quinta-feira, 16 de junho de 2016

Administração – Evolução, Situação Atual e Perspectivas




I – Introdução

O ensino de Administração e, a sua prática no mundo das organizações sempre esteve associado a idéia-força de melhorar o desempenho através do treinamento sistemático.

Nada mais simples de entender e nada mais complexo para ser colocado em prática efetiva.

Simples, porque as organizações – grandes ou pequenas, públicas ou privadas, lucrativas ou não lucrativas – são na essência associações de pessoas, agindo predominantemente de acordo com suas experiências, percepções e motivações, que carecem por isso de uma certa identidade de propósitos e intenções para que seus esforços produzam resultados previsíveis e desejáveis. O que pode ser obtido através de treinamento, nas suas mais variadas formas.

Complexo, no entanto, porque é meio vaga a idéia do que seja uma organização eficiente, dotado das características positivas, resultantes de consenso e aprovação.

Adicionalmente, é necessário considerar que as profissões como forma operacional de atuação no contexto de uma sociedade, aparecem e se desenvolvem em consequência de sua utilidade social. O Administrador é ou, deve ser para as organizações, o que representa o Médico para a saúde de cada um de nós.

Nesse particular, qual seria o respaldo e a proposta profissional da Administração? Qual o grau de internalização pela sociedade brasileira em particular e outras em escala global que passarão a incorporar novas demandas face a novos e complexos cenários emergentes? De  valores como eficiência, inovação, ética, racionalidade na aplicação de recursos e na obtenção de resultados que formam a base valorativa da Administração? Qual a importância e a receptividade dadas, em nossa sociedade, ao Administrador como especialista na promoção daqueles valores maximizantes de recursos naturais, humanos e especializados?

Essas questões e indagações encerram, a  um só tempo, as dificuldades e o destaque da Administração, como uma das mais importantes áreas de estudos que foi no final do século passado recente e neste novo século e milênio que se inicia. Tanto, pelo número cada vez maior de pessoas, em todos os países, que com a Administração vem se envolvendo, como pelo rítmo crescente e constante com que se vai descobrindo e constatando que, em qualquer forma de associação humana, só existe um talento capaz de transformar propostas em fatos concretos, países e regiões subdesenvolvidas em sociedades afluentes, ideais de liberdade, em instituições permanentes: o talento de natureza empreendedora e gerencial próprio do administrador.

É natural, portanto que, a preocupação com o ensino de Administração tenha aparecido muito cedo na história de quase todos os países. Embora, cada um tenha cumprido uma evolução própria, até alcançar as soluções compatíveis com suas necessidades. Algumas soluções mundialmente  conhecidas, seguidas e celebradas.

As Três Eras da Administração do Século XX

Era Clássica
1900 – 1950
. Inicio da Industrialização
. Estabilidade
. Pouca mudança
. Previsibilidade
. Regularidade e certeza
. Administração Científica
. Teoria Clássica
. Relações Humanas
. Teoria da Burocracia
Era Neoclássica
1950 – 1990
. Desenvolvimento Industrial
. Aumento da mudança
. Fim da previsibilidade
. Necessidade de inovação
. Teoria Neoclássica
. Teoria Estruturalista
. Teoria Comportamental
. Teoria de Sistemas
. Teoria da Contingência
Era da Informação
Após 1990
. Tecnologia da Informação
. Globalização
. Ênfase nos serviços
. Aceleração da mudança
. Imprevisibilidade
. Instabilidade e incerteza
Ênfase na:
Produtividade
Qualidade
Competitividade
Cliente
Globalização
Fonte: Chiavenato, I. 2.000:657



II – O Ensino da Administração no Brasil

No Brasil, as preocupações com o ensino de Administração chegaram muito tarde. Muitos autores indicam que a instalação de cursos de Administração no Brasil é contemporânea à instalação da grande empresa multinacional (a partir da década de 1940). Realmente, há uma coincidência histórica no período de ocorrência  desses eventos. Por exemplo, é da época da implantação da grande empresa multinacional no país que datam experiências como “a contribuição pioneira do Pe. Sabóia de Medeiros, ao criar em São Paulo, ao final da década de 1940, a Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN)”. Mais ou menos a mesma época a iniciativa  de Armando Salles de Oliveira, ao criar o Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT). Em 1946, a criação do Instituto de Administração da USP. Hoje, seguramente, um dos principais centros sul-americanos, junto com a COPPEAD/UFRJ; EAESP/FGV e PPGA/UFRGS, de vanguarda na área do estudo, desenvolvimento e disseminação da ciência administrativa.

Em 1952, a criação da Escola de Administração Pública (EBAP), no Rio de Janeiro e, em 1954, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), ambas pertencentes a Fundação Getúlio Vargas (FGV) com o apoio da ONU e outros organismos dos USA. Assim, se dos USA nos veio o problema – a necessidade do ensino da administração – também nos chegaram as medidas tendentes à resolve-lo. Buscou-se junto aos USA, todo o conjunto de informações que possibilitassem a formação da categoria necessária. Trouxeram-se professores americanos, produziram-se textos, casos e material de ensino de Administração para o Brasil. Conservando-se grande parte das conclusões americanas, sem a necessária adaptação as especificidades brasileiras do ponto de vista social, cultural e econômica.

A profissão de “Técnico em Administração”, como espaço legal e profissional tem no Brasil, 36 anos (Lei N. 4.769/65) e o especialista da área só venceu sua crise de identidade, ganhando um nome certo – ADMINISTRADOR -  a pouco menos de 16 anos (Lei N. 7.321/85).

