segunda-feira, 5 de outubro de 2015

“A Administração e o Poderoso Chefão.”

Não estamos na Itália e muito menos em Nova York dos anos 40, palco onde nos levou a genialidade do escritor Mario Puzo, autor de nada mais, nada menos do que “O Poderoso
Chefão”, criação de 1969. Mário era descendente de uma família de sicilianos que residia num bairro violento de NY. 

Sob a lúdica luz de tal obra literária, que além de outros pontos, descrevia a prática do apadrinhamento de várias pessoas, assim fazia Don Corleone protagonista da história aqui descrita, visando à troca de favores futuros, justamente como ainda acontece em algumas Organizações.

Os gangsteres já se foram há muito, mais deixaram um legado que com algumas adaptações formaram um grupo de poderosos aprendizes, que sob outro enfoque de negócio se encarregam diariamente em detonar com as possibilidades de progresso de pessoas que estão interessadas em construir possibilidades de crescimento para si e terem as condições ideais de oferecerem mais conforto e segurança para suas famílias.

Essas pessoas poderosas as quais a pouco me referi, dentro das modernas organizações
produtoras de bens ou serviços, publicas, privadas ou de economia mista, exercitam seu potencial criminoso perseguindo, oprimindo e isolando profissionais que demonstram ter condições de desenvolverem processos e projetos que os farão ser percebidos e, consequentemente, elevando o seu “status cor” e isto pode incomodar a um determinado grupo de influência, incomoda muito, por fazer despertar forte desconforto numa zona até então compreendida como segura. 

Na romântica e movimentada era da Máfia siciliana em N.Y., os chefões eram assessorados por um de seus asseclas a ele mais próximo. Hoje em dia, podemos compará-los a certo número de “puxa sacos” que dedicam seu tempo em tomar conta da vida dos outros. Se ficam sabendo de alguma novidade, de preferência algo que seja constrangedor ou comprometedor e lá vão eles correndo para contar para os seus Gerentes, sem se dar conta de que estão sendo usados para isto, cujo comportamento lhes recompensará, apenas, com a falta de confiança de seus superiores. O máximo que vão conseguir é o desprezo dos seus colegas de trabalho.

Uma característica bastante interessante e intrigante que vale citar é que as organizações
criminosas dos anos 40 eram extremamente machistas. As esposas e filhas dos líderes não
participavam do processo e muito menos tomavam conhecimento de nada a sua volta. Talvez por isto, a mulher tenha sofrido tanta discriminação nos ambientes empresariais. Sempre com lugares reservados aos postos de menor expressão, muitas vezes faziam as mesmas coisas que os homens no entanto, ganhavam menos que eles. 

A ascensão do movimento feminista na França na década de 70, também conhecido como “A terceira onda”, foi o marco de profundas mudanças que tiveram início no século passado e que não há mais como parar, graças a Deus.

As mulheres vêm ocupando os principais postos de trabalho nos governos assim como nas
empresas, isto não só no Brasil, mas em vários países percebendo remunerações equiparadas aos demais executivos. Isto é um exemplo clássico de como se deve fazer justiça. Não quero dizer com isto que as mulheres sejam mais ou menos competentes que os homens, deixo claro, assim, que tal qual aos “Santos Anjos”, capacidade de realização não tem sexo.

Ao longo da história do Mundo assistimos a ascensão e queda de diversos modelos e modismos. A quebra das fronteiras possibilitada pela tecnologia da informação tornaram o mercado mais agressivo, diversificado e amplo, exigindo respostas mais rápidas e precisas das Organizações que desejam prosperar neste contexto. Talvez não seja um processo natural ou até mesmo o ensaio de uma política que esteja sendo construída para aniquilar profissionais que não estejam realmente capacitados para produzirem resultados. Vejo com otimismo e certa dose de ansiedade que as sanguessugas corporativas finalmente sejam eliminadas dos grupos de influência que ainda resistem como bactérias aos antibióticos, mas que cedo ou tarde também serão relegados a algum lugar da história que algum escritor ousado decida contar.

