quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Invente Seu Próximo Emprego

Em 2010 comecei a ler, por acaso, o livro O Ócio Criativo do sociólogo italiano Domenico de Masi. Quase abandonei a leitura quando, ainda na introdução, descobri que o lema do autor é “O homem que trabalha perde tempo precioso”.
Absurdo, pensei, não é o trabalho que dignifica o homem? Não é para o trabalho que somos criados desde criancinhas? Maternal, pré-escola, ensino médio, vestibular, faculdade e... Trabalho?
E justo no momento em que eu estava a todo vapor em uma grande empresa de consultoria, coordenando uma equipe grande com metas ousadas, prazos apertados, orçamento idem, havia devorado alguns livros de gestão do guru Peter Drucker, assinava revistas onde apareciam na capa aqueles super executivos de 30 anos de idade com aparência de 50, me aparece esse italiano que tem como filosofia de vida trabalhar o menos possível!
Pois é, como costumava ler no metrô, no caminho para o trabalho e não havia outra atividade mais interessante a fazer, dei uma chance ao gringo e prossegui com a leitura. O resultado disso foi uma mudança radical da minha percepção sobre as relações de trabalho, a qualidade do meu tempo livre e do meu futuro profissional.
Na teoria de De Masi “o futuro pertence a quem souber libertar-se da ideia tradicional do trabalho como obrigação e for capaz de apostar numa mistura de atividades onde o trabalho se confundirá com o tempo livre e o estudo, exercitando o ócio criativo”.
E hoje, em plena era pós-industrial, ou era do conhecimento toda essa filosofia do ócio criativo se aplica perfeitamente e arrisco dizer que não viveremos plenamente essa sociedade da criatividade, como se referia Alvin Toffler ainda em 1998, sem as mudanças profundas nas relações de trabalho que o sociólogo italiano sugere.
O mais incrível é que a leitura do Ócio Criativo, ao invés de contrapor, complementou o livro de Peter Drucker, o pai da administração moderna, que já previa essa mudança com a substituição do poder por responsabilidade, isto é, ao invés da combinação de posição e poder, na organização do futuro a mistura tem de ser de compreensão mútua e responsabilidade. Segundo ele “está na hora de deixarmos de pensar em empregos ou carreiras como no passado e pensar em termos de assumir atribuições uma depois da outra”.
Nesta nova sociedade o poder claramente se deslocou dos donos das empresas para os donos do conhecimento inovador, o patrimônio físico, os bens materiais perderam posição para os bens imateriais, o design, a estética, os valores inovadores que dependem da criatividade. Por isso esta será a sociedade da criatividade.
E como seremos inovadores, criativos se vivemos / trabalhamos como os operários da época da revolução industrial no século XVIII? Acordamos todos na mesma hora, seguimos em procissão para o trabalho realizado, geralmente, em ambientes monocromáticos, termicamente controlados e motivados à base daquele cafezinho intragável. Almoçamos todos na mesma hora e retornamos de tarde à mesma rotina matinal até que se cumpram as horas contratuais ou além, para demonstrar comprometimento ou a convicção (equivocada) de que quanto mais tempo se passar no local de trabalho mais se produzirá.
De Masi defende que a quantidade total de ideias produzidas não é diretamente proporcional à quantidade de horas de permanência no interior da empresa. É exatamente o contrário: quanto menos se sai da empresa, menos se recebe estímulos criativos.
E é aí que o lema “O homem que trabalha perde tempo precioso” começa a fazer sentido. Quem exerce o trabalho contemporâneo ao qual fomos educados segundo o modelo americano, que só será feliz aquele que trabalhar bem (ou muito) certamente não tem tempo para desenvolver outras atividades alheias àquelas voltadas ao seu objeto de trabalho e que podem contribuir para seu desenvolvimento pessoal, sua capacidade cognitiva, enfim, sua criatividade. Na maioria dos casos o sujeito não tem tempo para cuidar da própria saúde!
