sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A Busca da Autorrealização


Com base no modelo humanista das necessidades humanas básicas de Abraham Maslow, o psicólogo mais citado no mundo, considera as pessoas como atuantes em seu próprio desenvolvimento por meio da escolha, da criatividade e da autorrealização. Neste modelo é trabalhado a teoria da motivação humana em que o objetivo é atender ou assistir o indivíduo em suas necessidades humanas básicas, promovendo o autocuidado.


Esta teoria me faz refletir sobre a maior busca do ser humano que é se autorrealizar. Essa é a sua grande idealização, a sua maior vontade, ânsia e desejo de viver. Por trás de tudo isso está a hierarquia de necessidades, representada nesta pirâmide acima, que motivam o comportamento humano, começando pela base, a necessidade mais básica é sobrevivência fisiológica. Então, para sermos pessoas realizadas precisamos necessariamente de seguir uma hierarquia.

Primeiramente, a boa alimentação é fator essencial na rotina diária da humanidade. Nossa cultura pode ver o alimento como uma forma de saciar a fome, mas o coloca, também, como uma fonte de prazer e oportunidade de socialização. Cada pessoa seleciona e consome alimentos baseada nesse guia cultural (MEDVED, 1981). Lembrando que a estética e o sabor do alimento é um fator essencial para a autorrealização.

Os hábitos representam o que nós somos e para isso destaco a boa alimentação, atividade física, beber água, atividade de lazer, cuidar do corpo e ter um bom sono. Pontos fundamentais para nos tornarmos saudáveis e realizados.

Segundo ponto essencial para se realizar são o bem estar, cuidar do ambiente, estabilidade financeira, estudar, evitar vícios, limites, prevenção, tratamento, vida ativa e saúde.

Os estudos sobre promoção da saúde têm apontado que a aquisição de “qualidade de vida” engloba aspectos interligados, relacionados com as condições materiais necessárias à sobrevivência e à satisfação das necessidades humanas básicas, como acesso a um sistema educacional e de saúde de qualidade, a uma alimentação adequada, a um vínculo ocupacional satisfatório que gere renda, posse de uma habitação digna. Porém, essas não são condições únicas. O termo qualidade de vida abrange outros significados e integra várias dimensões de conhecimento, experiências, valores individuais e coletivos.

Outros valores como solidariedade, liberdade, inserção social e acesso à informação, preservação e proteção do ecossistema, políticas de desenvolvimento econômico social sustentável também devem ser considerados. É importante destacar que a regularidade de um comportamento e transformação do mesmo em hábito implica em múltiplas questões. Motivação para a ação, percepção dos benefícios, adequação às necessidades pessoais e satisfação com a atividade executada são itens fundamentais para que isso possa acontecer (MORETTI, 2009).

As atitudes incorporam crenças, mas que nem todas as crenças fazem parte, necessariamente, das atitudes, sendo que as crenças têm apenas um comportamento cognitivo, enquanto as atitudes são cognitivas e afetivas. Segundo Katz, as quatro funções da atitude são: instrumental, de ajustamento ou utilitária; protetora do ego; expressiva de valor e conhecimento (MESQUITA, 2003).

Estas funções são o fio condutor para os valores, que tem a ver com os modos de conduta e estado finais da existência. Uma vez que um valor é internalizado, ele é tido como um padrão ou critério para guiar a ação e, assim, desenvolver e manter as atitudes em relação a objetos e situações relevantes para julgar e comparar, moralmente, a si e aos outros. Os valores diferem das atitudes em vários aspectos importantes: enquanto uma atitude representa diversas crenças focadas num objeto ou situação específica, um valor é uma única crença que guia transcendentalmente as ações e julgamentos por meio de objetos e situações específicas. Um valor é um imperativo para ação e não somente uma crença sobre o preferível, mas também uma preferência pelo preferível (MESQUITA, 2003).

Entende-se que os valores humanos são baseados nas crenças, atitudes e valores, que visam conduzir o indivíduo à melhora de sua qualidade de vida.

Nós, seres humanos somos movidos em função de nossas crenças, atitudes e valores, implementadas, subliminarmente ou não, no dia a dia, por meio de atitudes e ações, processos educacionais em diversos campos de atuação e os efeitos nutritivos que possam causar, podem ser aliados na consolidação destas práticas (ROKEACH, 1981).

