terça-feira, 23 de junho de 2020

10 Ações para Empresas diante de uma Pandemia


Neste momento em que mais de 100 países procuram se preparar ou gerenciar os impactos de uma pandemia, muitas empresas desempenham ativamente suas responsabilidades diante de seus profissionais e da sociedade. Como protagonistas da economia e do ambiente de negócios, as organizações têm como responsabilidades básicas a boa condução dos negócios e o cuidado com seus funcionários. Face à atual pandemia global, a Deloitte acredita que, quanto maior a urgência, mais é necessário que regras sejam estabelecidas e seguidas para que os desafios sejam enfrentados com reflexão e resiliência.
O avanço contínuo do novo coronavírus levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a defini-lo como pandemia. Diante disso, neste momento, as empresas podem estar expostas a uma série de riscos estratégicos e operacionais, como atrasos ou interrupção do fornecimento de matérias-primas, mudanças nas demandas de clientes, aumento de custos, insuficiências logísticas que levam a atrasos em entregas, questões de saúde e segurança de funcionários, força de trabalho insuficiente e desafios referentes a importação e exportação de produtos.
Com base em nossas análises das principais práticas de empresas de todo o mundo em Planos de Continuidade de Negócios (BCP) e gerenciamento de grandes emergências de pneumonias infecciosas atípicas, Influenza H1N1, Febre Hemorrágica do Ebola e outras importantes doenças, recomendamos que as empresas coloquem em prática as 10 ações a seguir para lidar com as incertezas futuras:
1. Estabelecer equipes de tomada de decisões de emergência 
·         As empresas devem estabelecer imediatamente equipes de tomada de decisão para assuntos urgentes temporários, como uma “Equipe de Resposta a Emergências” ou um “Comitê de Gestão de Grandes Emergências” para definir os objetivos a serem alcançados e criar um plano de emergências, além de garantir que as decisões possam ser tomadas o mais rápido possível em diferentes situações;
·         Quanto aos membros desse comitê, a empresa deve avaliar seus próprios profissionais e, se necessário, trazer novos para adequar seus negócios às características regionais.
2. Avaliar os riscos e esclarecer mecanismos de resposta a emergências, planos e divisão de trabalho
·         Muitas empresas já possuem “planos de contingência de emergências” ou “planos de sustentabilidade de negócios”, geralmente implementando-os imediatamente em caso de grandes emergências;
·         Se uma empresa não dispor de tais planos, ela deve fazer uma avaliação imediata e abrangente de todos os riscos, incluindo questões com funcionários, terceiros, governo, demais públicos externos e toda a sua cadeia logística. De acordo com a avaliação de riscos, a empresa deve responder a questões relacionadas ao espaço do escritório, planos de produção, compras, fornecimento e logística, segurança dos funcionários e capital financeiro, assim como cuidar de outros assuntos importantes relativos aos planos de emergência e divisão de trabalho.
3. Estabelecer um mecanismo positivo de comunicação de informações para funcionários, clientes e fornecedores, e criar documentos de comunicação padronizados
·         É importante estabilizar cadeias logísticas de suprimentos e dar segurança a funcionários e parceiros externos, assim como fortalecer o gerenciamento de informações e serviços aos clientes para evitar uma visão negativa decorrente de negligência ou inconsistência;
·         Ao mesmo tempo, o sistema de informações existente na empresa deve ser usado para coletar, transmitir e analisar informações da pandemia e emitir imediatamente avisos de riscos.
4. Manter o bem-estar físico e mental dos funcionários e analisar a natureza de diferentes negócios e trabalhos para assegurar a adequada retomada desses trabalhos
·         De acordo com a mais recente pesquisa de recursos humanos da Deloitte sobre respostas a epidemias, 82% das empresas acreditam que “condições de trabalho flexíveis” são essenciais para os profissionais. Recomendamos que empresas estabeleçam imediatamente mecanismos de férias e trabalho flexíveis, com o suporte de tecnologias, com parâmetros de trabalho não presencial e à distância durante períodos específicos;
·         Além disso, a empresa deve estabelecer um sistema de monitoramento de saúde dos funcionários e manter a confidencialidade das informações sobre a sua saúde;

