sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

5 Ferramentas e Conceitos Consolidados no Marketing em 2015

O ano de 2015 termina deixando a sua marca no relacionamento entre consumidores e empresas, que lançaram mão de ferramentas e se atualizaram em relação aos novos comportamentos das pessoas. 
Entre as práticas que se consolidaram nos 12 meses e propiciaram essa melhoria estão a adesão, enfim, à mídia programática e à automação e a produção de branded content em formatos diferenciados - em especial o vídeo.
O período de crise também vem obrigando as companhias a repensarem suas estratégias, de modo a obter resultados de forma otimizada e a menores custos. Essa característica está presente nos cinco conceitos e ferramentas que foram muito explorados pelo Marketing ao longo de 2015, segundo especialistas em tendências do setor. Conheça a seguir.
1- Economia compartilhada
Nos últimos anos, diversas startups originadas a partir do conceito da economia compartilhada ganharam o mundo rapidamente, balançando mercados até então consolidados - como o Airbnb e o Uber. O ano de 2015, no entanto, ficou marcado por um movimento diferente: o das empresas tradicionais que se renderam ao novo comportamento do consumidor, que cada vez mais passa a privilegiar o uso em relação à posse.

Um estudo do Mundo do Marketing Inteligência destrinchou a economia compartilhada, que também foi tema das reportagens “Economia compartilhada desafia marcas a repensarem ofertas” e “Prova de fogo para Uber, Airbnb e a economia compartilhada”. “Assistimos a uma expansão muito forte em 2015, especialmente na América Latina, vindo ao encontro de uma mudança de comportamento dos consumidores no que diz respeito à confiança em estranhos. As redes sociais contribuem para esse crescimento da confiança”, analisa Rebeca Moraes, Pesquisadora de Tendências da Trendwatching, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Entre as empresas tradicionais que decidiram experimentar a lógica do compartilhamento está aGafisa que este ano apresentou um condomínio diferente. A construtora e incorporadora incluiu no empreendimento carros, bicicletas e até apartamento compartilhados pelos moradores. O conceito Home & Share nasceu com base em estudos feitos pela Grey, com foco no comportamento do consumidor e em benchmark de outras categorias que já operam com o conceito de compartilhamento de seus bens e serviços.
2- Mídia programática e automação
O Marketing digital ganhou força e investimentos ao longo de 2015, cenário que deve se manter no ano que vem. Segundo dados compilados pelo Infobase e pela Iinterativa, essa mídia deve crescer 12,7% em 2016 e movimentar US$ 76,6 bilhões em publicidade online em 2016. Tudo isso vem propiciando avanços na adoção de ferramentas ao trabalho. “Era uma promessa já há algum tempo e, agora, as grandes agências estão todas trabalhando cada vez mais com mídia programática e automação”, diz Martha Gabriel, escritora, consultora e palestrante nas áreas Marketing digital, inovação e educação.

Empresas globais de compra e venda programada de inventários já atuam no país, por meio de leilões em tempo real. Dessa forma, a presença nos espaços publicitários na internet passa a ser regida por uma inteligência artificial que garante uma segmentação aprimorada do perfil dos usuários impactados pela mídia, impulsionando os resultados.
3- Live streaming
Um levantamento interno do Facebook mostra que o volume de postagens em vídeo na rede social cresceu 75% ao longo de 2014, no mundo. A metade dos usuários brasileiros que acessam a plataforma diariamente assistem a pelo menos um desses conteúdos por dia, percentual que representa 31 milhões de pessoas. Este ano, as marcas optaram por combinar ao formato a transmissão ao vivo, por meio de ferramentas como o Periscope, APP comprado pelo Twitter e disponibilizado desde março.

