Mostrando postagens com marcador Mercado de Capitais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mercado de Capitais. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Touro de Ouro: por qual motivo o animal foi o escolhido para ficar na sede da Bolsa?

 


No dia 16/10/2021, foi inaugurada uma escultura em frente a Bolsa de Valores brasileira - B3 que despertou a atenção dos curiosos. Trata-se do já apelidado "Touro de Ouro", uma escultura imponente de quase uma tonelada e 5 metros de altura que está agora na Rua Quinze de Novembro, no Centro da capital paulista.

O touro dourado é uma réplica do Touro de Wall Street, situado no coração financeiro de Nova York e que possui muito simbolismo para os investidores. 


Mas você sabe o motivo do touro ser tão adorado pelas bolsas de valores ao redor do mundo?

Qual o significado do touro?

Dentro do mercado de ações, o touro é uma figura desejada. Isso porque, o touro (bull, no inglês) é utilizado como uma metáfora para a alta de papéis, já que um touro de verdade chifra seus oponentes de baixo para cima, simulando o movimento das ações.

Outro animal tradicional entre os investidores é o urso. Mas este é o mais temido! O medo do urso se deve ao fato de que ter um urso (em inglês, bear) significa que o mercado de ações está em baixa. A metáfora é aplicada justamente porque o urso ataca suas presas com as patas de cima para baixo, assim como ações em queda.

Por conta dessas metáforas, investidores brasileiros e estrangeiros comemoram os tempos de touro (bull market ou bullish) ou sofrem com os tempos de urso (bear market ou bearish).


Aqui no Brasil, viralizaram várias imagens de pessoas em "poses inusitadas" no Touro de Ouro. Mas saiba que essa é uma tradição fielmente seguida pelos investidores. Ao  tocar nas bolas do touro, você pode ser agraciado com muita sorte no mercado de ações!

Entre as esculturas de touros mais famosas estão a de Frankfurt, na Alemanha, e a de Wall Street, nos Estados Unidos. 

Protestos contra o Touro de Ouro:

Na mesma velocidade que o Touro de Ouro foi instalado na frente da B3, ele também foi alvo de protestos. Antes de completar 1 dia nas ruas, o touro amanheceu com um cartaz no estilo lambe-lambe  colado. No cartaz estava a palavra "FOME".

Essa forma de protesto, organizada por movimentos estudantis e de trabalhadores, tem a ver com o simbolismo por trás do touro que, de acordo com a B3, "o novo ponto turístico simboliza o mercado financeiro e a força do povo brasileiro".


Já para os movimentos Juventude Fogo no Pavio e Movimento Raiz da Liberdade, que assumiram o ato no Touro de Ouro, "o que para eles simboliza a força do mercado financeiro, para nós é um símbolo da fome, da miséria e da superexploração do trabalho (...) Mas, também é um lembrete de que continuaremos na luta por uma vida com dignidade. E é por isso que hoje fizemos essa ação simbólica de protesto!".

Copiado: https://www.terra.com.br/

terça-feira, 20 de junho de 2017

Compliance no Brasil e Suas Origens

Com o advento da Lei no 12.846, de 2013 (Lei Anticorrupção), a palavra da língua inglesa compliance – conformidade, em português – parece ter sido inserida definitivamente no vocabulário dos empresários brasileiros.

Isto porque a lei, ao tratar da aplicação das sanções administrativas e judiciais em relação às pessoas jurídicas, trouxe a possibilidade da concessão de benefício às empresas que possuem área de compliance devidamente estruturada, como veremos adiante.

Vale lembrar que se dá o nome de compliance ao conjunto de mecanismos e procedimentos voltados à proteção da integridade e da ética da empresa, com o incentivo institucional à denúncia de irregularidades para apuração e punição.
O que não havia antes de 2014 são os benefícios que podem ser obtidos com a implementação de uma cultura de ética e de controles internos
Ocorre que o conceito do que podemos chamar de uma cultura de compliance não é novo entre nós, como podem pensar alguns.
No Brasil, desde 09/1998, com a publicação da Resolução no 2.554 do Banco Central do Brasil (Bacen), incorporaram-se aqui as regras trazidas da Europa (Comitê da Basiléia para Supervisão Bancária, 1975), e dos Estados Unidos da América (SEC – Securities and Exchange Commission, 1934), onde já existia a filosofia compliance.
Pouco antes, em 1997 o Comitê da Basiléia, do qual o Brasil participa, havia lançado princípios para uma “supervisão bancária eficaz” (Core Principles for Effective Banking Supervision), os quais deveriam ser aplicados por todos os integrantes daquele órgão de cooperação e supervisão bancária internacional.
E em 03/1998 fora publicada no Brasil a Lei no 9.613/98, conhecida como a Lei de Combate aos Crimes de “Lavagem” de Dinheiro.
Além da sua importância penal, a nova lei cuidou de criar entre nós o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – órgão da administração pública federal, no âmbito do Ministério da Fazenda, com a finalidade de disciplinar, aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar as ocorrências suspeitas de atividades ilícitas.

Na Lei no 9.613/98 e nos princípios do Comitê da Basiléia podemos encontrar, portanto, a gênese da Resolução no 2.554/98, que obrigou os bancos brasileiros a criar estruturas e mecanismos efetivos de controles internos e de riscos.

