quinta-feira, 25 de maio de 2023

CFA Talentos vai conectar profissionais de Administração com o mercado

O Conselho Federal de Administração (CFA) lançou o CFA Talentos. 

A iniciativa, desenvolvida pela Câmara de Estudos e Projetos Estratégicos (Cepe) da autarquia, visa conectar os profissionais de administração às oportunidades do mercado de trabalho por meio de uma plataforma. 

O lançamento ocorreu durante a reunião plenária do CFA.

A proposta de criar um site para colocar os empregadores em contato com os profissionais de administração foi idealizada pela administradora Ione Macêdo Salem quando ela era, em 2019, vice-diretora da Cepe. 

A gestão mudou, mas os atuais membros da Câmara –  o diretor, Adm. Marcos Kalebbe Saraiva Maia Costa; a vice-diretora, Adm. Norma Sueli Costa de Andrade; e o membro da Cepe, Adm. Jorge Henrique Mariano Cavalcante – abraçaram a ideia e, em um esforço conjunto, trabalharam para dar vida ao CFA-Talentos.
“Esse portal é resultado de toda uma vida profissional. Durante minha trajetória, algo sempre me inquietava: a questão legalista, fiscalização meramente punitiva. Mas como vou fiscalizar se as pessoas estão desempregadas? E eu defendi o que chamo de fiscalização sustentável”, disse Ione.

A administradora parabenizou o CFA pelo trabalho e fez questão de congratular a equipe que esteve diretamente envolvida na concepção e execução do projeto CFA Talentos. “Este é um portal que deve fundir todas as iniciativas do CFA. 

Ele é o caminho, uma luz para os profissionais de administração que acabaram de se formar e querem chegar ao mercado de trabalho”, afirmou. 
Kalebbe também agradeceu o Conselhos e ressaltou que o momento era de “muita alegria”.
“O maior sonho do bacharel em Administração é entrar no mercado de trabalho. Essa é uma plataforma 100% gratuita que vai ajudar a conectar profissionais com as empresas”, destacou o diretor da Cepe.

O presidente do CFA, Mauro Kreuz, ressaltou que o lançamento do CFA Talentos precisa ser amplamente comemorado. “Em meio a tantas notícias tristes conseguimos produzir algo útil. 

Tenho orgulho de ser profissional de administração e fazer parte da gestão que está fazendo esta importante entrega para os profissionais de administração de todo o país”, enalteceu.


O portal CFA-Talentos foi idealizado pelo CFA e todo o projeto e concepção do site foi executado por colaboradores da autarquia. Além disso, a iniciativa contou com a colaboração externa dos administradores Patrícia Luíza Ireno e Josedir Tadeu Gonçalves.

Para começar a usar o CFA-Talentos acesse https://cfatalentos.org.br/.

 Ana Graciele Gonçalves
Assessoria de Comunicação CFA 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Segurança Digital - Você acha que sua PME está protegida ?


Microempresas Enfrentam o Triplo de Ameaças Cibernéticas Comparado a Outras

Você administra um negócio próspero, mas não o classificaria como enorme. Você acredita que a cibersegurança da sua microempresa é beneficiada por esse fato?

Talvez esteja sob a impressão de que um cibercriminoso não estaria interessado em seus ativos?

Seria compreensível se você acreditasse que a cibersegurança da sua microempresa está protegida por manter um perfil discreto.

Lamentavelmente, no entanto, microempresas são três vezes mais suscetíveis a ataques de hackers em comparação com suas contrapartes maiores.

No início deste ano, um estudo de pesquisa da Barracuda Networks dissipou esse equívoco comum mantido por muitas microempresas.

O estudo analisou milhões de e-mails e incorporou dados de milhares de organizações. Para microempresas, a segurança de TI é uma questão proeminente.

A Barracuda Networks descobriu um fato preocupante. Funcionários em microempresas encontraram 350% mais ataques de engenharia social do que aqueles em organizações maiores.

Para este estudo, pequenas empresas são caracterizadas como aquelas que empregam menos de 100 pessoas.

