é se dar bem consigo mesmo.

Mas diante disso tudo, você já parou para pensar o que o autoconhecimento realmente significa? E indo além: já pensou no quanto você conhece de si mesmo – e como pode conhecer mais?

Apesar da popularização do termo, nem todos estão familiarizados com o real significado e a importância do autoconhecimento e nem com os processos necessários para alcançá-lo. E é por isso que preparei este artigo! Aqui você vai encontrar tudo sobre o assunto e ainda descobrir 15 exercícios práticos que vão te ajudar a se conhecer melhor. É só continuar lendo – vai valer a pena!

O que é autoconhecimento  - O autoconhecimento é um processo que tem como objetivo identificar padrões de pensamento e hábitos pessoais e, a partir disso, permitir que o indivíduo consiga melhorar suas respostas comportamentais e tomadas de decisão. O autoconhecimento começa dentro da mente e se reflete no exterior, mudando positivamente a forma como uma pessoa percebe o mundo e reage a diferentes situações.

Existe um provérbio africano que diz que “quando não há inimigo dentro, os inimigos de fora não podem fazer nenhum mal”. E esse é um excelente resumo sobre autoconhecimento.

Por meio de exercícios, essa técnica permite que possamos compreender melhor nossos objetivos e desejos e, a partir disso, traçar planos mais eficientes para que eles sejam alcançados. É possível também controlar pensamentos e hábitos destrutivos e evitar que eles impactem negativamente em nossa vida.

A importância do autoconhecimento - O autoconhecimento, como próprio nome diz, faz com que as pessoas se conheçam, se entendam e, a partir disso, tenham consciência sobre o que se passa em sua mente e como isso afeta sua vida. E é por isso que essa prática é tão importante.

Tendo ciência de seus hábitos e pensamentos, é possível identificá-los como bons ou ruins e trabalhar para que eles sejam mais ou menos frequentes e poderosos. Uma pessoa com mais entendimento sobre seu interior poderá usar isso para se desenvolver e evoluir – seja na vida amorosa, pessoal ou profissional.

O autoconhecimento faz com que o ser humano tenha uma vida muito mais saudável e equilibrada e, consequentemente, com que ele seja cada vez mais bem sucedido, principalmente profissionalmente.
É por isso também que esse conceito tem se tornado cada vez mais popular no ambiente corporativo e no que diz respeito ao âmbito profissional e de desenvolvimento de carreira.
Uma pessoa consciente de si mesma e de seus pensamentos, consegue identificar suas forças e fraquezas e trabalhar com foco para se desenvolver diariamente. Por isso, na maioria das vezes, buscar o autoconhecimento é o primeiro passo para ter uma vida profissional mais bem sucedida e saudável.

Os três níveis do autoconhecimento - Até esse momento, você já deve ter conseguido compreender melhor o conceito de autoconhecimento e também a sua importância para diferentes momentos da vida. Então, como prometido, é hora de descobrir como você pode começar a buscar por autoconhecimento em sua própria vida, por meio de exercícios simples.
Porém, antes disso, é preciso saber que existem três níveis de autoconhecimento que uma pessoa precisa desenvolver. Eles foram propostos pelo escritor Niklas Goeke e são:
  • Pensamento: tudo aquilo que você pode desenvolver utilizando apenas a sua própria mente.
  • Expressão: exercícios para avaliar e desenvolver a forma como você se expressa em termos de crenças, valores e atitudes.
  • Implementação: o que você pode aplicar no mundo e em sua vida para alcançar os objetivos desejados.
Todos esses níveis precisam ser igualmente desenvolvidos para que se atinja o real autoconhecimento e a seguir vamos falar sobre 15 exercícios – de todos os tópicos – para que você comece a trabalhar o seu.