A experiência me ensinou que a esperança é a única coisa da qual o ser humano jamais
deve abrir mão, portanto, com trabalho, esforço, criatividade e perseverança, conseguiremos ser vistos pelos sucessores da prática nociva destacada no início deste artigo.

Quero crer que as escolas de Administração brasileiras sejam capazes de formar uma nova geração de profissionais que, embora não tenham vivenciado os fenômenos de mudanças aqui impressos, ao menos ao tomar conhecimento desses fatos ajudem a construir uma nova proposta liderada por uma ciência comprometida com a igualdade e com a justiça. Desejo fazer parte desse novo grupo de influência docente e estou me preparando para isto, unindo minha experiência profissional e acadêmica de longos anos, numa aliança enviesada pelo ingresso em 2014 no Mestrado. Se você tem um sonho, construa alicerces fortes para sustentá-lo. As paredes do castelo de um profissional não são feitas de pedras e sim de conhecimento! Se você está insatisfeito com algo que esteja acontecendo na sua vida, mude de vida, mude de atitude perante a vida!

O mundo avança, as empresas se renovam, e o mercado de trabalho torna-se cada vez mais dinâmico. Espero em Deus que minha voz seja ouvida, ainda que pelo contato estreito com minhas reais intenções que estas linhas aqui impressas pretensionam passar.

Aos profissionais da Administração que estejam lecionando nos cursos de graduação ou Pós-Graduação, peço que ao terem contato com o presente texto, divulguem-no ao seu alunato, fazendo com que o meu esforço em trabalhar em prol de uma educação que produza a possibilidade de encontrarmos a felicidade também no trabalho, arregimente seguidores que se estabeleçam como elos dessa corrente que deverá ser fortalecida à medida que os mafiosos corporativos saírem de cena.


Por: Adm. José Mauro Alvim Machado - http://www.crase.org.br/

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A diferença entre Administração Pública e administração pública

O título deste artigo parece estar equivocado, entretanto se lido com atenção é possível notar que existe uma diferença entre as expressões Administração Pública e administração pública. 
A diferença está, exatamente, nas letras capitalizadas.
É que no Direito Administrativo as expressões Administração Pública grafada com letra maiúscula ou minúscula apresentam conotações diferentes. 
  • Administração Pública com letra maiúscula significa a estrutura administrativa, ou seja, representa o conjunto de órgãos, entidades e agentes que exercem a função administrativa e representa o sentido subjetivo da palavra. 
  • Por outro lado, a mesma expressão grafada com letras minúsculas significa a atividade administrativa e é utilizada para representar o sentido objetivo da palavra.

O professor baiano Dirley da Cunha Junior, afirma que Administração Pública “corresponde à face do Estado (Estado-Administração) que atua no desempenho da função administrativa, objetivando atender concretamente os interesses coletivos”. 
  • Ou seja, no sentido subjetivo, formal e orgânico, Administração Pública, grafada com letras maiúsculas é o conjunto de entidades jurídicas, seja de direito público ou privado, de órgãos e agentes que formam o aparelho orgânico da administração, representando a estrutura administrativa.
  • Por sua vez, no sentido objetivo, material ou funcional, administração pública, escrita com letras minúsculas, corresponde ao conjunto de atividades ou funções de caráter essencialmente administrativo, que têm como objetivo realizar de forma concreta, direta e imediata os fins constitucionais atribuídos ao Estado.
Por Camilla Galvão - http://galvaocamilla.jusbrasil.com.br/

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Padronização de Processos: Por Onde Começar?

Quando você pensa em algo padronizado, o que exatamente vem à sua mente? 
Algo rígido e intransponível?

Esse conceito já está bastante ultrapassado.

Hoje, implementar uma padronização de processos dentro da empresa significa reduzir a variação de um processo sem perder a flexibilidade. 

Por exemplo, quando você entra em uma loja procurando roupas, você deseja que o atendente lhe passe todas as informações importantes como forma de pagamento, processo de venda, mas que ele saiba se moldar de acordo com as suas necessidades. Isso é padronização de processos.