Existem inúmeras razões pelas quais os hackers percebem a cibersegurança da microempresa como presa fácil, tornando-os alvos cada vez mais atraentes para cibercriminosos em busca de um lucro ilícito rápido.

Agora, vamos mergulhar em por que essa tendência preocupante está surgindo.

A Cibersegurança das Microempresas é Frequentemente Subfinanciada

A gestão financeira de uma microempresa é muitas vezes um ato de equilíbrio. Embora você possa reconhecer a importância da cibersegurança, ela pode não estar no topo da sua lista de prioridades.

Consequentemente, à medida que o orçamento mensal se esgota, as despesas planejadas são empurradas para a “lista de desejos futuros”.

Um orçamento de cibersegurança de microempresa é comumente insuficiente e classificado baixo na lista de prioridades de gastos.

Muitos indivíduos acreditam que a compra de uma solução antivírus proporciona proteção suficiente.

No entanto, com a mudança tecnológica para serviços baseados em nuvem, essa é apenas uma camada. Camadas adicionais são necessárias para uma proteção abrangente.

Esses elementos tornam as microempresas um alvo mais fácil para os hackers. Os pagamentos geralmente são mais fáceis de garantir do que nas grandes corporações.

Cada Negócio Possui Ativos Atraentes para Hackers

Cada empresa – até mesmo empresas individuais – possui dados valiosos para um hacker.

Informações como detalhes de cartão de crédito, números de segurança social, números de identificação fiscal e endereços de e-mail são mercadorias preciosas na posse de um criminoso.

Cibercriminosos podem negociá-los na "Dark Web" por dinheiro rápido, sem precisar explorá-los ainda mais.

Posteriormente, outros criminosos usam esses dados para fraude de identidade.

Aqui está uma lista de dados que os hackers normalmente buscam:

  • Bancos de dados de clientes;
  • Bancos de dados de funcionários;
  • Detalhes bancários;
  • Credenciais de e-mail e senhas;
  • Informações de cartão de crédito.

Embora esses sejam geralmente os mais simples de roubar e monetizar, eles não são os únicos alvos.

Os criminosos geralmente exibem um nível de criatividade e inovação que corresponde aos indivíduos trabalhadores que eles exploram.

Microempresas Podem Servir de Portal para Corporações Maiores

Uma violação de rede em uma microempresa pode muitas vezes levar a lucros significativos para um hacker.

As pequenas empresas costumam prestar serviços a entidades maiores, incluindo marketing digital, administração de sites, contabilidade e muito mais.

O sistema de um fornecedor pode estar digitalmente ligado ao sistema de um cliente. Essa conexão pode permitir uma violação em várias empresas.

Embora tal conexão não seja necessária para um cibercriminoso infiltrar-se em sua rede, é um bônus bem-vindo. Eles podem explorar duas empresas pelo esforço de uma.

Proprietários de Microempresas Muitas Vezes Estão Mal Preparados para Ataques de Ransomware

O ransomware tem sido uma das ameaças cibernéticas de crescimento mais rápido nos últimos anos. Apenas em 2022, mais de 71% das organizações pesquisadas relataram ataques de ransomware.

A porcentagem de vítimas que pagam o resgate exigido também aumentou. Atualmente, uma média de 63% das empresas paga a soma exigida na esperança de receber uma chave de descriptografia.

Mesmo que um cibercriminoso não consiga extorquir tanto de uma microempresa quanto de uma grande corporação, muitas vezes ainda vale a pena.

Com diz o ditado : " de grão em grão a galinha enche o papo."

Funcionários de Pequenas Empresas Geralmente Não São Treinados em Cibersegurança

Há mais um ponto que se destaca como uma causa líder de falhas na cibersegurança de pequenas empresas.

Muitas vezes, o treinamento em cibersegurança para funcionários é mínimo na melhor das hipóteses, completamente ignorado na pior.

Nesse sentido, é completamente compreensível.

Não é fácil reter funcionários de alto nível.

Você precisa pagar salários de qualidade, oferecer bons benefícios e, às vezes, aceitar certas fraquezas em troca dos talentos extraordinários que eles proporcionam ao seu negócio.