Migramos portanto, ou estamos migrando de uma visão singularmente técnica do papel do Administrador para uma visão e papel multi e interdisciplinar/funcional. Hoje exige-se do Administrador possuir e combinar as seguintes habilidades necessárias e indispensáveis na função de gestor de organizações:

Habilidade Técnica – é a capacidade de aplicar conhecimentos técnicos, métodos e equipamentos necessários à execução de tarefas específicas. É adquirida através da experiência, da educação e do treinamento.

Habilidade Humana – é a capacidade e o discernimento para trabalhar com e por meio de pessoas, incluindo o conhecimento do processo de motivação e a aplicação eficaz da liderança.

Habilidade conceitual – é a capacidade de compreender a complexidade das organizações como um todo e onde cada área específica se enquadra nesse complexo. Permite agir de acordo com os objetivos globais da organização, e não em função de metas e necessidades imediatas do próprio grupo.
        
Hoje, como resultado das reflexões e ações ocorridas em diferentes momentos, capitaneadas pelo sistema Conselho Federal de Administração – CFA; Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – Angrad, com a colaboração e apoio do Ministério da Educação e Cultura – MEC, há um esforço do Sistema de Ensino Superior em Administração do Brasil (faculdades e universidades) em perseguir e  alcançar  de forma crescente e consistente a formação do Administrador com tais características  e habilidades.

Com base nas proposições apresentadas no documento Diretrizes Curriculares para o Curso de Administração, que atualmente encontra-se em tramitação e apreciação no Conselho Nacional de Educação – CNE, para aprovação, vamos, para fins de reflexão, agregar mais elementos referentes ao perfil e habilidades indispensáveis ao Administrador.


O que se pretende alcançar

O perfil que o processo pedagógico deve garantir que o graduando demonstre ao final do curso, necessariamente, envolve:

internalização de valores de responsabilidade social, justiça e ética profissional;
formação humanística e visão global que o habilite a compreender o meio social, político, econômico e cultural onde está inserido e a tomar decisões em um mundo diversificado e interdependente;
formação técnica e científica para atuar na administração das organizações, além de desenvolver atividades específicas da prática profissional em consonância com as demandas mundiais, nacionais, regionais e locais;
competência para empreender, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações;
capacidade  de atuar em equipes multidisciplinares;
capacidade de compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento da autoconfiança.

As habilidades que contribuem para a formação do perfil do profissional desejado envolvem:

habilidade de comunicação interpessoal e expressão correta nos documentos técnicos específicos e de interpretação da realidade das organização;
habilidade de utilização de raciocínio lógico, crítico e analítico, operando com valores e formulações matemáticas e estabelecendo relações formais e causais entre fenômenos:
habilidade de interagir criativamente face aos diferentes contextos organizacionais e sociais;
habilidade de demonstrar compreensão do todo administrativo, de modo integrado, sistêmico e estratégico, bem como de suas relações com o ambiente externo;
habilidade de lidar com modelos de gestão inovadores;
habilidade de resolver situações com flexibilidade e adaptabilidade diante de problemas e desafios organizacionais;
habilidade de ordenar atividades e programas, de decidir entre alternativas e de identificar e dimensionar riscos;
habilidades de selecionar estratégias adequadas de ação, visando a atender interesses  interpessoais e institucionais;
habilidade de selecionar procedimentos que privilegiem formas de atuação em prol de objetivos comuns.

O que deve ser ensinado

A Resolução N. 02, Conselho Federal de Educação (CFE) de 04 de outubro de 1993, estabelece que os conteúdos adotados como objeto de trabalho para o desenvolvimento das habilidades envolvem matérias de formação básica e instrumental, matérias de formação profissional e tópicos emergentes.

A origem e construção do conhecimento administrativo apresenta diferentes vertentes e contribuições. Iniciemos pelos filósofos [ Sócrates (470 ª C. – 399 ªC); Platão (429 ª C. – 347 ªC); Aristótales (384 ªC. –322 ª. C.; Miccolo Machiavelli (1.469 – 1.527); Francis Bacon (1.561-1626); René Descartes (1.596-1650); Thomas Hobbes (1.588-1.679); Jean-Jacques Rousseau (1.712-1.778); Karl Marx (1.818-1.883)]. A influência da organização da Igreja Católica, nos ensina por exemplo que sua organização hierárquica  é tão simples e eficiente que sua enorme organização mundial pode operar sob o comando de uma só cabeça executiva: o Papa, cuja autoridade coordenadora lhe foi delegada de forma mediata por uma autoridade divina superior. A influência militar com a colaboração dos conceitos de: unidade de  comando, linha, centralização, descentralização, estratégia. Nunca devemos esquecer que as organizações operam numa arena de guerra. Conhecer a vida e a obra de figuras como: [Napoleão Bonaparte (1.769-1.821); Frederico II, o Grande (1.712-1.786); Karl von Clausewitz (1.780-1.831)]. A influência da Revolução Industrial onde foi gestada a Administração na forma como hoje a conhecemos. É impossível apreender e compreender a essência da Administração sem compreender o que representou a Revolução Industrial. A influência dos Economistas Liberais, principalmente de figuras como: [ Adam Smith (1.723 – 1.790) e Joseph Schumpeter (1911)]. A influência dos Pioneiros e Empreendedores nas figuras por exemplo de: [John David Rockefeller (1.839 – 1.937); Adolf von Bayer (1.835 – 1917)]. A influência do eng. Mecânico Frederick Winslow Taylor (1.856-1915), considerado o fundador  da Administração Científica e  Henri Fayol (1.841 – 1.925). A influência do psicólogo George Elton Mayo (1.880 – 1.949) por ter liderado a Experiência de Hawthorne. A influência do sociólogo Max Weber (1.864 – 1.920) com seus estudos sobre burocracia e tipos de sociedade e autoridade. A influência da matemática com as contribuições, entre outras, da Teoria dos Jogos proposta pelos matemáticos Johann von Neumann (1.903 – 1.957) e Oskar Morgenstern (1.902 – 1.962). A influência da biologia pela notável contribuição do biólogo L. von Bertalanffy, pelas idéias contidas na Teoria Geral dos Sistemas (1.950).

