terça-feira, 26 de maio de 2020

Matriz de Prioridade GUT ( Gravidade, Urgência e Tendência)

Todo sistema de gestão é composto por um conjunto complexo de atividades. Dessa forma, é comum que durante a rotina surjam diversos problemas. O complicado é que as vezes fica difícil conciliar esses problemas e o tempo que temos para resolvê-los.
Você provavelmente já deve ter se deparado com alguma situação e que precisava decidir no que iria trabalhar. Igualmente, pode ter tido dificuldade para decidir o que fazer, afinal nem sempre essa decisão fica muito clara. Principalmente quando há muita coisa a resolver, a impressão que temos é que não é possível priorizar nada, que tudo precisa ser resolvido de imediato.
No post de hoje, vamos falar um pouco sobre uma ferramenta que ajuda a priorizar a resolução de problemas: a Matriz de Prioridade (GUT). Essa matriz é bastante simples, mas ajuda muito a priorizar as atividades e analisá-las de forma mais crítica. Assim é mais fácil decidir o que precisa de mais atenção.

Matriz de Prioridade GUT:  gravidade, urgência e tendência

A Matriz de Prioridade GUT analisa três fatores básicos de qualquer problema, e procura quantificar numericamente que problemas são mais graves. Por meio dela, é possível apontar de forma concreta, com uma escala numérica, quais problemas são mais prejudiciais a empresa. Assim é possível priorizar melhor as atividades.
Por se tratar de uma ferramenta simples, a Matriz de Prioridade GUT pode ser utilizada em qualquer contexto e por qualquer pessoa. É importante que quem for aplicá-la conheça bem o processo, pois poderá avaliar melhor o problema.

Como funciona a ferramenta

A Matriz de Prioridade GUT analisa três aspectos: gravidade, urgência, tendência. Para cada aspecto analisado, deve-se dar uma nota que varia de 1 a 5, de acordo com o aspecto analisado. Vejamos melhor o que cada aspecto avalia:

Gravidade

Avalia o grau de impacto que o problema pode causar. Pode-se avaliar, por exemplo: se haverá prejuízos; se a produção será parada; se o cliente será prejudicado; etc. Aqui, quanto mais grave o problema, maior será a nota atribuída.

Urgência

Na Urgência, devemos avaliar o quão rápido esse problema precisa ser resolvido. Aqui, podemos falar, por exemplo, sobre problemas que tem prazos específicos para serem resolvidos. Além disso, também podemos levar em consideração se o problema está afetando o cliente e, assim, precisa ser resolvido mais rápido. Quanto menos tempos tivermos para resolver esse problema, maior será a nossa nota.

Tendência

No último aspecto analisado, temos a tendência. Ela corresponde a quanto o problema pode piorar se não for resolvido.
Suponhamos, por exemplo, que temos uma não conformidade relacionada aos instrumentos de medição da empresa estarem medindo incorretamente. Quanto mais tempo passar, mais produtos estarão sendo produzido fora dos padrões, aumentando cada vez mais o retrabalho e o prejuízo. Então esse problema tem uma alta tendência, uma pontuação maior. Quanto mais esse problema puder piorar, maior será a pontuação atribuída a ele.

Multiplique as notas atribuídas

Depois que você analisar os problemas, atribuindo notas para Gravidade, Tendência e Urgência, é preciso multiplicar os resultados. Basta fazer Gravidade x Tendência x Urgência. Veja um exemplo:
ProblemaGravidadeUrgênciaTendênciaNível de Prioridade
Lâmpada da recepção queimada2112
Máquina de corte com manutenção atrasada33545
Colaboradores executando processo sem EPI44580
Contratação de novo colaborador para qualidade33327
Procedimentos de trabalho desatualizados45360
Agora, na coluna “Nível de prioridade” temos uma escala que mostra qual problema precisa ser resolvido mais urgentemente. Quanto maior o número alcançado nessa coluna, maior a prioridade de resolução, pois maiores serão os impactos dele na empresa.
Portanto, no exemplo, o indicado seria resolver os problemas na seguinte ordem:
  1. Colaboradores executando processo sem EPI;
  2. Procedimentos de trabalho desatualizados;
  3. Máquina de corte com manutenção atrasada;
  4. Contratação de novo colaborador para qualidade;
  5. Lâmpada da recepção queimada.
Vale ressaltar que a análise e a atribuição da pontuação vão depender do seu processo e do contexto da usa empresa. Por isso vale a pena envolver as pessoas que executam as atividades nessa análise. Além disso, com algumas modificações simples, é possível aplicar essa técnica a qualquer contexto, como para priorizar tarefas ou a tratativa de não conformidades.