Exercícios para desenvolver o autoconhecimento

1. Os três “porquês” do autoconhecimento - Antes de agir em uma decisão, pergunte a si mesmo “Por que?”. Acompanhe sua resposta com outro “Por que?” e depois um terceiro. Se você puder encontrar três boas razões para continuar nessa decisão, você terá mais clareza em sua mente, conseguirá agir de forma mais racional, evitará más ações – normalmente tomadas por impulso – e ficará mais confiante.
Em suma, ter autoconhecimento significa conhecer seus motivos e determinar se eles são razoáveis e esse exercício é essencial para isso. Ele representa um dos primeiros passos quando pensamos em Inteligência Emocional. 

2. Expanda seu vocabulário emocional - O filósofo Wittgenstein disse: “Os limites do meu idioma significam os limites do meu mundo”.
As emoções criam respostas físicas e comportamentais poderosas que são mais complexas do que “feliz” ou “triste”. Colocar seus sentimentos em palavras têm um efeito terapêutico em seu cérebro. Afinal, se você não consegue articular como se sente, isso pode criar estresse e outras sensações negativas. Aumente seu vocabulário emocional com uma nova palavra a cada dia e também não tenha medo de ir além e se aprofundar em seus sentimentos.

3. Pratique dizendo ‘não’ para si mesmo - A capacidade de dizer “não” a si mesmo para adiar a gratificação a curto prazo e favorecer o ganho a longo prazo é uma habilidade vital importante. E como um músculo, isso pode ser reforçado com o exercício constante. Quanto mais você pratica dizendo “não” a pequenos desafios diários, melhor você pode suportar grandes tentações.
Há muitas tentações diárias – redes sociais, junk food, fofoca, trocar o yoga pelo Netflix – e você deve se esforçar para reconhecê-las e evitá-las. Faça um objetivo de dizer “não” a cinco tentações diferentes a cada dia. Anotar suas conquistas em cada dia pode ajudar a manter o foco!

4. Ruptura das reações viscerais - Uma pessoa sem autoconhecimento corre no piloto automático e responde com reações intempestivas. Um bom índice de autoconhecimento permite que você avalie as situações de forma objetiva e racional, sem agir sobre preconceitos e estereótipos.
Portanto, respire fundo antes de agir, especialmente quando uma situação desencadeia raiva ou frustração. Isso lhe dará tempo para reavaliar sua resposta e definir se ela será mesmo a melhor.


5. Seja responsável perante suas falhas  - Ninguém é perfeito. Estar ciente de suas falhas, mas não aceitar a responsabilidade por elas, acaba deixando o trabalho feito pela metade. Muitas vezes criticamos os outros e ignoramos as nossas próprias falhas. O autoconhecimento ajuda a aumentar nossa percepção sobre nós mesmos, criando um espelho interior, e isso previne que tenhamos comportamentos hipócritas.
Evolução e autoconhecimento só acontecem quando você reconhece uma falha. Crie o hábito de assumir suas responsabilidades, ao invés de dar desculpas e veja como você pode melhorar em cada um deles.

6. Monitore sua “auto-fala” - Há comentários sem parar em nossas cabeças que nem sempre são úteis. Um pouco de “auto-fala” negativa pode levar a quadros de estresse e depressão.
Preste atenção na maneira como você responde aos seus sucessos e fracassos. Você sempre considera suas conquistas apenas como sorte? Ou crucifica-se muito depois de falhas? Os contornos de feedback positivos e negativos se formarão em sua mente com base em como você responde a sucessos e falhas. Comemore suas vitórias, perdoe suas perdas e aprenda com elas. É um bom caminho para ampliar as chances de autoconhecimento, pode ter certeza.

7. Melhore a sua consciência na linguagem corporal - Observar-se em um vídeo pode ser uma experiência fascinante, pois a consciência de sua linguagem corporal, postura e maneirismos melhora sua confiança e seu autoconhecimento.
Deslocar, ou tomar uma “pose de baixa potência” (meio morna, com os braços largados, jogado na cadeira) aumenta o cortisol e alimenta a baixa auto-estima, enquanto estar de pé ou ter uma “pose de alta potência” estimula a testosterona e melhora seu desempenho (esse exercício é muito legal, vale a pena tentar na sua próxima reunião). Usar gestos de mão também ajuda a articular seus pensamentos e afeta a forma como as pessoas se atentam e respondem a você.
Grave um discurso ou apresentação e avalie sua postura e gestos. Assista a vídeos de oradores qualificados e adote seus maneirismos para melhorar os seus.

