quarta-feira, 8 de julho de 2015

Compre Soluções e Não Problemas

"Deve-se aprender para conhecer, conhecer para compreender,
compreender para julgar.”
(Narada, sábio indiano)

Anos atrás estive fazendo um estudo de viabilidade econômica para uma empresa com mais de vinte anos de mercado e que se encontrava em sérias dificuldades: títulos protestados, salários atrasados e dezenas de clientes com seus pedidos não entregues, embora tivessem pago parcial ou integralmente pela mercadoria.

O mais incrível era que novos consumidores continuavam comprando, fosse pela suposta credibilidade transmitida pelos “20 anos de tradição”, fosse pelo preço menor face à concorrência (talvez graças ao não registro de funcionários e à sonegação de impostos, entre outros), fosse pela habilidade do vendedor.

Ao longo dos anos tenho acompanhado empresas que nascem e prosperam, e outras que abrem concordata e quebram. E invariavelmente o modelo de gestão adotado é fator preponderante. Porém, entre o sucesso e o fracasso está sempre o consumidor.

Qualquer teoria só é boa se nos servirmos dela para ultrapassá-la. Assim, considere os tópicos a seguir em suas próximas compras. E tenha sempre certeza de suas dúvidas.

1. Pesquise o CNPJ da empresa. Um fornecedor que apresente protestos e cheques sem fundos deve ser descartado. Suas dificuldades financeiras serão retratadas depois na qualidade do produto e no prazo de entrega. O único tipo de restrição aceitável, desde que com justificativas, são ações executivas oriundas de discussões com o governo devido às inconstitucionalidades de muitos impostos cobrados.

2. Visite a empresa. Antes de fechar um negócio, conheça de perto quem você está contratando. Uma visita às instalações da empresa pode indicar como é seu fluxo de produção, como estão seus estoques, qual seu grau de organização. É comum fornecedores se apresentarem como companhias bem estruturadas sendo, entretanto, meros terceirizadores de serviço, subempreitando o trabalho a outras empresas. Nestes casos, você nunca terá a garantia plena do que está comprando.

3. Faça contratos formais. Os contratos devem conter as especificações técnicas do que se está adquirindo, preços acordados, prazos de início e de entrega, condições de pagamento e reajustamento, prazos de garantia, cláusulas de rescisão e cessão de direitos. Não se esqueça de exigir, ainda, os dados do responsável pela empresa, incluindo CPF e RG, para o caso de haver uma discussão judicial.

4. Equalize as propostas. Assim como um apartamento no 1º andar é mais barato do que um similar no 9º andar; produtos e serviços também apresentam suas peculiaridades. Procure uniformizar as propostas, cotando junto aos diversos fornecedores os mesmo materiais, com as mesmas dimensões/quantidades. Peça certificados de procedência para evitar material reciclado e/ou refugado.

5. Exija referências. Você não precisa ser cobaia de um fornecedor, inaugurando sua carteira de clientes. Se a empresa executou bons trabalhos, que os mostre!

6. Não se impressione com o tempo de fundação da empresa. Uma companhia com muitos anos de mercado não é garantia de nada. Se por um lado ela denota estabilidade, por outro pode estar defasada tecnológica e administrativamente.

7. Negocie as condições de pagamento. Procure adequar a compra ao seu fluxo de caixa, conciliando as obrigações que estão sendo assumidas com a data provável de seus recebimentos. Além disso, uma empresa que não necessite de sinal à vista, demonstra maior capacidade financeira.

8. Priorize empresas socialmente responsáveis. Sob condições comerciais equivalentes, valorize a companhia que apresente projetos de engajamento social, notadamente aquelas diplomadas como Empresas Amigas da Criança ou vinculadas a instituições que incentivam práticas comerciais éticas. Não lhe custará nada a mais, mas premiará um esforço voltado à cidadania.


Como disse Molière: “É longo o caminho do projeto à coisa”. 
Por isso, a sabedoria dos projetos consiste em prevenir as dificuldades da execução. 
Faça-o e fique tranqüilo. 
Compre soluções e não problemas.
Por: Tom Coelho - http://www.ogerente.com.br/

terça-feira, 7 de julho de 2015

A TEORIA DOS SETÊNIOS – “OS CICLOS DA VIDA”

A Antroposofia é uma linha de pensamento criada pelo filósofo Rudolf Steiner que entende estabelece uma espécie de “pedagogia do viver”, pois ela abrange vários setores da vida humana como a saúde, a educação, a agronomia e outros. 

