segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Efeito WhatsApp é mimimi dos que se ancoraram no passado

Destino das operadoras brasileiras foi traçado quando decidiram ignorar tendências e inovações por mais de 15 anos

 Dez milhões de linhas de celular foram canceladas este ano. É a notícia que temos lido por aí. Como em outubro último a Anatel registrou 273,79 milhões de linhas ativas, então 3.65% do total foram desativadas. Deve ser bem normal o cancelamento sistemático de uma boa quantidade de linhas ano a ano. Se foi maior agora, talvez seja pelo número total também ter sempre aumentado. Ou por algum outro fator, como uma iniciativa por parte das operadoras de finalmente eliminar linhas há muito ociosas etc. (o que não temos como saber). Tanto faz.
À parte a significância ou não da notícia, junto com ela circula uma análise que credita esses cancelamentos a uma mudança no padrão de consumo, o tal Efeito WhatsApp: a comunicação tradicional por voz está sendo substituída pelo uso de aplicativos (e ferrando as operadoras, merecidamente). Isso me lembrou que o fundador do WhatsApp procurou o Twitter e o Facebook em 2009 pra "vender" sua ideia. E foi dispensado por ambos. O resto é história.
Mas vamos refletir um pouco mais... Em 2009 o iPhone tinha dois anos. O que o cara do WhatsApp pensou e fez — e foi lá oferecer pra Facebook e Twitter — foi um novo ICQ. Um novo MSN. Um novo Skype.
Veja, não estou dizendo que o WhatsApp não teve méritos ou não era melhor que os anteriores. Claro que sim! Por isso é o que é hoje. Mas reconheçamos: era uma evolução, um novo estágio de um paradigma de comunicação instantânea já muito bem conhecido. Naturalmente, ele apresentava melhorias, como a interface, a interação etc. Não sabemos como foram as duas reuniões. Não temos como saber se ele entrou lá e falou: "Proponho uma nova versão do ICQ/MSN/Skype, só que pra smartphones, com estas e essas melhorias".Ou que ele não tenha apresentado a ideia dessa forma, mas no final ouviu do avaliador: "Então você tá propondo um novo ICQ/MSN/Skype, só que pra smartphones?" —  e esse diagnóstico depreciativo justificou o desinteresse na ideia.
O ponto é que 99% do Universo é timing. Nem toda inovação é a disruptiva. O processo de inovação não pode se resumir apenas ao risco de apostar numa disrupção (a busca cega pelo próximo monopólio), mas perpassa também a necessidade de investir no desenvolvimento da capacidade de identificar tendências e reconhecer novas etapas evolutivas de tecnologias que muitas vezes já existem e são até difundidas. (A Kodak é um exemplo emblemático do que pode acontecer com uma empresa desatenta à tendências e ao timing de algumas tecnologias.)
Entendendo isso, toda empresa pode decidir não desenvolver essa percepção pra tendências e evoluções e apostar na estratégia do risco total em disrupções: colocar mais dinheiro na incerteza das disrupções e assumir o risco de perder todo o dinheiro caso fracasse. O que ela não pode é não fazer um nem outro e depois pagar de vítima: não arriscar na disrupção e também não estar atenta a tendências e preparada pra testá-las, entendê-las e aprimorá-las. Sendo esse caso, a empresa simplesmente não tem estratégia alguma de inovação e o barco fica à mercê dos humores do caos, restando apenas o mimimi como desculpinha pro que, na verdade,  pode ser explicado por incompetência pura.
A disrupção criou alguma parte das maiores e mais conhecidas empresas de tecnologia do planeta, e tem criado centenas de unicórnios. Mas a outra parte é composta de empresas bilionárias cuja inovação foi catalisar uma nova etapa pra tecnologias já disponíveis. Como o WhatsApp. Como a Tesla e a SolarCity.
O Uber é outro exemplo. Não é uma disrupção, mas sim o empacotamento de tecnologias que existiam (mas estavam dispersas) pra atender uma demanda suprimida (que nem eles precisaram criar) e que aproveitou o momento da economia compartilhada (timing). Inovação sem disrupção. Mas inovação!
De volta ao Brasil e aos mimimis das operadoras pelo "Efeito WhatsApp": segundo nos dizem, então, o volume de faturamento estaria comprometido por culpa de um aplicativo de IM que nem Facebook e Twitter tiveram a capacidade de perceber o valor na época em que foi criado. (O Facebook comprou o WhatsApp por US$ 23 bi.) Agora me diga: será que essas quatro operadoras e seus "departamentos de inovação" (se é que existem pra além do marketing) iam arriscar e criar ou reconhecer ou investir e incentivar e desenvolver uma inovação qualquer? Ainda mais no Brasil?
Se Facebook e Twitter disseram não ao WhatsApp, quantos nãos nossas operadoras devem ter dado nestes 15 anos pós-privatização a qualquer boa ideia que cruzou o caminho delas e eventualmente poderia ajudá-las a não ser apenas um grande varejão quantitativo despreocupado com novos produtos, serviços de qualidade e atendimento decente ao cliente? Inovação nunca esteve na estratégia de negócio deles. Essa é a verdade. 
Assim os anos passam. Vem o iPhone. Passam-se dois anos. Vem o WhatsApp...