Todas essas vertentes, por si só, dispensam enfatizar a importância das matérias de formação básica e instrumental para o Administrador como a Sociologia, Psicologia, Matemática, Informática, Filosofia, Estatística, Economia, Direito e Contabilidade.

Infelizmente, não se sabe ainda, se é por desinformação, falta de articulação de conteúdos, baixa aderência de alunos e professores ou despreparo geral. Tais conteúdos em muitas de nossas escolas de Administração são apresentados e desenvolvidos de forma superficial e inconsistente. Temos comentado com diferentes públicos que um dos maiores desafios atuais para o ensino e domínio da ciência administrativa para uma posterior prática correta, é superar a postura de superficialidade com que são tratadas e desenvolvidas as matérias de formação básica e instrumental de nossos cursos de graduação. Entretanto esses desafios, junto com as matérias de formação profissional (Teorias da Administração, Mercadologia, Recursos Humanos, Finanças e Orçamento, Produção e Logística) e Tópicos Emergentes que envolvem hoje temas como: ética, globalização, ecologia e meio ambiente, constituem um cenário promissor de desafios e novas perspectivas. O conjunto de ações e políticas contidas no bojo das Diretrizes Curriculares para o Curso de Administração e sua operacionalização efetiva pelos agentes da educação superior (universidades e faculdades), sinalizam uma visão consistente para as perspectivas e possíveis tendências a seguir prospectadas.

III – Perspectivas

Seguramente, nos próximos anos, assistiremos  o fim da forma organizacional de hoje (a organização burocrática) e veremos o surgimento de novos sistemas mais adequados às demandas da pós-industrialização. Resultado de: a) Mudanças rápidas e inesperadas, principalmente no campo do conhecimento, impondo novas e crescentes necessidades a que as atuais organizações não têm condições de atender. b) Crescimento no tamanho das organizações, que se tornam complexos e internacionais. c) Atividades novas que exigem pessoas de competências diversas, criatividade e altamente especializadas, envolvendo problemas de coordenação e, principalmente, de acompanhamento das rápidas mudanças.

Os Paradigmas das Novas Organizações

Modelo do Século XX
Aspectos
Protótipo do Século XXI
Divisão de trabalho e cadeia escalar de hierarquia
Organização
Rede de parcerias com valor agregado
Desenvolver a maneira atual de fazer negócios
Missão
Criar mudanças com valor agregado
Domésticos ou regionais
Mercados
Globais
Custo
Vantagem competitiva
Tempo
Ferramenta para desenvolver a mente
Tecnologia
Ferramenta para desenvolver colaboração
Cargos funcionais e separados
Processo de trabalho
Equipes de trabalho interfuncionais
Homogênea e padronizada
Força de trabalho
Heterogênea e diversificada
Autocrática
Liderança
Inspiradora
Fonte: Chiavenato, I. 2.000:689


Como ficará a Administração? Seu ensino? Seu aprendizado? Sua aplicação no mundo real das organizações?

Certamente, por suas caracteristicas multi e interdisciplinar ela não ficará isolada nesse dinâmico e conturbado contexto globalizado. As especialidades clássicas dentro da Administração como Recursos Humanos, Produção, Marketing, Finanças, etc. deverão cada vez mais serem tratadas em sua verticalidade (especialização) e na sua horizontalidade. A interdisciplinaridade deve, definitivamente marcar a substituição da especialização pela generalização. Não a generalização irresponsável,  descomprometida e superficial com as múltiplas e complexas variantes especializadas. Mas a capacidade de escolher o caminho certo na hora certa. Portanto, não é o conhecimento especializado – por certo necessário em toda atividade de natureza, no caso administrativa e, em muitas outras áreas – que conta, mas a combinação com uma série de competências generalizadas e aparentemente fluidas. Ou seja, todo especialista de primeira linha é também no fundo um bom generalista. À Administração cabe a missão de construir a si própria no espaço e no tempo a identidade comum, capaz de orientar a atuação de todos os membros da organização quanto ao presente e futuro.  


Por si, hoje a tarefa de administrar apresenta variáveis e situações incertas e desafiadoras. O cenário que se projeta é de um sem-número de variáveis e transformações carregadas de ambiguidades e de incertezas. O Administrador se defrontará com problemas multifacetados e cada vez mais complexos com sua atenção disputada por eventos e por grupos situados dentro e fora da empresa que proporcionarão informações contraditórias, complicando o seu diagnóstico perspectivo e a sua visão dos problemas a resolver ou das situações a enfrentar. São exigências da sociedade, dos clientes, dos fornecedores, dos agentes regulamentadores. São os desafios dos concorrentes, as expectativas da alta administração, dos subordinados, dos acionistas, dos governos, das organizações não-governamentais.