A Antroposofia compreende que o ser humano tem que conhecer a si para também conhecer o Universo, pois somos todos parte e participantes desse mundo. Conforme Steiner a Antroposofia é “um caminho de conhecimento que deseja levar o espiritual da entidade humana para o espiritual do universo”.

Dentro desse pensamento filosófico encontra-se uma forma cíclica de ver a vida chamada “teoria dos setênios”. Tal teoria foi elaborada a partir da observação dos ritmos da natureza, da natureza no sentido da vida, na qual todos nós estamos imersos. Ela divide a vida em fases de sete anos, vale lembrar que o número sete é um número místico dotado de muito poder em quase todas as culturas conhecidas.

A teoria dos setênios nos ajuda a compreender a condição cíclica da vida, em que a cada ciclo soma-se os conhecimentos adquiridos no anterior e busca-se um novo desafio. Claro que a teoria dos setênios pode também ser entendida como uma metáfora sistêmica, sabemos que as pessoas mudaram de um século para o outro, nosso desenvolvimento está mais acelerado, nosso organismo mais adaptado, talvez nem todas as descrições dos setênios façam tanto sentido hoje, mas ela continua atual em sua percepção do ser humano e suas fases. Assim, os setênios não são exatamente sete anos no tempo cronológico, mas a cada ciclo de X anos, de tempos em tempos.
Há também uma subdivisão possível desses ciclos. Os três primeiros ciclos, que compreendem nossa fase de 0 a 21 anos, são denominados “setênios do corpo”. É o ciclo do amadurecimento físico, do corpo, e também da formação da nossa personalidade. Os três ciclos seguintes que vão de 21 a 42 anos, são conhecidos como setênios da alma. É a fase em que, superadas as experiências básicas da vida, nos inserimos na sociedade fazendo as escolhas como casar ou não, trabalhar em uma área específica, conviver mais ou menos com a família. E, apenas a partir dos 42 anos, vivenciando os últimos setênios, estamos realmente prontos para imergirmos na vida com maturidade, profundidade e espiritualidade.
Vamos então conhecer essa teoria extraordinária e refletir sobre como nossa vida é cíclica e sobre como isso reflete na forma como mudamos e nos refazemos sistemicamente.
 0 a 7 anos – O ninho. Interação entre o individual (adormecido) e o hereditário
A primeira infância é uma fase de individuação, de construção do nosso corpo, já separado do da nossa mãe, da nossa mente e da nossa personalidade. Nesse ciclo nossos órgãos físicos estão sendo formados para que sejamos indivíduos únicos. O crescimento está ligado à nossa cabeça, ao ponto mais alto, o superior, o pensar.
A separação da mãe é um momento importante para a psique e para o corpo. Outros estudiosos já trataram disso, como Winicot. É uma transmutação importante, em que a consciência da criança se constitui fisicamente e mentalmente tomando conhecimento sobre si mesma. A pedagogia Waldorf, usada nas escolas que tem como filosofia a Antroposofia, entende que na primeira infância a criança tem que perceber os aspectos positivos do mundo, para quererem estar aqui e cultivarem a felicidade em longo prazo.
O primeiro setênio deve oportunizar o movimento livre, a corrida, as brincadeiras, deve permitir que a criança teste e conheça seu corpo, seus limites e suas percepções de mundo. Por isso o espaço físico é muito importante, bem como o espaço do pensar e o do viver espiritual.

