
Por eventos externos, entendemos como fornecedores, concorrentes, sociedade, governo, clientes, condições ambientais. Essa característica externa implica que, por mais que a organização exerça forte influência nestes pontos, os únicos recursos, na maioria das vezes, serão de adaptação à nova condição eventualmente apresentada por eles. Comprometem também os objetivos organizacionais as condições internas da organização, que diz respeito aos seus colaboradores - os clientes internos - referente à cultura e clima organizacionais, condições de trabalho, motivação, etc.
Em ambos os casos é exigida uma grande força de mudança para que os objetivos organizacionais não percam seu ponto de equilíbrio, conforme a figura:
Por ponto de equilíbrio entendemos a mobilização da equipe de trabalho para com os objetivos organizacionais quando sujeitos a influências externas e internas para que eles não sejam frustrados. Qualquer influência negativa de grande força representa uma disfunção, e é necessário reaver o ponto de equilíbrio promovendo as mudanças ou adaptações necessárias.
Para avaliar os impactos destas influências e analisar as mudanças ou adaptações necessárias, as áreas de suporte da organização e a consultoria contribuem, auxiliando na criação e divulgação de novos padrões, como também, criando sistemáticas de verificação.
Entretanto, todos estes esforços não vão surtir efeito se a implantação e mudança não acontecerem, o que nos leva ao principal objeto de estudo deste artigo: a liderança.
Segundo Vicente Falconi, o líder é o único agente de mudanças na organização, e não há outra opção. Para ele, a implantação e mudança são indelegáveis e a liderança é o principal fator que garante resultados. “Sem a liderança nada acontece.”
Esta liderança, tratada por Falconi, não se refere à figura do líder e como ele deve ser, mas uma liderança abordada quanto ao seu conteúdo, que é um processo de acompanhamento e verificação contínuos com foco nos objetivos - ou como ele prefere definir como: cultivo. A ideia de esforço para fazer crescer.
Partindo de sua definição de liderança: “Liderar é bater metas consistentemente, com o time fazendo certo”, Falconi desenvolveu o Conteúdo da Liderança, em uma listagem de itens, chamada de Agenda do Líder, da qual iremos discorrer.
• Modelo da Agenda do Líder (Conteúdo da Liderança) baseada na definição de liderança, idealizado por Vicente Falconi:
Alcançar Metas:
1- Atribuir metas baseadas em lacunas. Trata-se do caminho a ser percorrido até os objetivos - que é o mesmo que os problemas organizacionais. Estas metas devem despertar o desafio nos colaboradores, mas devem ser atingíveis. Os colaboradores têm de se identificar com estas metas acreditando que elas trarão benefícios mútuos entre eles e a organização. Elas devem criar um ambiente propício à motivação, para o que os colaboradores trabalhem felizes, sentindo-se parte de um time de vencedores.
2- Promover o domínio do método pela equipe. O método gerencial trata-se das ferramentas que contribuem com a qualidade e excelência, como o PDCA ou 6 Sigma, que agilizam os processos, uniformizam a linguagem, facilitam o entendimento e aplicação do papel individual dos colaboradores, dentre outras vantagens. Podem ser utilizados para melhorar resultados ou na resolução de problemas.
3- Promover a aquisição de conhecimento técnico do processo pela equipe. O conhecimento técnico é o conhecimento específico necessário para a realização dos processos. Pode ser adquirido através de treinamentos ou pela experiência profissional. Trata-se de saber como fazer determinada tarefa.
Com o time:
1- Recrutar. Refere-se ao estabelecimento e padronização de um Sistema de Recrutamento e Seleção, participando ativamente destes processos para ‘’acertar’’ na contratação e filtrar talentos e pessoas excepcionais para a organização. Os níveis de rotatividade das organizações poderiam ser amplamente diminuídos dados a devida atenção e acompanhamento do processo de recrutamento e seleção.
2- Treinar. O treinamento não é uma despesa, é um investimento altamente compensador para o colaborador e principalmente para a organização. É participar ativamente dos processos de treinamento e desenvolvimento de sua equipe, reconhecer talentos que necessitam de atenções especiais e se comprometer com o desenvolvimento do seu ativo intangível ligado diretamente a conhecimentos.