Como este profissional se manterá competitivo em um mercado onde a inovação é a maior virtude? Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. A era da criatividade também será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. O trabalho já não é mais o lugar aonde você vai todos os dias, trabalho já é o que você faz, as atividades que você desempenha. As pessoas não serão mais remuneradas apenas pela presença física, cada vez mais o desempenho e a performance serão considerados.
E você? Está se preparando para viver nesta sociedade da criatividade e do empreendedorismo como um profissional do conhecimento ou um operário do século XVIII?
Por: 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O FUTURO DA GESTÃO ADMINISTRATIVA

INTRODUÇÃO -  A gestão administrativa à tempos têm sido vista como uma função social; e hoje não é diferente. Mas a pergunta é: Como promover um maior desenvolvimento social através da gestão? E, como incorporar a ela todos os benefícios dos avanços tecnológicos que estão a serviço do homem; devemos unir gestão e tecnologia visando uma transformação social constante.
No século 20 a prática administrativa dominante passou por uma grande transição democrática, sendo necessárias outras formas de gestão emergente.
Os clássicos da administração vêem passando por reciclagem do modismo gerencial atual. E embora estes valores e fórmulas gerenciais estejam em decadência; no século 21 têm sido muito pródiga em desafios requerendo novas perspectivas de gestão administrativas.
Os lideres visionários dos anos 90 perderam o controle da gestão, devido à queda dos poderes constituídos; e as organizações acabaram tornando-se cada vez mais complexas.
Vivemos o esgotamento da gestão pública; e as sucessivas crises existentes, indicam que os problemas não são apenas governamentais. Crises e catástrofes ocorrem por falta de estratégia e planejamento; ausência da dimensão social da gestão, tanto na ação de gestores governamentais e não governamentais, assim como a perspectiva dos cidadãos que utilizam os serviços públicos.
O controle deve ser considerado um fator essencial na ação gerencial. Um gestor eficiente sabe que o controle é indispensável, pois é através dele que se consegue avaliar os resultados, através da associação de dados, fatos e indicadores. O controle deve ser utilizado como meio de antecipação dos acontecimentos.
A gestão nesta nova era de renascimento, deve ser uma expressão qualificada de toda criatividade humana, e de bom senso para utilização de instrumentos de ações adequadas.
 Criatividade e instrumentalidade são hoje palavras-chave na gestão relacional; é a forma do novo agir.
Ao criar o homem exerce todo o seu potencial, configura sua vida e lhe dá um sentido.
Se a gestão não for essencialmente social, não será considerada gestão, e, talvez não haja futuro algum. Para tanto, nesta nova forma de gestão, criar e inovar é sempre preciso, desde que sejam traçadas estratégias e planejamentos sustentáveis visando a melhoria no relacionamento social.
A globalização da economia, os problemas socioambientais que vem ocorrendo em todos os cantos do mundo; o aumento da violência e da pobreza em muitos paises que antes eram considerados fortes potências econômicas, são fenômenos mundiais que contribuem cada vez mais para que haja uma profunda revisão no papel dos gestores na atualidade com uma ampla visão de ações para o futuro. Temos que refletir sobre todos estes aspectos que atingem direta e indiretamente toda a sociedade em geral, pois passamos por transformações constantemente a cada segundo.
O gestor contemporâneo, deve ter uma visão divergente sobre todas as possíveis perspectivas para o futuro. Dá-se muita importância aos valores éticos e solidários nos processos de gestão social.
Todas as questões sociais deixaram de ser preocupação somente do estado. No século passado, Mary Parker Follet, defendia o papel social dos cidadãos e das empresas; pois ela via a empresa como um serviço prestado à sociedade. Todo gerenciamento como uma função deve ter como finalidade tornar a sociedade cada vez mais justa.