Todas essas exigências, desafios e expectativas exigirão do Administrador uma combinação adequada e consistente das habilidades técnicas, humanas e conceituais, ora de cunho especializado, ora de cunho generalista.

A Administração, por e através de seus agentes cada vez mais, necessitará compreender as normas, valores e visões do mundo dos colaboradores diretos, grupos, unidades e de toda a organização. A compreensão de tais questões, formam a base a partir da qual se prescruta  o futuro e se decide sobre os novos conhecimentos que são legítimos e os que não são. Trata-se portanto, de algo que ultrapassa a mera referência à visão/missão da organização, descrição de postos de trabalho, organograma e ferramentas a serviço da organização. As pessoas participam e contribuem para o seu conhecimento, para o conhecimento da organização onde trabalham, para a família, a igreja, o clube social, etc. Todas essas experiências de mão dupla, influenciam a maneira de ser da organização onde trabalham e vice-versa.

A inovação e a criatividade organizacional constituir-se-ão no vetor da Administração. Serão tão importantes para a Administração quanto é hoje considerado o processo administrativo de planejar, organizar, dirigir e controlar.

Caberá a Administração, tornar o conhecimento cada vez mais produtivo. Uma coisa é certa. Esse capital intangível provocará na estrutura de cargos, nas carreiras e nas organizações, mudanças tão dramáticas como as que resultaram na mudança da produção artesanal para a produção em série com a Revolução Industrial, operacionalizada por Taylor e seus seguidores.

Nossas escolas de Administração deverão desenvolver de forma crescente e consistente competências de longo prazo para preparar o Administrador  polivalente/generalista/especialista, o cidadão socialmente responsável e o administrador político, comprometido com o bem-estar coletivo. Isto porque, diante do modelo de especialização flexível e dos novos conceitos de produção, em que a divisão técnica do trabalho se tornou menos evidenciada, com a integração do trabalho direto e indireto e a integração entre produção e controle de qualidade, onde o trabalho em equipe passou a substituir o trabalho individualizado e as tarefas do posto de trabalho foram eclipsadas pelas funções polivalentes, o conteúdo e a qualidade do trabalho do Administrador modificaram-se.

O desenvolvimento do conteúdo informativo das atividades profissionais, a difusão das ferramentas de tratamento de informação e sua inserção em uma rede de informações e comunicação, desaparecerão progressivamente com as fronteiras tradicionais entre outros setores ( produção, armazenagem, distribuição), favorecendo a mobilidade entre os empregos, até agora separados em categorias isoladas. Assim, o trabalho estará crescentemente mais abstrato, mais intelectualizado, mais autônomo, coletivo e complexo. Cada vez mais, as funções diretas e indiretas estarão sendo incorporadas pelos sistemas técnicos e o simbólico se interpondo entre o objeto e o conteúdo do trabalho. O próprio objeto do trabalho, torna-se imaterial. Numa nítida constatação da migração de uma atividade centrada na competência técnica para uma competência interpessoal e conceitual.

As tarefas estarão se tornando crescentemente indeterminadas pelas possibilidades e usos múltiplos dos próprios sistemas e a tomada de decisões passa a depender, cada vez mais, da capacitação de uma multiplicidade de informações obtidas através de redes informatizadas. O trabalho repetitivo, prescritivo é substituído por um trabalho de arbitragem em que é preciso diagnosticar, prevenir, antecipar, decidir e interferir em relação à uma dada situação concreta de trabalho. A natureza deste tipo de trabalho reveste-se da imprevisibilidade das situações nas quais o Administrador ou o coletivo de Administrador, têm que fazer escolhas e opções todo o tempo, ampliando-se as operações mentais e cognitivas envolvidas nas suas atividades.

A passagem da democracia representativa para a democracia participativa, influenciará, significativamente, os membros da organização em todos os seus níveis. As organizações precisarão adotar um modelo de equalização do poder em substituição ao modelo atual de diferenciação hierárquica, para reduzir as diferenças impostas pela hierarquia de autoridade. A revolução política ora em curso nos países mais avançados, está implícita na seguinte afirmação: “ as pessoas cujas vidas são afetadas por uma decisão, devem fazer parte do processo que constrói esta decisão”. Essa passagem da democracia representativa – na qual as pessoas escolhem pelo voto aqueles que irão representá-las no processo decisorial da vida política de um país- para a democracia participativa- na qual as pessoas serão consultadas a respeito de suas opiniões e pontos de vista, de suas convicções e expectativas- é um dado importante na vida de alguns países e já vem ocorrendo no Brasil. A sociedade e a nação de hoje tendem ao pluralismo. Cada tarefa importante é confiada a uma grande instituição, organizada para durar sempre e ser dirigida por Administradores. Essa nova sociedade pluralista, dal qual estamos construindo, constituída por uma infinidade de instituições, traz desafios políticos, filosóficos e sociais que ultrapassam a compreensão dos Administradores.

O Terceiro Setor, ou setor sem fins lucrativos, deverá ser aquele que mais crescerá nas sociedades desenvolvidas deste novo século XXI.  É ali que a Administração Sistemática, aprendida e construida nas Faculdades e Universidades, baseada na teoria e guiada por princípios universalmente testados e aprovados, pode render maiores resultados em menos tempo. Basta pensar nos enormes problemas e desafios com que o mundo se defronta – pobreza, saúde, segurança, educação, tensões internacionais – que a necessidade de soluções administrativas e eticamente construídas se tornam  claras e urgentes.