8. Conheça o seu tipo de personalidade - Conhecer o seu tipo de personalidade permite que você maximize seus pontos fortes e gerencie seus pontos fracos. Compreender suas “forças” e “talentos” pode ser a diferença entre uma boa escolha e uma ótima escolha. (Pontos fortes são habilidades e conhecimentos que podem ser adquiridos, enquanto os talentos são inatos – será?).
Comece com a compreensão de onde você cai no espectro introvertido/extrovertido; conheça seu tipo Myers-Briggs; e então crie e registre uma análise SWOT pessoal, com seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças.


9. Pratique auto-avaliação e reflexão - Um exercício excelente é manter um diário e acompanhar seus desempenhos e progressos diários. Por exemplo, hoje como você classificaria seu nível de autoconsciência, de zero a dez? Pense em quantas vezes você disse coisas das quais se arrependeu, teve hábitos ruins, tomou decisões distraídas ou teve pensamentos erráticos. Este é um exercício poderoso para o autoconhecimento e pode ser feito a qualquer momento.
Defina metas regulares, quebre essas grandes metas em marcos menores e pergunte-se ao final de cada dia: “o que eu fiz bem hoje?”  e “como posso melhorar isso amanhã?”.

10. Solicite feedback construtivo regularmente - Todos nós temos pontos cegos em nossos padrões de pensamento e comportamento. Pedir comentários de feedback construtivos regulares pode ser útil para que sua força de autoconhecimento seja desenvolvida também com base em visões externas e diferentes.
Busque como mentores aquelas pessoas que você respeita, mas que não sejam complacentes com vocês. Essas pessoas dirão o que você precisa ouvir, não o que você quer ouvir.

11. Faça meditação para desenvolver o autoconhecimento - A meditação é uma prática fundamental para melhorar seu autoconhecimento. Concentrar-se unicamente em sua respiração é focar em um processo interno chave.
Com essa prática, você perceberá como sua mente fica vagueando em momentos nem sempre adequados e entenderá como melhorar para se livrar dessas distrações.
Se você é um iniciante, comece com sessões de dez minutos. Encontre um lugar quieto para se sentar e respire pelo nariz e pela boca. Conte suas respirações em silêncio, lendo sua mente quando ela vagueia. Veja quantas respirações você pode encadear juntas.

12. Se questione - Comece a perceber que nem sempre suas opiniões estão ou precisam estar totalmente corretas. Se questionar é essencial e vai ajudar muito em seu desenvolvimento pessoal.
Sempre que você estiver sendo muito duro ou fechado em si mesmo, coloque uma interrogação no lugar do pontos finais e comece a pensar se suas convicções fazem mesmo sentido ou se realmente precisam ser tão pouco flexíveis. Isso vai te ajudar a lidar melhor com outros pontos de vista e até a rever certos posicionamentos.

13. Olhe as pessoas nos olhos - Autoconhecimento é sobre lidar melhor com si mesmo, mas isso também inclui entender como as pessoas reagem quando estão com você e o impacto que você causa nelas.
Por isso, quando estiver falando com alguém, olhe essa pessoa nos olhos e procure compreender o que suas reações, gestos e expressões estão querendo dizer. Você consegue deixá-la confortável, confiante? Ou essa pessoa sempre parece com medo e ansiosa para terminar a interação? Isso vai dizer muito sobre você e sobre pontos que você precisa desenvolver.

14. Registre sobre suas crenças e valores - Normalmente, as pessoas têm crenças e valores que servem como um guia e um direcionamento para suas vidas. Então, por que não registrar isso?
Coloque todos os seus mantras, valores e crenças em um documento. Aproveite para refletir sobre cada um desses pontos e entender se você realmente os tem seguido. Se a resposta for negativa, pense também em como você pode voltar a andar pelo caminho que deseja.   