É muito importante ter uma visão integral e interdisciplinar dos problemas. Atualmente as perspectivas para o desenvolvimento baseiam-se na satisfação das necessidades do presente sem comprometimento das gerações futuras. Para isso deverá ocorrer uma articulação dos atores sociais de todas as esferas, com mudanças capazes de aumentar as oportunidades sociais, a viabilidade econômica, e a condição de vida da população, integrando os eixos ambiental, social, político e econômico.
As possíveis articulações interorganizacionais são muito mais fáceis a partir da utilização dos meios de comunicação global e da difusão na participação social. Desta forma gestão e sociedade se aproximam estrategicamente para um maior e melhor desenvolvimento.
A gestão social nada mais é que um ato relacional capaz de dirigir, por meio da mobilização, na tomada de decisões, valorizando as parcerias, para alcançar um bem coletivamente planejado; é ter uma visão em conjunto que ajude nas transformações socioculturais. Por isso o gestor deve se manter vigilante e atento às mudanças e aos mecanismos de ação de auto-regulação. Toda ação deve ter uma estrutura de sustentabilidade.
O perfil deste novo gestor é ser o mediador entre o conhecimento e a prática, estabelecendo as mais viáveis transações entre as instituições, assumindo um papel fundamental nos processos de desenvolvimento social. Toda ação gestora, orienta-se por princípios de mudança e desenvolvimento para o social; o que envolve muitos desafios a serem vencidos.
Este no gestor do desenvolvimento social promove a conciliação dos conhecimentos, ética e efetividade; ou seja, ele deve ser um mediador entre as pessoas. Saber ser, interagir e agir são valores de competência de um bom gestor mutliqualificado, capaz de dar respostas eficazes à situações do dia a dia, e de enfrentar problemas de alta complexidade.
 CONCLUSÃO -  Finalizando, o gestor contemporâneo deve procurar ter sempre o controle da situação, estar sempre atendo as mudanças, ter uma maior sensibilidade e comprometimento nas relações interpessoais e interorganizacionais; deve saber usar o seu conhecimento e sua criatividade adequadamente. O controle é um fator essencial na ação gerencial, pois é através dele que podemos antecipar os possíveis acontecimentos futuros.
Por: Laize M. de Miranda L Sobrinha - http://www.artigonal.com/

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ANÁLISE SWOT APLICADA: CONCEITO E UM ESTUDO DE CASO

Análise SWOT ou Matriz SWOT é um exercício de reflexão, que nos ajuda a descobrir oportunidades e ameaças num negócio. O modelo SWOT é aplicado na análise de qualquer tipo de cenário, desde a criação de um blog até a gestão de uma multinacional.
A Análise SWOT se resume a quatro listas que devem ser elaboradas:
  1. Lista de características do negócio que o fortalecem, vantagens competitivas;
  2. Fragilidades do negócio, desvantagens;
  3. Aspectos externos positivos que se usam das forças da empresa para gerar oportunidades de melhoria;
  4. Aspectos externos que representam riscos para o cenário.
Modelo Matriz SWOT
 Origem
O termo SWOT vem do inglês: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats), sendo conhecido no Brasil também como Análise PFOA (Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças).
A matriz SWOT ganhou destaque pela primeira vez quando a Universidade de Stanford patrocinou um projeto de pesquisa, nas décadas de 60 e 70, usando dados da lista das 500 maiores empresas da revista Fortune. História da Análise SWOT.
Estudo de Caso
SWOT-exemplo-1
Dona Ana revolucionou sua sorveteria depois de identificar suas oportunidades e ameaças mais relevantes com a ajuda da Matriz SWOT.
Dona Ana faz os sorvetes em casa com amor e carinho, e embora estes sejam deliciosos, faz quinze anos que o mesmo dinheiro entra durante o verão, e 15 anos que os invernos são ingratos.