·         As empresas devem garantir a segurança de ambientes de trabalho, limpando e desinfetando com rigor locais de trabalho de acordo com as exigências de gestão das autoridades sanitárias e de saúde pública nacionais e regionais em períodos de grande propagação de doenças infecciosas;
·         As empresas devem fortalecer a educação sobre segurança durante pandemias, estabelecer diretrizes de proteção pessoal para funcionários baseadas em fatos e aumentar a conscientização sobre segurança e prevenção de riscos.
5. Foco em planos de resposta a riscos da cadeia logística de suprimentos
·         Grandes empresas geralmente providenciam com antecedência o uso de instalações de escritórios similares em outras regiões, que possuem a mesma capacidade de áreas afetadas, para que o trabalho na “área infectada” possa ser rapidamente retomado ou para que a produção não cesse devido à falta de capacidade ou de matérias-primas;
·         Na gestão de estoques, organizações devem considerar o prolongamento do ciclo de uso das mercadorias, causado pelo bloqueio de consumo, o aumento de custos financeiros associados e a pressão no fluxo de caixa. Ao mesmo tempo, em setores com longos ciclos de produção, organizações devem se preparar antecipadamente para a retomada do consumo com a redução da pandemia, para prevenir riscos de estoques insuficientes.
6. Desenvolver soluções para riscos de conformidade e manutenção de relacionamento com clientes decorrentes da inabilidade de retomar a produção em curto prazo
·         Após um surto, organizações devem cooperar com clientes para entender mudanças do mercado e administrar o impacto da retomada;
·         Leis sobre o cumprimento de contratos civis e comerciais devem ser observadas, já que nem todos os não cumprimentos durante uma pandemia podem ser isentos de consequências legais;
·         As empresas devem identificar e avaliar os contratos cujo cumprimento pode ser afetado e prontamente avisar a parte relacionada para mitigar possíveis perdas, assim como avaliar se é necessário firmar um novo contrato e manter evidências para uso em possíveis processos civis.
7. Prática de responsabilidade social e gerenciamento de partes interessadas e incorporação de estratégias de desenvolvimento sustentável às tomadas de decisão
·         As empresas devem seguir o planejamento e os planos de ação unificados do governo local;
·         A divulgação adequada de informações corporativas pode melhorar a imagem de uma empresa;
·         A mais importante prática é a de conseguir implementar responsabilidade corporativa social nos setores ambiental, social, econômico e de estabilidade de funcionários, assim como coordenar relações com a comunidade e fornecedores. É necessário avaliar o possível impacto e a duração da pandemia, ajustar planos e, quanto aos acionistas ou conselho diretivo, comunicar medidas propostas e resultados de avaliações.
8. Criar um plano de gestão de dados dos profissionais, garantindo segurança e confidencialidade de informações
·         As empresas devem estabelecer bons mecanismos de gestão de dados de profissionais, terceirizados, fornecedores, parceiros e outros profissionais com os quais mantêm contato;
·         Também é necessário formular tempestivamente planos de resposta a emergências de segurança de informações para assegurar a estabilidade da operação. Oferecer suporte à distância e interno 24h por dia, 7 dias por semana, para garantir o monitoramento de computadores, servidores, redes, sistemas, aplicativos e outros recursos de informática e, assim, possibilitar que profissionais que trabalham à distância, e que os que trabalham internamente na empresa conduzam suas atividades;
·         As empresas também devem proteger a confidencialidade de dados pessoais e dados preliminares de exames clínicos, especialmente aqueles que são pacientes (sejam clientes ou colaboradores), controlar estritamente o acesso, a transmissão e o uso desses dados. Para dados médicos e clínicos, devem ser estabelecidos controles de acesso e níveis de proteção.
9. As empresas precisam considerar ajustes em seus orçamentos e planos de implantação, planejamento de fluxo de caixa e mecanismos de notificação prévia para comércio internacional
·         Aconselhamos que as empresas fiquem atentas ao seu fluxo de caixa, ajustem o seu cronograma de recebimentos e pagamentos para garantir recursos de acordo com o ritmo de fornecedores e planos de trabalho dos funcionários;