A priorização tem de ser fruto de análise

O mais interessante sobre essa técnica é que ela permite atribuir dados mais específicos aos problemas, tirando nossa análise e priorização do campo subjetivo. O maior problema de priorizar sem fazer isso é cair no risco de trabalhar nas coisas erradas. Com isso, podemos, por exemplo, priorizar problemas que poderiam ser adiados; e deixar de resolver outros que trarão grandes prejuízos à empresa.
Assim, antes de decidir que problemas resolver, analise todos os fatores! Cada vez mais, o planejamento e a análise são a principal competência buscada nos profissionais. Isso acontece porque essa é a característica que faz diferença no dia a dia e ajuda a trazer maiores resultados para as empresas. Portanto, seja usando a Matriz de Prioridade GUT ou qualquer outra ferramenta, aprenda a priorizar seu trabalho!

Modelo de planilha para Análise Gut

O resultado apresentado pela matriz GUT tem como objetivo apontar as prioridades, orientando a organização para as ações a serem tomadas em prol da melhoria dos processos. 

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Como Recomeçar Minha Empresa no Varejo do Zero?

Como recomeçar minha empresa? Essa é a pergunta que muitos varejistas tradicionais fazem. A mudança de estilos de vida, preferências dos consumidores, a internet e a contínua incerteza econômica estão causando problemas financeiros a muitos empreendedores.
Seja por motivos internos ou externos, a maior parte das empresas (60%) vai sair dos negócios em poucos anos. Mas se você está buscando motivos ou maneiras para recomeçar, tenho boas notícias. Continue a leitura para saber mais!

A importância do recomeço

Administrar um negócio é muito arriscado. De fato, 6 em cada 10 empresas encerram as atividades após 5 anos no mercado, segundo o IBGE.
Essa estatística pode não ser muito animadora para novos empreendedores. Mas esse dado não serve para desestimular, apenas para alertar que a maioria falha por planejamento insuficiente ou liderança ruim — mesmo com uma excelente ideia produto ou serviço.
Listamos os principais problemas que prejudicam operações de todos os tamanhos:
  • concorrência desleal: quando muitas empresas (sem um diferencial relevante) lutam para conquistar os mesmos clientes. Essa concorrência excessiva, na maioria dos casos, força uma competição pelos menores preços.
  • mudanças no consumo: quando uma solução não é mais necessária ou foi substituída por inovações tecnológicas.
  • barreiras de entrada: alguns segmentos têm grandes desafios para novos players, seja o excesso de requisitos legais, exigências técnicas ou grandes custos iniciais.
  • ideia sem validação: muitas ideias não são testadas no mercado para garantir sua aceitação e lucratividade.
  • tecnologia desatualizada: todos os segmentos são impactados por mudanças tecnológicas. É improvável que uma empresa que tente competir com uma tecnologia ultrapassada tenha vantagem competitiva.
Verifique qual dos problemas acima afetou sua operação e continue a leitura para mais dicas.

Como recomeçar minha empresa

Não importa qual o motivo da falência: entre no mercado com um plano de negócios revisado que aborde os problemas que você tinha e, claro, como pretende superá-los. Quais foram os aprendizados? Como fará as coisas de maneira diferente?
Sempre revise esses pontos e use ferramentas dedicadas para análise desses dados para comprovar se você está no caminho certo. O elemento mais importante para recomeçar um negócio é observar toda a operação com novos olhos:
  • Como está a concorrência e o comportamento consumidor?
  • Quais as tendências e as novas tecnologias?
  • Quais os melhores parceiros/fornecedores?
  • Qual o diferencial do seu negócio?
É muito fácil errar nas decisões quando você precisa de dinheiro rápido. Então, antes de refazer o planejamento, tenha um capital disponível para suas despesas pessoais para, no mínimo, 2 anos. Veja outras dicas a seguir.

Faça uma lista dos principais erros

Em primeiro lugar, faça uma análise profunda em todos os negócios anteriores e veja os principais pontos de falha. Não destaque apenas os problemas genéricos como “falta de vendas”, procure pelos problemas específicos como: “sacrifiquei meu orçamento de marketing para pagar um aluguel caro.” ou “misturei o caixa da empresa com minhas despesas pessoais, com isso perdi o controle financeiro.”