7 A 14 ANOS – SENTIDO DE SI, AUTORIDADE DO OUTRO

O segundo setênio promove um profundo despertar do sentimento próprio. A energia que emanava do polo superior, da cabeça, se dilui e se encontra no meio do corpo. Os órgãos desse setênio são o coração e os pulmões, esses se desenvolvem promovendo a interiorização e exteriorização da vivência.
É nesse ponto que a autoridade dos pais e professores assume um papel importante, pois eles são mediadores do mundo no qual a criança se insere. Se a autoridade é excessiva, a criança pode ter uma visão pesada e cruel do mundo, se a autoridade e cobrança são muito fluídas e sem ressonância, a criança pode ter uma visão demasiadamente libertária do mundo, não inibindo comportamentos perigosos. O papel do adulto, pais e professores, determinam a imagem de mundo que a criança receberá.
A autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo, e isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma, etc. Quando a autoridade é insuficiente, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada, que leva a criança a desconhecer seu limite e o do outro, até quadros mais histéricos, de dissolução da identidade.
Nesse ciclo as normas e os hábitos estão sendo absorvidos, o desenvolvimento sadio do ser humano está relacionado à dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões. É o sentir que está sendo afetado, o desenvolvimento das emoções. Do interior para o exterior e vice-versa. As estórias infantis, contos de fadas, todo ato de brincar é extremamente saudável pois a criança cria e molda sua participação no mundo. Isso, para o desenvolvimento humano, é bastante mais saudável que situações em que ela se faz apenas como expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos eletrônicos
A arte deve ser estimulada desde o primeiro ciclo, mas nesse momento ela se faz muito mais importante, bem como a religião.  Os mundos artístico e religioso auxiliam no sentido de si e do mundo, fluindo a alma, que busca a beleza e a fé. E, sobretudo, fazendo um contraponto à dura descoberta das diferenças, pois é também nessa fase do conhecimento de si que percebemos como uns e outros são diferenciados na sociedade, como as diferenças sociais, religiosas, raciais ou mesmo geográficas.

14 A 21 ANOS – PUBERDADE/ADOLESCÊNCIA – CRISE DE IDENTIDADE

O que todo adolescente busca? … liberdade!
Eles não querem os pais, irmãos mais velhos nem professores “pegando no pé”. O que rege esse ciclo é o sentido de liberdade. No sentido corporal, as forças que se acumulavam nos órgãos centrais se espalham e chegam aos membros e no sistema metabólico.
A postura ereta é uma diferenciação dessa fase para as outras. O corpo já está formado, já aconteceram as primeiras trocas com a sociedade, o corpo já não precisa de tanto espaço para se locomover, o espaço agora adquire outro sentido, o da possibilidade de “ser”.  O espaço dessa criança é o mundo, já não pode se resumir a família nem a Escola. Ele precisa se reconhecer e ser reconhecido, aceito, achar a “sua turma” para compor um grupo no qual se identifique.
A liberdade nesse ciclo atua como a vivência do “bom” no primeiro ciclo e do “belo” no segundo ciclo. Ocorre que a liberdade só se dá num ambiente de tensão entre as possibilidades, impossibilidades e desejos. Essa tensão costuma gerar rompimentos, as vezes esses rompimentos são violentos, mas são necessários e próprios desse ciclo.
Essa liberdade também tem um sentido de exposição. Tudo está voltado para o externo, para fora, para o mundo. Há uma dificuldade em ouvir o outro e entender suas posições, tudo deve seguir o seu sentimento de mudança, de julgamento de certo e errado, de bom e ruim. É tanta energia interna para ser extravasada que o sujeito pode perder o controle de si mesmo e precisar de intervenção – salvo se os ciclos anteriores tiverem cumprido bem os seus papéis. As trocas nesse ciclo são importantíssimas. O diálogo, a abertura ao novo, a prática da compreensão, da solidariedade, assim como o seu reconhecimento e o pertencimento.
O binarismo entre o ideal e o real também estão muito presentes. O ideal de mundo, de Homem, de cultura, vindo de uma essência pura e etérea do ser humano entra em choque com o real das ruas, da política, o prazer sexual, as práticas ilícitas, tudo se torna um turbilhão. As representações que forem mais fortes para o sujeito – as de idealizações ou as do real, serão definitivas nos próximos ciclos.
Os questionamentos são fruto desses choques. É o momento de questionar a tudo e a todos. O caminho contrário do “habitual” pode ser exclusivamente para reforçar a tensão. As drogas podem estar nesse contexto. É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo.
Também é o momento do discernimento, das escolhas profissionais, do vestibular, do primeiro emprego, pois a liberdade também só faz sentido quando percebemos a vida econômica. O dinheiro então pode ganhar um sentido de poder que talvez não seja saudável. É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.

