segunda-feira, 10 de maio de 2021

Síndrome da Impostora: o que é e como lidar com ela?

 


Você pode nunca ter ouvido falar sobre a síndrome do impostor, mas é possível que ela já tenha rondado a sua vida — sobretudo se você for mulher. A sensação de que o sucesso atingido não foi merecido é bastante comum, especialmente entre as mulheres. A síndrome da impostora, infelizmente, faz parte do dia a dia de profissionais, estudantes, mães e filhas que, na verdade, têm plena capacidade e talento para estar onde estão.

O tema ganhou algum destaque nos últimos anos, quando personalidades como a ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, falaram publicamente sobre esse sentimento de duvidar das próprias conquistas. Além disso, recentemente, no Brasil, o conceito também tem estado presente em debates sobre empoderamento feminino.

Mas quais são os fatores causadores da síndrome da impostora e por que ela é mais frequente entre as mulheres? De que forma o fenômeno impede o protagonismo feminino no mercado de trabalho e como as empresas podem ajudar a mudar o cenário? 

Neste artigo, vamos aprofundar essas questões e falar também sobre o Teste de Clance, uma escala que mede o quanto a síndrome do impostor pode estar afetando a sua vida. Acompanhe!

O que é síndrome do impostor?

De forma resumida, a síndrome do impostor é o nome atribuído a um sentimento de que você não é bem sucedido porque o merece e que, em algum momento, todos irão descobrir que você não passa de uma fraude.

Apesar de ter ganhado visibilidade mais recentemente, o conceito de “síndrome do impostor” foi descrito pela primeira vez em 1978, em um artigo escrito por Pauline R. Clance e Suzanne A. Imes, cujo título é “The Impostor Phenomenon in High Achieving Women: Dynamics and Therapeutic Intervention” (“O fenômeno do Impostor em mulheres bem sucedidas: dinâmicas e intervenções terapêuticas”, em português). 

No estudo, as pesquisadoras americanas analisaram 150 mulheres que, reconhecidamente, haviam alcançado êxito em suas carreiras. No entanto, embora as suas conquistas profissionais e acadêmicas fossem evidenciadas e publicamente reconhecidas, descobriu-se que boa parte da amostra tinha forte tendência a uma impostura intelectual interna que não lhes permitia valorizá-las.

Desde então, outros estudiosos e estudiosas se uniram a Clance e Imes e passaram a investigar o tema. Hoje, sabe-se que a síndrome da impostora identificada entre aquelas mulheres traz a sensação irrealista de que as suas próprias capacidades estão sendo superestimadas. Sendo assim, quem é atingido pelo fenômeno tem a impressão de estar enganando as outras pessoas ou de não ser merecedor dos próprios êxitos, como se eles fossem resultado de sorte ou do acaso.

E por que o fenômeno acomete mais as mulheres? 

Embora não seja exclusividade de nenhum grupo específico, é fato que o fenômeno é mais comum entre as mulheres. Logo, não foi por acaso que a síndrome da impostora tenha sido observada pela primeira vez em um estudo que utilizou como amostra um grupo de representantes do gênero feminino. 

As razões da crença de que não se é realmente competente e de que o sucesso se deu por sorte podem estar relacionadas a características da personalidade. Porém, elas também podem estar relacionadas à infância, à classe social, à raça e ao gênero. Clance e Imes destacaram, ao longo de suas pesquisas, justamente a internalização de estereótipos de gênero como um dos agentes geradores da síndrome da impostora.

Se, por um lado, os homens tendem a superestimar as suas conquistas, as expectativas ligadas ao papel da mulher na sociedade as colocam em uma posição de desconfiança em relação à sua própria inteligência — o que, inevitavelmente, traz consequências negativas às suas vidas.

Quais são os “sintomas” da síndrome da impostora?

Alguns sinais podem ajudar a entender se uma pessoa é afetada pela síndrome da impostora. Eles não são considerados exatamente “sintomas”, pois, apesar de ter se popularizado como “síndrome”, os estudos desenvolvidos até então o consideram um “fenômeno” e não um distúrbio.