15. Se organize e estabeleça prioridades - Quando se trata de autoconhecimento, outro ponto bastante importante é saber se organizar e, principalmente, conseguir estabelecer prioridades.
Por isso, um exercício interessante é, todos os dias antes de dormir, anotar as tarefas do dia seguinte e então definir as prioridades em termos de execução. Para que dê certo, marque no máximo três tarefas como mais importantes e aprenda a realmente criar uma noção de prioridade. Assim você otimiza seu tempo e consegue ser mais produtivo. 


quarta-feira, 29 de abril de 2020

"E agora, José?" Carlos Drummond de Andrade

UMA REFLEXÃO PARA ESTE MOMENTO DE DIFICULDADES.
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?





E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio — e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; 
quer morrer no mar, mas o mar secou; 
quer ir para Minas, Minas não há mais. 
José, e agora? 
Se você gritasse, 
se você gemesse, 
se você tocasse a valsa vienense, 
se você dormisse, 
se você cansasse, se você morresse... 
Mas você não morre, você é duro, José!


Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, 
sem teogonia, 
sem parede nua para se encostar, 
sem cavalo preto que fuja a galope, 
você marcha, 
José! José, para onde?

segunda-feira, 27 de abril de 2020

O que é Cross Docking?

O cenário empresarial da atualidade é de extrema competição, com o público cada vez mais informado, exigente e sensível ao preço, forçando as transportadoras e operadores logísticos a buscarem soluções como o cross docking para otimizar os custos dos seus processos logísticos.

O que é cross docking, afinal?

A expressão de origem inglesa cross docking pode ser traduzida como cruzamento de docas. Na prática, trata-se de um sistema diferenciado para a distribuição de mercadorias, de maneira que, ao chegarem aos centros de distribuição, já exista toda uma infraestrutura para que as cargas sejam separadas e enviadas a seus destinatários imediatamente, ou no máximo em 24 horas.
Essa configuração vem ganhando bastante espaço entre os comércios que dispensam uma estrutura física mais robusta. No entanto, devido ao alcance de seus resultados positivos, também tem chamado a atenção dos variados tipos de negócios de um modo geral.

Como funciona o cross docking?

Em uma operação logística na modalidade cross docking, os fornecedores entregam as mercadorias em um conjunto de docas, enquanto a equipe do armazém do operador logístico ou transportadora separa e organiza as cargas de acordo com os pedidos, em seguida acomoda os lotes nos veículos de entrega para seguirem viagem para entrega nos destinos finais. Veja no diagrama abaixo:
Cabe salientar que neste tipo de operação as mercadorias geralmente saem para entrega no mesmo dia, não permanecendo mais do que 24 horas no armazém, que serve apenas como área transitória para separação e manipulação das cargas.

Quais são os principais benefícios do cross docking?

O cross docking pode deixar a entrega mais ágil, reduzir a ocorrência de furtos e eliminar a necessidade de estocagem. Abaixo, acompanhe os principais benefícios.

Agilidade na entrega

A agilidade é um dos grandes destaques da modalidade cross docking. Isso porque, como não há o armazenamento dos produtos — assim que chegam às docas, eles já são conferidos, separados e enviados para o cliente final —, o tempo de entrega é muito menor do que nos procedimentos comuns.
O controle de qualidade na prestação do serviço também ganha eficiência, uma vez que as falhas com a entrega são reduzidas. Como resultado, é possível evitar remessas de produtos errados ou com defeito.

Redução de furtos

Um dos contratempos que acontecem com frequência para quem trabalha com a logística de estoque é que as mercadorias ficam mais expostas aos furtos. Tais circunstâncias geram não somente prejuízos financeiros, mas também refletem no atendimento ao cliente.
Nesse contexto, o sistema de cross docking é uma excelente alternativa para reduzir significativamente as possibilidades de furtos no centro de distribuição, pois o tempo de permanência dos itens por ali é o mínimo.