Com relação ao terceiro degrau da pirâmide aos relacionamentos interpessoais, representam também um ponto essencial para a saúde e hábitos do indivíduo. Muitas vezes nós mudamos de atitude pela necessidade de pertencimento e aceitação de um grupo e não assumimos o papel de protagonistas responsáveis pela nossa vida, mas também podemos usar o meio para benefício do nosso projeto de vida, assim desenvolvemos melhor o nosso potencial e a realização pessoal.

É essencial a construção da autonomia que envolve a responsabilidade do livre-arbítrio, ou seja, o aprendizado, o conhecimento, a informação. A autonomia é uma ferramenta que está em constante atualização e envolve um comprometimento com as consequências, que se firmará à medida que o indivíduo tenha o discernimento de que é a sua ação, íntima e pessoal, que determina significativamente o rumo de sua própria vida e a sua contribuição no contexto global (MENEGHETTI, 1996).

O contraponto de todos esses argumentos é que na mídia, na educação familiar e escolar e na sociedade em geral, temos muitas informações também sobre violência, desavenças e doenças, que muitas vezes tocam mais forte o emocional do ser humano, e que usualmente tem maior repercussão do que as informações positivas de vida realizadora. Sabe-se que ter consciência do que é bom para o indivíduo é um aspecto importante, mas agir de forma prática e de acordo com a vida saudável se torna muito mais difícil.

Transformar um processo capaz de reestruturar o ser humano, sua maneira de agir, pensar, decidir e escolher, é um grande desafio para uma sociedade saudável. O caminho é sempre o próprio ser humano, fazendo seu poder de compreensão expandir-se (ROKEACH, 1981).

Nos diferentes saberes sobre a autorrealização - o isso e aquilo presente nas ambivalências dos hábitos do dia a dia - Giddens ressalta que

"Os estilos de vida são práticas rotinizadas, as rotinas incorporadas em hábitos de vestir, comer, modos de agir e lugares preferidos de encontrar os outros; mas as rotinas seguidas estão reflexivamente abertas à mudança à luz da natureza móvel da autoidentidade. Cada uma das pequenas decisões que uma pessoa toma todo dia – o que vestir, o que comer, como conduzir-se no trabalho, com quem se encontrar à noite – contribui para essas rotinas. E todas essas escolhas (assim como as maiores e mais importantes) são decisões não só sobre como agir, mas também sobre quem ser. Quanto mais pós-tradicionais as situações, mais o estilo de vida diz respeito ao próprio centro da autoidentidade, seu fazer e refazer" (GIDDENS, 2002, p.80).

No âmbito psicológico, educar é proporcionar situações de aprendizagem, momentos em que cada um pode sentir-se implicado na construção do saber e do “tornar-se pessoa”. Conhecer a si mesmo, conhecer o outro, contrapor-se ao mundo e ao(s) outro(s), ser capaz de interagir numa contínua construção de identidade. Aqui está a dimensão ética do processo educativo, a responsabilização do indivíduo, a garantia assim conseguida de liberdade pessoal, a afirmação dos valores e sua concretização efetiva em práticas de aprendizagem ou, para melhor dizer, em práticas de vida (ROGERS, 2009).

São atitudes que conduzem ao reconhecimento da dimensão pessoal e, ao mesmo tempo, do valor da participação na construção da cidadania, em busca da democracia em pleno sentido.

No âmbito da saúde interdisciplinar, a mudança individual em relação aos estilos de vida com ênfase nos aspectos do bem-estar, o que pode ser verificado, é a necessidade do indivíduo se preparar para as transformações interiores que o tempo exige, mudando o estilo de vida, pensamentos e comportamento.

Logo, pode-se dizer que, para Maslow, a autorrealização engloba as satisfações biológicas, o reconhecimento das potencialidades para o indivíduo sobreviver física e socialmente, o desenvolvimento da autonomia, da independência, e um profundo sentimento de autodeterminação. Ou seja , é considerada um impulso dominante, pelo qual o indivíduo busca incessantemente e de maneira original desenvolver suas potencialidades na integralidade com os meios que estão ao seu alcance (MENESTRINA, 1996).