De qualquer forma, ele vem acompanhado de efeitos indesejados e também pode contribuir para desencadear outros problemas, como transtorno de ansiedade e depressão. Sendo assim, é importante ter atenção a alguns sinais:

  • Crença de não ser boa o suficiente e sentimento de fraude;
  • Sensação de não pertencimento ao meio onde se está;
  • Medo de ser descoberta e culpa por estar “enganando” as pessoas;
  • Ansiedade pós-sucesso;
  • Perfeccionismo e baixa auto-estima;
  • Insegurança ao ser avaliada e medo da comparação;
  • Dificuldade de receber elogios e de se apropriar do sucesso;
  • Receio de não conseguir repetir os resultados anteriores.

Síndrome da impostora e protagonismo feminino nas organizações

É sabido por inúmeros estudos que as mulheres costumam ter salários menores e que a maioria dos cargos de liderança das empresas são ocupados por homens. Além disso, em função de todas as questões relacionadas às construções sociais de gênero, o mercado de trabalho é mais rígido e exigente com as mulheres. Também é comum haver uma significativa discrepância na forma de tratamento de homens e mulheres, desde a entrevista até o dia a dia corporativo, motivada principalmente por vieses inconscientes



É evidente que esse cenário é também um dos fatores que ajudam a aumentar a insegurança e contribuir para que as mulheres desenvolvam a síndrome da impostora. Todavia, temos uma faca de dois gumes: a autossabotagem feminina, claramente, atrapalha a ascensão dessas profissionais.

Um levantamento feito pela empresa de tecnologia HP mostrou, por exemplo, que a maioria das funcionárias só se candidataria para uma determinada vaga se preenchesse 100% dos requisitos. Os homens, por sua vez, se candidatariam mesmo tendo somente 60% das competências exigidas para o cargo.

Isso mostra que a desconfiança em si mesma relacionada à síndrome da impostora, de fato, traz consequências destrutivas para a carreira das mulheres e impedem o protagonismo feminino nas organizações.

Por que as empresas devem contribuir para o desenvolvimento de suas lideranças femininas?

Por outro lado, diante desse contexto, as empresas também precisam fazer a sua parte e podem ajudar a combater a síndrome da impostora. Reconhecer o talento e a competência das mulheres e valorizar o seu êxito é fundamental e deve ser feito de forma concreta, ou seja, por meio de incentivos reais — como salários, cargos e planos de desenvolvimento

Para isso, as organizações precisam ter uma cultura que considere importante a representatividade feminina em diretorias e conselhos e que priorize a diversidade e a inclusão. Os benefícios de uma postura desse tipo atingem não apenas os colaboradores, mas também os negócios, como vêm mostrando diferentes estudos recentes. 

Uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) constatou, por exemplo, que aumentar a diversidade nos cargos de liderança leva ao desenvolvimento de maior inovação e a um melhor desempenho financeiro. Em um levantamento com mais de 1 mil empresas de 12 países, a McKinsey, outra consultoria americana, apurou que empresas que se preocupam com a diversidade de gênero são 21% mais lucrativas do que as que não têm essa preocupação.


Como fazer isso? Ações concretas, como programas de empregabilidade e de desenvolvimento de lideranças e na educação corporativa para ajudar a criar uma cultura organizacional com foco em igualdade de gênero, inclusão racial, de PcDs e outros grupos de diversidade nas empresas.

Bônus: faça o Teste de Clance para descobrir se você é afetada pela síndrome da impostora

Com o intuito de ajudar as pessoas a identificarem o quanto elas são afetadas pela síndrome do impostor, a estudiosa Pauline Rose Clance, uma das autoras do artigo que primeiramente descreveu o fenômeno, desenvolveu uma escala.

O Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS), aqui no Brasil conhecido como Teste de Clance, não serve para dar um diagnóstico, mas tem validade científica e, portanto, o seu resultado é confiável para uma avaliação individual. 