Com o conhecimento prático que Dona Ana tem de seu negócio e com a ajuda do Modelo SWOT, fica fácil entender as oportunidades e ameaças com apenas uma breve reflexão. O primeiro ponto a refletir são as FORÇAS do negócio. “Que variações no cenário fazem meu negócio prosperar? Quem é meu principal cliente?”
Bate-papo da Dona Ana com nosso consultor fictício de SWOT:

Consultor: – Dona Ana, em que situação a senhora vende mais sorvetes?

Dona Ana: – Com certeza em dias quentes, quando a sede bate a moeda cai!

Consultor: – E quem mais compra sorvete nesses dias?

Dona Ana: – Ah são as crianças. Mas no frio elas desaparecem, as mães andam com muito medo da gripe. No inverno só vendo para clientes antigos que gostam do meu sorvete caseiro.
Com essa breve reflexão chegamos ao primeiro quadro do Modelo SWOT, as Forças do negócio: a sorveteria é mais forte no calor, mas no inverno também tem uma oportunidade se a pessoa estiver com sede depois de andar o parque todo. Hoje crianças são os maiores clientes, mas também vemos que a busca por qualidade atrai clientes adultos, mesmo em dias amenos.
Depois de analisar as forças, o próximo quadro da Matriz SWOT indica que reflitamos agora a respeito das fraquezas do negócio.
As fraquezas mais óbvias são aquelas inversas as forças, por exemplo, se “dias quentes” é uma força, a dependência do clima é claramente uma fraqueza da sorveteria.
E assim como acontece no negócio da Dona Ana, olhando para as forças e fraquezas do seu negócio, as oportunidades praticamente aparecem sozinhas no papel. Continuando no exemplo da Dona Ana, ora, se vemos que adultos compram pela qualidade, então atrair um público premium faz todo sentido. Aproveitar os dias frios para vender bebidas quentes também soa óbvio depois da Análise SWOT.
Agora analise o modelo de Matriz SWOT montado abaixo, e repare como as ameaças e oportunidades de crescimento da sorveteria da Dona Ana ficam evidentes:
Análise SWOT Sorveteria Dona Ana
Depois de refletir sobre sua Matriz SWOT, Dona Ana mudou o nome da sua sorveteria, pintou as cadeiras e aprendeu a fazer um belo espresso, e seu lucro cresceu em todas estações do ano!
SWOT exemplo-2
Na análise SWOT do seu negócio, reflita profundamente sobre cada um dos quatro quadros do modelo e ordene os itens por importância. É importante que a Matriz SWOT seja frequentemente revista, como o ciclo PDCA sugere para todo seu planejamento estratégico.
A ordem do pensar da Análise SWOT pode ser usada não apenas no estudo geral do modelo de negócio da empresa, mas também em questões específicas e pontuais. Pensar, considerar, refletir, e continuar fazendo isso sempre é o que diferencia as empresas de sucesso das estagnadas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

JORNADA DE TRABALHO

 O homem e a pedra.
Certa vez um homem encontrou uma enorme pedra em seu caminho, e ficou pensando como poderia passar por ela. Após avaliar resolveu começar a quebrá-la, e após longo período do dia não atingiu seu objetivo – que era ver o tamanho da pedra reduzido o suficiente para seguir seu caminho - assim resolveu desistir e voltou exausto para sua casa.
A pedra permaneceu no lugar. E noutro dia, outro homem encontrou a pedra, no mesmo caminho, e também tendo que continuar seu percurso, avaliou e resolveu talhar a pedra. Passadas 8 (oito) horas de trabalho, com uma parada para descansar, pensou... Vou para casa e amanhã continuo, pois hoje não tenho mais forças, criatividade e motivação. E assim foi dia-a-dia, até ele conseguir abrir uma fenda na pedra e passar.