Melhor aproveitamento dos veículos de entrega

Devido a consolidação de cargas em rotas comuns, é possível fazer um melhor aproveitamento do espaço útil nos veículos de entregas que se destinam a atender cada localidade, o que se traduz em redução de custos e melhora da lucratividade da transportadora.

Redução de custo logístico

O primeiro reflexo do cross docking na otimização de custos diz respeito à eliminação do estoque. Nesse caso, haverá uma área específica para a separação de pedidos, mas não é necessário ter um local para armazenar os produtos. Isso naturalmente implica em menos despesas.
Por se tratar de uma dinâmica de trabalho mais enxuta, as operações ganham agilidade e os custos operacionais se reduzem. Uma vez associada a ferramentas tecnológicas, tais como sistemas TMS, leitura de etiquetas de código de barras, ela proporciona um ganho significativo de economia e produtividade — tudo acontece de forma ágil e utilizando menos recursos.

Eliminação da necessidade de estocagem

Como mencionado, a incorporação do cross docking na logística de uma empresa implica na eliminação da necessidade de estoque. As mercadorias apenas permanecem no centro de distribuição por um tempo mínimo necessário para a conferência, separação, preparação dos lotes para cada rota e
o envio.

Quais são os tipos mais comuns de cross docking?

O cross docking se apresenta em três tipos mais comuns. A seguir, veja quais são.

Movimentação contínua

Trata-se da espécie mais tradicional do cross docking, na qual o fornecedor, transportadora ou operador logístico recebe os produtos e os envia aos destinatários o mais rápido possível. A prática tem por objetivo evitar qualquer acúmulo em estoque.

Movimentação consolidada ou híbrida

O cross docking de movimentação consolidada ou híbrida é a modalidade que intercala a distribuição e o envio imediato de parte da carga com o direcionamento de alguns itens ao estoque. O objetivo é que sejam combinados a outros produtos que completam o pedido do cliente. Enfim, trata-se de quando nem todas as mercadorias chegam ao mesmo tempo e se espera para fazer uma única remessa.

Movimento de distribuição

Essa categoria normalmente é utilizada no modelo B2B (business-to-business), ou seja, entre empresas. A ideia é separar os pedidos de um único cliente, que tenham volume suficiente para preencher a capacidade do veículo — as chamadas cargas FTL (Full Truck Load).

Como implementar o cross docking?

A implementação do sistema cross docking deve ter como base o cumprimento rígido dos prazos informados aos destinatários das cargas, assim como o desenho e planejamento prévio dos processos operacionais. Para que a estratégia seja bem-sucedida, acima de tudo é preciso que o conjunto de ações planejadas funcione em sincronia. Por isso, é importante considerar os seguintes fatores:
  • o investimento em um software de gestão de transportes (TMS) adequado para este tipo de operação;
  • uma boa comunicação interna e externa;
  • o planejamento do processo logístico;
  • a qualificação do time de colaboradores;
  • a busca contínua por um atendimento de excelência ao cliente;
  • as negociações bem feitas com os fornecedores e parceiros de entregas.
Logo, colocar o mecanismo em prática requer o alinhamento das ferramentas certas com os processos de trabalho bem definidos e a capacitação de cada profissional. Além disso, é necessário conscientizá-los quanto à correta alimentação e utilização do sistema e cumprimento dos procedimentos padrão em cada função.
Com a apoio de um bom software TMS, por exemplo, gestor e colaboradores têm maior facilidade e domínio ao planejarem suas operações, pois sabem quando o produto será recebido, qual é seu destino e de que forma ocorrerá a distribuição. Mas, se nem todos estão habilitados para lidar com o recurso, o desempenho é fatalmente comprometido, já que a atividade fica sujeita a falhas no processo logístico.
Em meio à acirrada concorrência do mercado e à constante necessidade de otimizar processos e recursos, entender o que é cross docking e como implementá-lo da maneira correta na sua empresa consiste em um passo importante para conquistar melhores resultados. Os custos serão menores e a rapidez e o padrão de qualidade, maiores. Isso é sinônimo de clientes satisfeitos e crescimento das margens de 