·         Além disso, é necessário prestar muita atenção à situação de importações e exportações no comércio internacional, especialmente às mudanças repentinas ou desastres em locais de onde grande parte dos produtos se origina, o que afetará o comércio e poderá gerar grandes perdas também para a empresa. Para prevenir tais eventos, empresas devem estabelecer “plano de cenário” de emergência para fornecedores essenciais o mais rápido possível, o que pode incluir planos de hedge utilizando contratos futuros, comércio internacional e transporte, além de fornecedores alternativos.
10. Melhoria dos mecanismos de gestão de risco
·         O relatório da Pesquisa de Gestão de Risco Empresarial da Deloitte mostra que 76% dos gestores de risco acreditam que suas empresas poderiam responder de maneira eficiente  se uma grande emergência acontecesse amanhã. Mas só 49% das empresas desenvolveram manuais relevantes e fizeram testes prévios baseados em cenários de emergência, sendo que somente 32% das empresas conduziram exercícios de simulações de emergência ou treinamentos;
·         Entendemos que a maioria das empresas deve encarar eventos de risco inesperados a qualquer momento − não há dúvida de que eventos desse tipo irão acontecer, mas não há como prever sobre quando irão acontecer. As empresas devem estabelecer ou melhorar seus sistemas de gestão de risco para identificar os riscos-chave e desenvolver planos para mitigá-los. Fortalecer o sistema de gestão de riscos é tão importante quanto lidar com eventos negativos quando eles se concretizam.


segunda-feira, 22 de junho de 2020

O Que é a tal da Telemedicina?



O Conselho Federal de Medicina (CFM) havia criado no dia 6 de fevereiro de 2019 uma nova regulamentação sobre o atendimento a distância mediado por plataformas tecnológicas – a tal telemedicina. Esse documento definia limites e exigências prévias para o uso dessa estratégia.
Contudo, outras entidades alegaram que ela prejudicaria a relação entre o paciente e o doutor e reclamaram que não foram consultadas. Diante das queixas, o documento foi revogado no fim do mesmo mês.
Só que esse passo atrás não proíbe a telemedicina. Até porque já existe uma norma vigente do CFM, de 2002, que a norteia de forma genérica (e considerada obsoleta). Ou seja, enquanto nada é feito, os pacientes e os médicos estão sujeitos a abusos e arbitrariedades.
Veja, a seguir, possíveis vertentes desse modelo de telemedicina no Brasil:

Consulta online

Você se conecta com o médico via celular ou computador com câmera e microfone. Esses dispositivos permitem ao profissional complementar a investigação do paciente — apurando como ele se sente, observando alguma alteração na pele ou na respiração…
Mas não se recomenda firmar o primeiro contato a distância, a não ser em condições extremas. E, sempre que necessário, as visitas cara a cara devem ser repetidas.

Bate-papo entre autoridades

Mesmo separados por quilômetros, os especialistas podem recorrer à tecnologia para discutir certos casos — respeitando o sigilo e as vontades do paciente. Ou abordar novas pesquisas e descobertas em nome de um melhor atendimento.

Leitura de exames

Exemplo: um paciente faz eletrocardiograma no Rio Grande do Sul mas os resultados são interpretados por um perito no Paraná. A análise poderia ocorrer em tempo real ou enviando as informações brutas do exame para o computador do médico, que o avaliaria e emitiria um laudo posteriormente.