Além disso, vendas, operações e atendimento ao cliente são muitas vezes suas maiores prioridades.

Quando foi a última vez que você perguntou, "Quão habilidoso você é para identificar golpes de phishing?", em seu processo de entrevista?

O que são golpes de Phishing ?

É um tipo de trapaça que acontece na internet. Basicamente, é como se alguém estivesse se passando por outra pessoa ou empresa para te enganar e pegar suas informações pessoais.

Por exemplo, imagine que você recebe um e-mail que parece ser do seu banco, dizendo que você precisa atualizar suas informações.

O e-mail tem a logo do banco, o mesmo tipo de linguagem que o banco usa, e até mesmo um link para um site que parece exatamente com o do banco.

Mas se você clicar no link e inserir suas informações, elas não irão para o banco, mas sim para a pessoa que enviou o e-mail.

Essa é a essência do phishing: fazer-se passar por uma fonte confiável para obter informações pessoais.

Quando se trata de cibersegurança de pequenas empresas, muitas vezes não há treinamento para funcionários sobre como identificar phishing e as melhores práticas de senha.


Desta forma, as redes estão vulneráveis a uma das maiores ameaças: o erro humano.

Você vê, mais frequentemente do que não, os hackers precisam da ajuda de um usuário para realizar um ciberataque. Isso nem mesmo quer dizer que é intencional; geralmente, o funcionário não tem ideia do que está acontecendo.

Em outras palavras, é como um vampiro esperando por uma vítima desavisada para convidá-lo para entrar.

Seja por e-mail, arquivo PDF, ataque nas redes sociais, ou qualquer um dos inúmeros métodos, golpes de phishing enganam as vítimas desavisadas a cooperar.

O fato permanece: Phishing é responsável por mais de 80% das violações de dados.

Na maioria dos casos, e-mails de phishing em uma caixa de entrada são inúteis. Eles precisam que o usuário abra um anexo ou clique em um link que os levará a um site malicioso. Isso, então, inicia o ataque.

Você pode melhorar a cibersegurança de sua microempresa ensinando aos funcionários como identificar esses golpes. Além de um firewall robusto e antivírus, o treinamento em conscientização de segurança é crucial.

Enfrentando a Cibersegurança das Microempresas

Grande ou pequena, nenhuma empresa está imune a ataques cibernéticos.

E, porque as grandes empresas costumam ter recursos profundos, grandes equipes de TI e proteção de software extensa, a cibersegurança de microempresas é quase sempre mais fácil de violar.

No entanto, isso não significa que você não tenha soluções eficazes e acessíveis disponíveis.

Desde programas de treinamento até opções de monitoramento econômicas, soluções de qualidade estão sempre ao seu alcance.

PROCURE UM ESPECIALISTA.

Copiado: https://www.linkedin.com/in/luizmoura-cybersecurity

sexta-feira, 19 de maio de 2023

MATRIZ GUT - Guia completo


 Hoje falaremos sobre uma ferramenta muito utilizada pelas empresas para priorizar os problemas que devem ser atacados pela gestão, bem como para analisar a prioridade que certas atividades devem ser realizadas e/ou desenvolvidas, em situações como: solução de problemas, estratégias, desenvolvimento de projetos, tomada de decisões etc. Esta ferramenta se chama Matriz GUT, sigla utilizada para resumir as palavras Gravidade, Urgência e Tendência.

É uma ferramenta muito importante para a gestão de problemas dentro de uma empresa, e se mostra bastante eficaz, apesar da simplicidade no desenvolvimento e manutenção. Ela está ligada, geralmente, à Matriz SWOT e sua análise dos ambientes interno e externo da empresa, onde analisa a prioridade de resolução de um problema, que pode estar dentro ou fora da empresa.

A grande vantagem em se utilizar a Matriz GUT é que ela auxilia o gestor a avaliar de forma quantitativa os problemas da empresa, tornando possível priorizar as ações corretivas e preventivas para o extermínio total ou parcial do problema. A sua montagem e utilização são muito fáceis, e serão explicadas neste texto, fiquem de olho.