Após esse dia pensou: mais vale um pouco por dia com bons resultados, que um dia todo sem resultado algum.(Natanael do Lago)  
Regular o período de trabalho é algo essencial para o ser humano, seja pela ordem econômica, social ou biológica. Sua relevância é destaque no contexto mundial, e pela importância a Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 destaca no artigo XXIV - Todo homem tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Fundamento Legal: Constituição Federal, CLT Capítulo II Artigos 57 a 75 e Lei 605/49
No Brasil a quem defina o período de trabalho  como jornada de trabalho;  outros, inclusive a Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT, preferem duração do trabalho. O fato é que de uma ou de outra forma, o empregado participa com suas funções na empresa sempre vinculado a um período de horas.
O período pode ser presencial ou não-presencial. Presencial quando o empregado exerce suas funções no local, modo e hora definidos. Não-presencial quando o empregado exerce suas funções em local modo e hora não definidos.  A exemplo da primeira situação é o exercício típico de um auxiliar de escritório, que tem endereço certo, função definida e horário de entrada, intervalo e saída pré-estipulados de trabalho. Para a segunda situação temos o motorista que pode não ter endereço certo e horário de entrada, intervalo e saída não definidos. 
Assim, chegamos a uma diferenciação no cumprimento do trabalho, pois jornada de trabalho será o período de tempo que o empregado ficar à disposição do empregador, executando ou não sua função, mas sob sua dependência. Período de trabalho requer início e fim definidos de horário e trabalho sob a direção do empregador.
A duração do trabalho, então, pode ser disposta de qualquer maneira, não se vinculando a um padrão comum aos empregadores. Essa ausência de padrão, porém, não permite ao empregador o exercício livre do período de trabalho, devendo se submeter nas normas constitucional, legal e normativas da relação trabalhista.  
Registra-se que na época do século XIX (1801) a jornada chegava a atingir períodos de 12 a 16 horas, mesmo entre os menores e as mulheres. Não existia nenhuma limitação, como atualmente nosso ordenamento jurídico prevê.
Com a evolução da classe assalariada e a organização dos sindicatos, essas extensas horas foram combatidas, e a partir do século XX (1901) passamos a ter em diversos países (França, Inglaterra, etc.) jornada máxima de 10 (dez) horas diárias.  
Porém, foi na Conferência das Nações Aliadas, em Paris, que houve inspiração para estabelecer jornada de 8 horas diária ou de 48 horas semanal de trabalho.
Modernamente no Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, a jornada de trabalho sofreu novas alterações. Art. 7º inciso XIII – “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”. 
A CF 1988 art. 7º inciso XIII e CLT art. 58,  passaram a determinar que a jornada de trabalho não ultrapassasse as
 hs DIÁRIAS e  44 hs SEMANAIS
A limitação da jornada de trabalho, atualmente vigente, não impossibilita que ela seja menor, apenas assegura um limite máximo. Embora, ainda, exista uma extensão através do regime de compensação e prorrogação das horas.
Nota: Para se compor as horas trabalhadas por dia, não se deve computar o período de intervalo concedido ao empregado. Exemplo: das 8:00 às 17:00 com 1:00 hora de intervalo temos 9hs na empresa, mas 8hs de trabalho excluindo o intervalo.(CLT art. 71§2)
Deve-se considerar que algumas atividades - ou por força de lei ou acordo coletivo -, possuem jornadas especiais, por exemplo:
PROFISSÃO
LIMITE DE HORAS DIA
Bancários
6 horas
Telefonista
6 horas
Operadores cinematográficos
6 horas
Jornalista
5 horas
Médico
4 horas
Radiologista
4 horas
O empregador pode formular período de jornada no contrato de trabalho de acordo com suas necessidades, basta não ferir a proteção da lei. Assim podemos ter empregado horista, diarista ou mensalista.  