21 A 28 ANOS – O “EU” – A INDEPENDÊNCIA E A CRISE DO TALENTO

A partir dos 21 anos nossa individualidade, nosso self, toma uma força considerável na tentativa de estabilização. O “Eu” começa realmente a se mostrar, mesmo ainda estando em formação. No entanto, para que esse “Eu” apareça e se forme, mesmo sendo algo subjetivo e interno, ele depende do mundo exterior, da sociedade.
O fim do crescimento corporal instaura o início de um processo de crescimento mental e espiritual, somos então “cidadãos de dois mundos: o celeste e o terrestre”. Geralmente já não moramos mais com a família e já não estamos mais na escola. É o momento da autoeducação, do emprego, do desenvolvimento dos talentos, etc.
A história das pessoas começa a ser traçadas por elas mesmas, pois há uma tomada de caminho que não depende mais, diretamente, das outras instituições. É uma emancipação em todos os níveis, mas como resultado de toda a experiência nos três primeiros setênios. Surpreendentemente, é também a fase em que mais nos influenciamos pelos outros, pois a sociedade dirá o ritmo da vida de cada um.
Nesse ciclo, os valores, aprendizados, e lições de vida passam a fazer mais sentido.  As energias estão mais pacificadas. Nosso lugar no mundo é o principal objetivo. A colocação profissional assume um papel muito importante. O não atingimento desse objetivo pode gerar muita ansiedade e frustração, especialmente se todos os anos até aqui não foram suficientes para descobrirmos e desenvolvermos os nossos talentos.

28 A 35 ANOS – FASE ORGANIZACIONAL E CRISES EXISTENCIAIS

Quem nunca ouviu falar na “crise dos 30”? ela não é um mero mito, ela existe e tem explicação. O 5º setênio começa com essas crises na vida, o abalo da nossa identidade, a cobrança do sucesso que talvez ainda não tenha atingido, a certeza de não podermos tudo, de onde vem a frustração e tristeza.
A sensações de angústia e vazio são muito comuns. Em algumas sociedades as pessoas nesse ciclo não encontram um lugar para si e se veem entre a juventude e a velhice ou maturidade. As pessoas passam a não se conhecerem, pois, seus gostos mudam – ou por si mesmos ou pela pressão dos outros. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável, voltados para a família e para o trabalho.
Nesse ciclo os sentimentos nos levam também a uma busca espiritual maior, um “caminho da alma”. Estamos suscetíveis ao cosmos, às oscilações e às vezes a harmonia custa a acontecer. Somos cobrados por estrutura, firmeza, estabilidade, uma base, um pilar, que seja material e que também sejam mental e espiritual. A Antroposofia acredita que logo após o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63º. ano de vida, estamos no final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.
Estamos realmente, nessa fase, em organização. É nesse ciclo que passamos a pesar uma série de coisas, avaliar a trajetória da nossa vida, esse não lugar nos força a perguntar “quem sou eu”. Há uma renovação a partir desse ciclo. Estamos tendo crises, mas é por meio dessas crises que construímos novos pensamentos, novos valores, terminamos relacionamentos e começamos outros, mudamos de emprego, de ideologias, de partidos políticos, enfim… crises, desorganizações e reorganizações.

35 A 42 ANOS – CRISE DE AUTENTICIDADE

Esse setênio, embora tenha suas peculiaridades, está ainda ligado ao setênio anterior, ruminando os resultados das crises. Reconhecemos também uma espécie de crise nesse setênio, mas uma crise que busca uma autenticidade, gerada pelas reflexões do ciclo anterior.
Temos, aqui, mais capacidade de julgamento, gozamos de mais maturidade psíquica e emocional. Em geral, já acumulamos alguns bens materiais ou ao menos conseguimos uma renda que seja suficiente para as questões básicas de consumo. O desafio, então, é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos. A pergunta é: como é que encontro o caminho para a essência do mundo e para a minha própria essência?
Esse setênio configura a última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita, estamos propensos a adentrar mais profundamente no nosso mundo espiritual, na parte mais sensível de nós. Buscamos a essência de tudo, no outro e em nós. Isso passa a acontecer com mais força nesse setênio pois, aqui, já há maturidade e aprendizado suficiente para esse conhecimento.
A carreira, a família (ou não) os desejos, tudo já teve seu tempo. Já alcançamos as conquistas que nos eram urgentes. Há um desaceleramento do ritmo do nosso corpo e da nossa mente, o que é algo importante para alcançarmos frequências mais sutis de pensamento, onde estará nosso corpo suprassensível.
É possível que esse ciclo traga um descontentamento com o novo. Pode ser que o sujeito questione se, chegando aos 40 anos, ainda há algo novo para se fazer. Buscar coisas novas é um exercício importante para esse ciclo. Em contraponto ao novo, há uma aceitação maior do que se é, de como se é, das histórias e experiências de vida.