Conquiste seus antigos clientes

Não tenha medo de informar aos clientes o motivo pelo qual sua empresa está inativa. Isso demonstra confiança e honestidade. Diga o motivo e ofereça alguma vantagem para reconquistá-los. Eles podem ser o impulso necessário para voltar aos negócios.

Revise sua estratégia de preços

Vender algo mais barato é a estratégia mais comum em empresas iniciantes, mas se o diferencial é o preço, a empresa é facilmente substituível. Sacrificar a margem nunca é a melhor estratégia a longo prazo. Você pode realizar promoções eventuais, porém, tenha em mente que esse “desconto” precisa ser recuperado. A melhor alternativa é agregar valor ao produto e à marca.

Dê atenção especial ao marketing

Algumas empresas (físicas ou virtuais) não têm um orçamento mensal para marketing, esse é um enorme erro. O investimento em marketing deve estar no planejamento, assim como aluguel, impostos e fornecedores.

Analise as mudanças de consumo

Não é novidade para ninguém que o mercado está sofrendo uma grande transformação. Há 10 anos você imaginava pedir um táxi ou pagar um boleto pelo celular?
A verdade é que a maioria dos empresários reconhece essa mudança, mas eles simplesmente não querem quebrar os antigos conceitos de negócio.
Hoje, não existem barreiras comerciais. É possível comercializar para o mundo todo com apenas um computador e internet. Os pontos físicos ainda são relevantes, mas essa é apenas uma opção dentre inúmeras outras.

Aproveite o poder das mídias sociais

Você pode expandir seus negócios, aumentar a conscientização e criar uma sólida reputação com as mídias sociais. A geração de leads também faz parte do processo de crescimento e as mídias sociais são importantes nesse sentido.
Interaja com seus clientes diariamente e anuncie seus produtos e serviços nas várias plataformas de mídia social. A ideia é gerar leads qualificados e convertê-los em clientes.

Considere outros segmentos

Em muitos casos, a inovação vem de empresas que não estão “viciadas” em um modelo de negócio. Após vários anos em uma atividade, é muito difícil observar oportunidades e novos padrões de consumo. Por exemplo, as cooperativas de táxi dominavam o mercado de transportes, mas foi preciso uma empresa de tecnologia (fundada em 2009) para revolucionar o setor — o Uber.

Evite complicações tributárias

Infelizmente, os empreendedores brasileiros ainda sofrem com a burocracia em todos os setores. Portanto, ter um apoio contábil é crucial nesse momento. Além de receber auxílio com todos os documentos necessários, você ainda garante o regime tributário correto para sua atuação. Afinal, ninguém quer surpresas com multas e impostos desnecessários.

Encontre novos caminhos

Mesmo que uma empresa esteja indo bem, um problema (interno ou externo) pode levá-la ao seu declínio. Ou ainda, uma combinação de pequenos problemas que acabam sendo demais para lidar.

Para não acompanhar as estatísticas de falências, é necessário uma liderança eficaz, financiamento adequado, objetivos bem definidos e boas práticas comerciais para suportar os primeiros anos de operação.
Lembre-se de não considerar a falha como uma etapa final. Praticamente todas as empresas de sucesso enfrentaram dificuldades no passado. Esse pode ser o momento de usar seus aprendizados e redirecionar o novo negócio para o caminho certo. Esperamos que a dúvida “como recomeçar minha empresa?” tenha sido esclarecida.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Priorizar e Delegar: Pense Nisso!

Funcionário, gestor, CEO… não importa a posição que você ocupa no mercado de trabalho, não é segredo que o dia de todo mundo só tem 24h. 
O problema é saber lidar com todas as demandas, profissionais e pessoais, no tempo que temos disponível.
Quem está percorrendo o árduo caminho de montar seu próprio negócio, sabe que isso, de longe, não significa pouco trabalho. 
Desde a consolidação de sua ideia até o estabelecimento de sua empresa como uma máquina com engrenagens que funcionem direitinho, o caminho é longo e cheio de detalhes.
Se você já percorreu esse caminho, então, sabe que o volume de trabalho a ser feito não diminuiu.
É exatamente por isso que você precisa compreender a importância de dividir a carga de trabalho. Se você está tendo dificuldades em lidar com o seu tempo, este post vai te ajudar a enxergar as coisas com mais clareza. 
Vamos te mostrar os porquês e como administrar todo o volume de trabalho entre sua equipe e si próprio, porque você também merece horas de descanso e lazer!