Monitoramento 2.0

É uma maneira de, mesmo longe, acompanhar quem precisa de constante supervisão. Aparelhos acoplados em um sujeito enviam dados sobre batimentos cardíacos, pressão e outros parâmetros para o computador do médico. Se ele notar algo estranho na tela, solicita assistência ao paciente.

Cirurgia a distância

Parece loucura, porém não há mais barreiras tecnológicas para um especialista do Norte do país comandar os movimentos de uma máquina durante uma cirurgia robótica que está sendo realizada no Sul. No entanto, é primordial ter outro médico ao lado do paciente e ótimos sistemas de internet e de segurança da informação.

As regras de ouro para aproveitar a telemedicina

Sincronia entre o velho e o novo: a tecnologia deve agregar, não limitar. Se ela está piorando o atendimento, há que se repensar a estratégia.
Estrutura adequada: vai da qualidade da internet aos dispositivos usados. Sem condições, o serviço será afetado.
Segurança e consentimento: o médico não pode revelar dados do paciente a terceiros (laboratórios, colegas…) sem autorização.
Informações do especialista: registro profissional, endereço físico… Conheça o médico e faça a primeira consulta presencialmente.
Formação em telemedicina: há cursos sobre o atendimento a distância. Verifique se o médico realizou algum e se tem experiência.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

ALTERIDADE: o que tenho a ver com isso?


ALTERIDADE. 
Você já ouviu essa palavra? 

Pouco ou muito?

Com mais frequência em tempos recentes? 
Mas, já parou para conhecer seu significado? 

Só para conhecer ou para adotar o seu conceito nas práticas cotidianas?
De fato, alteridade é uma palavra que passou a “mostrar a sua cara” num tempo mais recente, possivelmente reflexo de relações sociais cada vez mais individualizadas, com prioridade quase absoluta aos interesses próprios, em detrimento de interesses de outrem ou do coletivo.
Somos chamados, por vezes num apelo vão, a exercitar a alteridade, numa expectativa de melhorar relações, rever posturas, julgamento e aceitar a diversidade como algo positivo e intrínseco à sociedade.

Mas, afinal, o que é alteridade? 
  • O que ela tem a ver com nosso dia a dia, com nossas ações e opiniões? 
  • Por que eu deveria me preocupar em exercitar a alteridade? 
 Alteridade é ser capaz de se colocar no lugar do outro, de compreender o outro em sua totalidade, nos seus direitos, limitações e diferenças. 
Quando não exercitamos a alteridade, estamos suscetíveis a provocar discórdias, conflitos e contribuímos no aumento das desigualdades sociais. Colocamos nossas prioridades e interesses acima das prioridades e interesses dos outros, sem refletir sobre os possíveis males que estamos causando aos outros ou ao bem coletivo.

Mas, por que é tão difícil exercitar a alteridade?


Por que nossos interesses tendem quase que absolutamente a se sobrepor aos interesses de outrem ou do coletivo? 

Diria que muito pela competitividade constante a que somos impelidos a praticar, por nos ser inculcada a ideia da necessidade de sermos o melhor, o destaque, o mais apto, o melhor preparado, o mais valente. 
E isso exige dedicar primeiramente um olhar para nós, por nós e em nós, para posteriormente pensarmos no outro ou no coletivo. E ainda, a construção social da ideia de haver padrões aceitáveis, sendo o diferente reprimido ou excluído, nos leva a julgamentos e apontamentos inadequados, com posturas ofensivas e de marginalização, contribuindo com a desigualdade e conflito social.