COMO MONTAR A MATRIZ GUT

PRIMEIRO PASSO

O primeiro passo para montar a Matriz GUT é listar todos os problemas relacionados às atividades que você terá que realizar em seu departamento, sua empresa ou até mesmo suas tarefas em casa, por exemplo. Montando uma matriz simples, contemplando os aspectos GUT e os problemas a serem analisados.

Segundo passo

Em seguida você precisa atribuir uma nota para cada problema listado, dentro dos três aspectos principais que serão analisados: Gravidade, Urgência e Tendência.

·         Gravidade: Representa o impacto do problema analisado caso ele venha a acontecer. É analisado sobre alguns aspectos, como: tarefas, pessoas, resultados, processos, organizações etc. Analisando sempre seus efeitos a médio e longo prazo, caso o problema em questão não seja resolvido;

·         Urgência: Representa o prazo, o tempo disponível ou necessário para resolver um determinado problema analisado. Quanto maior a urgência, menor será o tempo disponível para resolver esse problema. É recomendado que seja feita a seguinte pergunta: “A resolução deste problema pode esperar ou deve ser realizada imediatamente?”;

·         Tendência: Representa o potencial de crescimento do problema, a probabilidade do problema se tornar maior com o passar do tempo. É a avaliação da tendência de crescimento, redução ou desaparecimento do problema. Recomenda-se fazer a seguinte pergunta: “Se eu não resolver esse problema agora, ele vai piorar pouco a pouco ou vai piorar bruscamente?”.

As notas devem ser atribuídas seguindo a seguinte escala crescente: nota 5 para os maiores valores e 1 para os menores valores. Ou seja, um problema extremamente grave, urgentíssimo e com altíssima tendência a piorar com o tempo receberia uma pontuação da seguinte maneira:

Gravidade  = 5  |  Urgência = 5  |  Tendência = 5


Ao final da atribuição de notas para os problemas, seguindo os aspectos GUT, faz-se necessário produzir um número que será o resultado de toda a análise e que definirá qual o grau de prioridade daquele problema. O cálculo é feito da seguinte forma: pega-se os valores de cada problema e multiplica-se desta maneira (G) x (U) x (T). Para o exemplo acima, o produto desta multiplicação seria = 125, ou seja, o fator de prioridade deste problema, segundo a Matriz GUTserá 125. O que, dentro de uma comparação com outros problemas, indicará se ele é ou não o mais urgente a ser atacado.

Para muitos, o fato de simplesmente atribuir notas para os problemas pode parecer algo um pouco subjetivo, baseado apenas no “achismo”. Por este motivo, recomenda-se que, no momento de atribuir as notas, você pense nos fatores da seguinte maneira:

Terceiro passo

Após definir e listar os problemas e dar uma nota à cada um deles, é necessário somar os valores de cada um dos aspectos: Gravidade, Urgência e Tendência, para então obtermos aqueles problemas que serão nossas prioridades. Aqueles que apresentarem um valor maior de prioridade serão os que você deverá enfrentar primeiro, uma vez que serão os mais graves, urgentes e com maior tendência a se tornarem piores.

Algumas pessoas costumam usar o Gráfico de Pareto em conjunto com esta ferramenta para a análise das prioridades. Porém, não há uma regra. Você pode combinar a Matriz GUT com outras ferramentas ou utilizá-la sozinha.

EXEMPLO DE MATRIZ GUT

Abaixo, podemos ver um exemplo simples de elaboração de uma Matriz GUT pronta. Nela consideramos problemas corriqueiros em uma empresa, com a única finalidade de exemplificar o que foi dito aqui.


Na Matriz GUT mostrada acima, os problemas foram classificados pelas notas de 1 a 5, depois obteve-se o grau crítico, obtido pela multiplicação GxUxT e, posteriormente, foi estabelecida a sequência de atividades, elencando aquelas que são mais graves, urgentes e com maior tendência de piorar. Assim, a ordem de ataque aos problemas pode ser concebida sem maiores problemas, dando subsídios para a tomada de decisão dos gestores.