Saiba delegar o trabalho

“Se você quer algo bem feito, faça você mesmo.” Muita gente passa a infância ouvindo esta frase em família, mas esta é a pior coisa que você pode acreditar.
Se você está montando uma empresa, uma das primeiras coisas que você precisa colocar na cabeça é que você precisa se rodear de pessoas competentes e de confiança, com quem você poderá dividir a carga de trabalho.
Ninguém é o melhor em tudo. Se você está preocupado com a qualidade do resultado final, isso é perfeitamente compreensível. 
É natural que criemos apego aos projetos que “encabeçamos” e o desejo de controlar todo o trabalho para garantir que tudo saia como planejado é quase inevitável.
Mas isso não significa que seus funcionários não sejam capazes de chegar ao resultado que você espera. É importante aprender a manter um canal de comunicação aberto e agradável com cada um deles e entender a melhor forma de alinhar o que você espera de seu trabalho.
Seja claro e compartilhe suas ideias da forma mais detalhada possível entre sua equipe. Uma conversa aberta, ao invés de uma simples cadeia de comando vai garantir com que essas pessoas compreendam o que você quer e precisa, para assim entregar resultados mais adequados.

A produtividade

Nunca confunda produtividade com ser ocupado. A produtividade é o ponto principal na vida de quem está afundando em seu volume de trabalho. Mas o que você precisa se perguntar é o seguinte: você compreende o que é ser produtivo?
Produtividade e a organização estão intimamente ligadas. Não espere conseguir dar conta de todas as suas demandas sem antes definir uma maneira de se organizar. ]
Para isso, desenvolva o hábito de fazer listas. Listas mensais, semanais e diárias.
“Mas se eu tenho uma agenda semanal, para quê eu preciso da diária?” A resposta é simples. Se você concentrar todos os seus afazeres em só um lugar, ele vai ficar poluído e repleto de tarefas, fazendo com que, ao invés de tornar-se uma solução, vai ser mais uma fonte de ansiedade. E isso é a última coisa que a gente precisa.
Já, colocar suas tarefas em listas diferentes vai te auxiliar a definir suas prioridades. Estas são tarefas que só você pode desempenhar. Pense direitinho quais elas são, o que realmente precisa da sua mão para conseguir andar. A partir dessa definição, você vai saber o que delegar.

Cuidado ao organizar

Por último, mas não menos importante, tenha o mesmo cuidado de organizar sua vida pessoal quanto a sua vida profissional. Se você dedicar toda a sua energia no trabalho, vai acabar perdendo a cabeça. 

Relações pessoais e momentos de lazer importam muito, então reserve tempo para ambos!
Como sempre, vai um conselho importante: cada pessoa tem mais afinidade com uma forma de organização, e você precisa encontrar a sua. Para isso, teste instrumentos diferentes. 
Se é uma agenda física, um planner impresso fixado na parede ou aplicativos nos smartphones, quem vai encontrar o mais adequado é você!

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O Dia das Mães para Quem não Podia ser Mãe

Ontem foi uma overdose de mães nas redes sociais que eu decidi deixar esse post pra hoje. 

Desde que minha mãe partiu para o céu, em 2007, o dia das mães virou um drama. Um tabu. Sempre fomos muito grudadas, e eu era uma daquelas filhas que realmente mimava a mãe. Mesmo. Pensava no presente por semanas. Dava um jeito de descobrir o que ela queria e ela sempre me agradecia com um suspiro feliz de “Não precisava, filha”. 

Quando ela ficou doente, cinco anos antes de morrer, o dia dela era todos os dias. Tava com vontade de comer tapioca? Bôra achar onde vende. Quer passear? Só se for agora. A minha terapeuta, nesses anos difíceis, dizia-me sempre que  a doença – qualquer uma delas – era uma grande oportunidade de aproximar as pessoas. E realmente foi.  Não havia mais espaço para briguinhas, disse-me-disse, nada era deixado para depois. Não havia depois. Tanto que, quando ela morreu, meu coração estava tranquilo. Não tínhamos pendências, mágoas a resolver, nada.  Só gratidão, lembranças boas e, é claro, muita saudade.
Quando minha mãe partiu eu tinha 30 anos. Jovem que até então não tinha pensado em gravidez seriamente, mesmo estando em um relacionamento estável. Tinha muito por conquistar, cursos sempre inadiáveis a serem feitos, viagens, baladas. 