E aí você pode se perguntar: e por que eu pensaria primeiramente no outro, ou no bem coletivo, ou até mesmo me colocaria no lugar do outro se os outros não o fazem e muitas coisas nessa sociedade já estão ruins? 
Se o tempo todo vemos males e mazelas, injustiças, corrupções e privilégios sendo estendidos somente a uma pequena parcela da população e ainda querem que eu reveja minhas atitudes e me coloque no lugar do outro?
Se você partilha desse pensamento, cuidado, pois, se as coisas estão ruins nós contribuímos para isso, em nossas atitudes não altruístas, em nossos pensamentos individualistas e em nossas ações por vezes até desonestas, apenas para termos vantagens em relação ao outro.

Muitas vezes você já deve ter ouvido a famosa expressão: “não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você”. 
E por que continuamos fazendo? 
Por que por vezes chegamos a nos sentir satisfeitos, felizes pelo fato do outro estar em situação ruim?

Se estiverem aflorando esses pensamentos, cuidado! O sinal vermelho está aceso e é necessário refletir sobre seus atos e ações, buscando revertê-los para o bem comum. É necessário exercitar a alteridade, pensar na situação em que o outro se encontra, seus anseios, angústias, lutas e desejos, e ao invés de investir esforços criticando, menosprezando, ridicularizando ou desdenhando suas ações ou diferença, tente sentir como ele sente, pensar como ele pensa.
Assim, desafio você e me desafio a tornar o exercício da alteridade rotineiro, como prática comum e constante, zelando pelo bem estar coletivo e buscando relações saudáveis e prazerosas, ao invés de competitivas e destrutivas.

Se sei quem sou, mas não sei quem você é

Porque não dividir quem sou e conhecer quem você é,

Sem receio, falando de anseios,

Entendendo os sonhos,

Percebendo as semelhanças, aceitando as diferenças,

Vivendo e convivendo em harmonia,

Com uma alegria que acalenta

E uma partilha que abrilhanta!


Por:  Carlise Führ - Assistente Social

terça-feira, 16 de junho de 2020

GESTÃO TRANSFORMADORA: OS IMPACTOS DA CRISE NO PROCESSO DE GESTÃO

Gestão Transformadora: os impactos da crise no processo de gestão – O gestor deve trabalhar e querer o bem estar das pessoas. Vivemos um momento complexo, de incertezas, de recessão, de crise financeira e econômica. Porém, a crise gera oportunidades.
Naturalmente, as pessoas estão preocupadas e inseguras. Afinal, diversas empresas buscam reduzir custos por meio de rescisão de contrato de trabalho. Nesse cenário, como podemos manter as pessoas genuinamente comprometidas e motivadas? Como induzi-las a alcançar os objetivos traçados e levar a organização a melhores resultados? Qual o papel do gestor nesse cenário?
A gestão é um exercício que carece de constante aprimoramento de competências, habilidades e autoconhecimento. Para obter resultado, o gestor precisa entender como o seu estilo de liderança interfere na organização e no desempenho da equipe.
A busca angustiante por aplicar técnicas de engajamento para obter resultado depende, exclusivamente, da forma como cada gestor atua na gestão de pessoas. Para que o gestor tenha uma equipe engajada e com foco no resultado, ele precisa desenvolver uma atitude positiva com as pessoas: a confiança.

Manter uma atitude de confiança com outras pessoas implica correr o risco de ser desapontado, o que, por sua vez, requer habilidades importantes: o autoconhecimento e o humanitarismo. A ausência do autoconhecimento leva o gestor a atuar de maneira emocionada, e pessoas emocionadas perdem a razão.
O exercício da liderança exige conscientização quanto aos efeitos colaterais de comportamentos e atitudes. É preciso inspirar confiança e gerar novas atitudes. Valorize o humanitarismo. O gestor deve trabalhar e querer o bem estar das pessoas, precisa incentivar, auxiliar e respeitar as pessoas para que elas possam ousar, assumir riscos, engajar-se, e afins.