O Caso do SMS

Pra ilustrar com mais dramaticidade o quadro acima, vamos tratar rapidamente do caso do SMS no Brasil. A capacidade de envio e recebimento de mensagem de texto é um recurso inerente da plataforma tecnológica que sustenta uma rede de celulares. Não é um opcional, não é um equipamento a mais. Toda a rede da operadora porta esse recurso desde o primeiro dia de funcionamento, como todos os aparelhos de celular sempre saíram de fábrica com o potencial pra troca de SMS, do mais simples e barato ao mais sofisticado e caro. No Brasil, as quatro operadoras orquestraram um foco nos serviços de voz, os mais lucrativos. Induzindo o consumo de produtos mais rentáveis pela formatação e manipulação dos planos de voz, foram deixando de lado outros benefícios da tecnologia móvel, como o SMS. Pra não incentivar o uso de SMS, mas o de voz, cobraram caro pelo recurso e estrangularam o potencial de se manter mais próximo do consumidor ao atender sua necessidade de comunicação textual simples e rápida. Mas eles não estavam atentos e interessados numa relação mais duradoura, numa dependência mais decisiva no dia a dia do cliente. Nos últimos 15 anos foi nos cobrado muito caro pra enviar SMS. Só a partir de 2011 que as operadoras começaram a baratear um pouco o acesso ao SMS. Hoje os valores estão entre R$ 0,30 e R$ 0,60 por mensagem.
Por cerca de R$ 15 é possível ter pacotes de 300 ou 500 mensagens, dependendo da operadora. Por R$ 0,60 ao dia, algumas oferecem SMS ilimitado (cerca de R$ 18 ao mês). Esses valores parecem razoáveis, mas continuam fora da realidade, ainda mais se comparados com preços praticados no exterior. E foi como dissemos acima: por terem cobrado sempre muito caro ao longo de muitos anos, não incentivaram o uso do SMS e a tecnologia não se popularizou. Foi sendo estrangulada aos poucos. Quando os preços pra SMS começaram a melhorar há 3 anos, a tecnologia não fazia mais parte do dia a dia dos clientes. Clientes esses que já tinham migrado pra comunicação textual via smartphone+internet, pra agora estarem no VoIP e ameaçando a estratégica monológica das operadoras. Veja o caso dos Estados Unidos. Lá o SMS sempre foi acessível, por isso ainda é muito difundido: os pacotes mais populares incluem SMS ilimitado pra qualquer operadora. Quando o Facebook comprou o WhatsApp, muitos americanos não sabiam o que era e fazia o aplicativo pois ele não costuma ser popular em países que não cobram uma fortuna pelo SMS.          Veja este gráfico, pinçado de um post do Benedict Evans sobre a expansão do WhatsApp em relação ao SMS:
Basicamente, em países que cobram pouco pelo uso do SMS, os clientes costumam mandar entre 100 e 300 mensagens por mês. Nos que cobram caro, a quantidade mensal de mensagens não chega nem a 50 por cliente. Agora não dá mais tempo. Quem tem se comunicado gratuitamente por WhatsApp não vai querer pagar por SMS, mesmo que esteja mais barato. O SMS ficou pra trás. Já era. Proponho um experimento mental: imagine uma realidade paralela onde as operadoras tomaram decisões estratégicas pra beneficiar seus clientes e não apenas lucrar ao máximo em cima deles. Imagine se ali por 2005, dois anos antes da criação do iPhone, as operadoras tivessem lançado um plano de SMS ilimitado por R$ 5. Além de se comunicar por voz, qualquer um poderia trocar quantas mensagens quisesse pagando apenas isso.