Nos primeiros 10 dias, mais de um milhão de pessoas baixaram o aplicativo em seus celulares no mundo e um número ainda maior assistiu às imagens, que são transmitidas em tempo real na rede social. No dia dois de agosto, o Periscope alcançou 10 milhões de contas abertas e mais de 40 anos de vídeos, em tempo de exibição, vistos por dia no canal. Há ainda o YouTubeLive, o Google Hangout e o mais recente Facebook Mentions Live, todos unindo três pilares: social, mobile e vídeo.
As companhias usam a plataforma para transmitir coletivas de imprensa, bastidores de eventos e outros conteúdos que estabelecem um diálogo com os mais variados stakeholders. O contexto é decisivo na escolha de qual ferramenta usar, como mostrou a reportagem “Periscope e outras ferramentas de streaming: como escolher e usar”, do Mundo do Marketing.
4- Foco no conteúdo
O ano de 2015 fica marcado também como aquele em que o conteúdo se consolidou como estratégico nas companhias. Mesmo as pequenas empresas estão buscando esse recurso para conquistar novos clientes e se manterem vivas na mente dos já existentes. O conteúdo aparece em diferentes formatos: vídeos, landing pages, e-books, storytelling e storydoing - este último abordado nareportagem Storydoing: marcas apostam no uso de pessoas comuns em ações. “Este foi o ano da consagração do Marketing de conteúdo, do branded content”, garante Martha.

5- Adesão ao WhatsApp
Uma pesquisa da eCGlobal Solutions em parceria com a eCMetrics (https://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/32987/consumidores-aprovam-relacionamento-de-marcas-via-whatsapp.html) mostrou que os brasileiros estão abertos a receberem conteúdo relevante das marcas pelo WhatsApp. Entre os entrevistados, 64% gostariam de receber ofertas e promoções, 45% adorariam receber conteúdo exclusivo e 28% gostariam de receber vídeos divertidos da marca. As companhias aproveitaram o potencial da ferramenta ao longo deste ano, como havia adiantado o Mundo do Marketing em matéria que apresentou as 12 tendências para o Marketing digital em 2015.

Canal de vendas, relacionamento, consultoria, promoção, divulgação. São inúmeras as possibilidades criadas pelas companhias que esperam garantir engajamento e fidelidade entre seus clientes, como mostrou a reportagem “Muito além do SAC. WhatsApp ganha múltiplas funções nas organizações”. “No campo virtual, o atendimento e o relacionamento deram um passo além do ponto de vista da conversação. As ferramentas de Marketing online passaram a promover relações mais próximas das marcas com seus consumidores”, afirma Rebeca.
A PDG, por exemplo, utilizou a plataforma para promover a campanha “Na Ponta do Lápis”. Pelo menos seis mil clientes receberam no smartphone uma mensagem em vídeo com o ator Matheus Solano convidando-os a participar da promoção realizada pela incorporadora em março deste ano. Outra marca que também recorreu à ferramenta foi a Ninho, da Nestlé, que encaminhou vídeos personalizados para as mães, por conta do dia delas.