A relação de confiança faz com que as pessoas produzam resultado positivo, se preocupem umas com as outras e, por consequência, ajam de forma íntegra e responsável.
Logo, cabe ao gestor parar de gerenciar coisas técnicas e passar a orientar e desenvolver as pessoas. Lembre-se: não trate pessoas como coisas. Treinar as pessoas e cobrá-las não resolve – é necessário intervir nas relações, estar junto, isso é construir confiança e obter resultados.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Manual de Sobrevivência de Pequenas e Médias Empresas no novo mundo VUCA

Então aconteceu. Em um certo dia do início de março de 2020, tudo mudou. A pandemia do coronavírus chegou ao Brasil e mandou as pessoas para dentro de casa – a quarentena foi a melhor saída para evitar o contágio e o colapso do sistema de saúde. Home office, férias coletivas, ruas vazias, empresas fechadas ou funcionando parcialmente. Um cenário assustador, principalmente para pequenas e médias empresas, que costumam ter caixa para, no máximo, 30 dias. E agora, como sobreviver? Se você é um pequeno empreendedor como eu, antes de mais nada precisa entender que finalmente chegou o tal mundo VUCA, sigla em Inglês que faz referência a um cenário volátil, incerto, complexo e ambíguo – a palavra VUCA se tornou famosa nos últimos anos por ser mencionada no discurso de 9 em cada 10 gestores, mas é a primeira vez que estamos, DE FATO, vivendo esse contexto imprevisível.No filme Perdido em Marte (2015), o astronauta Mark Watney, personagem vivido pelo ator Matt Damon, enfrenta uma tempestade avassaladora e, de repente, percebe que está sozinho um planeta inóspito, sem o restante da sua equipe e com poucas chances de sobreviver. Dá para dizer que é mais ou menos como um pequeno empreendedor brasileiro está se sentindo neste momento. No entanto, se você assistiu a esse excelente filme, deve lembrar que o personagem entendeu que ficar em estado de letargia não iria ajudar em nada a garantir a sua sobrevivência e, a partir daí, foi à luta. O mesmo vale para pequenos e médios empreendedores. É hora de reagir para garantir a existência do seu negócio hoje e nos próximos meses. Abaixo, separei algumas dicas importantes que venho aplicando no meu próprio negócio e sugerindo para meus clientes. Acompanhe.
  • Posicione sua marca na crise e tranquilize seu cliente
A primeira coisa a fazer é posicionar a sua marca no mercado de forma clara. Imagino que, a essa altura do campeonato, você já deve ter dito ao seu cliente que ele precisa “ficar em casa” e “lavar as mãos” – se ainda não fez isso, faça, você já está atrasado. Porém, o mais importante mesmo é informar como a pandemia está impactando o seu negócio e como isso vai mudar a relação do seu cliente com a sua empresa.
O seu negócio é baseado em um modelo presencial, ou seja, o cliente precisa ir em uma loja física para comprar o seu produto ou serviço? Como fica agora? Ele pode comprar pela internet? Dá pra entregar o seu produto/serviço de forma online? Você pode entregar na casa do cliente que está em quarentena? É fundamental ter respostas para todas essas perguntas para que o seu cliente não fique perdido e acabe encontrando um motivo para ir para a concorrência – sim, você tem concorrentes até na pandemia.
Tenha empatia e entenda o novo momento do seu cliente
Não está fácil pra ninguém. Para profissionais liberais e pequenas/médias empresas, a pandemia do coronavírus foi como aquele gancho de direita que derruba o boxeador que já vinha apanhando muito junto à lona. Se o dinheiro já estava escasso no mercado, agora ficou pior ainda. Portanto, é hora de todo mundo ceder um pouco.