Aos que estudam, desenvolvem e praticam  Administração, caberá uma participação significativa no desenvolvimento da idéia de solidariedade. A administração por essência envolve participação e parceria para que as coisas possam acontecer. A grande palavra do século XXI deverá  ser a solidariedade. O profissional não pode estar alheio a este fato. A globalização tem efeitos tremendamente espetaculares, o que pode aumentar nossa riqueza na comunicação, nos conhecimentos que estamos desenvolvendo, na geração do conhecimento. Porém, esses processos também conduzem ao aumento de desigualdades sociais e nisto a questão da cidadania, a reação do profissional com a cidadania é cada vez mais importante. Demasiadamente influenciadas pela eficiência econômica, os profissionais muitas vezes se esquecem de que têm que buscar a igualdade social em suas gestões, têm que buscar, também, fortalecer a cidadania e fortalecer a igualdade social.

Outro grande desafio do século XXI será o multiculturalismo. O profissional de Administração não será alguém que tenha a multiculturalidade, mas que precisamente aproveite a multiculturalidade para enriquecer socialmente as organizações de que participa. Para compreender a dimensão desse desafio e saber explorá-lo construtivamente como é importante compreender sociologia, antropologia, política... para poder transitar entre diferentes realidades sociais e culturais neste mundo globalizado!

A Administração está percorrendo caminhos para constituir-se tanto em “ciência” como em “arte” e “técnica”. Há em Administração princípios, teorias, instrumentos e técnicas. Está emergindo uma linguagem comum da Administração e talvez até haja uma disciplina universal. Sem dúvida alguma, há uma função genérica mundial que chamamos de “administração” e que atende a mesma finalidade em toda e qualquer sociedade desenvolvida. Como decorrência, a Administração também é uma cultura de valores e crenças. Pode ser considerada a ponte entre uma civilização que está se tornando mundial e uma cultura que manifesta tradições, valores, crenças e patrimônios divergentes. A Administração precisa tornar-se cada vez mais um instrumento pelo qual a diversidade cultural passa a atender as finalidades comuns da humanidade. Porém, ao mesmo tempo, a Administração está sendo cada vez mais exercida dentro das fronteiras de uma única cultura, legislação ou jurisdição nacional. A Administração deve e pode, tornar produtivos os valores, as aspirações e as tradições do indivíduo, da comunidade e da sociedade, para atender a uma finalidade produtiva comum. Se a Administração não tiver êxito em colocar a funcionar o patrimônio cultural específico de um país, de uma região, de uma comunidade, não pode ocorrer o desenvolvimento social e econômico.

A Administração se tornará, rapidamente, junto com a tecnologia, o recurso estratégico dos países desenvolvidos e a necessidade básica daqueles em desenvolvimento como o Brasil. Por constituirem-se em alvo de interesse específico de um setor, isto é, das instituições econômicas da sociedade, não só a Administração como também, os Administradores, estão se tornando segmento genérico característico constitutivo da sociedade desenvolvida. O que a Administração e os Administradores fazem, tornar-se-á, portanto e apropriadamente, cada vez mais uma questão de interesse público e não um assunto reservado aos “peritos”. A Administração se preocupará, cada vez mais, com a manifestação de crenças e valores, tanto quanto com a acumulação e conservação de resultados economicamente mensuráveis. Defenderá, cada vez mais, a qualidade de vida de uma sociedade quanto o seu padrão de vida.

Todavia, a mais importante mudança que o futuro reserva para a Administração é que, nos países desenvolvidos, as aspirações, os valores e, de fato, a sobrevivência, mesmo da sociedade, virão a despertar, cada vez mais, do desempenho, da competência e dos valores dos Administradores. A importante tarefa que está reservada à próxima geração é, portanto, tornar produtivas, para o indivíduo, à comunidade  e à sociedade, as novas instituições organizadas de nosso novo pluralismo. E, isso, é o que constitui acima de tudo, o novo papel da Administração, fundado na Ética, na Democracia, na Participação, no Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado, no respeito à Vida, no Pluralismo e na participação de todos dos resultados e bens da humanidade.

Por: Luiz Tatto - http://www.urutagua.uem.br/

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Empreendedorismo na Administração Pública

Gestão Pública Empreendedora
Ser empreendedor não é só ter seu próprio negócio. O empreendedorismo deve fazer parte de todas as áreas de atuação de negócios, sejam no comércio, indústria, serviços públicos, terceiro setor.
Ser empreendedor é assumir o papel de líder e trabalhar com a mente voltada para o sucesso da empresa e, principalmente, para a obtenção da satisfação pessoal através dos resultados obtidos. 
É ser proativo, ou seja, estar sempre um passo a frente dos demais. Ter idéias novas, ser flexível e não ter medo de arriscar.
É fazer acontecer, liderar, ter um rumo, ter iniciativa, autoconfiança, ser um “otimista realista”, ter perseverança, intuição, senso de oportunidade, senso de urgência. 
É saber aprender com os erros e com os bons exemplos; é fixar metas e alcançá-las.
  • Apesar do nome, o empreendedorismo não é privilégio das empresas. 