Por Renata Leite - http://www.mundodomarketing.com.br/

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Invente Seu Próximo Emprego

Em 2010 comecei a ler, por acaso, o livro O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi. Quase abandonei a leitura quando, ainda na introdução, descobri que o lema do autor é “O homem que trabalha perde tempo precioso”.
Absurdo, pensei, não é o trabalho que dignifica o homem? Não é para o trabalho que somos criados desde criancinhas? Maternal, pré-escola, ensino médio, vestibular, faculdade e... Trabalho?
E justo no momento em que eu estava a todo vapor em uma grande empresa de consultoria, coordenando uma equipe grande com metas ousadas, prazos apertados, orçamento idem, havia devorado alguns livros de gestão do guru Peter Drucker, assinava revistas onde apareciam na capa aqueles super executivos de 30 anos de idade com aparência de 50, me aparece esse italiano que tem como filosofia de vida trabalhar o menos possível!
Pois é, como costumava ler no metrô, no caminho para o trabalho e não havia outra atividade mais interessante a fazer, dei uma chance ao gringo e prossegui com a leitura. O resultado disso foi uma mudança radical da minha percepção sobre as relações de trabalho, a qualidade do meu tempo livre e do meu futuro profissional.
Na teoria de De Masi “o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de apostar numa mistura de atividades onde o trabalho se confundirá com o tempo livre e o estudo, exercitando o ócio criativo”.
E hoje, em plena era pós-industrial, ou era do conhecimento toda essa filosofia do ócio criativo se aplica perfeitamente e arrisco dizer que não viveremos plenamente essa sociedade da criatividade, como se referia Alvin Toffler ainda em 1998, sem as mudanças profundas nas relações de trabalho que o sociólogo italiano sugere.
O mais incrível é que a leitura do Ócio Criativo, ao invés de contrapor, complementou o livro de Peter Drucker, o pai da administração moderna, que já previa essa mudança com a substituição do poder por responsabilidade, isto é, ao invés da combinação de posição e poder, na organização do futuro a mistura tem de ser de compreensão mútua e responsabilidade. Segundo ele “está na hora de deixarmos de pensar em empregos ou carreiras como no passado e pensar em termos de assumir atribuições uma depois da outra”.
Nesta nova sociedade o poder claramente se deslocou dos donos das empresas para os donos do conhecimento inovador, o patrimônio físico, os bens materiais perderam posição para os bens imateriais, o design, a estética, os valores inovadores que dependem da criatividade. Por isso esta será a sociedade da criatividade.
E como seremos inovadores, criativos se vivemos / trabalhamos como os operários da época da revolução industrial no século XVIII? Acordamos todos na mesma hora, seguimos em procissão para o trabalho realizado, geralmente, em ambientes monocromáticos, termicamente controlados e motivados à base daquele cafezinho intragável. Almoçamos todos na mesma hora e retornamos de tarde à mesma rotina matinal até que se cumpram as horas contratuais ou além, para demonstrar comprometimento ou a convicção (equivocada) de que quanto mais tempo se passar no local de trabalho mais se produzirá.
De Masi defende que a quantidade total de ideias produzidas não é diretamente proporcional à quantidade de horas de permanência no interior da empresa. É exatamente o contrário: quanto menos se sai da empresa, menos se recebe estímulos criativos.
E é aí que o lema “O homem que trabalha perde tempo precioso” começa a fazer sentido. Quem exerce o trabalho contemporâneo ao qual fomos educados segundo o modelo americano, que só será feliz aquele que trabalhar bem (ou muito) certamente não tem tempo para desenvolver outras atividades alheias àquelas voltadas ao seu objeto de trabalho e que podem contribuir para seu desenvolvimento pessoal, sua capacidade cognitiva, enfim, sua criatividade. Na maioria dos casos o sujeito não tem tempo para cuidar da própria saúde!
Como este profissional se manterá competitivo em um mercado onde a inovação é a maior virtude? Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. A era da criatividade também será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. O trabalho já não é mais o lugar aonde você vai todos os dias, trabalho já é o que você faz, as atividades que você desempenha. As pessoas não serão mais remuneradas apenas pela presença física, cada vez mais o desempenho e a performance serão considerados.
E você? Está se preparando para viver nesta sociedade da criatividade e do empreendedorismo como um profissional do conhecimento ou um operário do século XVIII?
Por: 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O FUTURO DA GESTÃO ADMINISTRATIVA