O Teste de Clance é um questionário simples com 20 afirmações que devem ser respondidas com o número que melhor indica o quanto cada uma é verdadeira. De acordo com a pesquisadora, para ser fiel à realidade, é preciso marcar a primeira resposta que vier à mente ao ler cada uma das questões.

Faça o Teste de Clance :

( https://pt.surveymonkey.com/r/ESCALA_DE_CLANCE )

Copiado: https://treediversidade.com.br/

sexta-feira, 7 de maio de 2021

FELIZ DIA DAS MÃES...

 “Mãe: palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, força e sabedoria. Ser mãe não é só dar à luz, e sim participar da vida dos seus frutos gerados ou criados. Obrigado por existir.” 


DEDICO Á TODAS MÃES BRASILEIRAS...

ADM. JORGE HENRIQUE M. CAVALCANTE
CFA/CRA-MA

quinta-feira, 6 de maio de 2021

SEJA UM GESTOR JUDICIAL - Cadastro disponibilizará profissionais de Administração para a Senad


Um acordo firmado entre o Conselho Federal de Administração (CFA) e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entra em uma nova fase. 

A parceria foi celebrada no ano passado. Desde então, os órgãos vêm trabalhando em conjunto para levantar um cadastro de profissionais que ajudará o Poder Judiciário a avaliar e conduzir a gestão dos estabelecimentos empresariais apreendidos e declarados perdidos em favor da União.

Funciona assim: quando o bem for apreendido e for colocado à disposição da justiça, o Poder Judiciário vai comunicar à Senad. A secretaria procura o cadastro do CFA, que terá a missão de indicar profissionais capacitados e qualificados para a gestão daquele tipo de bem apreendido. Os nomes dos profissionais são apresentados para a justiça, que decidirá quem fará a gestão desses ativos.  



“Nós conseguimos marcar dois pontos positivos, ou seja, conseguimos ajudar a população e o país, dando uma destinação e recuperando o dinheiro que foi tirado da sociedade, objeto do crime. Ao mesmo tempo, damos oportunidades aos profissionais de Administração para se colocarem no mercado de trabalho e serem demandados para atuar junto ao Judiciário de forma remunerada, claro”, explica o diretor de Fiscalização e Registro do CFA, Carlos Alberto Ferreira Júnior. 

Os interessados em se cadastrarem devem acessar o link disponibilizado pelo CFA (  https://gestorjudicial.cfa.org.br/ )  e preencher os dados solicitados. O diretor reitera que estão montando um banco de dados com profissionais, a partir da experiência de cada um deles. “Você que é bom em gestão de comércio, de indústria, de financeiro, em gestão de agronegócios e outros faça seu cadastro porque bens apreendidos existem de todos os tipos. Postos de gasolina, empresas, escritórios, indústrias, fazendas, hotéis, residências e tudo isso precisa de gestão quando é apreendido”, afirma. 



Processo 

Nos casos em que há uma operação policial com bens apreendidos, como empresas para lavagem de dinheiro e recursos materiais, eles ficam sob a responsabilidade da Senad que cuida desse bem até ele ser alienado e vendido em leilão. 

No entanto, uma decisão judicial para leiloar esse tipo de ativo pode demorar. E é aí que entra o acordo de cooperação técnica: para que não ocorra a depreciação desse patrimônio, nem a sua desvalorização devido à má gestão porque, até que ocorra o leilão em si, estas empresas devem funcionar normalmente, garantindo seu valor e a manutenção do papel social, como o quadro de funcionários. 

Elisa Ventura 

Assessoria de Comunicação CFA

terça-feira, 4 de maio de 2021

O Que São Competências Socioemocionais?

 


Relacionar-se com o mundo e com os outros: essa é uma condição primordial da vida em sociedade e, cada vez mais, esse relacionamento exige muito de todos nós. Cada pessoa possui seus valores, sua carga emocional e suas habilidades para lidar com os desafios cotidianos e é nesse contexto que o desenvolvimento das competências socioemocionais se apresenta como necessidade essencial. 