Uma decisão assim teria popularizado a tecnologia e as operadoras seriam mais relevantes ao darem uma utilidade a mais pra quem tem celular, indo além da obviedade que é oferecer apenas ligações. (Isso foi mais ou menos o que o Silvio Santos fez com o SBT On-Line, quando lançou um plano ilimitado de internet no final dos anos 90 e "obrigou" todos os grandes provedores a fazer o mesmo.) Mas nossas operadoras não fizeram nada disso. Foram ineptas. Não investiram em disrupção. Não deram atenção a tendências e melhorias óbvias em tecnologias existentes, então nunca realmente as compreenderam. Não fazendo isso tudo, também não quiseram oferecer aos clientes recursos úteis que estavam a disposição, muito menos popularizá-los a preços baixos. Quiseram agradar apenas os acionistas, lucrando o máximo possível com voz.
Quando se percebe isso, entendemos que só resta ouvir o mimimi mesmo. É inevitável. Foi o destino que traçaram pra si próprias. 
Pra finalizar, dá uma sacada neste vídeo do Skype (crianças americanas e mexicanas conversam nas suas respectivas línguas nativas mediadas pela nova tradução instantânea do aplicativo): https://youtu.be/G87pHe6mP0I
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

5 Ferramentas e Conceitos Consolidados no Marketing em 2015

O ano de 2015 termina deixando a sua marca no relacionamento entre consumidores e empresas, que lançaram mão de ferramentas e se atualizaram em relação aos novos comportamentos das pessoas. 
Entre as práticas que se consolidaram nos 12 meses e propiciaram essa melhoria estão a adesão, enfim, à mídia programática e à automação e a produção de branded content em formatos diferenciados - em especial o vídeo.
O período de crise também vem obrigando as companhias a repensarem suas estratégias, de modo a obter resultados de forma otimizada e a menores custos. Essa característica está presente nos cinco conceitos e ferramentas que foram muito explorados pelo Marketing ao longo de 2015, segundo especialistas em tendências do setor. Conheça a seguir.
1- Economia compartilhada
Nos últimos anos, diversas startups originadas a partir do conceito da economia compartilhada ganharam o mundo rapidamente, balançando mercados até então consolidados - como o Airbnb e o Uber. O ano de 2015, no entanto, ficou marcado por um movimento diferente: o das empresas tradicionais que se renderam ao novo comportamento do consumidor, que cada vez mais passa a privilegiar o uso em relação à posse.