Os benefícios de uma padronização são muitos e podem ser qualitativos, como por exemplo, quando se trata no treinamento de atendentes e mão de obra em geral, ou quantitativo, quando a empresa consegue reduzir o seu gasto monetário pela melhor utilização dos materiais. 
  • Mas, como ter todos esses benefícios na minha empresa? 
  • Como ocorre essa padronização de processos? 
  • É exatamente isso que você verá agora!
Princípios básicos da padronização

Antes de iniciar qualquer processo de padronização dentro da empresa é preciso fazer uma reunião informando aos funcionários como as coisas serão feitas a partir daquele dia em diante.

A equipe também precisa ser treinada para fazer esse novo conceito dar certo. 

Os novos funcionários devem passar por um processo de treinamento por um período entre 2 ou 3 meses até que todos esses conceitos estejam internalizados em suas mentes e o trabalho não seja realizado de forma automática.

Quando aprendemos algo novo queremos colocar logo em prática o nosso conhecimento, e isso acaba acontecendo também dentro da empresa. No início, quase tudo torna-se padronizado nela, mas com o passar do tempo você perceberá que alguns serviços não precisam e não devem ser padronizados para melhor atender a clientela. 

Simplificar ao máximo esse processo e descentralizá-lo também são atitudes sensatas. É muito mais fácil dividir a empresa em áreas e que cada gerente avalie os processos de padronização dentro do seu setor.

Os padrões a serem seguidos devem ser claros e de fácil entendimento por parte dos funcionários. Assim, os novatos poderão padronizar os seus processos sem muitos problemas e fica muito mais fácil aplicá-los no dia a dia. É necessário que esse padrão adotado pela empresa seja acompanhando de perto para que mudanças que visam a melhoria do desempenho possa ser realizado. 

Neste caso, também é interessante escolher de quanto em quanto tempo a padronização de processos sofrerá uma revisão para se adaptar melhor ao ambiente.

O que deve ser padronizado?


Todas as atividades críticas da empresa devem passar por um processo de padronização. Por exemplo, operações básicas do dia a dia e que são realizadas em grande quantidade devem ser padronizadas para evitar um grande número de erros.
Outras áreas que trazem risco à segurança e ao meio ambiente também precisam de padronização.

A padronização de processos é um importante passo para uma empresa, não importa o seu tamanho. Quando o trabalho é desenvolvido dentro de certo padrão que comporta flexibilidade frente ao cliente as chances de erros são muito menores e o cliente se sente satisfeito com o produto ou serviço que adquiriu. 

Isso leva a uma maior chance de que ele retorne para adquirir algo novo e possa aumentar o seu relacionamento com a empresa.

Todo processo de mudança pode parecer complicado de início, mas a efetivação dos processos padronizados podem trazer enormes benefícios. 
  • Você possui algum tipo de padronização interna? 
  • Ficou motivado com esse post a aplicar em sua empresa? 
Copiado: http://www.checklistfacil.com.br

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Pesquisa de Clima Organizacional