Segundo Maslow, a realização chega com a maturidade, para chegar no topo é preciso passar por todos os degraus de uma forma funcional e acumulativa, a partir daí podemos ser mais criativos, espontâneos, solucionarmos problemas de uma forma mais rápida, segura e eficaz. Enfim, refletir sobre a autorrealização, estilo de vida adequado, equilíbrio nos hábitos do cotidiano é fundamental para o desenvolvimento da sociedade em geral.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Adicional de Insalubridade: tudo que sua empresa precisa saber!


O adicional de insalubridade é um direito previsto pela legislação trabalhista para todos os trabalhadores que exercem atividades laborais que os expõem a agentes nocivos à saúde.
 Segurança e qualidade no ambiente de trabalho são dois direitos sociais garantidos a todos os trabalhadores pela Constituição Federal e Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
No entanto, há alguns casos em que certos problemas não podem ser evitados. Por isso, as atividades que apresentam riscos devem oferecer um adicional ao salário dos profissionais expostos a esses ambientes.
Nesses casos, para tentar diminuir os prejuízos decorrentes desses riscos, as empresas devem compensar os trabalhadores dessas atividades com o adicional de insalubridade.
Esse benefício está previsto nos artigos 189 a 197 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Há diferentes riscos passíveis de gerar esse benefício, os quais estão definidos junto com seus valores pela Norma Regulamentadora 15 (NR-15).
Criado para proteger quem trabalha em ambientes insalubres e exerce atividades de risco, a legislação prevê diversas questões sobre esse direito que devem ser consideradas pelas empresas.  E é sobre esse tema que trataremos neste post.
Tire todas as suas dúvidas sobre o assunto e proporcione todos os direitos a seus clientes. Confira!
 O que é adicional de insalubridade e quem tem direito?
Primeiramente, é importante entender o significado de insalubridade, que é um ambiente ou condição de trabalho, que por meio de riscos ambientais incontroláveis, podem prejudicar a saúde e integridade do trabalhador.
Por isso, podemos considerá-lo uma forma de recompensar aqueles profissionais que se submetem a esses possíveis agentes nocivos.
De acordo com o Ministério da Saúde, são considerados nocivos à saúde dos trabalhadores:
  • ruídos excessivos;
  • radiação;
  • temperaturas extremas;
  • agentes químicos.
Algumas das principais profissões consideradas insalubres são: radiologista, operadores de equipamentos de petróleo, gás e mineração.
Portanto, a norma reguladora, NR-15, define que o adicional de insalubridade é um direito dos profissionais que exercerem atividades envolvendo os seguintes riscos:
  • ruído contínuo ou intermitente;
  • ruído de impacto;
  • temperaturas extremas (tanto calor, quanto frio);
  • radiações ionizantes e não ionizantes;
  • condições hiperbáricas;
  • vibrações;
  • umidade;
  • agentes químicos;
  • poeiras minerais;
  • agentes biológicos.
Para saber quais são os outros agentes de risco que dão direito ao adicional de insalubridade, os profissionais podem consultar a NR-15, a qual discorre sobre cada tipo de risco.
 Como ele é calculado?
A NR-15 define que existem 3 graus de insalubridade e que cada nível dá direito a um percentual de compensação diferente:
  • para atividades insalubres em grau mínimo, o trabalhador tem direito ao adicional de 10%;
  • em grau médio a 20%;
  • e em grau máximo tem direito ao adicional de 40%.
O artigo 192 da CLT determina que cálculo do adicional de insalubridade é feito com base no salário-mínimo de cada região — ou seja,  ele não é relacionado ao salário do trabalhador.
Porém, o adicional pode ser calculado sobre o piso da categoria em casos determinados por convenção coletiva.
Veja esse exemplo de como fazer o cálculo do adicional para um trabalhador do Estado de São Paulo que exerce atividade insalubre em grau médio:
 Salário-mínimo da região: R$ 1076,20 (salário-mínimo paulista no ano de 2017)
Adicional: 20% (grau médio de insalubridade)
O adicional terá o valor de: R$ 1076,20 x 0,2 (20%) = R$ 215,24
 Vale destacar que se um trabalhador exerce sua atividade exposto a mais de um grau de insalubridade, a NR-15 estabelece que se considere apenas o de grau mais elevado para acréscimo salarial.