E um marido que já tinha 2 filhos e nenhuma vontade em se aventurar na paternidade novamente.  

Havia muitos obstáculos a serem superados. E quando o mais difícil deles foi transposto – o marido que aceitou ser pai de novo – apareceu mais um. Depois de mais de um ano de tentativas e vários exames feitos, o diagnóstico: O médico disse, em alto e bom som: “Você não pode ser mãe!” . 

Confesso que ele não foi seco, não foi duro, me deu alternativas, mas eu não escutei nada direito depois dessa bomba. Na minha cabeça só martelava um “COMO NÃO POSSO? Eu NASCI para ser mãe!”. Lembro que voltei para casa chorando, chorando liguei para o meu marido e chorando fiquei por várias semanas.
Meses depois, começou a batalha da fertilização in vitro. Agora meu marido além de querer ser pai, ia ter de pagar – e caro – por esse filho. Um pacote de 3 tentativas foi proposto pela clínica. Hormônios, injeções, ultrassom. Retirada de óvulos.  Fomos para a primeira tentativa. E doze dias depois, eu tinha de fazer o exame de sangue para saber se estava grávida. 


Caía em uma segunda-feira, depois do dia das mães. Fui convencida pela minha irmã a comprar um teste de farmácia no próprio domingo. 

Uma chance, segundo ela, de passarmos um dia das mães feliz. 

Era o nosso segundo dia das mães sem a nossa mãe. Cedi. Esperei meu marido sair para levar os filhos dele que iam passar o domingo com a mãe, fui até uma farmácia e comprei o exame. 

O resultado? NEGATIVO. 

Chorei, chorei, chorei, e chorei muito mais quando ele chegou da rua com rosas vermelhas para me presentear pelo dia das mães. A primeira tentativa fracassara.
Adiei por um mês a segunda tentativa. Queria descansar a cabeça e, principalmente, não contar para ninguém quando fôssemos tentar mais uma vez. Minha ansiedade já era difícil demais de dominar. Não podia cuidar da ansiedade dos outros também.  

A segunda tentativa foi marcada para o dia 25 de junho de 2009.

A data nunca saiu mais da minha cabeça porque, ao acordar para ir à clínica, vi que o mundo estava paralisado e chocado pela morte de Michael Jackson. “Melhor assim”, pensei. “Todos ocupados demais para perceber a minha ausência.” 

Saí de férias e de cena. Decidimos ir para a praia depois que saísse da clínica com três embriões na barriga. E assim foram mais 12 longos dias de espera pelo próximo exame de gravidez. Que deu positivo. Um positivo tão tímido no exame da farmácia, que me fez adiar a comemoração para o dia seguinte, data marcada para o exame de sangue. 

Mas a confirmação veio. Eu estava grávida! E o ultrassom confirmou que de apenas um bebê. Coloquei três embriões na barriga e apenas um vingou.

Por isso, ainda embriagada pelo dia das mães, quero agradecer à medicina que desde o nascimento da primeira bebê de proveta, Louise Brown, em 25 de julho de 1978, tem feito milhares de mulheres como eu: felizes, realizadas e completas.  Não só mulheres que não podiam engravidar. 


Casais formados por pessoas do mesmo sexo que quiseram ter seus filhos, mulheres que embarcaram em produções independentes porque os maridos não toparam a paternidade. E sobre essa luta pela felicidade que só uma criança às vezes pode trazer, divido com vocês um SBT Repórter sobre fertilidade que fui convidada a fazer o ano passado. 

Quando eu contava aos meus entrevistados a minha história, ele se abriam mais porque sabiam que eu entendia perfeitamente cada passo dessa luta. E por isso meu filho, Samuel, também aparece na reportagem.

Copiado: Rita Lisauskas. https://emais.estadao.com.br/

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Autoconhecimento: O Que É e 15 Exercícios para Praticar


autoconhecimento é uma das habilidades mais importantes para o sucesso de uma pessoa. A forma como você se comporta e responde a situações externas é regida por processos mentais internos e conseguir identificá-los e compreendê-los é essencial para ter uma vida mais saudável e equilibrada.

Especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento profissional e em ambientes corporativos, o conceito de autoconhecimento tem se tornado bastante popular. Cada vez mais as pessoas têm buscado por formas de se conhecer melhor e esse processo está passando por um período de valorização e incentivo. Afinal, espera-se que um bom profissional saiba lidar bem com os outros e com o ambiente ao seu redor e, o primeiro passo para isso, é se dar bem consigo mesmo.

Mas diante disso tudo, você já parou para pensar o que o autoconhecimento realmente significa? E indo além: já pensou no quanto você conhece de si mesmo – e como pode conhecer mais?

Apesar da popularização do termo, nem todos estão familiarizados com o real significado e a importância do autoconhecimento e nem com os processos necessários para alcançá-lo. E é por isso que preparei este artigo! Aqui você vai encontrar tudo sobre o assunto e ainda descobrir 15 exercícios práticos que vão te ajudar a se conhecer melhor. É só continuar lendo – vai valer a pena!

O que é autoconhecimento  - autoconhecimento é um processo que tem como objetivo identificar padrões de pensamento e hábitos pessoais e, a partir disso, permitir que o indivíduo consiga melhorar suas respostas comportamentais e tomadas de decisão. O autoconhecimento começa dentro da mente e se reflete no exterior, mudando positivamente a forma como uma pessoa percebe o mundo e reage a diferentes situações.

Existe um provérbio africano que diz que “quando não há inimigo dentro, os inimigos de fora não podem fazer nenhum mal”. E esse é um excelente resumo sobre autoconhecimento.

Por meio de exercícios, essa técnica permite que possamos compreender melhor nossos objetivos e desejos e, a partir disso, traçar planos mais eficientes para que eles sejam alcançados. É possível também controlar pensamentos e hábitos destrutivos e evitar que eles impactem negativamente em nossa vida.

A importância do autoconhecimento O autoconhecimento, como próprio nome diz, faz com que as pessoas se conheçam, se entendam e, a partir disso, tenham consciência sobre o que se passa em sua mente e como isso afeta sua vida. E é por isso que essa prática é tão importante.

Tendo ciência de seus hábitos e pensamentos, é possível identificá-los como bons ou ruins e trabalhar para que eles sejam mais ou menos frequentes e poderosos. Uma pessoa com mais entendimento sobre seu interior poderá usar isso para se desenvolver e evoluir – seja na vida amorosa, pessoal ou profissional.

O autoconhecimento faz com que o ser humano tenha uma vida muito mais saudável e equilibrada e, consequentemente, com que ele seja cada vez mais bem sucedido, principalmente profissionalmente.
É por isso também que esse conceito tem se tornado cada vez mais popular no ambiente corporativo e no que diz respeito ao âmbito profissional e de desenvolvimento de carreira.
Uma pessoa consciente de si mesma e de seus pensamentos, consegue identificar suas forças e fraquezas e trabalhar com foco para se desenvolver diariamente. Por isso, na maioria das vezes, buscar o autoconhecimento é o primeiro passo para ter uma vida profissional mais bem sucedida e saudável.

Os três níveis do autoconhecimentoAté esse momento, você já deve ter conseguido compreender melhor o conceito de autoconhecimento e também a sua importância para diferentes momentos da vida. Então, como prometido, é hora de descobrir como você pode começar a buscar por autoconhecimento em sua própria vida, por meio de exercícios simples.
Porém, antes disso, é preciso saber que existem três níveis de autoconhecimento que uma pessoa precisa desenvolver. Eles foram propostos pelo escritor Niklas Goeke e são:
  • Pensamento: tudo aquilo que você pode desenvolver utilizando apenas a sua própria mente.
  • Expressão: exercícios para avaliar e desenvolver a forma como você se expressa em termos de crenças, valores e atitudes.
  • Implementação: o que você pode aplicar no mundo e em sua vida para alcançar os objetivos desejados.
Todos esses níveis precisam ser igualmente desenvolvidos para que se atinja o real autoconhecimento e a seguir vamos falar sobre 15 exercícios – de todos os tópicos – para que você comece a trabalhar o seu.