Você pode utilizar esta ferramenta para inúmeras finalidades, contando sempre com as vantagens de possuir uma utilização fácil, que pode ser manuseada por qualquer funcionário. 

Aprenda a identificar os problemas que devem ser analisados e faça um ótimo proveito da Matriz GUT. Ela com certeza irá auxiliá-lo a priorizar as ações a serem executadas para acabar com diversos problemas em sua empresa.

Por: Gustavo Periard - http://www.sobreadministracao.com/

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Assessoria ou Consultoria: o que pode ser melhor para o seu negócio?


Atingir um lugar de valor no mercado é a meta das organizações que, muitas vezes, recorrem ao olhar externo de consultorias e assessorias para auxiliá-las em seu desenvolvimento. Conheça as diferenças entre as soluções e defina qual é a ideal para a sua empresa 

Atentas às constantes atualizações e complexidades do mercado, empresas de diferentes segmentos e portes têm recorrido à expertise dos serviços de consultoria e assessoria que, com uma visão externa à organização, assumem o papel de redefinir estratégias e trazer novas ideias, além de auxiliar no desenvolvimento e crescimento do negócio.

Embora cada um dos serviços apresente resultados distintos, ambas as soluções podem criar diagnósticos da organização, bem como analisar a empresa, discutir seus problemas e propor alternativas para solucioná-los. “No entanto, enquanto o consultor encerra seu trabalho ao apresentar suas recomendações, o assessor geralmente se envolve na resolução do problema, ou seja, ajuda a implantar a solução proposta”, explica Adriano Correa, partner, advisory & corporate finance da BDO Brazil, quinta maior empresa de auditoria e consultoria do país.

O trabalho de consultoria pode ser realizado em uma área específica, em conjunto com outros setores ou, ainda, abrangendo toda a empresa. Após a análise do diagnóstico é feita a emissão de um parecer técnico com apontamentos, sejam eles positivos ou relacionados à necessidade de aperfeiçoamento, da real situação em que se encontra a organização, bem como sugestões de melhorias. “A partir da apresentação do relatório, os gestores, com ou sem o apoio do consultor, decidem a melhor forma de atender às observações”, completa o Adm. Anderson Murilo de Lima, representante institucional do CRA-SP e sócio-diretor da Celleiro Mundial Consultoria Ltda, empresa especializada em gestão de pequenas e médias empresas. 

O administrador comenta, ainda, que o trabalho de assessoria entra em cena quando a organização não dispõe de colaboradores com conhecimento técnico suficiente para executar as propostas indicadas pelo consultor. “A assessoria auxilia nos processos e implementa soluções alinhadas ao relatório da consultoria. A velocidade dos resultados vai depender de vários fatores, como recursos financeiros disponíveis, infraestrutura, recursos humanos, legislação, além de um ponto muito importante: a interação junto aos setores da organização”, diz Lima.

Em que momento é recomendável buscar por esses serviços?

São vários os motivos que levam as companhias a procurarem por uma consultoria ou assessoria. Diogo Dias, sócio e líder da área de Riscos, Governança e Compliance da KPMG, organização global referência nos segmentos de Audit, Tax e Advisory, lista alguns: a necessidade de atendimento a novas regulamentações, a avaliação de riscos aos negócios e aos processos, além das questões estratégicas e de compliance.

Além desses fatores, outras razões tornam recomendáveis a presença de um especialista externo na organização, segundo o sócio da BDO. A primeira delas é quando a empresa se depara com um problema que não consegue resolver sozinha, seja por falta de capacidade técnica ou porque teve um crescimento acelerado sem o devido acompanhamento de capital humano. 

Outra situação é o aumento de uma demanda pontual, que pode ser sanada por um especialista sem a necessidade de se manter o recurso durante o ano todo. Além disso, existem as decisões arriscadas, que são sempre difíceis de serem tomadas. “Muitos gestores optam por consultar um terceiro para alinhar as prioridades, discutir rotas possíveis e validar com uma fonte externa suas ideias, antes de apresentar aos acionistas”, conta Dias. 