Alto absenteísmo, desmotivação, insubordinação, falta de comprometimento, queda de clientes, e outras variáveis que estão impactando o rendimento da empresa.
 O que fazer?
Em tempos de crise não segure gente ruim! Sei que esta frase é chocante e parece ser incoerente com o ultimo artigo que escrevi “Pergunte ao consultor – pergunta 2”, mas entenderá que não é.
De fato não se manda gente embora na primeira situação que está afetando o desempenho e produtividade da empresa. Antes procure “resgatar” este colaborador, tente de tudo: de feedback positivo sobre os acertos do seu colaborador, mostre os pontos que ele precisa melhorar, capacite-o, mostre para que direção ir, mas se mesmo assim nada adiantou, infelizmente medidas deverão ser tomadas e substituí-lo será a melhor alternativa.
Vivemos em tempos de crise e neste momento devemos estar munidos de pessoas que venham somar na empresa, visto serem elas que entregarão o produto ou serviço aos clientes. 
Estes devem se sentir muito bem atendidos para que voltem a comprar na empresa.
Investir em capacitação enquanto o movimento está devagar é melhor porque você tem tempo suficiente para colocar nos trilhos aquilo que não está legal e que atrapalham o desempenho e a harmonia na equipe. Depois que o movimento voltar a melhorar e os clientes voltarem às compras, seus colaboradores estarão “afiados” para atendê-los adequadamente. Na correria do dia a dia, não terá tempo de capacitá-los! Aproveite agora!
  • Um bom desempenho organizacional e duradouro exige flexibilidade, inovação e agilidade. 
A vantagem competitiva discorre basicamente de capacidades internas de cada organização, inclusive da aptidão de desenvolver e reter uma força de trabalho capaz e comprometida.
É fundamental que periodicamente a empresa faça uma pesquisa de clima organizacional para descobrir pontos que a própria empresa está pecando. Edwards Deming  já dizia que 85% das falhas em uma organização são de culpa da alta gerência e que apenas 15% a culpa é dos colaboradores.
  • A pesquisa permite descobrir os pontos falhos que impedem o comprometimento dos colaboradores. Sugere-se efetuar esta pesquisa com uma empresa externa porque os colaboradores se sentirão mais à vontade em responder as perguntas. 
Estas perguntas são formuladas de maneira estratégica para descobrir se os problemas estão nos processos, na gestão ou nas pessoas. 
A partir de então será possível desenhar a estratégia para a correção do que não anda bem.
Na dúvida em como aplicar uma pesquisa de clima organizacional chame o consultor.
Por: Sérgio Ditkun - http://plantaodacidade.com.br/

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Poder e Autoridade


“Manda quem pode, obedece quem tem juízo”. (dito popular)

Este ditado encerra toda a sabedoria popular sobre o tema - a autoridade, o poder e a obediência. 



O poder é a capacidade, o potencial de influenciar, de impor a vontade sobre as pessoas. Um manto invisível que cobre uma coletividade. 

De forma simplificada, o poder se manifesta de três maneiras (sistemas de poder):

• Mandar (decorrente do cargo): sim – não; premiar – punir; permitir – negar; restringir – ampliar,

• Influir (decorrente da credibilidade): aceitação: lobby, política, carisma,
• Fazer (decorrente da competência): bem feito – malfeito, fazer o suficiente, fazer o que deve ser feito.


Os três sistemas de poder se manifestam em formas genéricas de fontes de poder:



• Coerção: poder de restringir imposto pelo exercício de punições, castigos, submissão... 
Está incluído nesta categoria o exercício do poder pela força: 
1. Todos os Bandidos: intimidação pela violência (armas, força bruta),... 
2. A maioria dos Ditadores: usurpação do poder, (supressão de liberdades constitucionais, genocídios...) e Militares/Policiais: facultada pelo regime (disciplina rígida, castigos...); 
3. Alguns Mandantes: 
  • Professores - exercício da disciplina (promoção, ameaças, castigos), Religiosos - postulação de mandamentos, preceitos..., 
  • Chefes - atribuições de tarefas, imposição de disciplina,... 
  • Pais - rigor na educação função da cultura, religião, etc.

• Recompensa: poder de premiar, promover, incentivar, suprir necessidades (professores, pais, patrões, etc.)
• Legitimado: poder exercido pela escolha, voto, distinção, habilitação: 1. Cargos Públicos: legislativo, judiciário e executivo; 2. Profissionais liberais: áreas do conhecimento humano; 3. Personalidades: cientistas, artistas, escritores... 
• Competência: poder exercido pelas habilidades, conhecimentos e atitudes.
• Referência (liderança): poder exercido pelo carisma, notoriedade... (Carisma: conjunto de qualidades de liderança política, social ou religiosas tidas como excepcionais ou sobrenaturais e que por isso, levam ao fanatismo popular). 
1. Religiosos: Buda, Maomé, Jesus, Dalai, Pe. Cícero... 
2. Políticos: Fidel, Sadam, Mao, Churchill, Stalin, Hitler, Vargas, Khomeini... 3. Fanáticos: A. Conselheiro, Bin Laden... 