Um estudo do Mundo do Marketing Inteligência destrinchou a economia compartilhada, que também foi tema das reportagens “Economia compartilhada desafia marcas a repensarem ofertas” e “Prova de fogo para Uber, Airbnb e a economia compartilhada”. “Assistimos a uma expansão muito forte em 2015, especialmente na América Latina, vindo ao encontro de uma mudança de comportamento dos consumidores no que diz respeito à confiança em estranhos. As redes sociais contribuem para esse crescimento da confiança”, analisa Rebeca Moraes, Pesquisadora de Tendências da Trendwatching, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Entre as empresas tradicionais que decidiram experimentar a lógica do compartilhamento está aGafisa que este ano apresentou um condomínio diferente. A construtora e incorporadora incluiu no empreendimento carros, bicicletas e até apartamento compartilhados pelos moradores. O conceito Home & Share nasceu com base em estudos feitos pela Grey, com foco no comportamento do consumidor e em benchmark de outras categorias que já operam com o conceito de compartilhamento de seus bens e serviços.
2- Mídia programática e automação
O Marketing digital ganhou força e investimentos ao longo de 2015, cenário que deve se manter no ano que vem. Segundo dados compilados pelo Infobase e pela Iinterativa, essa mídia deve crescer 12,7% em 2016 e movimentar US$ 76,6 bilhões em publicidade online em 2016. Tudo isso vem propiciando avanços na adoção de ferramentas ao trabalho. “Era uma promessa já há algum tempo e, agora, as grandes agências estão todas trabalhando cada vez mais com mídia programática e automação”, diz Martha Gabriel, escritora, consultora e palestrante nas áreas Marketing digital, inovação e educação.

Empresas globais de compra e venda programada de inventários já atuam no país, por meio de leilões em tempo real. Dessa forma, a presença nos espaços publicitários na internet passa a ser regida por uma inteligência artificial que garante uma segmentação aprimorada do perfil dos usuários impactados pela mídia, impulsionando os resultados.
3- Live streaming
Um levantamento interno do Facebook mostra que o volume de postagens em vídeo na rede social cresceu 75% ao longo de 2014, no mundo. A metade dos usuários brasileiros que acessam a plataforma diariamente assistem a pelo menos um desses conteúdos por dia, percentual que representa 31 milhões de pessoas. Este ano, as marcas optaram por combinar ao formato a transmissão ao vivo, por meio de ferramentas como o Periscope, APP comprado pelo Twitter e disponibilizado desde março.

Nos primeiros 10 dias, mais de um milhão de pessoas baixaram o aplicativo em seus celulares no mundo e um número ainda maior assistiu às imagens, que são transmitidas em tempo real na rede social. No dia dois de agosto, o Periscope alcançou 10 milhões de contas abertas e mais de 40 anos de vídeos, em tempo de exibição, vistos por dia no canal. Há ainda o YouTubeLive, o Google Hangout e o mais recente Facebook Mentions Live, todos unindo três pilares: social, mobile e vídeo.
As companhias usam a plataforma para transmitir coletivas de imprensa, bastidores de eventos e outros conteúdos que estabelecem um diálogo com os mais variados stakeholders. O contexto é decisivo na escolha de qual ferramenta usar, como mostrou a reportagem “Periscope e outras ferramentas de streaming: como escolher e usar”, do Mundo do Marketing.
4- Foco no conteúdo
O ano de 2015 fica marcado também como aquele em que o conteúdo se consolidou como estratégico nas companhias. Mesmo as pequenas empresas estão buscando esse recurso para conquistar novos clientes e se manterem vivas na mente dos já existentes. O conteúdo aparece em diferentes formatos: vídeos, landing pages, e-books, storytelling e storydoing - este último abordado nareportagem Storydoing: marcas apostam no uso de pessoas comuns em ações. “Este foi o ano da consagração do Marketing de conteúdo, do branded content”, garante Martha.

5- Adesão ao WhatsApp
Uma pesquisa da eCGlobal Solutions em parceria com a eCMetrics (https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/32987/consumidores-aprovam-relacionamento-de-marcas-via-whatsapp.html) mostrou que os brasileiros estão abertos a receberem conteúdo relevante das marcas pelo WhatsApp. Entre os entrevistados, 64% gostariam de receber ofertas e promoções, 45% adorariam receber conteúdo exclusivo e 28% gostariam de receber vídeos divertidos da marca. As companhias aproveitaram o potencial da ferramenta ao longo deste ano, como havia adiantado o Mundo do Marketing em matéria que apresentou as 12 tendências para o Marketing digital em 2015.