E para ser empreendedor não precisa ser dono ou chefe. O empreendedorismo pode e deve acontecer também no setor público e não repousa apenas nos ombros dos mandatários. 
O setor público impregnado de empreendedorismo gera crescimento e desenvolvimento, isto é, melhora os indicadores econômicos e eleva o padrão de vida das pessoas naquilo que interessa: segurança, saúde, educação, cultura, conforto, sofisticação.
O empreendedorismo está exercendo forte influência no setor público no Brasil, significando que há políticos empreendedores comprometidos com a cidadania. Não são empreendedores de si mesmos e seus bolsos, mas da coletividade. 
Apoios para esses bons brasileiros já existem. Um exemplo está no SEBRAE. A iniciativa motiva os prefeitos que fortalecem e incentivam o desenvolvimento das micro e pequenas empresas por meio de ações empreendedoras.
O SEBRAE analisa o planejamento e estruturação do município para o desenvolvimento; o estímulo à formalização de micro e pequenas empresas, a desburocratização, a desoneração tributária, a disponibilização e melhoria de infraestrutura municipal, o estímulo às compras governamentais, ao crédito e capitalização, o estímulo à tecnologia, à capacitação e ao cooperativismo e associativismo, bem como as políticas de sustentabilidade ambiental. 
Quem faz isso está fazendo Gestão Pública Empreendedora!
Interessante notar que, além do foco nas micro e pequenas empresas, são bem avaliadas as ações que apresentam resultados mensuráveis e que possam ser copiadas em outros municípios. Aqui está o cerne da cidadania. 
Não há como negar o legítimo direito e dever dos bons líderes políticos em criar coisas boas para seus Estados e suas Cidades e Regiões.
Contudo, diferentemente das empresas, no meio público e social, o que dá certo deve ser copiado. Com os devidos reconhecimentos. Isso faz parte da cidadania.Fonte: www.cassao.eti.br/portal/empreendedorismo
Enfim, o tema "Gestão Pública Empreendedora" passa a ser de todos os cidadãos e toda coletividade. Pois virá como paradigma de favorabilidade aos serviços públicos, como modernização gerencial e otimização de gastos públicos.
Por Mauro Nunes - http://www.mauronunes.com.br/

terça-feira, 14 de junho de 2016

"Tem coisas que só acontecem com o Botafogo".

Um torcedor do Botafogo de Futebol e Regatas entrou na nova onda do Facebook e falou 25 fatos sobre o Glorioso! Confere aí!

1 - No atual elenco, Jefferson é o jogador que mais vestiu a camisa alvinegra. O camisa 1 já entrou em campo 427 vezes pelo Botafogo;


2 - Nilton Santos é o jogador que mais vezes vestiu a camisa alvinegra. A Enciclopédia do Futebol jogou pelo Glorioso em 721 oportunidades;

3 - 313! Esse é o número de gols que Quarentinha marcou com a camisa do Botafogo. O ex-atacante é o jogador que chegou as redes mais vezes pelo Fogão;

4- Mesmo marcando tanto, Quarentinha não comemorava, pois dizia que era apenas o seu trabalho;

5 - 47! O Glorioso é o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo;

6 - Nilton Santos;

7 - Garrincha;

8 - Um dos principais símbolos do Botafogo, o Manequinho começou a ser associado ao clube quando um torcedor vestiu a escultura com a camisa alvinegra na comemoração do título do Campeonato Carioca de 1957;

9 - Em 2008, uma revista japonesa escolheu o escudo do Botafogo como o mais bonito do mundo;

10 - O Botafogo foi o último time a colocar mais de 100.000 torcedores no Maracanã, na final da Copa do Brasil, em 1999;

11 - O Botafogo tem três jogadores na Seleção de todos os tempos da FIFA. São eles Garrincha, Nilton Santos e Didi.

12 - O Botafogo foi reconhecido pela FIFA como o 12º maior clube do Século XX;

13 - Mesmo jogando pelo Figueirense, Loco Abreu beijou o escudo do Botafogo durante uma partida contra o Flamengo;

14- Na primeira partida oficial do clube, ele ainda se chamava Botafogo Football Club; 

15- O Botafogo é o único time carioca a vencer um título internacional dentro do Maracanã;

16 - O Dia do Botafogo é 16 de maio. A data foi escolhida como forma de homenagear Nilton Santos, nascido em 16 de maio de 1925;

17- No dia do aniversário de 77 anos do Flamengo, o Botafogo goleou o rival por 6x0 com 3 gols de Jairzinho;

18- Entre 1977 e 1978, o Botafogo ficou 52 jogos invictos. Até hoje, esse foi o recorde do futebol brasileiro;

19- Na inauguração do Nilton Santos, o Botafogo venceu o Fluminense por 2x1 com dois gols de Dodô;

20- Uma revista argentina elegeu o Botafogo o 6º clube mais azarado do mundo;

21- O Botafogo completou 21 anos sem vencer nenhum título. No dia 21/06/1989, Mauricio marcou o gol da vitória contra o Flamengo na final do Campeonato Carioca e quebrou essa escrita;

22- O presidente do Botafogo Carlito Rocha colocava em campo um cachorro chamado Biriba para acalmar as partidas em que o clube tomava pressão do adversário;

23- Até hoje, o cachorro é um símbolo da torcida alvinegra;

24 - O Botafogo protagonizou a maior goleada da história do futebol brasileiro: 24x0 contra o Mangueira, pelo Campeonato Carioca de 1909;

25- "Tem coisas que só acontecem com o Botafogo".