Com base nessa premissa, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovada em 2017, que norteia as propostas pedagógicas e os currículos das escolas públicas e particulares do Brasil, incluiu as competências socioemocionais como parte dos conteúdos a serem trabalhados em salas de aula, a fim de garantir não apenas o direito à aprendizagem, mas, também ao desenvolvimento humano. 


Isso significa que, além do crescimento intelectual, o crescimento pessoal e emocional deverá estar no foco dos trabalhos em sala de aula, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O que se pretende é estabelecer uma visão integrada da Educação e, a partir de um método inclusivo, que considere as emoções também como parte do processo de desenvolvimento, chegue-se a uma melhora nos índices de aprendizagem. Pensando a longo prazo, essa melhora irá se refletir em pessoas aptas a enfrentar os dilemas da vida adulta e mais preparadas para o os desafios do mercado de trabalho.

Conhecimento, atitude e habilidade


O que é uma competência? De acordo com a definição utilizada pela BNCC, trata-se de uma “mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana”. Somos seres formados a partir de nossas experiências, com valores múltiplos e moldados a partir de contextos únicos. É essa construção que direciona nossas atitudes, nossas tomadas de decisões e nossas escolhas ao longo da vida.


Para tudo isso, costumamos acionar as competências que temos em nosso repertório… e sempre buscamos o nosso melhor, no sentido mais prático e direto. Porém, nessa jornada, nem sempre estamos preparados para lidar com nossas emoções. Nesse contexto, o desenvolvimento das competências socioemocionais pode contribuir com os melhores resultados em todos os aspectos e vai muito além de adquirir conhecimentos.

Trata-se de uma integração entre o saber e o ser.

Quais são as competências socioemocionais?

As competências socioemocionais se encaixam no conjunto de habilidades que desenvolvemos para lidar com nossas emoções durante os desafios cotidianos e estão ligadas à nossa capacidade de conhecer, conviver, trabalhar e ser. Ao se dedicar ao desenvolvimento dessas habilidades, o que se procura, através do gerenciamento de emoções, é proporcionar relações sociais saudáveis e investir na busca de soluções sadias para os problemas do dia a dia.


Elas estão ligadas à nossa capacidade de pensar, sentir, decidir e agir, portanto, variam de indivíduo para indivíduo – sempre considerando a realidade e o contexto de cada um. Isso justifica a preocupação e a necessidade de incluir o desenvolvimento das competências socioemocionais na grade curricular de todas as escolas, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Na prática, pretende-se formar alunos com uma boa capacidade de resolver problemas, que consigam se comunicar bem e que estejam abertos a viver novas realidades e experiências. 


O que deve se desdobrar para a vida pessoal desses indivíduos e, futuramente, para sua vida profissional. 

O tema é amplamente estudado nas áreas da Psicologia e da Pedagogia, por isso, a lista de competências socioemocionais é extensa e varia de acordo com a instituição de ensino ou a corrente de estudos a que está submetida. Por isso, separamos as competências que mais se apresentam como essenciais e quais impactos podem ser sentidos com seus desenvolvimentos.


São elas:

Empatia:

É a capacidade de se colocar no lugar do outro. Essa competência socioemocional permite o entendimento das ações e emoções dos outros indivíduos e estimula a abertura ao diálogo e à cooperação. 

Responsabilidade:

Desenvolver a noção de que há consequências em cada atitude tomada é de extrema importância para a vida em sociedade. Por isso, a necessidade de aprender a guiar as decisões com princípios éticos e democráticos.  

Autoestima:

Essa competência socioemocional está ligada ao autoconhecimento e à capacidade de entender seus pontos fortes e suas limitações, sem que isso cause um prejuízo à sua confiança. 

Criatividade:

A partir do uso da imaginação e da capacidade de criar algo novo, essa competência tem como foco o estímulo do pensamento crítico e da pesquisa, a fim de encontrar soluções inéditas para questões que se apresentem no dia a dia.  

Comunicação:

Ao conseguir se expressar de maneira assertiva e segura, conseguimos comunicar nossas opiniões e nossos sentimentos de maneira clara e direta.  