Canal de vendas, relacionamento, consultoria, promoção, divulgação. São inúmeras as possibilidades criadas pelas companhias que esperam garantir engajamento e fidelidade entre seus clientes, como mostrou a reportagem “Muito além do SAC. WhatsApp ganha múltiplas funções nas organizações”. “No campo virtual, o atendimento e o relacionamento deram um passo além do ponto de vista da conversação. As ferramentas de Marketing online passaram a promover relações mais próximas das marcas com seus consumidores”, afirma Rebeca.
A PDG, por exemplo, utilizou a plataforma para promover a campanha “Na Ponta do Lápis”. Pelo menos seis mil clientes receberam no smartphone uma mensagem em vídeo com o ator Matheus Solano convidando-os a participar da promoção realizada pela incorporadora em março deste ano. Outra marca que também recorreu à ferramenta foi a Ninho, da Nestlé, que encaminhou vídeos personalizados para as mães, por conta do dia delas.

Por Renata Leite - http://www.mundodomarketing.com.br/

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Invente Seu Próximo Emprego

Em 2010 comecei a ler, por acaso, o livro O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi. Quase abandonei a leitura quando, ainda na introdução, descobri que o lema do autor é “O homem que trabalha perde tempo precioso”.
Absurdo, pensei, não é o trabalho que dignifica o homem? Não é para o trabalho que somos criados desde criancinhas? Maternal, pré-escola, ensino médio, vestibular, faculdade e... Trabalho?
E justo no momento em que eu estava a todo vapor em uma grande empresa de consultoria, coordenando uma equipe grande com metas ousadas, prazos apertados, orçamento idem, havia devorado alguns livros de gestão do guru Peter Drucker, assinava revistas onde apareciam na capa aqueles super executivos de 30 anos de idade com aparência de 50, me aparece esse italiano que tem como filosofia de vida trabalhar o menos possível!
Pois é, como costumava ler no metrô, no caminho para o trabalho e não havia outra atividade mais interessante a fazer, dei uma chance ao gringo e prossegui com a leitura. O resultado disso foi uma mudança radical da minha percepção sobre as relações de trabalho, a qualidade do meu tempo livre e do meu futuro profissional.
Na teoria de De Masi “o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de apostar numa mistura de atividades onde o trabalho se confundirá com o tempo livre e o estudo, exercitando o ócio criativo”.
E hoje, em plena era pós-industrial, ou era do conhecimento toda essa filosofia do ócio criativo se aplica perfeitamente e arrisco dizer que não viveremos plenamente essa sociedade da criatividade, como se referia Alvin Toffler ainda em 1998, sem as mudanças profundas nas relações de trabalho que o sociólogo italiano sugere.
O mais incrível é que a leitura do Ócio Criativo, ao invés de contrapor, complementou o livro de Peter Drucker, o pai da administração moderna, que já previa essa mudança com a substituição do poder por responsabilidade, isto é, ao invés da combinação de posição e poder, na organização do futuro a mistura tem de ser de compreensão mútua e responsabilidade. Segundo ele “está na hora de deixarmos de pensar em empregos ou carreiras como no passado e pensar em termos de assumir atribuições uma depois da outra”.
Nesta nova sociedade o poder claramente se deslocou dos donos das empresas para os donos do conhecimento inovador, o patrimônio físico, os bens materiais perderam posição para os bens imateriais, o design, a estética, os valores inovadores que dependem da criatividade. Por isso esta será a sociedade da criatividade.
E como seremos inovadores, criativos se vivemos / trabalhamos como os operários da época da revolução industrial no século XVIII? Acordamos todos na mesma hora, seguimos em procissão para o trabalho realizado, geralmente, em ambientes monocromáticos, termicamente controlados e motivados à base daquele cafezinho intragável. Almoçamos todos na mesma hora e retornamos de tarde à mesma rotina matinal até que se cumpram as horas contratuais ou além, para demonstrar comprometimento ou a convicção (equivocada) de que quanto mais tempo se passar no local de trabalho mais se produzirá.
De Masi defende que a quantidade total de ideias produzidas não é diretamente proporcional à quantidade de horas de permanência no interior da empresa. É exatamente o contrário: quanto menos se sai da empresa, menos se recebe estímulos criativos.
E é aí que o lema “O homem que trabalha perde tempo precioso” começa a fazer sentido. Quem exerce o trabalho contemporâneo ao qual fomos educados segundo o modelo americano, que só será feliz aquele que trabalhar bem (ou muito) certamente não tem tempo para desenvolver outras atividades alheias àquelas voltadas ao seu objeto de trabalho e que podem contribuir para seu desenvolvimento pessoal, sua capacidade cognitiva, enfim, sua criatividade. Na maioria dos casos o sujeito não tem tempo para cuidar da própria saúde!
Como este profissional se manterá competitivo em um mercado onde a inovação é a maior virtude? Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. A era da criatividade também será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. O trabalho já não é mais o lugar aonde você vai todos os dias, trabalho já é o que você faz, as atividades que você desempenha. As pessoas não serão mais remuneradas apenas pela presença física, cada vez mais o desempenho e a performance serão considerados.
E você? Está se preparando para viver nesta sociedade da criatividade e do empreendedorismo como um profissional do conhecimento ou um operário do século XVIII?
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O FUTURO DA GESTÃO ADMINISTRATIVA