INTRODUÇÃO -  A gestão administrativa à tempos têm sido vista como uma função social; e hoje não é diferente. Mas a pergunta é: Como promover um maior desenvolvimento social através da gestão? E, como incorporar a ela todos os benefícios dos avanços tecnológicos que estão a serviço do homem; devemos unir gestão e tecnologia visando uma transformação social constante.
No século 20 a prática administrativa dominante passou por uma grande transição democrática, sendo necessárias outras formas de gestão emergente.
Os clássicos da administração vêem passando por reciclagem do modismo gerencial atual. E embora estes valores e fórmulas gerenciais estejam em decadência; no século 21 têm sido muito pródiga em desafios requerendo novas perspectivas de gestão administrativas.
Os lideres visionários dos anos 90 perderam o controle da gestão, devido à queda dos poderes constituídos; e as organizações acabaram tornando-se cada vez mais complexas.
Vivemos o esgotamento da gestão pública; e as sucessivas crises existentes, indicam que os problemas não são apenas governamentais. Crises e catástrofes ocorrem por falta de estratégia e planejamento; ausência da dimensão social da gestão, tanto na ação de gestores governamentais e não governamentais, assim como a perspectiva dos cidadãos que utilizam os serviços públicos.
O controle deve ser considerado um fator essencial na ação gerencial. Um gestor eficiente sabe que o controle é indispensável, pois é através dele que se consegue avaliar os resultados, através da associação de dados, fatos e indicadores. O controle deve ser utilizado como meio de antecipação dos acontecimentos.
A gestão nesta nova era de renascimento, deve ser uma expressão qualificada de toda criatividade humana, e de bom senso para utilização de instrumentos de ações adequadas.
 Criatividade e instrumentalidade são hoje palavras-chave na gestão relacional; é a forma do novo agir.
Ao criar o homem exerce todo o seu potencial, configura sua vida e lhe dá um sentido.
Se a gestão não for essencialmente social, não será considerada gestão, e, talvez não haja futuro algum. Para tanto, nesta nova forma de gestão, criar e inovar é sempre preciso, desde que sejam traçadas estratégias e planejamentos sustentáveis visando a melhoria no relacionamento social.
A globalização da economia, os problemas socioambientais que vem ocorrendo em todos os cantos do mundo; o aumento da violência e da pobreza em muitos paises que antes eram considerados fortes potências econômicas, são fenômenos mundiais que contribuem cada vez mais para que haja uma profunda revisão no papel dos gestores na atualidade com uma ampla visão de ações para o futuro. Temos que refletir sobre todos estes aspectos que atingem direta e indiretamente toda a sociedade em geral, pois passamos por transformações constantemente a cada segundo.
O gestor contemporâneo, deve ter uma visão divergente sobre todas as possíveis perspectivas para o futuro. Dá-se muita importância aos valores éticos e solidários nos processos de gestão social.
Todas as questões sociais deixaram de ser preocupação somente do estado. No século passado, Mary Parker Follet, defendia o papel social dos cidadãos e das empresas; pois ela via a empresa como um serviço prestado à sociedade. Todo gerenciamento como uma função deve ter como finalidade tornar a sociedade cada vez mais justa.
É muito importante ter uma visão integral e interdisciplinar dos problemas. Atualmente as perspectivas para o desenvolvimento baseiam-se na satisfação das necessidades do presente sem comprometimento das gerações futuras. Para isso deverá ocorrer uma articulação dos atores sociais de todas as esferas, com mudanças capazes de aumentar as oportunidades sociais, a viabilidade econômica, e a condição de vida da população, integrando os eixos ambiental, social, político e econômico.
As possíveis articulações interorganizacionais são muito mais fáceis a partir da utilização dos meios de comunicação global e da difusão na participação social. Desta forma gestão e sociedade se aproximam estrategicamente para um maior e melhor desenvolvimento.
A gestão social nada mais é que um ato relacional capaz de dirigir, por meio da mobilização, na tomada de decisões, valorizando as parcerias, para alcançar um bem coletivamente planejado; é ter uma visão em conjunto que ajude nas transformações socioculturais. Por isso o gestor deve se manter vigilante e atento às mudanças e aos mecanismos de ação de auto-regulação. Toda ação deve ter uma estrutura de sustentabilidade.
O perfil deste novo gestor é ser o mediador entre o conhecimento e a prática, estabelecendo as mais viáveis transações entre as instituições, assumindo um papel fundamental nos processos de desenvolvimento social. Toda ação gestora, orienta-se por princípios de mudança e desenvolvimento para o social; o que envolve muitos desafios a serem vencidos.
Este no gestor do desenvolvimento social promove a conciliação dos conhecimentos, ética e efetividade; ou seja, ele deve ser um mediador entre as pessoas. Saber ser, interagir e agir são valores de competência de um bom gestor mutliqualificado, capaz de dar respostas eficazes à situações do dia a dia, e de enfrentar problemas de alta complexidade.
 CONCLUSÃO -  Finalizando, o gestor contemporâneo deve procurar ter sempre o controle da situação, estar sempre atendo as mudanças, ter uma maior sensibilidade e comprometimento nas relações interpessoais e interorganizacionais; deve saber usar o seu conhecimento e sua criatividade adequadamente. O controle é um fator essencial na ação gerencial, pois é através dele que podemos antecipar os possíveis acontecimentos futuros.
Por: Laize M. de Miranda L Sobrinha - http://www.artigonal.com/