Ainda, o valor do adicional pode ser reduzido ou suspenso se as condições nocivas à saúde diminuírem ou forem eliminadas com a realização de reformas ou uso de equipamentos de proteção individual (EPI), por exemplo.
 Quais são os graus de insalubridade?
A fim de controlar os níveis de insalubridade a que os colaboradores são expostos e valor que ele deverá receber de benefício, é necessário identificar o grau de nocividade do ambiente.
Para isso, é necessário verificar se o risco ambiental está acima do limite de tolerância da NR-15, que será identificado através dos graus:
  • 40%: considerado insalubridade de grau máximo;
  • 20%: considerado insalubridade de grau médio;
  • 10%: considerado insalubridade de grau mínimo.
Dessa forma, caso seja encontrado um risco ambiental na atividade desenvolvida acima do limite, a empresa deverá pagar o adicional de insalubridade, o qual irá de no mínimo 10% até 40% sobre o salário mínimo.
 Como calcular o grau de insalubridade?
As porcentagens da insalubridade devem ter como base o salário mínimo vigente. Assim, conforme o grau determinado de insalubridade no ambiente, a porcentagem deve ser equivalente ao salário mínimo.
Confira um exemplo de  como calcular:
 Em uma situação que a avaliação do ambiente considerou que o profissional está exposto a um grau de insalubridade de 20% e o salário mínimo está em R$995,00 o cálculo do adicional deverá ser:
20% sobre o salário mínimo. Assim ele receberá a quantia mensal de R$199,00.
 O valor do adicional de insalubridade irá refletir nas demais verbas que o profissional recebe no mês, como por exemplo, horas extras,adicional noturno, entre outros.
 Como e quando ele deve ser pago?
O adicional de insalubridade deve ser pago em dinheiro, junto ao salário do colaborador. A lei proíbe a sua conversão em produtos ou outras comodidades ao empregado.
O empregado passa a ter direito ao adicional de insalubridade a partir da inclusão de sua atividade nos quadros aprovados pelo Ministério do Trabalho.
 Quem está exposto a mais de um grau de insalubridade pode acumular o benefício?
Não. De acordo com a legislação, os profissionais expostos a mais de um grau de insalubridade devem receber o benefício, considerando o grau mais elevado, sendo vedada a cumulação.
 Quais as diferenças de adicional de insalubridade e periculosidade?
Muitas vezes, esses dois termos são confundidos entre os trabalhadores. Portanto, é fundamental entender a distinção entre eles, pois nem todo trabalho insalubre é perigoso, como os periculosos.
Periculosidade é um conceito que define aqueles trabalhos que envolvem riscos de vida. Desse modo, os profissionais correm perigo, como nos casos de pessoas que trabalham com inflamáveis, explosivos, rede elétrica, entre outros.
Os trabalhos periculosos estão presente na lista da Norma Regulamentadora 16 (NR-16) do Ministério do Trabalho.
Portanto, o trabalho insalubre envolve a exposição direta a agentes nocivos à saúde. Enquanto isso, o trabalho periculoso envolveatividades que têm contato com materiais inflamáveis e substâncias radioativas, ou com exposição à roubo ou violência.
Outra diferença entre ambos é que o adicional de periculosidade não é calculado com base no salário-mínimo atual, mas sim em relação aosalário do funcionário.
O adicional de periculosidade é de 30% sobre o salário-base, podendo superar essa porcentagem caso a convenção coletiva da categoria determine.
 Sabendo de tudo isso, é fundamental que sua empresa realize as perícias necessárias caso trabalhe com alguma condição de insalubridade. Dessa forma, é possível realizar corretamente o pagamento do adicional de insalubridade aos funcionários que possuem direito. Caso contrário, a empresa pode sofrer com altas multas e processos trabalhistas por não pagar o adicional de insalubridade.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Precificação de um Produto ou Serviço: Acerte em 7 passos