A autoridade advinda da liderança envolve a habilidade de levar os outros a fazerem (de bom grado) sua vontade.

Há ainda os poderes institucionais (Estado e setor privado):



• Diretivos: detém todas as formas de poder, isto é, mandar, influir, fazer; (proprietários, acionistas, incorporadores...) - definem políticas, diretrizes, objetivos e metas a serem atingidas (poder de propriedade, de polícia) no exercício de determinar os rumos da instituição. Governo, Ministérios p/ órgãos públicos. Alta-administração e Conselhos p/ setor privado, 
• Normativos: limitam ou padronizam os aspectos operacionais da instituição - definem leis, decretos, atos, regulamento, normas (poder de restrições). Poder Legislativo, Ministério do Planejamento, p/ órgãos públicos. Entidades responsáveis pela normatização de produtos e/ou serviços e Certificadores de Qualidade p/ o setor privado;
• Controle: agentes fiscalizadores, exercício de monitoramento e cobrança - controlam e fiscalizam as atividades da organização (poder de sanções). 

Órgãos governamentais, Tribunais de Contas p/ órgãos públicos. Receita Federal, Secretaria do Trabalho, Sindicatos e Associação de funcionários (CIPA) p/ o setor privado.

• Pressão: exercem o poder de influir - ONG´s, Sociedade, Setores da economia (lobistas) para órgãos públicos. Entidades de classe, Sindicatos, Clientes únicos, Fornecedores exclusivos p/ o setor privado.



Ter poder não implica necessariamente, ter autoridade. Quem detém o poder tem a opção de conduzir, de impor, de manejar, de castigar outras pessoas, mas pode não exercê-lo, posto que existam formas de poder (influir e fazer) que se manifestam de maneira não explícita. Já a autoridade é a explicitação e o exercício do poder, quem tem autoridade tem Poder.

Para Max Weber - criador do conceito de burocracia, existe três tipos de autoridade:



1. Autoridade Tradicional (delegada) – autoridade exercida por pessoa ou por delegação de quem detém o poder de mandar; seu exercício é baseado na Legitimidade (fundamentada na tradição, hereditariedade, legado, etc.). 
2. Autoridade Carismática – exercício baseado na Utilidade (fundamentada na maximização do bem-estar coletivo). A autoridade advinda da liderança envolve a habilidade de levar os outros a fazerem de bom grado sua vontade, porque acreditam no benefício individual ou coletivo do líder (Lideranças religiosas, políticas, comunitárias...). 
3. Autoridade Burocrática (legal, racional) – exercício baseada na Legalidade (fundamentada em leis, regulamentos, normas) e devida ao cargo, função ou posição definida numa hierarquia prescrita por regras, estatutos, etc. que pretendem harmonizar e dar estabilidade à entidade.


Copiado: http://wagnerherrera.blogspot.com.br/

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Competências Organizacionais

A competência faz a pessoa e ela faz a organização.

A palavra competência, no fim da Idade Média, era associada à linguagem jurídica e dizia respeito à faculdade atribuída à alguém ou à uma instituição para apreciar e julgar certas questões. 



Por extensão, o termo passou a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém se pronunciar a respeito de determinado assunto e, mais tarde passou a ser usado para qualificar o indivíduo capaz de realizar determinado trabalho (Brandão e Guimarães, 1999).


Durand (1998) construiu um conceito de competência baseado em três dimensões: knowledge, know-how e atitudes, ou seja:

• Conhecimento (informação, sabedoria): saber o quê, saber o porquê,

• Habilidade (técnica, aptidão): saber como, 
• Atitude (identidade, determinação): querer fazer, 
Dimensões estas, interdependentes e necessárias a determinado propósito.