Temos registrados na ordem econômica do trabalho uma jornada especial com regime de 12 x 36; ou seja, 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso. Essa jornada, embora não prevista na lei, tem sido adotada por diversas normas coletivas (Sindicato) e tolerada pela jurisprudência pela típica necessidade das empresas com alguns seguimentos específicos, tais como área de saúde e segurança. Devo ressaltar que a justiça aceita tal prática mediante a existência da norma coletiva e a impossibilidade da empresa em implantar outro horário. Caso não exista a norma coletiva criando este horário, a empresa sofrerá com as penalidades previstas e a possibilidade de arcar com o pagamento das horas extras. 
Para todos os fins legais, admitidas pela jurisprudência e fiscalização, um empregado que trabalha 8 (oito) horas por dia e no máximo 44 horas na semana, tem carga mensal de 
220 HORAS 
A interpretação mais aceita pela jurisprudência para entendermos a formulação dessas 220 horas, é admitirmos um mês comercial de 5 (cinco) semanas. Assim, 44 horas por semana (x) 5 semanas (=) 220 horas por mês; 36 horas por semana (x) 5 semanas (=) 180 horas por mês; 40 horas por semana (x) 5 semanas (=) 200 horas por mês; 30 horas por semana (x) 5 semanas (=) 150 horas por mês.
Importante! Não é aceito pela legislação pátria a alteração da jornada de trabalho com prejuízos ao empregado. Será nulo, todo e qualquer acordo entre as partes, mesmo que seja reduzida na proporção do salário e com declaração expressa do empregado. É fundamental, diante de um quadro necessário à redução a participação por negociação coletiva (Sindicato) e Delegacia Regional do Trabalho (DRT). 
Pode-se admitir que as principais características de duração de jornada podem se resumir em 8 (oito):
Hora Diurna: entende-se como hora diurna àquela praticada entre as 05:00 horas e 22:00 horas. 
Hora Noturna: A CLT preceitua no art. 73 § 2º que o horário noturno é aquele praticado entre as 22:00 horas e 05:00 horas, caracterizando assim para o trabalhador urbano, já em outra relação de trabalho, exemplo rural ou advogado, este horário sofre alteração, porém a legislação, entendendo haver um desgaste maior do organismo humano, criou algumas variantes em relação à hora diurna. 
A exemplo dessas variantes surge o seguinte quadro:
PERÍODO
TEMPO
REDUÇÃO
TEMPO EFETIVO
Das 22:00 às 23:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 23:00 às 24:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 24:00 às 01:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 01:00 às 02:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 02:00 às 03:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 03:00 às 04:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Das 04:00 às 05:00 horas
1:00 h
7 minutos e 30 segundos
52,30 minutos e segundos
Total
7:00 h
52,30 minutos e segundos
Dessa forma a legislação definiu que às 7 (sete) horas noturnas trabalhadas equivalem a 8 (horas). Nesse caso um trabalhador só pode ter mais 1 (uma) hora acrescida à sua jornada, visando o período para descanso ou refeição. 
Destarte, o empregado trabalha 7 (sete) horas, mas recebe 8 (oito) horas para todos os fins legais. Foi uma forma encontrada pelo legislador para repor o desgaste biológico que enfrenta quem trabalha à noite, sendo considerada um período penoso de trabalho.
O Estado, entendo que é impossível que algumas funções não sejam exercidas no horário noturno, acresceu à jornada diurna um adicional para compensar o exercício penoso nesse horário.
Destarte, visando a apuração do valor, a hora noturna recebe um adicional especial, determinado como adicional noturno. Esse adicional é no mínimo 20% (vinte por cento) (CLT art. 73), sendo certo que alguns acordos ou convenções coletivas determinam percentual maior. Se um trabalhador com mesmo cargo diurno ganha R$ 10,00 (dez) reais por hora, esse mesmo cargo no período noturno ganhará  R$12,00 (doze) reais (R$ 10,00 + R$ 2,00 [R$ 10,00 x 20%] de adicional noturno). Se o empregado trabalha o mês todo no período noturno e ganha R$ 1.000,00 (mil) reais de salário, ele receberá seu salário total acrescido do 20% (vinte por cento) do adicional noturno (R$ 1.000,00 + R$ 200,00 de adicional noturno = R$ 1.200,00).   