42 A 49 ANOS – ALTRUÍSMO X QUERER MANTER A FASE EXPANSIVA

É um ciclo que tem um “ar” de recomeço, de ressurreição, de alívio, até. A crise dos trinta perde a força e parece não ter tido resultados tão graves como se pensava. É, porém, o momento de buscar, desesperadamente, por algo novo, para que a vida adquira sentido.
As mudanças nesse setênio são urgentes. Mesmo que nem todos estejam preparados para elas. As questões existenciais retornam com uma certa força, mas agora elas mais dinâmicas e menos melancólicas pois o sujeito já se vê capaz de produzir essas mudanças. O lema é “como está, não da pra ficar”.
Essa dinâmica impulsiona a tomada de decisões que, por vezes, ficou anos sendo gestadas dentro de si. Pode ser a separação conjugal, a saída de uma empresa, ter um filho, etc. É uma fase que corresponde, em termos energéticos, à fase que vai dos 14 aos 21 anos. Ficamos saudosistas, queremos ir à Disney e reviver coisas da nossa adolescência. Voltamos a desafiar nosso corpo e fazer esporte. É uma fase solar.
O medo do envelhecimento surge. As questões internas despertadas pelos ciclos anteriores perdem um pouco de espaço para a estética e a necessidade de se fazer coisas que os jovens fazem. As rugas e a menopausa são os espinhos das mulheres nesse setênio.  A sexualidade retoma uma importância crucial. Contudo, a força que se perde com o declínio da sexualidade pode e deve ser empregada em outros nichos.
Esse setênio traz o contraditório: queremos mudanças, estamos em busca do novo, mas o envelhecimento que é uma mudança natural nos assusta, incomoda, gera ansiedade, muda nosso comportamento com relação a nós mesmos e ao mundo. Assim, sucumbimos à força do “sósia”, ou seja, da sombra, daquilo que está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.
Nos enxergamos nas sombras do outro e entramos em confronto. As relações ficam à mercê das emoções distorcidas pelo que não vemos em nós mas vemos nitidamente nas pessoas. No entanto, o que acontece é um espelhamento.

49 A 56 ANOS – OUVIR O MUNDO

Podemos reconhecer essa fase como sendo do “pai e da mãe universal”. É a fase de desenvolvimento do espírito. É um setênio tranquilo e positivo. As forças energéticas voltam a estar concentradas na região central do corpo, mas estão voltadas ao sentimento da ética, da moral, do bem-estar, questões universais, humanísticas.
É um momento em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos. É um bom momento para reconhecer os méritos da nossa história, aceitando-a sem julgamentos. Esse ciclo desperta em nós o existencialismo para observarmos mais de perto o valor simbólico das coisas. Deixamos o pessoal, particular em busca do universal, do humanístico, do existencial.
Contudo, alguns podem incorrer na falha dos egocentrismos, pois um ciclo depende do seu anterior. Assim, pode haver pessoas nesse setênio completamente voltadas para si, suas necessidades e do seu grupo. O desapego é uma consequência da vida pregressa.
Em termos físicos, esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, especialmente na condução de uma rotina. A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.

56 A 63 ANOS – (E ADIANTE) ABNEGAÇÃO/SABEDORIA

A Antroposofia acredita que o 56º ano de vida traz uma brusca mudança. Ela está na forma como a pessoas se relaciona consigo e com o mundo. Como os ciclos se correspondem, esse se liga ao primeiro setênio, aquele que vai do nascimento até os sete anos de vida. A audição, a visão, o paladar das pessoas dessa fase se igualam e o mundo fica estranho.
É importante pensar que essa teoria foi pensada em uma época em que a expectativa de vida era muito baixa e as pessoas com 60 anos eram verdadeiros anciãos. Logo é preciso também compreender que os ciclos são metafóricos e não tem uma relação matemática exata.
Contudo, essa fase, por exemplo, evidencia uma volta para dentro de si. O interno passa a fazer muito mais sentido que o externo. É importante internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais. A comunicação com o mundo externo passa a ter ruídos, principalmente pelas mudanças que a sociedade sofreu nesse período inteiro.
A reclusão passa a ser algo natural, boa para a autorreflexão e a busca pela essência. A sabedoria pelo conhecimento acumulado e a intuição que passa a ser mais clara, tornam-se elementos fundamentais dessas pessoas. Elas são o contraponto do sentimento de fracasso e insucesso que, porventura, possa aparecer, vindo dos questionamentos daquilo que se alcançou ou deixou de alcançar.
Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos. Isso porque a aposentadoria pode ser algo limitador, especialmente para aqueles que durante toda a vida atribuíram muita importância ao status profissional e agora temem não ter outra forma de autorrealização.
Atividades muito bem-vindas nesse setênio são as acadêmicas – lecionando ou fazendo novos cursos – escrever textos ou um livro, o laser em grupos de pessoas na mesma fase da vida, viagens e outras formas que relacionem prazer e aprendizado. A aproximação da família ou a construção de novas famílias também ajudam a dar novo sentido à vida.