Entre as vantagens da contratação de apoio profissional está o fato de a organização manter-se sempre atualizada com as melhores práticas, tendências e regulamentação. “Algumas empresas entendem que a visão de um consultor/assessor especialista no tema e com experiência de mercado traz um diferencial competitivo para o negócio”, revela o sócio da KPMG.

O que é preciso saber antes de contratar esses serviços?

Segundo Ronaldo Fragoso, sócio de Risco Regulatório e líder do Alliance Program da Deloitte, organização global líder em serviços de Auditoria, Consultoria, Assessoria Financeira e Risk Advisory, a empresa que deseja contratar uma organização de serviços consultivos deve conhecer o portfólio e as capacidades técnicas da contratada. “Entender exatamente o desafio e os objetivos de cada organização e o que cada uma precisa para se desenvolver e atingir um lugar de valor no mercado, alinhando isso com o profissional da área, é o que vai determinar a eficácia da contratação de uma empresa de aconselhamento”, sugere.

Por isso, é essencial que a organização saiba, de forma clara, o tipo de ajuda que deseja, afinal, as necessidades de cada negócio são muito particulares e podem levar a soluções distintas. Daí em diante, a empresa consegue afinar os critérios de seleção do assessor ou consultor que melhor irá auxiliá-la. “Conheça sua demanda. Se você busca um diagnóstico do seu negócio e análise de cursos de ação alternativos, talvez um consultor seja suficiente para ajudá-lo. No entanto, se precisar de ajuda também na implantação do plano, talvez seja viável investir em um assessor”, afirma Correa.

Outro ponto importante, destacado pelo diretor da Celleiro, é o de avaliar se a consultoria ou assessoria está legalmente constituída, se cumpre os prazos determinados e se o profissional ou a empresa estão devidamente registrados no CRA ou no respectivo conselho de classe (caso seja de outro campo de atuação). Além disso, é necessário exigir a apresentação das certidões de nada consta de tributos, entre outras informações que julgar importantes.

Dia a dia

Como cada empresa tem a sua própria cultura, o desafio mais comum que os especialistas encontram na implementação de melhores estratégias é o de customizar os projetos. “O mesmo tema em empresas similares pode ter soluções diferentes. Entender as particularidades da organização é essencial para o sucesso da consultoria”, afirma o sócio da KPMG.

Há, ainda, o risco de ruídos de comunicação com o público interno da empresa, que pode prejudicar o projeto. “É comum ter colaboradores na companhia que acreditam que os consultores e assessores estão lá para substituí-los, realizar operações de downsizing (redução de pessoal ou custos) ou identificar falta de competência interna, o que não é o caso. A alta administração da empresa pode reconhecer o mérito de seus colaboradores e, buscando o seu sucesso, trazer auxílio externo para potencializar o trabalho e desempenho de suas equipes. No entanto, quando falham em comunicar isso, os colaboradores que se sentem ameaçados começam a não cooperar e a torcer contra o projeto, prejudicando seu andamento, a qualidade das análises e/ou o cronograma de implantação das melhorias propostas”, comenta o sócio da BDO.

Área em alta

Em um cenário geral de mercado, o setor de consultoria tem se firmado como um grande segmento de pequenos negócios. De acordo com a edição 2019 da pesquisa “Perfil das Empresas de Consultoria do Brasil”, realizada pelo Laboratório da Consultoria, com execução da Método Estratégia e sob responsabilidade do consultor Luiz Affonso Romano, as pequenas empresas respondiam por 84% dos negócios na área e as gigantes representavam apenas 1,8%. Há, também, uma grande demanda por esses serviços nos setores de agro, indústrias, saúde, energia, varejo, TMT (tecnologia, mídia e telecomunicações) e startups.

Segundo Fragoso, o mercado de consultoria vive um momento de crescimento e transformação. Ele conta que na Deloitte há um leque de Advisory (envolvendo assessoria e consultoria), que vai além do aconselhamento e abrange uma gama diversa de soluções. Nesse leque existem diferentes frentes, sendo a consultoria empresarial o maior negócio da organização no Brasil, em franca expansão: cresceu 26% no ano fiscal de 2021 e o dobro dessa taxa em 2022. A área atualmente corresponde a 29% das receitas da empresa e deve chegar, em 2024, a um terço delas.