Sim, nessa hora vale discutir valores de contratos, conceder descontos, fazer promoções. Se você atua na área de serviços, principalmente em segmentos no qual a entrega é mais intangível (assessorias, consultorias, etc), inclua algum tipo de bônus para o cliente, como um combo (o cliente paga por um serviço e ganha outro “de graça”).Ah, você está preocupado porque provavelmente vai trabalhar mais e ganhar o mesmo ou até menos? Sim. Mas você precisa ser pragmático: é melhor trabalhar mais do que perder clientes, certo?É válido destacar ainda que, ao conceder algum tipo de facilidade para o seu cliente, você está mostrando empatia, você está demonstrando que entende o momento difícil pelo qual o seu cliente está passando. É esse tipo de atitude que ajuda a fidelizar o consumidor e, mais do que isso, contribui para atrair novos clientes.
Cuide do seu caixa - Como mencionei no início desse artigo, levando em conta que a maioria das pequenas e médias empresas brasileiras costuma ter caixa para sobreviver por apenas 30 dias, se o seu negócio não tem uma reserva financeira para enfrentar momentos de dificuldade, provavelmente vai precisar tomar algumas medidas emergenciais para sobreviver.
Além de “apertar o cinto”, evitando gastos desnecessários na sua empresa, é hora de renegociar ou postergar dívidas com seus credores e tentar antecipar pagamentos – bares e restaurantes, por exemplo, que foram bastante impactados pela pandemia, estão vendendo “vouchers” ao seus clientes agora para serem usados após a quarentena. É o tipo de solução criativa que pode ajudar o caixa durante a crise.
Se for preciso, verifique linhas de crédito com o seu banco. Se ele não te ajudar nesse momento terrível, você já tem um ótimo motivo para migrar para a concorrência.
Digitalize a sua empresa imediatamente - Seja bem-vindo à Era Digital! Se até agora você nunca tinha se preocupado em “digitalizar” o seu negócio (ou pelo menos parte dele) porque as coisas andavam bem assim como estavam, sinto muito, mas você acaba de ser “atropelado” pela transformação digital – para dar o crédito justo, quem “atropelou” o seu negócio na verdade foi a pandemia do coronavírus, mas o fato é que ela está acelerando a transformação digital da sua empresa.
Brincadeiras à parte, a verdade é que não há mais como evitar esse movimento de digitalização do seu negócio. - Com exceção de farmácias, supermercados e alguns outros poucos tipos de negócio, a venda de qualquer produto ou serviço hoje, em plena quarentena, é feita exclusivamente pela internet. Aproveite esse momento para começar a atuar online e, após a quarentena, ter mais um canal de vendas na sua empresa. É na crise que surgem as oportunidades, amigo!
Também é o momento ideal para você começar a divulgar o seu produto ou serviço por meio de técnicas e ferramentas de marketing digital e de conteúdo, conforme vou detalhar no tópico abaixo.  
Invista em marketing digital e de conteúdo - Se a sua empresa é daquele tipo que nunca acreditou muito no poder do marketing digital e de conteúdo, que nunca teve um site ou perfis/páginas em redes sociais, lamento informar: se você não fizer nada agora para comunicar sua marca no mercado, você vai desaparecer em breve. Simples assim. Com pessoas trancadas em casa, nunca foi tão importante ter uma presença digital consistente.
É hora de investir fortemente em canais e ferramentas de marketing digital – como redes sociais, sites, blogs, e-mail marketing, vídeos e lives, entre outros – e, principalmente, produzir conteúdo relevante para o seu cliente.
Se você é proprietário de uma academia de ginástica, por exemplo, pode oferecer no seu Facebook algumas dicas de como se exercitar com segurança em casa. Ou realizar uma aula online em uma live no Youtube ou no Instagram. São “conteúdos úteis” como esses que fazem a diferença na vida do cliente e, mais do que isso, ajudam a construir ou fortalecer a reputação da sua marca. Acredite, isso será muito importante quando tudo isso passar e a vida voltar ao “normal”, mesmo que seja um “novo normal”. Sim, nada será como antes quando, daqui a alguns meses, esse “novo normal” – que ainda não sabemos bem como será – se transformar em realidade. E é exatamente por causa disso que você precisa agir agora.
Por: Stefan Ligocki é professor, palestrante, consultor