CONCLUINDO

Como você vê, nossa vida é feita de uma forma cíclica. Nossa energia vital circula pelas diversas fases da nossa vida. Nossa mente tem diferentes estágios de aprendizado e nossa espiritualidade pode estar mais ou menos aberta também conforme cada estágio.
Hoje talvez essa divisão seja um pouco diferente e, com certeza, faz sentido pensar em mais um ou dois ciclos de sete anos, visto que estamos vivendo cada dia mais, mas o aprendizado com a Antroposofia e a teoria dos setênios é enorme. Metaforicamente ou não, poucas linhas de pensamento conseguem dar pensar de forma sistêmica como essa. De forma que é impossível pensarmos em algo tão complexo quanto a nossa vida de forma linear e homogênea.
Compreender as fases ou ciclos da vida é importante para aprendermos mais sobre nós mesmos e sobre o outro, adquirindo mais expertise no cuidado com as pessoas, especialmente os coaches, que devem ser peritos no desenvolvimento e aprendizagem humana. Saber sobre cada etapa nos possibilita saber mais sobre as crises e lidar melhor com elas.
Há uma série de arquétipos que podem ser observados nessas diversas fases, mas isso é assunto para um novo artigo. Lembre-se sempre de se lembrar de nunca esquecer que o saber é o nosso bem maior, cada leitura, cada livro, cada conhecimento acumulado é uma forma de sermos melhores e mais capacitados, além de nos conhecermos mais a cada dia.
Copiado: http://www.jrmcoaching.com.br/

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bitcoin, uma breve introdução...E se Dinheiro fosse Virtual?

Imagine uma moeda virtual que você possa guardar no seu celular, tablet ou computador pessoal. Imagine você transferir esse dinheiro para um amigo pessoalmente, de um celular para o outro, ou fazendo/recebendo um pagamento numa loja virtual. 
Uma moeda única, universal, mundial e livre de taxas e impostos. 
Tudo feito pela internet, livremente, diretamente, anonimamente e instantaneamente, sem passar por bancos nem governos.
Não precisa mais imaginar. Há 5 anos atrás esse conceito foi publicado por Satoshi Nakamoto (pseudônimo do(s) criador(es)) e o Bitcoin já funciona no mundo inteiro, com valor acumulado de mais de 7 bilhões de dólares!
O modelo que vem crescendo
Aos poucos, algumas pessoas e empresas estão adotando o Bitcoin. Como exemplo temos o Baidu (tipo uma Google chinesa), que começou a aceitar o Bitcoin como forma de pagamento para algumas transações; e o norueguês que ficou milionário ao comprar US$ 26,60 em Bitcoins há 4 anos atrás.

Se você tivesse comprado R$ 100 em Novembro do ano passado, hoje você teria uns 2,8 mil reais!
Se você tivesse comprado R$ 100 em Novembro do ano passado, hoje você teria uns 2,8 mil reais!

  • No Brasil o Bitcoin ainda é fraco, mas você pode ver algumas lojas que já aceitam a nova moeda neste site. Até a revista Super Interessante já está entrando na “brincadeira”.

Existe um limite de 21 milhões de Bitcoins criadas (hoje está em 11 milhões) e não há um uma entidade manipuladora (como bancos e governos), o que torna uma moeda livre de inflação. E como na teoria a demanda pela moeda é cada vez maior, a moeda cada vez se valorizará mais e mais. 
Semana passada mesmo um Bitcoin ultrapassou a casa dos R$ 1.000,00, mas também é possível comprar frações.
E tudo isso não é por acaso. Que a tendência no mundo seja virtualizar tudo que é possível, isso ninguém mais discute. Mas o Bitcoin tem como base a escola austríaca (o qual não vou me aprofundar, mas estou deixando alguns links ao final do post com mais informações para quem tiver interesse).
Problemas

Também existe a incerteza da ideia. Apesar do alto crescimento, ainda é considerado um investimento de risco.
E livre de impostos até quando? Uma hora os governos vão querer ganhar em cima disso.
Litecoin
  • Há também quem aposta no Litecoin, o mesmo conceito só que com algumas melhorias tecnológicas (reescritas por um ex-engenheiro da Google) em relação ao Bitcoin. No entanto, o Bitcoin saiu na frente e hoje ele vale muito mais, apesar de o Litecoin também estar crescendo.