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Saúde Mental na Quarentena: Como o RH Pode Ajudar Colaboradores

Manter a saúde mental na quarentena é um dos temas mais debatidos atualmente pela área de gestão de pessoas. Com o isolamento social imposto pelo surto de Covid-19, cenas que até então ocorriam só no mundo do cinema se tornaram realidade. Pessoas acuadas em suas casas, hospitais cheios de paciente e lugares, densamente visitados ao redor do mundo, vazios.
Mas qual é o efeito dessas cenas massivamente divulgadas pela mídia e redes sociais no bem-estar mental das pessoas? Como manter a sanidade mental de profissionais que já estão há dias trabalhando em casa, sem interação social face to face? Quais seriam as implicações quando a organização negligencia os reais efeitos desse afastamento social? Essas perguntas instigam equipes de RH ao redor do mundo a trabalharem na resolução dessas indagações a curto, médio e longo prazo.
Para ajudar o RH nesse longo caminho ainda bem desconhecido, vamos trazer nesse artigo dados sobre o tema e algumas dicas que amenizam esse isolamento social. 

Impacto psicológico da quarenta

Um estudo recente da revista médica The Lancet observa que o impacto psicológico da quarentena pode ser grande, resultando em uma série de problemas de saúde mental, desde ansiedade, raiva, distúrbios do sono, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Estudos de pacientes em quarentena devido ao SARS, um surto anterior de coronavírus em 2003, mostraram que 29% apresentaram sintomas de estresse pós-traumático, enquanto 31% tiveram depressão depois do isolamento.
Este relatório recente da The Lancet também descobriu que as preocupações com a saúde mental podem ser inflamadas por estressores associados à quarentena como medos por infecção, frustração, tédio, suprimentos inadequados, falta de informações, perda financeira e estigma associado à contração da doença.
Isso pode ser um desafio não apenas para pessoas com problemas de saúde mental preexistentes, mas também para pessoas com boa saúde psicológica.

Orientações da OMS

Reconhecendo o problema, a Organização Mundial da Saúde divulgou orientações sobre como as pessoas podem proteger sua saúde mental durante o surto.
O documento indica trinta pontos, subdivididos em grupos de interesse como idosos, equipes médicas e pessoas em isolamento em casa, que devem ser observados. Os tópicos podem ser resumidos em basicamente cinco itens:
  • Apoio emocional de parentes e amigos
  • Manutenção de rotinas, mesmo que a distância
  • Solidariedade e empatia
  • Redução de contato com notícias sobre o Covid-19
  • Homenagear pessoas que estão no front da batalha
“Ainda que isolado tente ao máximo manter sua rotina e crie novas. Se as autoridades de saúde recomendaram distanciamento físico para conter o surto, você pode manter a proximidade digital com e-mails, redes sociais, telefone, teleconferências etc”, indica o relatório.

A OMS também recomenda que durante esse período de estresse, as pessoas estejam atentas aos seus sentimentos e demandas internas. “Envolva-se com atividades saudáveis e aproveite para relaxar”, sinaliza o documento.

Dicas para seus colaboradores

À medida que mais e mais pessoas enfrentam as perspectivas de várias semanas de distanciamento social, é preciso que os profissionais que estão trabalhando de casa estabeleçam suas próprias maneiras de preservar sua saúde mental.
Ajude seus colaboradores, divulgando as seguintes dicas:

Mantenha a rotina

Tome café da manhã, arrume o seu local de trabalho, trabalhe, almoce, volte a trabalhar e assim por diante. Mantenha a sua rotina profissional e pessoal. Seguir esse rito cria uma sensação de normalidade e produtividade.