Autonomia:

Ao nos conhecermos e sabermos qual a melhor maneira de nos cuidar e cuidar dos outros, no convívio social, a capacidade tomar decisões por contra própria (e que impactem positivamente na coletividade) é estimulada. 

Felicidade:

Embora as definições para o termo sejam as mais variadas possíveis, a partir das áreas do conhecimento que a estudam, a felicidade entra como uma competência socioemocional na medida em que representa o ato de se sentir bem de uma maneira ampla (considerando fatores emocionais, sociais e psíquicos como elementos de formação de cada um). 

Paciência:

Em tempos de alta ansiedade e estimulação acentuada através dos meios digitais, a paciência soa para além de uma competência e ganha ares de virtude. Mas, está totalmente ligada à capacidade de se controlar diante de situações complexas e buscar soluções com calma e tranquilidade. 


Sociabilidade:

A capacidade de se relacionar com os demais também precisa considerar que a harmonia se estabeleça e, dessa maneira, o convívio em sociedade se guie através do diálogo e do respeito. 

Ética:

Poder avaliar de que maneira as situações são conduzidas por você mesmo e pelos outros, a partir dos valores sociais e de condutas que não causem prejuízo moral à sociedade. 

Organização:

Essa competência socioemocional permite que se entenda a importância do planejamento para o atingimento dos objetivos, bem como a importância dos trabalhos desenvolvidos em grupos ou do gerenciamento de tarefas para se chegar a resultados propostos. 

Copiado: https://zoom.education/ 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

DISRUPTIVO: O que é, Importância e Por que Inovar nas Empresas


Você sabe o que é disruptivo e por que esse termo é decisivo para os negócios?

Cada vez mais, nos deparamos com tecnologias disruptivas, inovações disruptivas e empresas que fazem da disrupção seu diferencial competitivo.

Mas, para além das inovações de alto nível e últimas tecnologias, o termo diz respeito a um processo específico que impacta mercados e transforma hábitos de consumo.

Agora mesmo, você está usando várias tecnologias que já foram consideradas disruptivas, e a qualquer momento tudo pode mudar com mais uma novidade avassaladora.

Qual será a próxima?

Que produtos e serviços serão substituídos em breve?

Como seu negócio se posiciona nesses tempos de ruptura constante?

Então, se você quer dominar as tendências disruptivas e inovar com propriedade, siga a leitura.

  • O que é disruptivo?

Disruptivo é aquilo que causa disrupção, ou seja, que causa um rompimento na ordem usual ou andamento normal de um processo.

As startups foram as responsáveis por popularizar a palavra, que se tornou obrigatória para os jovens empreendedores do século 21.

Para que algo seja considerado disruptivo, deve provocar uma ruptura nos padrões e modelos estabelecidos no mercado.

Logo, não basta ser inovador para causar disrupção: é preciso quebrar paradigmas e impactar hábitos e comportamentos dos consumidores.

Por exemplo, lançar um novo modelo de automóvel de luxo com tecnologias inéditas não é necessariamente disruptivo, pois a maior parte das pessoas não terá acesso à inovação e o mercado continuará o mesmo.

Agora, lançar um veículo autônomo de produção em massa seria algo realmente transformador, muito mais próximo do que chamamos de disrupção.

  • Significado

Em seu significado original, disruptivo indica uma alteração brusca e, muitas vezes, incômoda, mas hoje já é praticamente um sinônimo de inovação.

Na tradução literal do conceito inglês “disrupt”, encontramos termos como interromper e desmoronar, indicando a derrubada de um padrão anterior para dar início a algo totalmente novo.

Com a apropriação do termo pelas estratégias de marketing e publicidade, disruptivo passou a ter conotação positiva, caracterizando aquilo que é de fato pioneiro e decisivo para o futuro.

  • História e uso do termo

O primeiro a usar o termo disruptivo para se referir às novas tecnologias que substituem as anteriores foi o professor de Administração Clayton M. Christensen, em artigo escrito para a Harvard Business Review, junto com Joseph Bower, em 1995.