Várias são as interpretações do conceito:



• “Uma característica subjacente relacionada com um desempenho superior na realização de uma tarefa”. (McClelland, 1973), algo inerente ao indivíduo, diferente de aptidão, habilidade ou conhecimento, mas pela combinação dos mesmos.
• Um estoque pessoal de recursos.
• Conjunto de saberes – fazer, agir, ser – necessários ao longo do tempo para o exercício de uma profissão.
• Capacidade de uma pessoa para desenvolver atividades de gestão de maneira autônoma, planejando-as, implementando-as e avaliando-as.
• Capacidade para usar habilidades, conhecimentos, atitudes e experiências adquiridas para desempenhar bem os papéis sociais.
• Capacidade para usar habilidades, conhecimentos e atitudes em tarefas ou combinação de tarefas operacionais.


Segundo as normas ISO temos duas definições:



• Capacidade demonstrada para aplicar conhecimentos e habilidades. (ISO 9000:2000) 
• Aplicação do conhecimento, habilidades e comportamento no desempenho. (ISO 10015)


Etmologia: lat. competentia,ae : 'proporção, simetria’; (Dic. Houaiss)

  • No poder público significa: ‘jurisdição, competência, limite de autoridade dos chefes de repartição pública na administração cotidiana e na resolução de problemas excepcionais’. (Dic. Houaiss)
  • Para a psicologia: ‘capacidade objetiva de um indivíduo para resolver problemas, realizar atos definidos e circunscritos’. (Dic. Houaiss)
  • No sentido jurídico: ‘aptidão ou poder de uma autoridade pública ou individual de efetuar determinados atos em razão do seu cargo ou função, de praticar atos próprios’. (Dic. Houaiss)
A conceituação do termo ‘competência’ dada pela ISO 10015, parece o mais apropriado na ciência da Administração: “aplicação do conhecimento, habilidades e comportamento no desempenho”.

  • Para a Administração - competência como um conjunto de saberes, um estoque pessoal de recursos cujos conceitos desenvolveremos ao longo do presente artigo.

Competências individuais:

No cotidiano, cometem-se agressões ao sentido léxico de algumas palavras ferindo seus conceitos, senão vejamos:



O termo “habilidade” é habitualmente confundido com “competência”, porém seu strictu senso diz respeito à ‘qualidade ou característica de quem é hábil’ e ‘hábil é a qualidade de quem é dotado de habilidade e rapidez; destro, ligeiro, ágil’ (Dic. Houaiss). A habilidade, por si só, não torna alguém competente.

Habilidades são atributos relacionados a dimensões variadas: cognitivas, motoras e atitudinais, que são básicos para a geração de competências e são categorizadas em:



• Básicas (ler, escrever, calcular, ouvir, falar, tocar um instrumento)
• Cognitivas (criar, decidir, resolver problema)
• Atitudinais (responsabilidade, integridade)
• Sociais (relacionamentos, trabalhar em grupo)
• Motoras (destrezas manuais).


Outro termo confundido com competência é ‘capacidade’. Segundo o Dic. Houaiss – ‘poder de produção, de execução; rendimento máximo, faculdade ou potencial’ ou predisposição, potencialidade. Aqui, faço uma analogia com uma ave – o pato – que tem várias capacidades (potencialidades): anda, nada e voa; mas não faz nada bem! 


Outra conceituação de competência de um indivíduo é dada por Sveiby (1998), sendo composta de cinco elementos mutuamente dependentes:



 Conhecimento explícito: O conhecimento explícito envolve conhecimento dos fatos e é adquirido principalmente pela informação, quase sempre pela educação formal.
 Habilidade: Esta arte de “saber fazer” envolve uma proficiência prática, física e mental – e é adquirida, sobretudo, por treinamento e prática. Inclui o conhecimento de regras de procedimento e habilidades de comunicação.
 Experiência: A experiência é adquirida principalmente pela reflexão sobre erros e sucessos passados.
 Julgamento de valor: Os julgamentos de valor são percepções do que o indivíduo acredita estar certo. Eles agem como filtros conscientes e inconscientes para o processo de saber de cada indivíduo.
 Rede social: A rede social é formada pelas relações do indivíduo com outros seres humanos dentro de um ambiente e uma cultura transmitida pela tradição. 