Limite o consumo de notícias

Mantenha-se informado sobre a situação por fontes confiáveis, mas limite suas notícias e o consumo de mídia social para evitar se sentir sobrecarregado.

Cuide do seu corpo

Coma saudavelmente, durma bastante e faça exercícios diariamente. Isso pode incluir a realização de aulas de ginástica indoor, alongamento e prática de meditação.

Faça algumas atividades

Se você não estiver confinado à casa, faça caminhadas ou corridas diárias, de preferência em uma área arborizada. Exercício, luz solar e estar perto da natureza beneficiam o humor. Se você estiver preso, experimente um dos muitos exercícios que você pode seguir na internet.

Ajude outras pessoas

Se você não estiver sujeito a regras estritas de isolamento e estiver em condições de fazê-lo, encontre maneiras de apoiar os necessitados oferecendo-se para, por exemplo, comprar suprimentos para eles. A sensação de ajudar os outros é um antídoto notável para a depressão.

Mantenha-se conectado

Aproveite ao máximo a tecnologia e mantenha contato com colegas, amigos e familiares por meio de telefonemas, textos, mídias sociais e videoconferência. Mantenha contato com as pessoas e algumas atividades físicas virtualmente

Lute contra o tédio

Aproveite ao máximo as séries de TV, leia seus livros que você negligenciou por um tempo e explore projetos que você está adiando. Tudo isso ajuda a vencer o tédio e permanecer mentalmente ativo.

Concentre-se nos aspectos positivos

Observe aspectos positivos da pandemia. Acredite, elas existem. Veja, por exemplo, de que forma essa pandemia está mudando o ambiente de trabalho. Confira que tipos de competências serão observadas no mercado de trabalho do futuro e aproveite o tempo para se preparar para essa situação pós Covid-19.
Lembre-se a melhor forma de se manter mentalmente saudável é produzindo. 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Mar Calmo Nunca Fez Bom Marinheiro


Sabe aquele velho ditado de que mar calmo nunca fez bom marinheiro? 
Pois é, é em meio às ondas gigantes que aprendemos, de fato, a navegar. 
Isso serve tanto para os dias de mar agitado ou para os dias em que a vida insiste em nos balançar na travessia. 
De repente, de um dia para o outro, o caos se estabelece. Nossas certezas vão por água abaixo, levando, por vezes, nossa confiança e estabilidade.
Sucumbimos. Desesperamos. Entristecemos. Diante de alguns problemas, parece que o achado de “terra à vista” jamais irá acontecer. 
A sensação é de estarmos condenados ao mar de águas turbulentas, buscando, incansavelmente por um porto seguro. 
Mas aí, enquanto estamos tentando resistir a tanta instabilidade, acabamos por descobrir um novo jeito de navegar.

Resgatamos forças que nem imaginávamos ter. Recebemos o apoio de quem não imaginávamos poder contar. 
E, sobretudo, descobrimos em nós mesmos, uma capacidade de resiliência que parecia inexistir. 
Em algum momento, passamos a nos adaptar às mudanças, entender os problemas e correr atrás para modificá-los.
Parece simples e fácil, mas está longe de ser. Antes de nos tornamos bons marinheiros, aprendendo a navegar apesar das circunstâncias, nós quase nos afogamos. 
O barco enverga, a ponto de quase afundar, engolimos muita água e, por fim, saímos exaustos. 
É uma luta não apenas contra os problemas, mas, principalmente, contra nós mesmos. Uma batalha interior difícil e desafiadora.
No entanto, é preciso descobrir o nosso próprio jeito de sair de cada situação. O meu, o seu, cada um à sua maneira. 
Alguns sofrem mais, levam mais tempo para encontrar as saídas. Porém, não importa como, o importante é não desistir. Não abandonar o leme e continuar sempre navegando. 

Afinal, depois da ressaca, vem o mar calmo e tranquilo. 
Mesmo que demore, mesmo que machuque, chegaremos a ilha mais próxima, ao porto seguro, ainda mais fortes.
Por Isabela Nicastro – Sem Travas no Coração