Conclusão
O Bitcoin hoje é uma moeda em crescimento e um investimento para o futuro. São poucas as pessoas e empresa que utilizam, mas imagine o dia em que alguma gigante como Google ou Facebook aceitar? 
Quem investir hoje, há grandes chances de se tornar novos bilionários num futuro não muito distante. Se você gostou da ideia mas ainda tem certa insegurança, faça que nem Kristoffer Koch, coloque uma graninha que não lhe doa o bolso, seja R$ 10 ou R$ 100, pois se tudo der certo, é só alegria!
E o seu empreendimento? Quando vai aceitar pagamentos em Bitcoins? Talvez ainda seja cedo para se tornar algo viável, mas que tal ser um dos primeiros?
Por:  - http://www.saiadolugar.com.br/

sexta-feira, 3 de julho de 2015

quinta-feira, 2 de julho de 2015

10 Erros Mais Comuns de Gestores na Crise e Como Evitá-los

Chefes devem se ater à produtividade e desempenho das equipes.
Transparência e cautela em cortes de custos são algumas recomendações.

Em momentos de crise, não somente os resultados financeiros de uma empresa são impactados, mas também a produtividade do trabalho e o desempenho das equipes. Por isso, segundo a consultoria de RH Robert Half, a maneira como os executivos conduzem o dia a dia podem comprometer o clima na empresa, aumentar a rotatividade, prejudicar a qualidade dos serviços e impactar negativamente tanto a receita como a imagem da organização.

Especialistas da Robert Half mostram as 10 falhas mais comuns dos gestores em momentos de crise e dicas de como lidar com cada situação.


CLIMA E RETENÇÃO


Funcionários não conseguem lidar com a verdade 

Falar abertamente sobre uma retração dos negócios da companhia pode ajudar as pessoas a sentirem que o gestor tem algum controle sobre a situação. 

O que aconteceu na última vez em que os negócios estiveram em baixa? 

Como a empresa superou os problemas? 

O que podemos aprender com aquela experiência e o que pode ser aplicado à situação atual? 

Explorar essas questões nas reuniões com os funcionários ou em sessões de brainstorming de menor porte fará as pessoas se sentirem mais participativas, além de proporcionar ideias bastante úteis.


Culpar os gestores superiores


Se você for um gestor de nível médio responsável por transmitir as más notícias pode se sentir inclinado a dizer aos funcionários que teria feito as coisas de forma diferente, mas que a escolha não foi sua. Embora isso possa, temporariamente, livrá-lo de qualquer responsabilidade, essa atitude transmite a mensagem de que o gestor está fora de sintonia com os líderes da empresa e isso poderá ser desconcertante para seus funcionários. Ao invés disso, o ideal é apresentar as mudanças e os motivos por trás delas, incluindo o modo como ajudarão a empresa a continuar encarando os desafios.


Pessoas têm sorte por terem um emprego 


Essa suposição baseia-se na crença de que, quando a economia vai mal, as pessoas devem se sentir felizes por ter uma posição estável, mesmo que não seja uma ocupação ideal. Embora isso possa ser verdade em alguns casos, é importante que os gestores tenham em mente que os funcionários mais talentosos sempre têm opções. Bons profissionais encontram oportunidades no mercado em qualquer estado da economia e não é uma boa estratégia perdê-los.


PRODUTIVIDADE


Mania de fazer reuniões


Em uma pesquisa feita pela Robert Half, 27% dos entrevistados disseram que as reuniões são a maior fonte de desperdício de tempo no trabalho. É importante reavaliar as suas reuniões e pensar duas vezes antes de programar aquela próxima reunião na segunda-feira.


Reduzir o treinamento


A recomendação é de cautela ao cortar o orçamento para o desenvolvimento dos funcionários, pois aprimorar qualificações poderá valer a pena no curto e no longo prazo. No entanto, é fundamental verificar se os treinamentos patrocinados pela empresa são eficazes e têm uma boa relação custo-benefício.


Trabalho se torna ‘missão impossível’


As demissões e os cortes no orçamento podem significar que uma pessoa realizará as tarefas de duas, ou mesmo de três pessoas. Se este for o caso, o ideal é determinar quais deveres são críticos para a missão e focar os esforços nessas atividades. As demais tarefas devem ser delegadas ou executadas por profissionais temporários, se necessário, ou talvez seja válido adiar a execução de algumas delas. Essa adequação ajudará a evitar a sobrecarga dos funcionários.


