terça-feira, 19 de outubro de 2021

Home Office não é para todos, dizem especialistas


Trabalhar em casa sempre foi o sonho de muita gente. A liberdade de atuar no conforto do lar sempre pareceu curiosa, reluzente e, para muitas pessoas, impossível. Pelo menos, até o mundo ser tomado pela pandemia da Covid-19. 

O gravíssimo surto do novo coronavírus acelerou o processo de digitalização e modernização de muitas empresas, que precisaram mover as operações para a casa dos funcionários. Foi aí que muita gente saiu de um modelo tradicional de trabalho presencial para o formato de home office que, em muitos casos, veio mesmo para ficar. 

O problema é que, com as limitações necessárias por causa da circulação do vírus, não havia para onde fugir depois do expediente. Era do quarto para a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para o banheiro... A hora do café ficou mais solitária e silenciosa, e passou a ser mais difícil se desligar e se desconectar do ambiente corporativo e profissional. 

Reprodução/Twitter
Reprodução de tweet

Foi quando percebeu-se uma bifurcação: sem grandes válvulas de escape, muitas pessoas começaram a ter dificuldades para trabalhar, como falta de foco e concentração, e muitas outras se envolveram desmedidamente no trabalho, em alguns casos até mesmo dobrando suas jornadas. 

Ellen Gomes, de 21 anos, passou por tudo isso. A jovem, que trabalha com Bioinformática no Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em São Paulo, sempre atuou de forma presencial até março de 2020, que de um jeito ou de outro mudou a vida de todos nós. "Eu achava um ambiente muito monótono. Tinha dificuldade de concentração ou excesso de foco e, às vezes, ficava trabalhando até muito tarde. Sinto que no home office tudo se mistura e não dá pra separar muito bem os horários, pelo menos pra mim", conta.  

Como bióloga, a falta do trabalho presencial teve mais um agravante. "Eu trabalho em um lugar bem arborizado e, nos intervalos de cafezinho, a vista é bem bonita, o que já dá um descanso mental. Isso é uma coisa que me incomodava também. No meu micro apartamento, os cômodos são apertados e eu não conseguia ver nenhum verde além das minhas plantinhas, o que me deixava triste".  

Atualmente, Ellen está trabalhando de forma híbrida: presencialmente três vezes por semana e dois dias em casa. Mas o desejo é voltar ao 100% presencial o mais rápido possível, inclusive por causa da qualidade do que faz. "Acredito que, como em vários outros tipos de trabalhos, o meu demanda uma certa troca de conversas e ideias, que eu não consigo ter no home office. Além de que, no laboratório, todo o ambiente é feito exclusivamente para que você consiga focar e tenha tudo o que precise".  

Foto: Arquivo Pessoal
A bióloga Ellen Gomes sente falta de estar todos os dias no escritório

"Parece que eu trabalho da hora que acordo até a hora de dormir"

A advogada carioca Marcia Almeida Leão passa pelas mesmas situações. "Eu realmente não gosto de home office. Acredito que a questão do ambiente de trabalho seja algo relevante pra mim. Eu sou mais produtiva no escritório. Talvez pelo fato de que, lá, minha única preocupação é o meu trabalho, enquanto que em casa eu acabo me atentando a diversas outras coisas", diz. 

Marcia ressalta que, muitas vezes, as tarefas do trabalho se confundem com as da casa, o que atrapalha o desenvolvimento do seu ofício. "Tem também a questão de não existir um horário de fim de expediente. Parece que em home office o trabalho se duplicou e eu trabalho da hora que acordo até a hora de dormir, o que não acontecia no escritório físico, onde eu chegava às 8h30 e saía às 18 horas pra ficar livre o resto do dia". 