Conjunto de saberes:

Os saberes desenvolvidos pelo indivíduo dentro de um ambiente propício, tanto externa como internamente à empresa, induzem-no ao desempenho competente e promovem saltos qualitativos e quantitativos para a organização; esquematizados conforme abaixo:


Conhecimento: (saber)

• Saber onde: nível de posicionamento,

• Saber o quê: nível de aprofundamento, 
• Saber por quê: nível de investigação,
• Saber quanto: nível de informação,


Habilidades: (fazer)

• Saber como: know how (expertise)

• Saber quando: ponderação
• Saber fazer: técnica 


Atitudes: (ser)

• Saber ser: identidade

• Saber querer: motivação
• Saber participar: sociabilidade

  • A HABILIDADE capacita fazer mais com menos: ser eficiente (produtividade, desempenho).
  • A ATITUDE possibilita fazer a coisa certa: ser eficaz (qualidade, conformidade).
  • O CONHECIMENTO induz fazer o que tem que ser feito: ser efetivo (sustentabilidade, transformação, impacto).

O aperfeiçoamento das habilidades, a maximização do conhecimento e a racionalização das atitudes promovem a “excelência”.




Competências organizacionais:

As competências de uma organização formam o conjunto de tecnologias, métodos, inovações e comportamentos organizacionais que representam a soma de aprendizados tanto em nível humano quanto estrutural e são constituídas por:


•Vanguarda: fontes de vantagem competitiva futura da empresa: uso integrado da TI, Inteligência Competitiva, P & D, Inovações... 
•Crítica: responsável pela atual vantagem competitiva: processos, portfólio, logística, corpo gerencial, empowerment, responsabilidade social...
•Central: capacidades comuns à maioria das empresas de um determinado setor. 
•Complementar: serviços de apoio (empresa fazendo negócio consigo própria): restaurante, serviço médico, treinamento ...

Desenvolvidas através de gestões eficazes e aplicadas no ambiente organizacional geram vantagens competitivas para a empresa diferenciando-a da concorrência e colocando-a em posição de destaque no ambiente empresarial. 


Desenvolvimento de Competências na organização:

Ocorre, principalmente, por meio de programas de aprendizagem que promovem processos de mudança (resistência ao novo) pela:


• Quebra de paradigmas fomentando a flexibilidade,
• Mudança de valores impeditivos (barreiras),
• Substituição de modelos mentais, 
• Infusão da visão sistêmica (holística),
• Ações da alta-administração com vistas à internalização de metodologias, tecnologias, ações de melhorias...
• Ações de mercado com movimentos de desregulamentação, globalização...
Donde se conclui que, as competências individuais e corporativas são grandes vetores motrizes de desenvolvimento organizacional.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Eficiência, Eficácia e Efetividade

A grande maioria das pessoas tenta fazer as coisas corretamente, dentre estas, uma boa parcela faz a coisa certa, mas poucas fazem o que tem que ser feito.

Os macro-indicadores de maior relevância em qualquer organização são os que permitem medir a proficiência da empresa nos quesitos: a) sua competência em fazer certo, b) sua competência em atender as expectativas e, c) sua competência em fazer algo de forma diferenciada.


Os conceitos-tema deste artigo são amplamente conhecidos e difundidos, porém, nem sempre compreendidos! Suas conceituações e usos por vezes, emprestam sentidos difusos, quando não contraditórios, no que tange ao léxico técnico que difere do vernacular. O esforço aqui será com o senso técnico dos vocábulos em questão.

  • Uso de clichês sobejamente utilizados: 

a) eficiência = ‘fazer certo a ‘coisa’; 

b) eficácia = ‘fazer a ‘coisa’ certa; fazer certo na primeira vez,

c) efetividade = ‘fazer a ‘coisa’ que tem que ser feita’; 


Definições que emprestam um senso simplório aos conceitos, mas muito prático em função da mnemonização pela utilização de um termo repetido nas conceituações – a ‘coisa’ – como objeto da ação ou resultado dela.