O empregado pode exercer horas extras no período noturno, devendo ser remunerado com base nas regras das horas extras e acrescido dos 20% do adicional noturno.
SupressãoO adicional noturno pode ser suprimido, cancelado, extinto, caso o empregado mude o seu turno de trabalho, deixando de trabalho no período noturno e e passando a trabalhar no período diurno. Súmula 265 do TST: ADICIONAL NOTURNO. ALTERAÇÃO DE TURNO DE TRABALHO. POSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. A transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno.
Importante! O menor de 18 anos de idade é proibido o trabalho em horário noturno (CLT art. 404). 
Horas Extras: A expressão horas extras ou horas suplementares, equivalem-se, e tais fenômenos ocorrem quando o empregado excede na quantidade de horas contratualmente determinadas. Por exemplo, um empregado trabalha das 09:00 às 18:00 horas com 1:00 hora de intervalo para repouso e alimentação, se ele entrar antes das 9:00, não cumprir total ou parcial o seu horário de intervalo, ou ainda, sair após as 18:00 horas, confirmando estar à disposição ou  exercendo  a atividade para o empregador, caracteriza-se a hora extra ou hora suplementar. 
Porém esse fenômeno não ocorre isolado, ele é parte de um acordo escrito pré-estabelecido entre o empregador e o empregado, denominado como Acordo de Prorrogação.     
acordo de prorrogação visa atender o empregador, que por natureza da circunstância do momento requer do empregado uma disponibilidade maior de seu horário contratual.

Copiado: http://www.professortrabalhista.adv.br/

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Por que a Playboy está morrendo?

A Playboy está morrendo. No Brasil, ela deixará de ser publicada pela Editora Abril em Dezembro. Um contrato de licenciamento assinado recentemente fará com que ela tenha uma sobrevida. Os novos donos da marca no Brasil querem tentar resgatar o glamour que a revista teve no passado – uma tarefa possível, mas bastante complicada.
Nos EUA, a marca também deixará de existir da maneira como a conhecemos. Ela deixará, por exemplo, de trazer mulheres nuas – o atributo pela qual ela ficou mais conhecida. A publicação irá se transformar numa revista de “Lifestyle”. 
Um reposicionamento tão agressivo que pode fazer com que a marca não sobreviva ao final deste processo.
(A estreia da revista Playboy, com ninguém menos que Marilyn Monroe na capa)
Mas como uma marca icônica como a Playboy pode perecer no mercado? A Playboy já foi forte o suficiente ao ponto de ter centenas de produtos licenciados com seu nome. Possuía programas de TV, produtoras de conteúdo, e dezenas de outros produtos e serviços. E além disso tudo, era uma marca que tinha uma enorme conexão com seu público-alvo. Tinha.
O caso da Playboy é específico nos seus detalhes, mas, infelizmente, comum no tocante à mecânica do que faz uma marca de sucesso fracassar. Para entender o fracasso, precisa-se entender primeiramente a razão do sucesso.
Para criar uma marca de sucesso, é preciso posicionar a marca adequadamente. Um posicionamento, segundo Kotler, é ocupar um lugar “distinto e valorizado na mente de um cliente alvo”. Essa definição chama a atenção para dois pontos importantes: a necessidade de ser definir um público-alvo e oferecer algo que ele valorize; e a necessidade deste item valorizado ser diferenciado daquilo que é oferecido pela atual concorrência da marca. Uma equação simples na teoria, mas muito complexa na prática.
Mas a Playboy conquistou este lugar distinto e valorizado na mente de seus consumidores. O que aconteceu para que ela então perdesse essa posição de destaque e, consequentemente, poder de marca?