Uma das principais dificuldades dos donos de pequenas e médias empresas é acertar na precificação dos seus produtos ou serviços. Na verdade, muitos sequer enxergam que precificar de maneira correta é essencial para garantir a lucratividade do negócio e se posicionar bem no segmento em que atuam.
De fato, quando essa precificação é malfeita, a gestão financeira do negócio fica totalmente comprometida. Se as vendas não conseguem cobrir os custos fixos e variáveis, por exemplo, é preciso fazer novos cálculos para que a empresa não fique no prejuízo.
E isso ocorre, principalmente, porque, diferentemente das grandes empresas, os pequenos empreendedores não possuem métricas definidas e estudos complexos para a formação de preços. Contudo, desde que o empresário reúna as informações necessárias e tenha disciplina para monitorar os resultados, é possível, sim, chegar ao preço ideal.
Por isso, neste post reunimos 7 passos essenciais para acertar na precificação de um produto ou serviço. Então continue lendo e não deixe de colocá-los em prática!

1. Tenha em mãos as informações necessárias

Antes de mais nada, não basta olhar para o preço que está sendo praticado hoje e fazer ajustes sem nenhum critério; a composição de preço de um produto ou serviço depende de alguns fatores chaves.
Você sabe, por exemplo quais são os custos necessários para entregar seu produto ou serviço? Quanto a isso, é considerado tudo o que é indispensável para a fabricação dos produtos ou prestação de serviços, desde a matéria-prima ou a comissão até os impostos. E não se esqueça dos custos de comercialização, frete e divulgação!
Além disso, não se pode deixar de lado os gastos fixos da empresa, que são aqueles que não dependem do volume de vendas — como despesas administrativas com funcionários, entre outros. Ainda outro ponto importante é determinar qual é a porcentagem que você pretende lucrar com a venda.
Todas essas informações são relevantes e fundamentais para se fazer uma precificação correta.

2. Avalie o mercado em que você atua

Somando o custo do produto, as despesas variáveis, os gastos fixos e o lucro almejado, você chegará a um valor — contudo, somente essas informações não são suficientes para uma precificação coerente e segura. Por isso, o próximo passo agora é olhar para o mercado e verificar qual é o seu posicionamento nele.
Essa etapa é essencial para que o empreendedor saiba se o que ele cobra pelo produto ou serviço está acima, abaixo ou condizente com o que já é praticado pelo mercado. E a precificação precisa estar alinhada a essa informação porque o empresário, muitas vezes, olha somente para dentro do seu negócio. E isso pode ser prejudicial para as finanças.

3. Descubra qual é o seu posicionamento

Então, depois que o empresário avaliar o mercado, é preciso alinhar seu posicionamento com a precificação. Se o preço estiver acima do que acontece no mercado, por exemplo, alguns ajustes se farão necessários, pois isso significa que existem custos de produção que poderiam ser otimizados ou que a margem de lucro está muito acima do praticado.
Já quando o preço está abaixo do mercado, é preciso atenção. Será que você está cobrando seu produto ou serviço de maneira correta? Às vezes, o empreendedor está levando prejuízo ou reduzindo demais alguns gastos quando poderia cobrar mais pelo que entrega.

4. Estude e acompanhe sempre a concorrência

Como podemos ver, para acertar na precificação do produto ou serviço, é indispensável estudar a concorrência — e isso não significa nada complexo nem exige investimento de muito capital. Na verdade, uma pesquisa rápida na Internet, a leitura de alguns folhetos de propaganda ou, até mesmo, uma visita à loja do concorrente já pode ajudar muito o empreendedor.
Lembre-se de que os preços precisam estar alinhados com o mercado de atuação, pois um valor muito abaixo pode gerar desconfiança no consumidor e impactar negativamente as vendas do negócio.
Além disso, quando o valor é muito acima e não há uma diferenciação clara para o seu público-alvo, é preciso ter cautela para que essa decisão não inviabilize as vendas e faça com que você tenha que aumentar ainda mais o preço para arcar com os custos.

5. Faça a precificação de um produto por meio da diferenciação

Uma das maneiras de precificar seu produto ou serviço é por meio da diferenciação. Para isso, a mercadoria precisa ser valorizada pelo cliente — contudo, nem sempre o empresário sabe o que sua marca entrega.
Basicamente, a percepção de valor pode vir da forma de pagamento, dos serviços adicionais, das embalagens, do atendimento ou do que você pode oferecer de diferente a ser valorizado pelo cliente.
Dessa forma, ele estará disposto até mesmo a pagar mais do que é praticado no mercado, sem nem pensar. Ainda assim, aqui vale lembrar que tudo precisa ser evidente para o cliente; caso contrário, o que você percebe como diferenciação pode não ter condizer com a realidade do público-alvo.