INTRODUÇÃO -  A gestão administrativa à tempos têm sido vista como uma função social; e hoje não é diferente. Mas a pergunta é: Como promover um maior desenvolvimento social através da gestão? E, como incorporar a ela todos os benefícios dos avanços tecnológicos que estão a serviço do homem; devemos unir gestão e tecnologia visando uma transformação social constante.
No século 20 a prática administrativa dominante passou por uma grande transição democrática, sendo necessárias outras formas de gestão emergente.
Os clássicos da administração vêem passando por reciclagem do modismo gerencial atual. E embora estes valores e fórmulas gerenciais estejam em decadência; no século 21 têm sido muito pródiga em desafios requerendo novas perspectivas de gestão administrativas.
Os lideres visionários dos anos 90 perderam o controle da gestão, devido à queda dos poderes constituídos; e as organizações acabaram tornando-se cada vez mais complexas.
Vivemos o esgotamento da gestão pública; e as sucessivas crises existentes, indicam que os problemas não são apenas governamentais. Crises e catástrofes ocorrem por falta de estratégia e planejamento; ausência da dimensão social da gestão, tanto na ação de gestores governamentais e não governamentais, assim como a perspectiva dos cidadãos que utilizam os serviços públicos.
O controle deve ser considerado um fator essencial na ação gerencial. Um gestor eficiente sabe que o controle é indispensável, pois é através dele que se consegue avaliar os resultados, através da associação de dados, fatos e indicadores. O controle deve ser utilizado como meio de antecipação dos acontecimentos.
A gestão nesta nova era de renascimento, deve ser uma expressão qualificada de toda criatividade humana, e de bom senso para utilização de instrumentos de ações adequadas.
 Criatividade e instrumentalidade são hoje palavras-chave na gestão relacional; é a forma do novo agir.
Ao criar o homem exerce todo o seu potencial, configura sua vida e lhe dá um sentido.
Se a gestão não for essencialmente social, não será considerada gestão, e, talvez não haja futuro algum. Para tanto, nesta nova forma de gestão, criar e inovar é sempre preciso, desde que sejam traçadas estratégias e planejamentos sustentáveis visando a melhoria no relacionamento social.
A globalização da economia, os problemas socioambientais que vem ocorrendo em todos os cantos do mundo; o aumento da violência e da pobreza em muitos paises que antes eram considerados fortes potências econômicas, são fenômenos mundiais que contribuem cada vez mais para que haja uma profunda revisão no papel dos gestores na atualidade com uma ampla visão de ações para o futuro. Temos que refletir sobre todos estes aspectos que atingem direta e indiretamente toda a sociedade em geral, pois passamos por transformações constantemente a cada segundo.