Detalhamento das concepções:
• Eficiência = fazer certo a “coisa”, pois em se fazendo o contrário – fazer errado a ‘coisa’, estaremos provocando perdas de tempo e recursos (retrabalho, desperdício), contrariando os princípios da eficiência. Um segundo clichê muito utilizado para definir eficiência é ‘fazer mais com menos‘, que traz embutido o senso de economia racional. 



Também é a capacidade de atingir ou superar os padrões vigentes. Sabemos da existência de ‘parâmetros’ ‘padrões’, ‘indicadores’, ‘níveis’, ‘graus’... de eficiência que balizam as ações nos mais variados processos onde se almeje uma eficiência aceitável, resultante da qualificação da força de trabalho, da racionalização do método e da otimização dos recursos, medida pela relação entre quantidades produzidas sobre recursos empregados (meios). 

Isto indica o rendimento dos recursos (insumos, m-o) aplicados na prestação de serviços e disponibilização de produtos. Em contrapartida, está a quebra da expectativa no que é esperado da habilidade com foco na produtividade e conformidade do produto ou serviço.
- Conceitos chaves: padronização e especialização. 
- Propulsor: habilidade.

Como exemplo da falta de eficiência, citaremos a fabricação de uma geladeira que esteja muito acima dos padrões de custos praticados no mercado! 

• Eficácia = ‘fazer a ‘coisa’ certa, pois em se fazendo o contrário estaria ‘fazendo a ‘coisa’ errada, a ‘coisa’ que não deveria ter sido feita, a ‘coisa’ fora de lugar e hora, a ‘coisa’ a ser empreendida de forma diferente, em outras palavras, deveríamos fazer outra ‘coisa’ que não esta. 
Também é a capacidade de atender expectativas de alguém, um grupo ou organização. Sabemos também da existência de ‘parâmetros’, ‘padrões’, ‘indicadores’, ‘níveis’, ‘graus’... de eficácia que balizam as ações nos mais variados processos onde se almeje a eficácia aceitável, resultante da relação entre metas alcançadas sobre metas pretendidas. 
Na falta da eficácia estamos quebrando expectativas no que era desejado de uma atitude correta e pecando contra o nível de satisfação esperado na conformidade e metas do processo. 

São exemplos: atender os requisitos, atingir metas, cumprir cronogramas, satisfazer o cliente. No exemplo dado acima sobre a geladeira, imaginem uma que consuma muita mais energia que as da concorrência.
- Conceitos chaves: qualidade e satisfação.
- Propulsor: atitude.


• Efetividade: “Difícil não é fazer o que é certo, é descobrir o que é certo fazer”. (Robert Henry Srour). Esta frase sintetiza todo o conceito de efetividade: fazer a ‘coisa’ que tem que ser feita; sendo dos três, o conceito mais difícil de entender, pois é percebida, somente por pesquisas de opinião sobre ações que causam efeitos, impacto, mudança ou transformação de uma realidade.

Benefícios, efeitos ou impactos diretos ou indiretos do exercício do papel institucional de uma organização: (econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos). Também é a capacidade de atender expectativas de uma comunidade ou sociedade. 

Ainda, no exemplo da geladeira, a fabricação da mesma com funcionamento a gás para populações aonde não chega energia elétrica e outros exemplos: como lançar um produto que não provoque impacto ambiental, viabilizar a inserção de uma comunidade num contexto, erradicar uma epidemia ou endemia, medidas de responsabilidade social nas empresas, de progresso sustentado, de ação ecológica, etc. 
- Conceitos chave: impacto, transformação (mudança de realidade), sustentabilidade. 

- Propulsor: conhecimento e atitude



Este três conceitos, às vezes se sobrepõem ou se completam para compor o conjunto de macro-indicadores com Informações resultantes da medição de um evento repetitivo com critérios pré-definidos, com o objetivo de mostrar o resultado / evolução, para orientar as decisões e ações pertinentes e suficientes para se medir toda a gama de ações humanas e monitorar o desempenho na busca da excelência, pois "somos o que repetidamente fazemos. 


A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito." (Aristóteles).

Copiado: http://wagnerherrera.blogspot.com.br/