6. Não se esqueça do valor agregado

Aqui, vale ressaltar que precificar sem analisar se o seu produto ou serviço tem um valor agregado é um grande erro. Por isso, pare e analise com cuidado os feedbacks dos consumidores. Se, de fato, o que você entrega satisfaz os desejos e as necessidades dos seus clientes, metade do caminho está correto.
E lembre-se de que alguns fatores permitem que você precifique de uma maneira diferente — desde você utilizar matérias-primas de qualidade, produtos importados ou uma embalagem diferente, por exemplo. Por outro lado, da mesma forma é bom lembrar que um preço baixo também pode ter valor agregado.
Então, se o seu cliente percebe que o que você entrega tem qualidade — e, ainda por cima, é mais barato que os concorrentes — descubra qual é a razão disso. É o fornecedor parceiro que tem preços baixos, ou você compensa isso com o próprio volume de vendas? Essa percepção é fundamental na hora de precificar, principalmente quando for necessário reajustar os preços, por exemplo.

7. Mantenha as informações atualizadas

Por fim, é preciso disciplina para que a precificação esteja sempre de acordo com o contexto do empreendedor. Ainda mais em tempos de instabilidade econômica, quando é preciso avaliar constantemente se os preços estão competitivos ou se é necessário cortar gastos para garantir o lucro. Quanto a isso, manter as informações sempre atualizadas, conversar com fornecedores e parceiros, e verificar a demanda real são atitudes complementares.
Sem esse controle, quando os custos pesarem no bolso, o empresário tende a aumentar ou baixar os preços sem nenhum critério — o que pode prejudicar todo o trabalho feito anteriormente para ter uma precificação de produto correta e, ainda sem garantia de que os problemas serão mesmo resolvidos!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O que é transformação digital e como alcançá-la?

A transformação digital é o que acontece com as organizações quando elas adotam formas novas e inovadoras de fazer negócios com base em avanços tecnológicos. É o processo de mudar fundamentalmente uma tarefa com a adoção de ferramentas digitais, tecnologias inovadoras e, possivelmente, mudanças culturais para aprimorar ou substituir o que existia anteriormente. A transformação digital não é um produto ou uma solução disponível para compra, mas ela causa efeitos em tudo relacionado à TI em todos os setores.
Sentimos a falta (ou o mau funcionamento) da tecnologia muito mais do que sua própria presença. O mundo é digital, e esperamos que a tecnologia funcione perfeitamente, sem apresentar nenhum problema. Isso é o que acontece na maioria das vezes. Nossos smartphones têm todos os dados necessários (e muito mais) para serem produtivos o dia inteiro, desde ferramentas de processamento de texto a calendários, notificações de energia na tela de início a opções de transporte, além de serviços de entrega de comida e previsões meteorológicas. No entanto, é justamente quando a tecnologia não funciona que mais sentimos falta dela. Por exemplo, quando precisamos esperar horas em uma fila de pedágio para efetuar pagamento em dinheiro, pois os receptores eletrônicos não foram instalados na rodovia. Ir até o fórum no centro da cidade buscar um registro público que você sabe que deveria estar disponível on-line. Assistir a mais uma falha na tecnologia durante uma chamada de teleconferência.
É por isso que as organizações precisam investir em tecnologias que atendam aos funcionários e consumidores da mesma forma e conforme o esperado. As tecnologias de cloud, aplicativos mobile e tudo "como serviço" exigem novos tipos de armazenamento, análise, automação e gerenciamento. Uma inovação leva à outra: uma nova tecnologia gera aprimoramentos de processos, que resultam em melhores produtos e serviços. Além disso, os clientes exigem cada vez mais melhorias porque se acostumaram a determinadas experiências do cotidiano.
Pense da seguinte forma:
  • Os produtos, como documentos de papel em gaveteiros, se tornaram bits e bytes em containersem uma cloud; até mesmo o gaveteiro é abstraído e definido por software.
  • Os serviços, como experiências em hotel e aluguel de carros, foram substituídos por quartos de hóspede (falaremos mais sobre isso) e por motoristas que são acionados pelo smartphone.
  • Os processos, como fluxos de trabalho em cascata, evoluíram para práticas de DevOps, em que as equipes trabalham de forma iterativa.
Melhor qualidade de vida com uso de software: isso é transformação digital. Que tal essa definição?