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ANÁLISE SWOT APLICADA: CONCEITO E UM ESTUDO DE CASO

Análise SWOT ou Matriz SWOT é um exercício de reflexão, que nos ajuda a descobrir oportunidades e ameaças num negócio. O modelo SWOT é aplicado na análise de qualquer tipo de cenário, desde a criação de um blog até a gestão de uma multinacional.
A Análise SWOT se resume a quatro listas que devem ser elaboradas:
  1. Lista de características do negócio que o fortalecem, vantagens competitivas;
  2. Fragilidades do negócio, desvantagens;
  3. Aspectos externos positivos que se usam das forças da empresa para gerar oportunidades de melhoria;
  4. Aspectos externos que representam riscos para o cenário.
Modelo Matriz SWOT
 Origem
O termo SWOT vem do inglês: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats), sendo conhecido no Brasil também como Análise PFOA (Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças).
A matriz SWOT ganhou destaque pela primeira vez quando a Universidade de Stanford patrocinou um projeto de pesquisa, nas décadas de 60 e 70, usando dados da lista das 500 maiores empresas da revista Fortune. História da Análise SWOT.
Estudo de Caso
SWOT-exemplo-1
Dona Ana revolucionou sua sorveteria depois de identificar suas oportunidades e ameaças mais relevantes com a ajuda da Matriz SWOT.
Dona Ana faz os sorvetes em casa com amor e carinho, e embora estes sejam deliciosos, faz quinze anos que o mesmo dinheiro entra durante o verão, e 15 anos que os invernos são ingratos.
Com o conhecimento prático que Dona Ana tem de seu negócio e com a ajuda do Modelo SWOT, fica fácil entender as oportunidades e ameaças com apenas uma breve reflexão. O primeiro ponto a refletir são as FORÇAS do negócio. “Que variações no cenário fazem meu negócio prosperar? Quem é meu principal cliente?”
Bate-papo da Dona Ana com nosso consultor fictício de SWOT:

Consultor: – Dona Ana, em que situação a senhora vende mais sorvetes?

Dona Ana: – Com certeza em dias quentes, quando a sede bate a moeda cai!

Consultor: – E quem mais compra sorvete nesses dias?