 “Essa frente de negócio ultrapassa o papel tradicional de aconselhamento simples e dedica-se a executar uma mudança completa, partindo da estratégia, executando a implementação e assumindo a operação. Temos implementado projetos vultosos de transformação digital entre os maiores do mercado”, diz Fragoso.

Contudo, na visão do sócio da BDO Brasil, o mercado estava bem aquecido até o ano passado, pois apesar dos efeitos da pandemia o País vivenciava um período de prosperidade econômica, em comparação a seus pares. Em 2021, por exemplo, houve um número expressivo de fusões e aquisições e, nos últimos anos, um grande volume de IPOs (ofertas públicas iniciais) e investimentos externos.

“Em 2023, vemos vários países antecipando a crise econômica. No Brasil, diversos especialistas estão pessimistas em relação à economia, o que, somado à turbulência política e insegurança jurídica, não contribui para visões otimistas de mercado. Assim, é possível que muitas empresas reduzam gastos e investimentos até que a situação econômica se estabilize. Entretanto, problemas também são oportunidades. Crises levam as empresas a reverem seus modelos de negócios, orçamentos e planejamentos. Nesses momentos, é comum que elas contem com consultores e assessores externos para ajudar em redução de custos, operações de turnaround (retomada) e recuperações judiciais e extrajudiciais, o que gera oportunidade de serviços”, explica Correa.

 Consultoria e assessoria para PMEs

Assim como as grandes corporações recorrem ao apoio especializado de consultorias e assessorias, as pequenas e médias empresas, bem como as organizações familiares, também buscam alternativas que as mantenham vivas, ativas e que, sobretudo, possibilitem concretizar a expansão de seus negócios passando o legado às próximas gerações.

No entanto, ainda há uma lacuna de dúvidas e inseguranças dos CEOs no que tange ao momento certo de “quebrar a casca” e procurar soluções por meio de ajuda profissional, seja uma consultoria ou assessoria. “Muitos empreendedores têm a postura e a crença de que apenas eles têm competência para solucionar os problemas que vão surgindo em seu empreendimento. Aliado a esta postura, há a falta de recurso financeiro disponível, de planejamento, de atendimento adequado à legislação e de informações sólidas e confiáveis sobre onde buscar ajuda”, comenta Lima.  

O especialista afirma que ainda há a necessidade de se trabalhar o acesso das MPEs ao trabalho de consultoria e assessoria, bem como o contexto de informações sobre o setor, mas que, independente do porte da organização, o atendimento sempre é pautado na ética, na transparência e na clareza das necessidades a serem atendidas. 

Oportunidades para os administradores

As áreas de consultoria e assessoria são um grande mercado para os administradores. De acordo com a pesquisa de boas-vindas, realizada pelo CRA-SP em 2022 e que contou com 931 respostas, 14,1% dos profissionais que se registraram no Conselho no ano passado atuam em assessoria ou consultoria empresarial. As áreas ficaram em segundo lugar no levantamento e perderam apenas para finanças, setor que engloba uma série de vertentes e que teve 15,6% das respostas. 

Para se destacar nesse segmento, é importante que o profissional saiba aliar habilidades técnicas à soft skills e se desenvolva constantemente para entender as dores do mercado. “Conhecer a necessidade e as soluções mais modernas existentes para ajudar o cliente no processo de transformação e resolução de problemas é o que abrirá as portas aos profissionais e garantirá o sucesso deles”, sugere Fragoso.

Além de gostar de resolver problemas, o profissional precisa ser responsável, criativo, trabalhar bem em equipe e saber se comunicar. “É necessário investir na busca contínua de conhecimento, principalmente em idiomas, dado que há muitas demandas que envolvem mais de um país. E, claro, ter domínio de programas básicos como editores de planilhas eletrônicas, processadores de texto, softwares de apresentação de slides e de análise de dados”, conclui Correa.

Por Karen Rodrigues - https://crasp.gov.br/