Copiado: Esporte Interativo

segunda-feira, 13 de junho de 2016

10 Passos para Organizar as Finanças em Caso de Desemprego

De acordo com dados divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil já tem uma população desempregada que soma 10 milhões, e a estimativa é que alcance os 12 milhões até o fim do ano. Frente a essa situação, é imprescindível falar sobre como o brasileiro deve agir, caso esse problema o atinja.
Mas, se para quem está empregado existe o medo, para quem perde o emprego a situação é praticamente de desespero. Contudo, faço um grande alerta: nessa hora, é preciso estar centrado, por mais que possa parecer impossível. Sempre afirmo que é com os tombos que aprendemos a andar; assim, é hora de buscar uma restruturação financeira, para atravessar esse período e, posteriormente, estar prevenido para imprevisto. Veja algumas orientações:

  • Pagar dívidas imediatamente? – caso perca o emprego, qual deve ser a primeira ação? Se estiver endividado, por mais que pareça correto querer quitá-las com o dinheiro do fundo de garantia, isso pode ser um erro, pois, se usar muito deste dinheiro, estará sob o risco de ficar sem receitas para cobrir gastos à frente. Então, planeje-se melhor em relação a esses valores antes de qualquer medida.
  • Crie uma reserva emergencial – o desempregado tem de ter dinheiro guardado, para as despesas, mas, eventualmente, para investir também num curso e retomar a carreira. A primeira medida a ser tomada é reter os valores ganhos de fundo de garantia, seguro desemprego e férias vencidas. Esse dinheiro só deverá ser mexido após ser estabelecida uma estratégia.
  • Analise sua realidade – é fundamental que tenha total domínio de seus números nesse momento, portanto, se deve saber o valor que possui guardado e somar com o que será ganho. Também deverá fazer um levantamento de todos os gastos mensais, minuciosamente, desde cafezinho até parcela da casa própria, nada deve passar despercebido. Em caso de dívidas e parcelamentos, esses devem ser também somados.
  • Congele ferramentas de crédito – cartões de crédito, cheque especial, cartão de lojas e outras ferramentas de crédito fácil devem ser prioritariamente esquecidas de sua vida; evite mesmo em caso de emergência, pois, caso não consiga pagar esses valores, os juros serão exorbitantes, criando um caminho de difícil volta.
  • Faça uma faxina financeira – o que realmente é prioridade para a sua vida? Pense muito bem nessa questão, pois chegou a hora de cortar muitos gastos que não agregam à vida. Gastos que devem ser repensados pode ser de TV a cabo, celulares e smartphones, balada e ida a restaurantes, água e energia e outros pequenos gastos. Priorize o que é realmente é fundamental nesse período.
  • Mude seu padrão de vida – sei que pode parecer difícil, pois já se acostumou com um monte de regalias, mas é hora de reestruturação, e não de manter a pose. Nos momentos de dificuldade, a humildade é um diferencial. Então, o primeiro passo para mudar sua realidade é aceitar que seu padrão de vida mudou, e não viver de aparências.
  • Negocie as dívidas – ainda falando de humildade, chegou a hora de buscar os credores e ser o mais franco possível, mostrar que não quer se tornar inadimplente, mas que também não possui condições de pagamento, buscando assim diminuir os juros e esticar os débitos. Lembrando sempre de priorizar dívidas com juros mais altos e com bens de valor como garantia.
  • Fuja dos exploradores – infelizmente, por mais que seu momento seja de desespero, existem pessoas mal-intencionadas prontas para se aproveitarem dos seus temores. Não permita abusos; muitos tentarão tirar proveito de sua fraqueza para tentar obter vantagens. Evite promessas e garantias descabidas. Às vezes, é melhor estar com o nome sujo do que ser explorado pelas pessoas.
  • Busque fazer bicos – por mais que não seja em sua área de atuação, busque fontes alternativas de ganhos. Chegou a hora de deixar o orgulho de lado e buscar garantir um mínimo de renda, por mais que não seja em sua área de atuação.
  • Levanta e sacode a poeira – agora é hora de buscar o mais rápido possível a recolocação profissional. Use seu network, se posicione como alguém que está à espera de oportunidades no mercado. Lembre-se, as oportunidades geralmente aparecem para quem está atrás dela. Esqueça o desânimo, levante a cabeça e olhe para o futuro.
Copiado: http://www.administradores.com.br/

sexta-feira, 10 de junho de 2016

A Carreira em Recursos Humanos não é para pessoas “LEGAIS”