Dona Ana: – Ah são as crianças. Mas no frio elas desaparecem, as mães andam com muito medo da gripe. No inverno só vendo para clientes antigos que gostam do meu sorvete caseiro.
Com essa breve reflexão chegamos ao primeiro quadro do Modelo SWOT, as Forças do negócio: a sorveteria é mais forte no calor, mas no inverno também tem uma oportunidade se a pessoa estiver com sede depois de andar o parque todo. Hoje crianças são os maiores clientes, mas também vemos que a busca por qualidade atrai clientes adultos, mesmo em dias amenos.
Depois de analisar as forças, o próximo quadro da Matriz SWOT indica que reflitamos agora a respeito das fraquezas do negócio.
As fraquezas mais óbvias são aquelas inversas as forças, por exemplo, se “dias quentes” é uma força, a dependência do clima é claramente uma fraqueza da sorveteria.
E assim como acontece no negócio da Dona Ana, olhando para as forças e fraquezas do seu negócio, as oportunidades praticamente aparecem sozinhas no papel. Continuando no exemplo da Dona Ana, ora, se vemos que adultos compram pela qualidade, então atrair um público premium faz todo sentido. Aproveitar os dias frios para vender bebidas quentes também soa óbvio depois da Análise SWOT.
Agora analise o modelo de Matriz SWOT montado abaixo, e repare como as ameaças e oportunidades de crescimento da sorveteria da Dona Ana ficam evidentes:
Análise SWOT Sorveteria Dona Ana
Depois de refletir sobre sua Matriz SWOT, Dona Ana mudou o nome da sua sorveteria, pintou as cadeiras e aprendeu a fazer um belo espresso, e seu lucro cresceu em todas estações do ano!
SWOT exemplo-2
Na análise SWOT do seu negócio, reflita profundamente sobre cada um dos quatro quadros do modelo e ordene os itens por importância. É importante que a Matriz SWOT seja frequentemente revista, como o ciclo PDCA sugere para todo seu planejamento estratégico.
A ordem do pensar da Análise SWOT pode ser usada não apenas no estudo geral do modelo de negócio da empresa, mas também em questões específicas e pontuais. Pensar, considerar, refletir, e continuar fazendo isso sempre é o que diferencia as empresas de sucesso das estagnadas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