Ela também trabalha em casa desde março de 2020 e só deve voltar a atuar 100% presencialmente a partir de janeiro de 2022, após todos os funcionários da empresa estarem vacinados com as duas doses. "Estou bem ansiosa para voltar e poder me concentrar melhor e de maneira mais eficiente nas minhas tarefas diárias. Acredito que, como antes, vai ser difícil, até porque o escritório vai adotar o sistema híbrido e vai ser difícil ter toda a equipe junta todos os dias", diz a advogada, que vê na vacinação uma esperança para que todos os colegas de trabalho se aproximem, como era antes. 

"Ninguém estava preparado para ter um escritório ou uma escola dentro de casa"

A posição do presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Mauro Kreuz, é firme: casa não é lugar de se trabalhar. "O lar é um local para descansar, curtir amigos e família e, de repente, tornou-se um ambiente múltiplo e as pessoas começaram a acumular funções. Ninguém estava preparado para ter um escritório ou uma escola dentro de casa. Isso não é normal! A casa não foi feita para abrigar tantas ocupações", diz.  

Kreuz lembra que, embora essa modalidade já fosse praticada antes da pandemia, tudo mudou com as limitações necessárias por causa do isolamento social. Afinal, as pessoas precisaram ficar somente em casa, quando estudos sociológicos apontam a necessidade das relações presenciais. "Crianças, por exemplo, quando expostas em demasia a telas, ficam mais propensas a desenvolverem distúrbios alimentares, déficits de atenção e outros problemas", explica o administrador. 


Citação
A tecnologia possibilitou essa nova realidade, mas é possível ter a mente sã nesse cenário? Creio que não
Mauro Kreuz, presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)

Nessa realidade tão desafiadora, é importante lembrar que os empregadores têm responsabilidade sob a manutenção da saúde mental de seus funcionários. "As empresas precisam ser sensíveis quanto a isso e promover mecanismos para que estes colaboradores, uma vez em home office, não sejam tão afetados psicologicamente. De que forma? Estabelecendo novas metas, flexibilizando os horários de trabalho e melhorando a comunicação".  

Outro ponto abordado por Kreuz é a criação comitês para o acompanhamento da saúde dos funcionários. Ele defende que, ao menor sinal de que algo pode não estar indo bem, é preciso que haja acolhimento e disponibilidade, enxergando cada colaborador não como uma máquina, mas como um ser humano. 

Divulgação/Conselho Federal de Administração
Mauro Kreuz defende que as empresas flexibilizem os horários e melhorem a comunicação

Sinais de alerta que indicam esgotamento

A psicóloga Beatriz Sabrina Soares Martins concorda com Kreuz. "A organização deve estar bem preparada para dar o suporte necessário quando é definido o regime de trabalho. Algumas empresas têm oferecido serviços de apoio psicológico aos funcionários e esse tipo de serviço tem sido muito eficaz tanto para tratamento psicológico quanto também para apoio nos planejamentos da estrutura profissional", conta a profissional, que atua em psicologia organizacional e clínica. 

Psicóloga organizacional Beatriz Sabrina Soares Martins dá dicas para identificar quando algo não vai bem

A jovem, que tem 29 anos e vive em Atibaia, São Paulo, também tem sofrido com o seu "tempo de tela": "Tudo tem que ser resolvido online ou no WhatsApp e eu sinto que essa comunicação é péssima. Às vezes, eu preciso de respostas rápidas ou mais detalhadas e acho esse ponto bem precário. Ficar muito tempo olhando para telas é cansativo", desabafa Bruna, que tem recorrido mais às boas e velhas ligações para tirar dúvidas e obter respostas com mais agilidade.  

Insegurança financeira

E é claro: muitas vezes, o home office deixa os funcionários "no escuro", onde abundam os mais diversos receios e incertezas. Além disso, os gastos domésticos de quem trabalha em casa também aumentaram, o que trouxe e ainda traz muita preocupação. 