Exercícios para desenvolver o autoconhecimento

1. Os três “porquês” do autoconhecimento - Antes de agir em uma decisão, pergunte a si mesmo “Por que?”. Acompanhe sua resposta com outro “Por que?” e depois um terceiro. Se você puder encontrar três boas razões para continuar nessa decisão, você terá mais clareza em sua mente, conseguirá agir de forma mais racional, evitará más ações – normalmente tomadas por impulso – e ficará mais confiante.
Em suma, ter autoconhecimento significa conhecer seus motivos e determinar se eles são razoáveis e esse exercício é essencial para isso. Ele representa um dos primeiros passos quando pensamos em Inteligência Emocional. 

2. Expanda seu vocabulário emocional - O filósofo Wittgenstein disse: “Os limites do meu idioma significam os limites do meu mundo”.
As emoções criam respostas físicas e comportamentais poderosas que são mais complexas do que “feliz” ou “triste”. Colocar seus sentimentos em palavras têm um efeito terapêutico em seu cérebro. Afinal, se você não consegue articular como se sente, isso pode criar estresse e outras sensações negativas. Aumente seu vocabulário emocional com uma nova palavra a cada dia e também não tenha medo de ir além e se aprofundar em seus sentimentos.

3. Pratique dizendo ‘não’ para si mesmo - A capacidade de dizer “não” a si mesmo para adiar a gratificação a curto prazo e favorecer o ganho a longo prazo é uma habilidade vital importante. E como um músculo, isso pode ser reforçado com o exercício constante. Quanto mais você pratica dizendo “não” a pequenos desafios diários, melhor você pode suportar grandes tentações.
Há muitas tentações diárias – redes sociais, junk food, fofoca, trocar o yoga pelo Netflix – e você deve se esforçar para reconhecê-las e evitá-las. Faça um objetivo de dizer “não” a cinco tentações diferentes a cada dia. Anotar suas conquistas em cada dia pode ajudar a manter o foco!

4. Ruptura das reações viscerais - Uma pessoa sem autoconhecimento corre no piloto automático e responde com reações intempestivas. Um bom índice de autoconhecimento permite que você avalie as situações de forma objetiva e racional, sem agir sobre preconceitos e estereótipos.
Portanto, respire fundo antes de agir, especialmente quando uma situação desencadeia raiva ou frustração. Isso lhe dará tempo para reavaliar sua resposta e definir se ela será mesmo a melhor.


5. Seja responsável perante suas falhas  - Ninguém é perfeito. Estar ciente de suas falhas, mas não aceitar a responsabilidade por elas, acaba deixando o trabalho feito pela metade. Muitas vezes criticamos os outros e ignoramos as nossas próprias falhas. O autoconhecimento ajuda a aumentar nossa percepção sobre nós mesmos, criando um espelho interior, e isso previne que tenhamos comportamentos hipócritas.
Evolução e autoconhecimento só acontecem quando você reconhece uma falha. Crie o hábito de assumir suas responsabilidades, ao invés de dar desculpas e veja como você pode melhorar em cada um deles.

6. Monitore sua “auto-fala” - Há comentários sem parar em nossas cabeças que nem sempre são úteis. Um pouco de “auto-fala” negativa pode levar a quadros de estresse e depressão.
Preste atenção na maneira como você responde aos seus sucessos e fracassos. Você sempre considera suas conquistas apenas como sorte? Ou crucifica-se muito depois de falhas? Os contornos de feedback positivos e negativos se formarão em sua mente com base em como você responde a sucessos e falhas. Comemore suas vitórias, perdoe suas perdas e aprenda com elas. É um bom caminho para ampliar as chances de autoconhecimento, pode ter certeza.

7. Melhore a sua consciência na linguagem corporal - Observar-se em um vídeo pode ser uma experiência fascinante, pois a consciência de sua linguagem corporal, postura e maneirismos melhora sua confiança e seu autoconhecimento.
Deslocar, ou tomar uma “pose de baixa potência” (meio morna, com os braços largados, jogado na cadeira) aumenta o cortisol e alimenta a baixa auto-estima, enquanto estar de pé ou ter uma “pose de alta potência” estimula a testosterona e melhora seu desempenho (esse exercício é muito legal, vale a pena tentar na sua próxima reunião). Usar gestos de mão também ajuda a articular seus pensamentos e afeta a forma como as pessoas se atentam e respondem a você.
Grave um discurso ou apresentação e avalie sua postura e gestos. Assista a vídeos de oradores qualificados e adote seus maneirismos para melhorar os seus.