JORNADA DE TRABALHO

 O homem e a pedra.
Certa vez um homem encontrou uma enorme pedra em seu caminho, e ficou pensando como poderia passar por ela. Após avaliar resolveu começar a quebrá-la, e após longo período do dia não atingiu seu objetivo – que era ver o tamanho da pedra reduzido o suficiente para seguir seu caminho - assim resolveu desistir e voltou exausto para sua casa.
A pedra permaneceu no lugar. E noutro dia, outro homem encontrou a pedra, no mesmo caminho, e também tendo que continuar seu percurso, avaliou e resolveu talhar a pedra. Passadas 8 (oito) horas de trabalho, com uma parada para descansar, pensou... Vou para casa e amanhã continuo, pois hoje não tenho mais forças, criatividade e motivação. E assim foi dia-a-dia, até ele conseguir abrir uma fenda na pedra e passar.
Após esse dia pensou: mais vale um pouco por dia com bons resultados, que um dia todo sem resultado algum.(Natanael do Lago)  
Regular o período de trabalho é algo essencial para o ser humano, seja pela ordem econômica, social ou biológica. Sua relevância é destaque no contexto mundial, e pela importância a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 destaca no artigo XXIV - Todo homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Fundamento Legal: Constituição Federal, CLT Capítulo II Artigos 57 a 75 e Lei 605/49
No Brasil a quem defina o período de trabalho  como jornada de trabalho;  outros, inclusive a Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, preferem duração do trabalho. O fato é que de uma ou de outra forma, o empregado participa com suas funções na empresa sempre vinculado a um período de horas.
O período pode ser presencial ou não-presencial. Presencial quando o empregado exerce suas funções no local, modo e hora definidos. Não-presencial quando o empregado exerce suas funções em local modo e hora não definidos.  A exemplo da primeira situação é o exercício típico de um auxiliar de escritório, que tem endereço certo, função definida e horário de entrada, intervalo e saída pré-estipulados de trabalho. Para a segunda situação temos o motorista que pode não ter endereço certo e horário de entrada, intervalo e saída não definidos. 
Assim, chegamos a uma diferenciação no cumprimento do trabalho, pois jornada de trabalho será o período de tempo que o empregado ficar à disposição do empregador, executando ou não sua função, mas sob sua dependência. Período de trabalho requer início e fim definidos de horário e trabalho sob a direção do empregador.
A duração do trabalho, então, pode ser disposta de qualquer maneira, não se vinculando a um padrão comum aos empregadores. Essa ausência de padrão, porém, não permite ao empregador o exercício livre do período de trabalho, devendo se submeter nas normas constitucional, legal e normativas da relação trabalhista.  
Registra-se que na época do século XIX (1801) a jornada chegava a atingir períodos de 12 a 16 horas, mesmo entre os menores e as mulheres. Não existia nenhuma limitação, como atualmente nosso ordenamento jurídico prevê.
Com a evolução da classe assalariada e a organização dos sindicatos, essas extensas horas foram combatidas, e a partir do século XX (1901) passamos a ter em diversos países (França, Inglaterra, etc.) jornada máxima de 10 (dez) horas diárias.  
Porém, foi na Conferência das Nações Aliadas, em Paris, que houve inspiração para estabelecer jornada de 8 horas diária ou de 48 horas semanal de trabalho.
Modernamente no Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, a jornada de trabalho sofreu novas alterações. Art. 7º inciso XIII – “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”. 
A CF 1988 art. 7º inciso XIII e CLT art. 58,  passaram a determinar que a jornada de trabalho não ultrapassasse as
 8 hs DIÁRIAS e  44 hs SEMANAIS
A limitação da jornada de trabalho, atualmente vigente, não impossibilita que ela seja menor, apenas assegura um limite máximo. Embora, ainda, exista uma extensão através do regime de compensação e prorrogação das horas.
Nota: Para se compor as horas trabalhadas por dia, não se deve computar o período de intervalo concedido ao empregado. Exemplo: das 8:00 às 17:00 com 1:00 hora de intervalo temos 9hs na empresa, mas 8hs de trabalho excluindo o intervalo.(CLT art. 71§2)
Deve-se considerar que algumas atividades - ou por força de lei ou acordo coletivo -, possuem jornadas especiais, por exemplo:
PROFISSÃO
LIMITE DE HORAS DIA
Bancários
6 horas
Telefonista
6 horas
Operadores cinematográficos
6 horas
Jornalista
5 horas
Médico
4 horas
Radiologista
4 horas
O empregador pode formular período de jornada no contrato de trabalho de acordo com suas necessidades, basta não ferir a proteção da lei. Assim podemos ter empregado horista, diarista ou mensalista.  
Temos registrados na ordem econômica do trabalho uma jornada especial com regime de 12 x 36; ou seja, 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso. Essa jornada, embora não prevista na lei, tem sido adotada por diversas normas coletivas (Sindicato) e tolerada pela jurisprudência pela típica necessidade das empresas com alguns seguimentos específicos, tais como área de saúde e segurança. Devo ressaltar que a justiça aceita tal prática mediante a existência da norma coletiva e a impossibilidade da empresa em implantar outro horário. Caso não exista a norma coletiva criando este horário, a empresa sofrerá com as penalidades previstas e a possibilidade de arcar com o pagamento das horas extras. 