Um breve histórico da transformação digital

Há dezenas (Internet), centenas (prensa) ou, até mesmo, milhares (roda) de anos, a transformação é possível por meio do surgimento de novas tecnologias. A criação de aplicativos de software, o desenvolvimento de infraestrutura de TI e a implantação de processos de negócios não são novos. Cada publicação de tecnologia da Business Insider a Wired vem promovendo a transformação digital, e a MIT Sloan School of Management tem toda uma iniciativa sobre a economia digital.
No entanto, o crescimento tecnológico exponencial não tem uma história de origem. Ela começou com a infraestrutura, que se tornou a base para os aplicativos que redefiniram os processos de negócios. Dessa forma, tudo está conectado: a infraestrutura determinou os tipos de aplicativos que eram usados, o que estipulou os tipos de processos que funcionavam melhor. Vamos lá. Existe uma explicação.

Infraestrutura

A transformação digital da infraestrutura
A infraestrutura de TI é a principal responsável pela transformação digital. Os mainframes deram origem aos servidores. Os servidores levaram às redes. As redes proporcionaram a hospedagem na cloud. E, finalmente, a cloud nos trouxe os ambientes híbridos atuais. No entanto, a necessidade de todas as empresas adotarem ou se adaptarem à revolução mais recente de infraestrutura não foi imediata.
Tudo começou com mainframes. As máquinas jurássicas de metal redefiniram o processamento de dados ao duplicar a quantidade de computações que poderiam ser processadas em um minuto. No entanto, a tecnologia não foi adotada de uma só vez. Os governos foram os primeiros a colocar os mainframes em operação. Eles cortaram o tempo de processamento do censo de doze anos para apenas um ano e meio.

Depois que os servidores conectaram as redes, especialmente quando um servidor de 2 GB começou a hospedar a rede mundial de internet (www) em 1991, as empresas precisaram mudar a abordagem de infraestrutura ou ficariam para trás. Todas as empresas que queriam espaço na Internet precisavam de um servidor. Agora, os servidores hospedam as intranets que oferecem suporte para as clouds privadas, conectadas à internet que oferece suporte às clouds públicas, e que oferece suporte a ambas por meio de clouds híbridas.

Aplicativos

A transformação digital dos aplicativos
A infraestrutura hospeda os aplicativos. Hoje, os processos de negócios são realizados com o uso de aplicativos, mas nem sempre foi assim. Eles chegaram ao mercado por volta da mesma época em que os servidores se tornaram uma ferramenta de infraestrutura popular. (Pense nisso por um momento: a nova infraestrutura de TI ainda não estava totalmente madura quando surgiu um inovador tecnológico diferente)
Os aplicativos monolíticos chegaram primeiro: um aplicativo para cada servidor. Deseja um aplicativo novo? Você precisará de outro servidor. A entrada, a saída e o processamento muitas vezes eram controlados por um único hardware. As capacidades de um aplicativo eram limitadas pelo ambiente físico das empresas. Era necessário ter espaço para mais servidores se quisesse mais (ou melhores) aplicativos.
Alguns aplicativos monolíticos foram substituídos por arquiteturas de n camadas, que basicamente separam a arquitetura em pedaços funcionais. Isso permite que um servidor atenda às necessidades de mais de um aplicativo. Com um método cliente-servidor, as solicitações de processos eram agrupadas em duas camadas executadas em sistemas cliente (camada 1) que se conectavam diretamente aos servidores (camada 2). Hoje em dia, alguns aplicativos em n camadas foram substituídos por microsserviços, que separam os aplicativos em componentes ainda menores.
Atualmente, muitas empresas têm um único aplicativo. Além disso, muitos processos corporativos essenciais, como logística, fabricação, pesquisa, desenvolvimento e gerenciamento, dependem de aplicativos. O aumento da adoção de aplicativos corporativos ocorreu principalmente devido à disrupção no mercado de servidores e também pela evolução na arquitetura dos aplicativos. Essa arquitetura ainda está em evolução e afeta os processos de negócios.