O gestor contemporâneo, deve ter uma visão divergente sobre todas as possíveis perspectivas para o futuro. Dá-se muita importância aos valores éticos e solidários nos processos de gestão social.
Todas as questões sociais deixaram de ser preocupação somente do estado. No século passado, Mary Parker Follet, defendia o papel social dos cidadãos e das empresas; pois ela via a empresa como um serviço prestado à sociedade. Todo gerenciamento como uma função deve ter como finalidade tornar a sociedade cada vez mais justa.
É muito importante ter uma visão integral e interdisciplinar dos problemas. Atualmente as perspectivas para o desenvolvimento baseiam-se na satisfação das necessidades do presente sem comprometimento das gerações futuras. Para isso deverá ocorrer uma articulação dos atores sociais de todas as esferas, com mudanças capazes de aumentar as oportunidades sociais, a viabilidade econômica, e a condição de vida da população, integrando os eixos ambiental, social, político e econômico.
As possíveis articulações interorganizacionais são muito mais fáceis a partir da utilização dos meios de comunicação global e da difusão na participação social. Desta forma gestão e sociedade se aproximam estrategicamente para um maior e melhor desenvolvimento.
A gestão social nada mais é que um ato relacional capaz de dirigir, por meio da mobilização, na tomada de decisões, valorizando as parcerias, para alcançar um bem coletivamente planejado; é ter uma visão em conjunto que ajude nas transformações socioculturais. Por isso o gestor deve se manter vigilante e atento às mudanças e aos mecanismos de ação de auto-regulação. Toda ação deve ter uma estrutura de sustentabilidade.
O perfil deste novo gestor é ser o mediador entre o conhecimento e a prática, estabelecendo as mais viáveis transações entre as instituições, assumindo um papel fundamental nos processos de desenvolvimento social. Toda ação gestora, orienta-se por princípios de mudança e desenvolvimento para o social; o que envolve muitos desafios a serem vencidos.
Este no gestor do desenvolvimento social promove a conciliação dos conhecimentos, ética e efetividade; ou seja, ele deve ser um mediador entre as pessoas. Saber ser, interagir e agir são valores de competência de um bom gestor mutliqualificado, capaz de dar respostas eficazes à situações do dia a dia, e de enfrentar problemas de alta complexidade.
 CONCLUSÃO -  Finalizando, o gestor contemporâneo deve procurar ter sempre o controle da situação, estar sempre atendo as mudanças, ter uma maior sensibilidade e comprometimento nas relações interpessoais e interorganizacionais; deve saber usar o seu conhecimento e sua criatividade adequadamente. O controle é um fator essencial na ação gerencial, pois é através dele que podemos antecipar os possíveis acontecimentos futuros.
Por: Laize M. de Miranda L Sobrinha - http://www.artigonal.com/