Para todos os fins legais, admitidas pela jurisprudência e fiscalização, um empregado que trabalha 8 (oito) horas por dia e no máximo 44 horas na semana, tem carga mensal de 
220 HORAS 
A interpretação mais aceita pela jurisprudência para entendermos a formulação dessas 220 horas, é admitirmos um mês comercial de 5 (cinco) semanas. Assim, 44 horas por semana (x) 5 semanas (=) 220 horas por mês; 36 horas por semana (x) 5 semanas (=) 180 horas por mês; 40 horas por semana (x) 5 semanas (=) 200 horas por mês; 30 horas por semana (x) 5 semanas (=) 150 horas por mês.
Importante! Não é aceito pela legislação pátria a alteração da jornada de trabalho com prejuízos ao empregado. Será nulo, todo e qualquer acordo entre as partes, mesmo que seja reduzida na proporção do salário e com declaração expressa do empregado. É fundamental, diante de um quadro necessário à redução a participação por negociação coletiva (Sindicato) e Delegacia Regional do Trabalho (DRT). 
Pode-se admitir que as principais características de duração de jornada podem se resumir em 8 (oito):
Hora Diurna: entende-se como hora diurna àquela praticada entre as 05:00 horas e 22:00 horas. 
Hora Noturna: A CLT preceitua no art. 73 § 2º que o horário noturno é aquele praticado entre as 22:00 horas e 05:00 horas, caracterizando assim para o trabalhador urbano, já em outra relação de trabalho, exemplo rural ou advogado, este horário sofre alteração, porém a legislação, entendendo haver um desgaste maior do organismo humano, criou algumas variantes em relação à hora diurna. 
A exemplo dessas variantes surge o seguinte quadro:
PERÍODO
TEMPO
REDUÇÃO
TEMPO EFETIVO
Das 22:00 às 23:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 23:00 às 24:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 24:00 às 01:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 01:00 às 02:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 02:00 às 03:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 03:00 às 04:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 04:00 às 05:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Total
7:00 h
52,30 minutos e segundos
Dessa forma a legislação definiu que às 7 (sete) horas noturnas trabalhadas equivalem a 8 (horas). Nesse caso um trabalhador só pode ter mais 1 (uma) hora acrescida à sua jornada, visando o período para descanso ou refeição. 
Destarte, o empregado trabalha 7 (sete) horas, mas recebe 8 (oito) horas para todos os fins legais. Foi uma forma encontrada pelo legislador para repor o desgaste biológico que enfrenta quem trabalha à noite, sendo considerada um período penoso de trabalho.
O Estado, entendo que é impossível que algumas funções não sejam exercidas no horário noturno, acresceu à jornada diurna um adicional para compensar o exercício penoso nesse horário.
Destarte, visando a apuração do valor, a hora noturna recebe um adicional especial, determinado como adicional noturno. Esse adicional é no mínimo 20% (vinte por cento) (CLT art. 73), sendo certo que alguns acordos ou convenções coletivas determinam percentual maior. Se um trabalhador com mesmo cargo diurno ganha R$ 10,00 (dez) reais por hora, esse mesmo cargo no período noturno ganhará  R$12,00 (doze) reais (R$ 10,00 + R$ 2,00 [R$ 10,00 x 20%] de adicional noturno). Se o empregado trabalha o mês todo no período noturno e ganha R$ 1.000,00 (mil) reais de salário, ele receberá seu salário total acrescido do 20% (vinte por cento) do adicional noturno (R$ 1.000,00 + R$ 200,00 de adicional noturno = R$ 1.200,00).   
O empregado pode exercer horas extras no período noturno, devendo ser remunerado com base nas regras das horas extras e acrescido dos 20% do adicional noturno.
Supressão: O adicional noturno pode ser suprimido, cancelado, extinto, caso o empregado mude o seu turno de trabalho, deixando de trabalho no período noturno e e passando a trabalhar no período diurno. Súmula 265 do TST: ADICIONAL NOTURNO. ALTERAÇÃO DE TURNO DE TRABALHO. POSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. A transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno.
Importante! O menor de 18 anos de idade é proibido o trabalho em horário noturno (CLT art. 404). 
Horas Extras: A expressão horas extras ou horas suplementares, equivalem-se, e tais fenômenos ocorrem quando o empregado excede na quantidade de horas contratualmente determinadas. Por exemplo, um empregado trabalha das 09:00 às 18:00 horas com 1:00 hora de intervalo para repouso e alimentação, se ele entrar antes das 9:00, não cumprir total ou parcial o seu horário de intervalo, ou ainda, sair após as 18:00 horas, confirmando estar à disposição ou  exercendo  a atividade para o empregador, caracteriza-se a hora extra ou hora suplementar. 
Porém esse fenômeno não ocorre isolado, ele é parte de um acordo escrito pré-estabelecido entre o empregador e o empregado, denominado como Acordo de Prorrogação.     
O acordo de prorrogação visa atender o empregador, que por natureza da circunstância do momento requer do empregado uma disponibilidade maior de seu horário contratual.

Copiado: http://www.professortrabalhista.adv.br/