As razões são muitas, mas podem ser agrupadas em dois grandes pontos principais: 1) a evolução do cenário da concorrência, e 2) as alterações comportamentais do público-alvo.
1) Os concorrentes da playboy decodificaram os seus principais diferenciais e passaram a oferecer soluções melhores para conseguir roubar parte do seu público alvo.
No início, ela se projetou por mostrar mulheres nuas. Concorrentes internacionais, como a Hustler, e nacionais, como a Sexy, passaram a oferecer isso também, muitas vezes com ensaios mais “ousados”, algo desejado por parte dos consumidores da Playboy.
Para tentar fazer frente à esses concorrentes, a Playboy focou em trazer para seus ensaios os melhores fotógrafos e as mulheres mais desejadas, normalmente aquelas que tinham fama em função de seus trabalhos como modelos ou atrizes.
A Playboy vendia as revistas, e as mulheres tinham acesso à um cachê que dificilmente elas conseguiriam em algum outro lugar. Mas outro tipo de concorrência surgiu – desta vez pelo cachê das modelos. JR Duran recentemente falou sobre isso numa entrevista à Jovem Pan (veja na íntegraaqui): “Antigamente, uma celebridade queria comprar um apartamento e saía na Playboy. Quando começaram a entrar em anúncios e em revistas como a Caras, em que lucravam sem se despir, a revista perdeu espaço”
(Playboy com capa da Feiticeira, de Agosto de 1999, a edição brasileira mais vendida de sua história, com 1.247.000 de exemplares vendidas)
Sem poder trazer mais essas celebridades para suas capas, e com forte concorrência de outras publicações e da própria internet, ela acabou por perder o diferencial de oferecer fotos de mulheres desejadas, nuas, causando um grande prejuízo para a marca.
2) As alterações comportamentais do público-alvo levaram a mudanças de hábitos, interesses e formas de ver o conteúdo disponibilizado pela Playboy e seus concorrentes. Aquilo que era valorizado por eles no passado, passa a ser menos valorizado. Hábitos que eles tinham e que faziam com que o Playboy fosse a melhor opção mudaram, e outras opções passaram a ser preferidas.
Os smartphones e tablets por si só diminuíram o consumo das revistas, e parece que a Playboy não foi muito eficiente em fazer a transição para os meios digitais. Nos meios digitais a concorrência é maior, e oferece conteúdo gratuitamente, o que fez com que a revista fosse perdendo gradativamente a atratividade.
A maneira de consumir também mudou de fotos e textos para vídeos. E parece que a marca teve dificuldade em migrar para esta plataforma, apesar de ter conseguido algum sucesso com a Playboy TV nos EUA. Mas o fato é que o consumidor de mulheres nuas e de produtos de estilo de vida mudou. E talvez a playboy tenha sido pouco eficiente em acompanhá-lo.
Portanto, a Playboy foi eficiente em construir uma marca que foi sucesso durante 40 anos no Brasil. Mas não foi eficiente em conseguir evoluir suficientemente rápido para continuar tendo diferenciais perante a concorrência, e continuar conectada com seu público-alvo, levando à derrocada da marca. Este é o grande problema da gestão de marcas: ela é absolutamente dinâmica.
É sempre triste ver uma marca tão icônica sofrendo, mesmo com a conexão nostálgica que possui com seus antigos consumidores. Afinal, foram muitos os hoje homens que tiveram suas adolescências recheadas de fotos de “playmates”, sua juventude moldada pelos estilos de vida dispostos na revista, e sua vida adulta acompanhada das profundas reportagens e entrevistas que ela costumava publicar. Mas infelizmente ela parece ter falhado em evoluir e continuar a conquistar novos consumidores mais jovens.
Mas esse é o impiedoso mundo das marcas, no qual a falha em manter diferenciais da concorrência e a dificuldade em manter a conexão com o público-alvo levam a um fracasso inevitável.
Por:https://www.linkedin.com/pulse