O bancário Daniel Constantini, 35, por exemplo, conta que ficou um ano e sete meses em home office. De início, foi ótimo pela segurança. No entanto, a insegurança de determinados serviços financeiros começou a atacar a sua ansiedade. "Os meses foram passando e meus gastos em casa com energia, principalmente com o meu computador pessoal, que eu nem utilizava com tanta frequência, foram aumentando".  

Além disso, o trabalho também ficou prejudicado por questões técnicas. "Aí vieram os problemas de conexão, pois no meu caso o computador precisa abrir sistemas de segurança para funcionar. Então a gente acorda cedo, liga tudo, mas por causa do sistema acaba entrando atrasado em atendimento", diz. Outra questão levantada por ele é a comunicação com colegas para realizar determinados serviços, que foi muito dificultada. 

Pequenas grandes dicas

Para quem está em home office e continua com essas e as mais variadas possíveis dificuldades, a psicóloga organizacional Beatriz Sabrina Soares Martins dá algumas práticas e simples, mas que podem ajudar: 


Citação
Percebo que, quando trabalho presencialmente, volto mais animada, porque a minha casa vira lugar de descanso e parece mesmo que estou descansando
Bruna Brito, fotógrafa e gestora de mídias sociais

Bruna Brito tem 29 anos e vive em Atibaia, São Paulo. Ela também tem sofrido com o seu "tempo de tela". "Tudo tem que ser resolvido online ou no WhatsApp, e eu sinto que essa comunicação é péssima. Às vezes, eu preciso de respostas rápidas ou mais detalhadas, e acho esse ponto bem precário. Ficar muito tempo olhando para telas é cansativo", desabafa Bruna, que tem recorrido mais às boas e velhas ligações para tirar dúvidas e obter respostas com mais agilidade.  

Insegurança financeira

Muitas vezes, o home office deixa os funcionários "no escuro", quando abundam os mais diversos receios e incertezas. Além disso, os gastos domésticos de quem trabalha em casa também aumentaram, o que trouxe e ainda traz muita preocupação. 

O bancário Daniel Constantini, de 35 anos, por exemplo, conta que ficou um ano e sete meses em home office. De início, achou ótimo pela segurança. Mas, com o passar do tempo, o aumento nos gastos começou a gerar ansiedade. "Os meses foram passando e meus gastos em casa com energia, principalmente com o meu computador pessoal, que eu nem utilizava com tanta frequência, foram aumentando".  

Além disso, o trabalho também ficou prejudicado por questões técnicas. "Aí vieram os problemas de conexão, pois no meu caso o computador precisa abrir sistemas de segurança para funcionar. Então a gente acorda cedo, liga tudo, mas por causa do sistema acaba entrando atrasado em atendimento", diz. Outra questão levantada por ele é a comunicação com colegas para realizar determinados serviços, que foi muito prejudicada. 

Pequenas grandes dicas

Para quem está em home office e continua com dificuldades, a psicóloga organizacional Beatriz Sabrina Soares Martins dá algumas práticas e simples, mas que podem ajudar: 

Um dos fatores principais para a preservação da saúde física e mental no regime de trabalho home office é o planejamento da rotina

Não é um momento fácil, tampouco uma realidade simples e jubilosa. No mundo de 2020 e 2021, a máxima que diz "todos aqueles que você conhece estão lutando uma batalha da qual você não sabe nada sobre" nunca foi tão real. Mas, os indícios apontam que já podemos voltar a ter esperança novamente e que o pior já passou. Portanto, no trabalho e fora dele, é vital que cada pessoa se conheça e, principalmente, se respeite, para que as forças sejam mantidas e resistam até que tudo volte ao (novo) normal.

Copiado: https://www.inset.com.br/

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

A Importância do Professor na Formação dos Alunos


 Ninguém nasce sabendo, não é mesmo? Precisamos de alguém que nos ensine o que é necessário para viver e atuar na sociedade, desde o início de nosso desenvolvimento. E qual a importância do professor nesse desenvolvimento?