INOVAÇÃO E RISCOS

Fazer somente as coisas seguras


As fórmulas já reconhecidas e comprovadas de fazer as coisas podem ser reconfortantes nos momentos de incerteza porque são seguras. Mas, fazer somente o que é seguro nunca fez nenhuma empresa chegar muito longe. O melhor caminho é assumir riscos calculados e explorar novas possibilidades, ou as vantagens competitivas serão perdidas rapidamente.


Reprimir o pensamento crítico


Ninguém quer fazer onda quando o barco já está navegando em águas turbulentas. Mas, as perguntas mais difíceis precisam ser feitas, particularmente diante de um clima econômico desafiador. Elas podem acabar contribuindo para encontrar uma solução.


FORTALECENDO OS NEGÓCIOS


Desconsiderar efeitos da economia sobre clientes 


Os momentos de incerteza econômica podem ser tanto um bloqueio quanto um impulso para as empresas. Pesquisar e compreender as ideias dos clientes sobre o que percebem como valor agregado poderá ajudar as empresas a adaptar melhor seus produtos e serviços aos novos tempos.


Sacrificar a qualidade


Quando as pessoas estão ocupadas é mais provável que erros ocorram. É essencial não deixar que a qualidade seja afetada porque seus funcionários estão cheios de tarefas. Você criará um padrão inferior de qualidade que será difícil de reverter quando a situação voltar ao normal. Quando surgir um problema, dedique um tempo para identificar sua fonte e corrigi-lo.



Copiado: http://g1.globo.com/concursos-e-emprego

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Por Que Existem Tantos Frustrados no Curso de Administração?

Ao longo dos meus quatro anos na graduação em Administração não foram poucas vezes que me deparei com lamúrias de colegas em relação ao curso. 
Existiam vários tipos de frustrados. Alguns gostariam de estar em cursos como música e artes plásticas, mas o medo e a incerteza sobre o seu futuro profissional não os levavam para lá. 
Outros gostariam de estar em alguma das engenharias, mas a dificuldade do vestibular, o preço de uma faculdade particular ou o medo por cálculos também não deixavam essas pessoas irem para lá. 
Existiam também aqueles que realmente não faziam ideia da sua vocação, logo, escolheram Administração.
O conhecido bordão: “Não sabe o que quer? Então faz Administração porque é amplo”, é muito utilizado, não há como negar. Mas será que ele realmente contribui para os indecisos?
Segundo o “guia do estudante” da Editora Abril, "Administração é o gerenciamento dos recursos humanos, materiais e financeiros de uma organização. O administrador é o profissional responsável pelo planejamento das estratégias e pelo gerenciamento do dia a dia de uma empresa". Note que as palavras organização e empresa são o foco da profissão, ou seja, estudar Administração é estudar negócios, estudar empresas, as chamadas pessoas jurídicas.
Por que ninguém diz: “faça medicina, é muito amplo. Você pode atuar como cardiologista ou como oftalmologista, dentre outras áreas”?
Muitos iriam dizer: “mas para ser médico é preciso ter dom, ou melhor, vocação”. 
  • E Administração? 
  • Será que não é preciso ter dom? 
  • Se cuidar e estudar uma pessoa física e suas particularidades é preciso ter dom, por que para estudar pessoas jurídicas e suas particularidades também não se precisa de dom?
Pessoas jurídicas podem ser mais complicadas do que pessoas físicas, até porque são a união de várias pessoas físicas interagindo sob processos, normas, hierarquias etc. O administrador está para os negócios da mesma forma que o médico está para o ser humano.
E da mesma forma que não é qualquer um que tem desejo, gosto e paciência para estudar o Complexo de Golgi e os aminoácidos, não é qualquer um que tem os mesmos atributos para estudar contabilidade e lote econômico de compras.
Para estudar Administração é preciso gostar de empresas, gostar de negócios ou no mínimo de alguma particularidade referente ao estudo de organizações. 
Se a sociedade não mudar, ou melhor, consertar a sua visão sobre o que realmente é o curso de Administração, vamos continuar com alunos frustrados no curso, que se formam apenas para conseguirem um curso superior. 
Esse tipo de estudante normalmente tem grande dificuldade para se tornar um profissional qualificado, e isso, certamente, é ruim para o curso e para a visibilidade dos profissionais perante a sociedade!
Vale à pena refletir a respeito! 
Por: Vitor Corrêa da Silva - http://www.administradores.com.br/