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ANÁLISE SWOT APLICADA: CONCEITO E UM ESTUDO DE CASO

Análise SWOT ou Matriz SWOT é um exercício de reflexão, que nos ajuda a descobrir oportunidades e ameaças num negócio. O modelo SWOT é aplicado na análise de qualquer tipo de cenário, desde a criação de um blog até a gestão de uma multinacional.
A Análise SWOT se resume a quatro listas que devem ser elaboradas:
  1. Lista de características do negócio que o fortalecem, vantagens competitivas;
  2. Fragilidades do negócio, desvantagens;
  3. Aspectos externos positivos que se usam das forças da empresa para gerar oportunidades de melhoria;
  4. Aspectos externos que representam riscos para o cenário.
Modelo Matriz SWOT
 Origem
O termo SWOT vem do inglês: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats), sendo conhecido no Brasil também como Análise PFOA (Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças).
A matriz SWOT ganhou destaque pela primeira vez quando a Universidade de Stanford patrocinou um projeto de pesquisa, nas décadas de 60 e 70, usando dados da lista das 500 maiores empresas da revista Fortune. História da Análise SWOT.
Estudo de Caso
SWOT-exemplo-1
Dona Ana revolucionou sua sorveteria depois de identificar suas oportunidades e ameaças mais relevantes com a ajuda da Matriz SWOT.
Dona Ana faz os sorvetes em casa com amor e carinho, e embora estes sejam deliciosos, faz quinze anos que o mesmo dinheiro entra durante o verão, e 15 anos que os invernos são ingratos.
Com o conhecimento prático que Dona Ana tem de seu negócio e com a ajuda do Modelo SWOT, fica fácil entender as oportunidades e ameaças com apenas uma breve reflexão. O primeiro ponto a refletir são as FORÇAS do negócio. “Que variações no cenário fazem meu negócio prosperar? Quem é meu principal cliente?”
Bate-papo da Dona Ana com nosso consultor fictício de SWOT:

Consultor: – Dona Ana, em que situação a senhora vende mais sorvetes?

Dona Ana: – Com certeza em dias quentes, quando a sede bate a moeda cai!

Consultor: – E quem mais compra sorvete nesses dias?

Dona Ana: – Ah são as crianças. Mas no frio elas desaparecem, as mães andam com muito medo da gripe. No inverno só vendo para clientes antigos que gostam do meu sorvete caseiro.
Com essa breve reflexão chegamos ao primeiro quadro do Modelo SWOT, as Forças do negócio: a sorveteria é mais forte no calor, mas no inverno também tem uma oportunidade se a pessoa estiver com sede depois de andar o parque todo. Hoje crianças são os maiores clientes, mas também vemos que a busca por qualidade atrai clientes adultos, mesmo em dias amenos.
Depois de analisar as forças, o próximo quadro da Matriz SWOT indica que reflitamos agora a respeito das fraquezas do negócio.
As fraquezas mais óbvias são aquelas inversas as forças, por exemplo, se “dias quentes” é uma força, a dependência do clima é claramente uma fraqueza da sorveteria.
E assim como acontece no negócio da Dona Ana, olhando para as forças e fraquezas do seu negócio, as oportunidades praticamente aparecem sozinhas no papel. Continuando no exemplo da Dona Ana, ora, se vemos que adultos compram pela qualidade, então atrair um público premium faz todo sentido. Aproveitar os dias frios para vender bebidas quentes também soa óbvio depois da Análise SWOT.
Agora analise o modelo de Matriz SWOT montado abaixo, e repare como as ameaças e oportunidades de crescimento da sorveteria da Dona Ana ficam evidentes:
Análise SWOT Sorveteria Dona Ana
Depois de refletir sobre sua Matriz SWOT, Dona Ana mudou o nome da sua sorveteria, pintou as cadeiras e aprendeu a fazer um belo espresso, e seu lucro cresceu em todas estações do ano!
SWOT exemplo-2
Na análise SWOT do seu negócio, reflita profundamente sobre cada um dos quatro quadros do modelo e ordene os itens por importância. É importante que a Matriz SWOT seja frequentemente revista, como o ciclo PDCA sugere para todo seu planejamento estratégico.
A ordem do pensar da Análise SWOT pode ser usada não apenas no estudo geral do modelo de negócio da empresa, mas também em questões específicas e pontuais. Pensar, considerar, refletir, e continuar fazendo isso sempre é o que diferencia as empresas de sucesso das estagnadas.