3- Inspirar. Servir de exemplo e promover um ambiente propício à motivação. Incentivar a visão otimista do futuro e carreira, e do desejo por ‘’algo melhor’’ a cada dia. Promova os sonhos e inspire as pessoas. “Sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno.”
4- Fazer Coaching. O coaching é um processo contínuo de acompanhamento e suporte ao desenvolvimento das pessoas. Ele não faz as mudanças acontecerem, mas oferece condições e direcionamento para que as pessoas se mobilizem a promover estas mudanças. É um treinamento no trabalho.
5- Promover a meritocracia. Significa a valorização do colaborador a partir do seu desempenho. É importante que haja padronização deste processo para que flua de forma honesta e construtiva. O feedback é essencial para que os resultados de desempenho transpareçam aos colaboradores para que a promoção de mudanças e melhoramento ocorra modeladamente.
6- Tirar as pessoas da zona de conforto para que elas se desenvolvam. A resistência a mudanças é um dos principais problemas encontrados pelas organizações quando elas resolvem melhorar os processos, as maneiras de se atingir objetivos, ou qualquer mudança que signifique ao colaborador a reformulação ou adaptação do seu trabalho. Isto impede o desenvolvimento tanto das pessoas quanto, principalmente, da organização. É necessário apresentar para estas pessoas os benefícios das mudanças, para que sintam que é uma transformação positiva.
7- Fazer uma avaliação de desempenho honesta e construtiva. Princípios éticos e de imparcialidade norteiam este ponto, ligado diretamente à retroalimentação das informações de uma maneira que agregue valor, de forma construtiva.
8- Demitir quando preciso. Muitas pessoas estão infelizes com o seu trabalho, e desenvolvem seu papel aquém do esperado. É necessário dar a estas pessoas a oportunidade de serem felizes fazendo algo que gostem.
9- Ter um sistema de incentivos alinhados com metas. Os interesses das pessoas devem agir em consonância com os da organização. A partir daí deve-se criar um sistema de incentivos que promovam a mobilização e motivação do colaborador para o atingimento das metas.
Fazendo Certo:
1- Promover cultura única. Promover a fixação de valores que direcionam e influenciam atitudes. Está ligada diretamente com a sua imagem, a imagem da organização e a visão de futuro. Deve ser levado em consideração na avaliação de desempenho por representar um ‘código de conduta’, que pode ter caráter informativo e educativo, como punitivo.
2- Cultura de alto desempenho. Consiste em exigir o melhor e o máximo de todos, superando objetivos e atribuindo valores aos que os superam. Constante batimento de metas.
3- Cultura de fatos e dados e honestidade intelectual. Racionalizar a tomada de decisões com base em fatos e dados. Utilizar a visão sistêmica e o senso crítico para enxergar além deles e absorver informações preciosas, muitas vezes ocultadas pelos dados e estatísticas. Valorizar a honestidade intelectual
4- Cultura de enfrentamento de fatos. Significa transmitir as informações de maneira clara, honesta e objetiva, tanto as boas quanto as ruins, da maneira como são. Maximiza o potencial de melhoramento quando e valorizado a busca de fatos e dados para analisar eventos. Sem omissão de informação as chances de acerto são maiores.
5- Alinhamento com os valores da empresa. Tudo deve ser trabalhado e gerenciado em consonância aos objetivos da empresa. Líder e organização devem caminhar juntos. Se algo não está indo ao encontro dos objetivos organizacionais, promova a adaptação ou modificação necessários para que entrem em sintonia.
A aplicabilidade da Agenda do Líder demanda muito esforço, dedicação e principalmente compromisso, pois é uma tarefa difícil de implementação. E o compromisso envolve o crescimento e aperfeiçoamento mútuos e constantes entre indivíduo e organização. Ao aplicar estes quesitos no seu gerenciamento visando resultados, tenha sempre o espírito de excelência para que possa sempre bater metas consistentemente com o time fazendo certo.
Bibliografia:
FALCONI, Vicente. O verdadeiro PODER. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda, 2009.
Por: Gustavo Lincoln - http://gustavolincolnadm.blogspot.com/
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