8. Conheça o seu tipo de personalidade - Conhecer o seu tipo de personalidade permite que você maximize seus pontos fortes e gerencie seus pontos fracos. Compreender suas “forças” e “talentos” pode ser a diferença entre uma boa escolha e uma ótima escolha. (Pontos fortes são habilidades e conhecimentos que podem ser adquiridos, enquanto os talentos são inatos – será?).
Comece com a compreensão de onde você cai no espectro introvertido/extrovertido; conheça seu tipo Myers-Briggs; e então crie e registre uma análise SWOT pessoal, com seus pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças.


9. Pratique auto-avaliação e reflexão - Um exercício excelente é manter um diário e acompanhar seus desempenhos e progressos diários. Por exemplo, hoje como você classificaria seu nível de autoconsciência, de zero a dez? Pense em quantas vezes você disse coisas das quais se arrependeu, teve hábitos ruins, tomou decisões distraídas ou teve pensamentos erráticos. Este é um exercício poderoso para o autoconhecimento e pode ser feito a qualquer momento.
Defina metas regulares, quebre essas grandes metas em marcos menores e pergunte-se ao final de cada dia: “o que eu fiz bem hoje?”  e “como posso melhorar isso amanhã?”.

10. Solicite feedback construtivo regularmente - Todos nós temos pontos cegos em nossos padrões de pensamento e comportamento. Pedir comentários de feedback construtivos regulares pode ser útil para que sua força de autoconhecimento seja desenvolvida também com base em visões externas e diferentes.
Busque como mentores aquelas pessoas que você respeita, mas que não sejam complacentes com vocês. Essas pessoas dirão o que você precisa ouvir, não o que você quer ouvir.

11. Faça meditação para desenvolver o autoconhecimento - A meditação é uma prática fundamental para melhorar seu autoconhecimento. Concentrar-se unicamente em sua respiração é focar em um processo interno chave.
Com essa prática, você perceberá como sua mente fica vagueando em momentos nem sempre adequados e entenderá como melhorar para se livrar dessas distrações.
Se você é um iniciante, comece com sessões de dez minutos. Encontre um lugar quieto para se sentar e respire pelo nariz e pela boca. Conte suas respirações em silêncio, lendo sua mente quando ela vagueia. Veja quantas respirações você pode encadear juntas.

12. Se questione - Comece a perceber que nem sempre suas opiniões estão ou precisam estar totalmente corretas. Se questionar é essencial e vai ajudar muito em seu desenvolvimento pessoal.
Sempre que você estiver sendo muito duro ou fechado em si mesmo, coloque uma interrogação no lugar do pontos finais e comece a pensar se suas convicções fazem mesmo sentido ou se realmente precisam ser tão pouco flexíveis. Isso vai te ajudar a lidar melhor com outros pontos de vista e até a rever certos posicionamentos.

13. Olhe as pessoas nos olhos - Autoconhecimento é sobre lidar melhor com si mesmo, mas isso também inclui entender como as pessoas reagem quando estão com você e o impacto que você causa nelas.
Por isso, quando estiver falando com alguém, olhe essa pessoa nos olhos e procure compreender o que suas reações, gestos e expressões estão querendo dizer. Você consegue deixá-la confortável, confiante? Ou essa pessoa sempre parece com medo e ansiosa para terminar a interação? Isso vai dizer muito sobre você e sobre pontos que você precisa desenvolver.

14. Registre sobre suas crenças e valoresNormalmente, as pessoas têm crenças e valores que servem como um guia e um direcionamento para suas vidas. Então, por que não registrar isso?
Coloque todos os seus mantras, valores e crenças em um documento. Aproveite para refletir sobre cada um desses pontos e entender se você realmente os tem seguido. Se a resposta for negativa, pense também em como você pode voltar a andar pelo caminho que deseja.   

15. Se organize e estabeleça prioridades - Quando se trata de autoconhecimento, outro ponto bastante importante é saber se organizar e, principalmente, conseguir estabelecer prioridades.
Por isso, um exercício interessante é, todos os dias antes de dormir, anotar as tarefas do dia seguinte e então definir as prioridades em termos de execução. Para que dê certo, marque no máximo três tarefas como mais importantes e aprenda a realmente criar uma noção de prioridade. Assim você otimiza seu tempo e consegue ser mais produtivo.