Mais tarde, Christensen lançou o livro The Innovator’s Dilemma: When New Technologies Cause Great Firms to Fail (Harvard Business School Press, 1997), no qual se aprofunda na descrição do termo.

Mas foi somente com a obra The Innovator’s Solution: Creating and Sustaining Successful Growth (Harvard Business School Press, 2003) que ele passou a difundir o termo “inovação disruptiva”.

Desde então, o Vale do Silício adotou as expressões inovação disruptiva e tecnologia disruptiva, que se referem a produtos, serviços e soluções com características revolucionárias.

  • O disruptivo no campo da inovação e das empresas

No campo da inovação e das empresas, é considerada disruptiva toda solução, ideia ou tecnologia capaz de reconfigurar as dinâmicas do mercado.

É importante diferenciar o disruptivo de aprimoramentos tecnológicos e invenções que não afetam significativamente a economia, pois o conceito tem dimensões mais amplas.

Em outras palavras, a disrupção deve mudar nossa forma de pensar, nos comportar e fazer negócios, além de atingir diretamente as atividades do dia a dia.

Além disso, é comum que as inovações disruptivas eliminem um mercado existente, trazendo soluções mais eficientes e vantajosas.

  • O que é inovação disruptiva?

Inovação disruptiva é aquela capaz de criar um novo mercado ao mesmo tempo em que abala o mercado existente, segundo a definição clássica.

A expressão foi considerada a mais influente nos negócios do nosso século, tamanha sua importância.

De acordo com o professor Christensen, as inovações podem ser “sustentadoras” ou “disruptivas”.

No primeiro caso, a novidade não afeta os mercados existentes e pode ser do tipo “evolutiva”, que aprimora um produto já consolidado a partir das expectativas do consumidor.

Já o segundo caso aponta para inovações muito mais marcantes, que costumam acontecer de forma inesperada e instituir um novo conjunto de valores e comportamentos.

Assim, a inovação disruptiva se caracteriza pela capacidade de deslocar os produtos e empresas líderes de mercado, mirando em públicos que não eram atendidos pelas ofertas vigentes ou que possuíam outras necessidades.

De modo geral, esse tipo de inovação vem de empresas pequenas e startups, pois as grandes corporações estão mais interessadas em aprimorar seus produtos e atingir clientes mais rentáveis.

Enquanto isso, as empresas que se dedicam à inovação disruptiva começam com soluções de custo menor para novos nichos, que vão evoluindo aos poucos até conquistarem também o mercado tradicional.

Um bom exemplo é a Netflix, que iniciou o negócio de streaming por assinatura de forma discreta e logo dominou o mercado de entretenimento na TV.

  • Principais diferenças entre a inovação disruptiva e a inovação tradicional

A principal diferença entre a inovação disruptiva e a tradicional é a capacidade de transformar mercados e redefinir soluções.

Outro ponto essencial é a trajetória única das inovações disruptivas, que começam atendendo nichos mais restritos do mercado e vão elevando a qualidade até atingir os clientes mais exigentes, mantendo o diferencial do início.

Quando chegam ao topo de sua evolução, essas inovações superam as empresas dominantes, pois apresentam uma mudança radical no conceito original do produto – somada à alta qualidade esperada pelos clientes.

Isso não significa que as empresas líderes de mercado não inovem, mas seus esforços estão focados em aprimorar soluções para atender aos clientes mais lucrativos.

É por isso que a inovação tradicional não ultrapassa os limites da oferta existente, pois qualquer ruptura representa uma ameaça às soluções consolidadas.  

  • Para que serve a inovação disruptiva?

A inovação disruptiva serve para introduzir mais simplicidade, conveniência e um custo-benefício superior no mercado.

Seu impacto é especialmente importante em segmentos que mantêm altos preços e soluções complicadas como padrão.

Um exemplo clássico é o computador pessoal, que surgiu para desafiar a indústria de computadores corporativos da década de 1970.

Na época, a pioneira Apple começou a vender seus computadores para usuários que eram apaixonados por tecnologia, mas que jamais poderiam pagar US$ 200 mil pelas máquinas.