Hoje li aqui no Linkedin o artigo "A Human Resources Career is Not for “Nice” People" e achei tão interessante, que decidi traduzi-lo para que mais pessoas possam ter acesso a ele.
A visão do autor do artigo vai ao encontro do que é amplamente falado: RH tem que ser estratégico, mesmo que para isso não seja exatamente "legal" ou agrade a todos na empresa.
Eu mesma vejo muito em publicações tanto aqui no Linkedin quanto no Facebook de pessoas que optam por essa carreira por "gostarem de pessoas" ou, pior ainda, "por não gostar de cálculos" e não analisam se possuem, de fato, as competências necessárias para a área. 
Com o passar dos anos, frequentemente jovens talentos pedem para que eu seja seu mentor, porque eles querem trabalhar em Recursos Humanos. Eu adoro ser mentor, mas eu gosto por causa das razões certas. Então, eu normalmente faço a pergunta: “Por que você quer trabalhar em RH?”. Muitas vezes, a resposta é algo parecido com “Eu amo trabalhar com pessoas, desenvolvendo-as e ajudando-as”. Para o que eu costumo responder “Se é o que você quer fazer, então você deveria trabalhar em operações ou gerência geral, não em RH”. Geralmente essa é uma resposta que choca, mas eu sou honesto. A percepção errônea de que o RH é um lugar “legal” para trabalhar porque trabalha  com pessoas é dominante, e normalmente leva o tipo errado de talento para essa função.
Para ser honesto, ser legal é normalmente uma expectativa e um requisito para trabalhar no RH. É difícil para as pessoas imaginarem que seus colegas de RH não são pessoas “legais”. Mas eu penso que é aqui que os jovens profissionais se confundem. Eles veem colegas e líderes de RH como “legais”, percebem que o negócio todo trata-se de ajudar pessoas, e  por engano assumem que ser uma pessoa “legal” é qualificação suficiente para a função. No entanto, “legal” é apenas um ponto de partida – nem a princípio o suficiente.
Justo, não legal -  Como eu estava falando com um amigo sobre isso uma vez, ele validou o meu ponto de vista apontando  que em Recursos Humanos nós não estamos no negócio “legal”, nós estamos no negócio “justo”. Eu acredito que esse é um insight interessante. Vamos considerar algumas das funções de RH como exemplo:
  • Reestruturação: onde há reestruturação organizacional, haverá vencedores e perdedores. Lidar com as pessoas que estão confortáveis é fácil. Mas em toda reestruturação há aqueles que perdem seus empregos ou acabam sendo transferidos para áreas que não gostam. Essas pessoas merecem respeito e um processo justo. Ser legal apenas não é suficiente. (...)
  • Recrutamento: há poucas coisas mais agradáveis do que dizer a alguém que foi aprovado no processo seletivo e conseguiu a vaga de emprego. Infelizmente, para cada um que é aprovado, há muitos outros que queriam aquele emprego e não conseguiram. Não é divertido dar o retorno negativo.
  • Remuneração é sobre pagar pessoas pelo que o cargo vale, não o que elas querem. Isso frequentemente causa desconfortos e tensão. Os profissionais de RH devem aprender a explicar os fatos e a realidade, não apenas para os empregados em todos os níveis, mas também para os seus gerentes, que acham que deveriam ser capazes de pagar mais. As vezes nós somos portadores de ótimas notícias nesse aspecto, mas mais frequentemente, nós devemos encontrar caminhos de manter a integridade da estrutura salarial.
  •  Gerenciamento de talentos é sobre diferenciar grandes talentos e investir neles mais do que em outros empregados. Informar a esses talentos individuais que foram selecionados para treinamentos especiais certamente é algo muito agradável. Mas para cada talento há muitos outros que não o são, e frequentemente temos que explicar porque existem essas diferenças nas recompensas.
  • Treinamento e Desenvolvimento é sobre proporcionar os treinamentos que as pessoas precisam, e não o que querem.
  • Relações Trabalhistas é sobre garantir que temos um ambiente de trabalho consistente e justo, não fazer todos felizes sob suas próprias circunstâncias.
  • Cultura é sobre criar um grande e efetivo ambiente de trabalho, não necessariamente um ambiente “legal”. Grande e legal não são sinônimos.
É difícil perceber que as percepções comuns que o RH é um lugar fácil para trabalhar, legal ou divertido, são completamente enganadas.  É lógico, isso pode ser divertido. Mas quando é bem feito, é um trabalho difícil.
Recentemente eu fiz um contato em uma conferência. Esse senhor começou sua carreira como um engenheiro aeronáutico, depois migrou para a área financeira e agora trabalha em RH. Eu perguntei a ele sobre essa transição para o RH, e eu adorei esse trecho da sua fala:  “Eu fiquei surpreso sobre quão difícil RH é. Desenhar aviões que não caiam é muito mais fácil que ser gerente de RH.”
Empatia é a chave - Eu acredito que o que os profissionais de RH realmente precisam não é gentileza, mas empatia. Ou seja, entender e levar em consideração como as pessoas se sentem. Nós devemos fazer o trabalho, às vezes duro, que a nossa empresa precisa. Se for feito com empatia, e ajudarmos outros líderes a terem empatia, isso fará uma grande diferença. Como função, é esperado de nós notícias difíceis e feedback, ou ajudar outros líderes a darem feedback. É sempre melhor fazer isso em um caminho empático.
 Balanço -  Como profissionais de RH, nós devemos manter tudo isso balanceado se quisermos manter a sanidade. Vida balanceada é crítico, ou de outra forma isso pode nos sobrecarregar e nos tentar a deslizar para o agradável para evitar o trabalho duro, o que não é o que a organização precisa. É importante respirar as vezes e manter isso em perspectiva. Eu amo meu trabalho, não porque é “legal”, mas porque eu encontro meios de ajudar a organização a atingir seus objetivos através do capital humano. Isso é estratégico, mas é  uma arte que precisa ser praticada todos os dias para ser bom nisso. Ajudar e observar as pessoas crescerem é ótimo. Mas ajudar e observar a companhia crescer com as pessoas é ainda mais importante e recompensador.
 Então, se você quer trabalhar em RH, por favor tome nota do que é realmente importante para o sucesso e tenha certeza que você quer seguir nessa carreira pela razões corretas. Se você já trabalha em RH, respire, mantenha a perspectiva e foque no que é mais importante. Tenha empatia, mas faça a coisa certa e não tenha medo de entregar as mensagens difíceis. Se você não é nenhum dos dois, vá dar um abraço no seu colega do RH e demonstre a apreciação que ele/ela merece.
Por:Brian Walker - https://www.linkedin.com/pulse/talitha-jacob