No campo prático, o cumprimento das obrigações impostas na resolução mostrou-se uma tarefa desafiadora.
Num primeiro momento (anos 1999/2000), as instituições financeiras foram obrigadas a criar em seus organogramas áreas específicas de compliance, capacitando os responsáveis por referidas áreas.
Foram elaborados então códigos de ética, cartilhas de conduta no atendimento aos clientes, treinamentos em agências, análise matricial de riscos operacionais e de mercado, entre outras tarefas.
Sem falar na inauguração de uma nova era cultural sempre voltada para a ética e para a completa atenção à conformidade de todos os atos e contratos às leis e demais normas aplicáveis ao ramo de atividade financeira.
Tem-se, pois, que o conceito, a noção e mesmo a existência da área específica de compliance no sistema financeiro brasileiro ocorreu 14 anos antes da entrada em vigor da Lei Anticorrupção. Portanto, nada de novo no conceito de compliance hoje se observa, ainda que agora aplicado a um leque muito mais vasto atividades e com técnicas mais novas.
Também outras empresas, fora do segmento financeiro, foram paulatinamente incorporando em suas estruturas pessoas responsáveis pelo compliance, mesmo antes da Lei no 12.846/13.
O que não havia antes de 2014 em relação ao compliance, e isto sim vem com razão despertando o interesse do empresariado brasileiro, são os benefícios que podem ser obtidos com a implementação daquela cultura ética e de controles internos (pois as sanções poderão ser menores se a empresa estiver cumprindo aquele novo paradigma de comportamento).
Está prevista na Lei Anticorrupção uma espécie de análise da conduta social e da “personalidade” da empresa, método que o legislador de 2013 optou em quase simetria ao sistema de aplicação de sanções do art. 59 do Código Penal.
Dito de outra forma, quanto mais ética e em conformidade às leis e regulamentos estiver de fato a empresa, menor poderá ser a sanção a ela imposta.

Ademais, aliado ao fator legislativo, contribuíram para a expansão do compliance, infelizmente, os escândalos ético/políticos pelos quais o Brasil vem atravessando.
Leia- se aqui, sobretudo, operação Lava-jato, dentre outras conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, sob o crivo do Judiciário.
Como consequência, estamos experimentando o bem-vindo aumento em progressão geométrica da implantação das áreas de compliance nas empresas brasileiras.
Mas não se trata de uma novidade conceitual, uma vez que a cultura de compliance já existe oficialmente no Brasil há anos.
Por André Almeida Rodrigues Martinez - http://www.ibdee.org.br/

terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Home broker" vira vício de investidor compulsivo

Em 2009, o empresário Rafael Slonik, 22, cursava gestão da informação na Universidade Federal do Paraná. Mas o que prendia sua atenção não eram as aulas. Ele estava hipnotizado pela disparada das ações na Bovespa.

Todos os dias, quando o relógio marcava quinze minutos para às 10h, ele puxava o celular, deixava a aula de lado e acompanhava o que acontecia com o mercado.
Captação da poupança dobra no ano e bate novos recordes em julho Bovespa foi melhor aplicação do mês; ouro é último em ranking de ganhos Entenda a diferença entre os investimentos e saiba como aplicar .
O "home broker" -- ferramenta utilizada para operar na Bovespa via internet -- virou um vício. Slonik chegou a atrasar tarefas do trabalho, matar aula e furar programas com amigos para ficar grudado na tela do computador.
"A ideia de estar viciado jamais me incomodou, afinal estava ganhando dinheiro. Mas, relembrando, parece bem estranho", diz.
No auge do vício, em meados de 2009, Slonik dedicava cinco horas por dia ao "home broker" e fazia em média vinte operações por pregão.
"Andava por aí uma pilha de nervos. Teve dia em que passei todo o pregão comprando e vendendo, fiz um lucro excelente, mas fiquei completamente exausto."
Editoria de Arte/Folhapress

RECLAMAÇÕES

As pessoas mais próximas chegaram a reclamar do seu comportamento, conta.
"Minha mãe ficava tensa ao me ver bufando na frente do computador. Eu ia para balada, faculdade, mas não parava de pensar em ações".
O publicitário e empresário Michel Kneit, 29, começou a usar o home broker no final de 2007 e rapidamente se tornou compulsivo.
Depois de ganhar R$ 800 em dois minutos numa operação com opções (investimento mais complexo e pouco comum entre iniciantes), ele se sentiu confiante para aplicar somas mais vultosas e amargou prejuízos.
Kneit investiu R$ 10.000 em ações da Telebrás no mercado à vista e, num intervalo de três dias, viu rapidamente seu capital encolher para R$ 7.000 e depois subir para R$ 9.000. Ele preferiu então sacar os recursos.
"Foram três dias em que não conseguia sair da frente do computador e até sonhava com isso. Tive pesadelos horríveis de que perdia muito mais do que tinha aplicado".
Durante a crise de 2008, Kneit comprava e vendia ações no mesmo dia. Com isso, conseguiu ter ganhos aproveitando a volatilidade dos papéis. Mas isso também trouxe estresse e duas repreensões do chefe na multinacional em que trabalhava.
"Tinha que olhar o mercado toda hora. Isso me deixou estressado. Acessava o "home broker" de cinco em cinco minutos e acabei atrasando obrigações do trabalho."
Depois de o chefe chamar sua atenção, Kneit impôs limites e passou a entrar no "home broker" apenas de hora em hora. Hoje, só investe com foco no longo prazo e usa a ferramenta até duas vezes por dia.

DESCONHECIMENTO
Embora esse comportamento não seja padrão entre investidores, Slonik e Kneit não são os únicos a desenvolverem a dependência.
Segundo Paolo Mason, diretor de varejo da WinTrade ("home broker" da Alpes Corretora), 10% da base de clientes pessoa física opera intensamente no "home broker". Uma parcela não sabe o que está fazendo e tende a perder dinheiro, afirma.
"É um percentual pequeno, mas há uma número considerável de pessoas que operam excessivamente e sem preparo. Às vezes, compram ação de uma empresa sem nem saber o que ela faz."

Por: MARIANA SCHREIBER - http://www1.folha.uol.com.br/mercado