A ideia de levar os computadores para dentro de casa pareceu inusitada para muita gente no início, porém logo se mostrou acertada.

Pouco a pouco, tecnologias melhores e mais baratas surgiram para atender a todos os públicos e, assim, revolucionar a indústria e a vida de milhões de pessoas.

  • O que um negócio precisa para ser disruptivo?

Para ser disruptivo, um negócio precisa explorar novas tecnologias e oferecer soluções de forma radicalmente diferente.

Não basta melhorar os produtos existentes ou introduzir tecnologias futuristas: é preciso criar soluções acessíveis e mudar para sempre o mercado-alvo.

Além disso, a estrutura mais promissora para viabilizar a disrupção está nas startups, porque as grandes corporações não podem arcar com os custos e riscos desse tipo de inovação.

Afinal, a inovação disruptiva normalmente não é lucrativa logo de início, e seu processo pode ser bastante longo em comparação com as inovações que desafiam menos os paradigmas.

  • Como é o processo de inovação disruptiva?

O processo de inovação disruptiva começa com soluções e tecnologias experimentais e em pequena escala.

Tipicamente, os disruptores focam seus primeiros esforços em públicos que foram negligenciados pelas empresas incumbentes (que detêm uma fatia considerável do mercado).

No início, toda inovação desse tipo pode parecer pouco atrativa e restrita a um pequeno nicho, pois os lucros ainda não são aparentes.

Mas é exatamente essa a estratégia das empresas disruptivas: conquistar um público limitado com uma inovação radical, para depois elevar a qualidade da oferta até atender às expectativas do mainstream e dos públicos mais seletos.

Por se tratar de um processo longo, muitas empresas consolidadas sequer percebem a ameaça da inovação disruptiva tomando o lugar de seus produtos.

Por exemplo, a Blockbuster não prestou atenção na Netflix a tempo, como relata o próprio Christensen em artigo de 2015 para a Harvard Business Review.

  • Efeitos colaterais da inovação disruptiva

Como qualquer tendência econômica, a inovação disruptiva tem seus efeitos colaterais.

Um dos principais problemas das inovações mais radicais é seu componente destrutivo, pois o impacto repentino nos mercados gera vencedores e perdedores.

Frequentemente, o lado perdedor sofre prejuízos incalculáveis, como no caso emblemático da Eastman Kodak.

A tradicional empresa de câmeras fotográficas e filmes chegou a empregar 86 mil pessoas em 1998, e acabou com meros 8 mil postos em 2014, depois de se recuperar da falência.

Para que a inovação disruptiva seja válida, teoricamente, os ganhos para a sociedade e consumidores devem ser superiores às perdas das empresas eliminadas.

Outro problema recorrente é a obsolescência programada, ou seja, a decisão de desenvolver produtos que se tornarão obsoletos propositalmente em determinado prazo, para obrigar os consumidores a comprar as novas versões.

Há ainda os impactos ambientais da saga pelas tecnologias mais avançadas, que podem custar muito caro para as futuras gerações.

  • Quem é contra a inovação disruptiva?

Há vários segmentos que resistem às mudanças trazidas pela inovação disruptiva, bem como especialistas que denunciam o lado obscuro do fenômeno.

No livro The Dark Side of Innovation (Brigantine Media, 2013), por exemplo, o especialista em negócios Dr. Ankush Chopra revela os grandes fracassos e prejuízos que as empresas enfrentaram por conta da disrupção.

Um dos exemplos mais comuns ainda é a indústria da fotografia, que viu seu produto mais lucrativo (rolos de filme) sendo engolido pelas tecnologias digitais.

Quando a inovação disruptiva atinge um setor, as empresas incumbentes se veem em um dilema: se adotarem a nova tecnologia, perdem todo o seu mercado e, se tentarem escapar das inovações, correm o risco de desaparecer.

  • 10 Tecnologias Disruptivas Que Usamos no Dia a Dia

Há várias tecnologias que são básicas para nós, mas já representaram grandes inovações disruptivas.