Processos

A transformação digital dos processos
Os processos de negócios podem não parecer transformadores (afinal, são fluxos de trabalho inerentemente abstratos), mas eles são feitos de sistemas nos quais os processos dependem.
A abordagem em cascata permitiu que um grupo de pesquisadores, desenvolvedores ou operadores usassem uma máquina a qualquer momento. Era um processo lento com apenas alguns lançamentos de código por ano. Isso ocorria porque precisava de um mainframe inteiro para executar, por exemplo, cálculos matemáticos muito complexos necessários para a entrada atmosférica de astronautas. Uma taxa de cálculo de 2.000 processos por minuto, em comparação com os 1.000.000.000.000.000 de hoje (é isso mesmo: são 15 zeros no final), podia levar dias. Além do tempo necessário para o computador processar resultados de entradas e saídas, cada mainframe era maior e mais caro que as máquinas atuais. Portanto, mesmo que fosse possível pagar por vários mainframes, talvez não tivesse onde armazená-los. Pois, um único mainframe ocupava mais de 350 metros quadrados de espaço. Com pouquíssimos sistemas e uma demanda alta, não existiam muitas opções de processos além do método em cascata.

Com as várias camadas, os processos de desenvolvimento eram mais ágeis. No entanto, as equipes de desenvolvimento e operações ainda trabalhavam separadamente. Isso não era algo tão ruim, cada equipe simplesmente exigia fluxos de trabalho e ambientes diferentes. Porém, isso gerou alguns obstáculos. Considere isso: um desenvolvedor pode criar um novo aplicativo com ótimos recursos. Esses recursos dependem de diversos outros. Contudo, os desenvolvedores não se preocupam com isso, porque a implementação é responsabilidade da equipe de operações. Por outro lado, a equipe de operações talvez precise avaliar a utilização de recursos por camada de aplicativos. Isso significa que o desenvolvedor precisará forçar códigos adicionais no aplicativo, que podem ou não se adequar corretamente.
Esses tipos de interrupções podem ser evitados com os processos de DevOps, por meio do uso de microsserviços e containers. Dessa forma, há mais colaboração entre as equipes e elas podem trabalhar de forma iterativa nos componentes, usando um conjunto consistente de ferramentas e com códigos que podem ser migrados entre equipes e ambientes, conforme necessário.

Incorpore a transformação digital

O lado bom (e ruim) da transformação digital é que não há uma solução única e simplificada. A mudança na relação entre o trabalho e a tecnologia do futuro dependerá de como sua empresa está se preparando atualmente.
Portanto, analise a situação atual da empresa. Sua empresa ainda depende de stacks monolíticos de software tradicional? Os seus desenvolvedores já estão trabalhando em ambientes de cloud pública, mas enfrentam dificuldades para fazer com que os aplicativos sejam executados internamente? As linhas de negócios estão prontas para tomar as próprias decisões tecnológicas? Independentemente do estágio da sua empresa, essa é a hora certa para começar.
Cada empresa começa de um estágio diferente, portanto, não há uma estrutura, manual de estratégia ou roadmap de transformação digital que seja universalmente aplicável. Não é possível criar uma arte revolucionária, nem desenvolver uma TI inovadora por meio de comitês e estruturas. Talvez a sua organização precise repensar o software, as metodologias de desenvolvimento, os processos de negócios e as responsabilidades com os funcionários. Ou talvez você já tenha boa arquitetura e só precise adicionar novas funções.
A adoção digital é uma estratégia de longo prazo, e não uma tática de curto prazo. Ela precisa envolver uma mudança cultural e tecnológica que seja capaz de gerar sucesso duradouro para a organização e para os negócios. Não precisa ser revolucionária nem disruptiva (um progresso incremental e iterativo também é válido). O objetivo deve ser se acostumar com a mudança antes que o mercado faça essa exigência. Porque mais cedo ou mais tarde, o mercado exigirá essa mudança. Seja qual for o setor da sua empresa, aviação ou comunicação, a ameaça da disrupção tecnológica digital é iminente.