Confira essa seleção histórica.

1. Wikipédia

Se você consulta a Wikipédia regularmente, saiba que a nossa enciclopédia livre online teve um impacto devastador nas editoras que produziam as versões impressas.

Fruto de contribuições de milhões de usuários, a Wikipédia reúne mais de 1 milhão de artigos somente no idioma português e quase 6 milhões de artigos em inglês.

Seu formato colaborativo disponibilizou um volume de conteúdo inimaginável de forma totalmente gratuita, o que vale a menção como inovação disruptiva.


2. Redes sociais

Para as gerações mais recentes, já é difícil se lembrar de um mundo sem Facebook, Instagram e Twitter.

Como inovações disruptivas, as redes sociais mudaram a forma de comunicação entre as pessoas e transformaram milhares de anônimos em celebridades.

3. MP3

O MP3 foi um dos primeiros formatos de compressão de áudio com perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano, reduzindo os arquivos em até dez vezes.

A disrupção na indústria musical é óbvia, pois os arquivos digitais passaram a dominar o mercado, impulsionando os dispositivos de reprodução e plataformas de compartilhamento online.

4. Touchscreen

 O primeiro touchscreen foi criado em 1965, mas a tecnologia só se tornou comercialmente viável em meados de 2007, quando a Apple lançou seu primeiro iPhone.

Apesar de já ser amplamente difundida, a tecnologia continua a se espalhar, chegando até painéis em locais públicos e tablets para fazer pedidos em restaurantes.

5. Bateria de íon-lítio

Toda a revolução digital que vivemos só ocorreu graças às baterias de íon-lítio, que permitiram o armazenamento da energia necessária para alimentar nossos dispositivos.

Mas o efeito disruptivo não se limita aos smartphones: a tecnologia das baterias está sendo empregada em veículos elétricos e sistemas de energia solar.

6. Computação em nuvem

Antes da computação em nuvem, as empresas viviam o drama de servidores insuficientes para suas ambições.

Hoje, a nuvem oferece todo o espaço de armazenamento necessário para o desenvolvimento dos negócios e também para guardar nossos arquivos no Google Drive e Dropbox.

7. Wi-fi

O Wi-Fi é uma das tecnologias que foi de “inexistente” a “indispensável” com mais rapidez na história.

Criada na década de 1990, levou menos de dez anos para que todo dispositivo eletrônico passasse a ser fabricado com Wi-Fi incluso.

8. Impressão 3D

A impressão 3D começou na década de 1980 como uma tecnologia futurista, e se tornou uma inovação disruptiva para designers do mundo todo.

Hoje, é muito mais fácil criar protótipos e modelos rapidamente, e a tecnologia já está chegando à bioimpressão e produção de órgãos humanos.

9. Motores de busca

Antes do Google, encontrar algo na internet era realmente desafiador, e nenhum usuário imaginava como um motor de busca poderia revolucionar sua vida.

Com essa inovação disruptiva, podemos contar com um ranqueamento automático dos melhores sites e conteúdos relevantes em poucos cliques.

10. Sensores de baixo custo

Inovações recentes como a Internet of Things (IoT) ou Internet das Coisas se tornaram possíveis graças à ascensão dos sensores de baixo custo, capazes de conectar dispositivos que vão de eletrodomésticos a veículos.

Esses sensores estão sendo utilizados para construir a próxima geração de casas, veículos, dispositivos e objetos inteligentes.

  • Inovação sustentável x Inovação disruptiva

Enquanto a inovação sustentável está mais próxima do modelo tradicional, incrementando produtos e serviços de acordo com as necessidades dos clientes, a inovação disruptiva está focada em oportunidades inéditas.

Embora o tipo sustentável possa prever futuras preferências e impulsos dos clientes, somente a inovação disruptiva é capaz de criar mercados alternativos, para além da imaginação dos clientes comuns.

De qualquer forma, ambas são essenciais para a evolução da tecnologia e da sociedade.

Copiado: https://www.sbcoaching.com.br/