Além de nossos pais ou responsáveis, que nos ensinam desde criança como agir e se comportar, o professor nos transmite conhecimentos mais amplos sobre o mundo, sobre a sociedade e sobre a profissão que iremos seguir.

A docência é uma das profissões mais importantes e que requerem maior responsabilidade, visto que todas as outras dependem do professor para sua formação e capacitação para atuarem.

Historicamente, o modelo tradicional de educação era configurado de modo que o professor era o detentor do saber e transmitia o conhecimento aos alunos, e estes eram apenas ouvintes passivos e tinham o trabalho de memorizar o que era ensinado.

Entretanto, com as transformações sociais e o avanço da tecnologia, as formas de ensinar e aprender também se modificaram. Se antes a principal fonte de conhecimento era o professor, hoje os alunos têm acesso a uma grande quantidade de informações sozinhos.

Sendo assim, o professor deixou de ser o detentor do saber e assumiu o papel de mediador do conhecimento, transmitindo os conteúdos, construindo significado relevante com o aluno e auxiliando no processo de aprendizagem. O papel de mediador permite dar espaço ao aluno para receber as informações, questioná-las e pensar por si só, e não receber passivamente o conteúdo, podendo participar de forma ativa da própria formação acadêmica.

Formação acadêmica e profissional

É na sala de aula que se constrói o conhecimento e onde conhecemos os assuntos e entramos em contato com temas importantes das mais diversas áreas para formar a base de nosso saber. É o trabalho nesse ambiente que nos prepara para o mercado de trabalho e nos capacita a exercer uma profissão, com o conhecimento necessário para isso.

Desde a educação básica estudamos matérias que abordam os temas principais que envolvem o mundo em que vivemos para termos oportunidade de entendê-lo melhor. Ao longo da vida escolar, vamos nos identificando com áreas específicas, o que vai delineando nosso projeto de vida e a carreira que iremos seguir.

Todo esse processo só é possível com a participação e importância do professor, que transmite todas as informações necessárias para formar um repertório de conhecimentos a serem colocados em prática e assimilados por seus alunos, consolidando assim a aprendizagem.

O professor influencia a forma de agir e pensar do futuro profissional, que o tem como referencial, sendo essencial a formação continuada para oferecer informações atualizadas e boas práticas para atender o mercado de trabalho.

A importância do professor na formação integral

Além da formação acadêmica, o professor contribui para a formação e o desenvolvimento do aluno enquanto indivíduo e membro da sociedade, pois proporciona para ele experiências que vão além do âmbito intelectual. O professor auxilia na aprendizagem de competências socioemocionais, que englobam aspectos comportamentais e relacionais, fundamentais para as relações humanas em geral.

As atividades escolares mediadas pelo professor também proporcionam o contato com as habilidades e competências exigidas para a vida profissional do futuro e para a vida pessoal.

Porém, o conhecimento teórico-acadêmico por si só não garante o sucesso profissional e pessoal. É preciso utilizá-lo de maneira adequada, o que requer boas relações interpessoais e intrapessoais.

A importância do professor como agente social

A educação, enquanto pilar da sociedade, tem o professor como agente formador de cidadãos aptos a atuar na sociedade, munidos de conhecimento e habilidades fundamentais.

O papel do professor como mediador nos processos de elaboração do conhecimento é primordial para que a educação evolua e sirva ao seu propósito social. O trabalho docente é a base da formação escolar e contribui não só com o desenvolvimento dos alunos, mas com o progresso da sociedade em geral, utilizando o conhecimento e a educação como instrumento.

Além de ensinar os conhecimentos historicamente acumulados, deve estimular o aprimoramento e a construção de novos saberes, desenvolvendo uma relação igualitária com os alunos enquanto membros da sociedade.

A nova pedagogia tem o professor como incentivador e orientador da aprendizagem, proporcionando aos alunos a iniciativa e autonomia na construção de conhecimento e consolidação da aprendizagem.

A aprendizagem ocorre no ambiente escolar, logo um ambiente social, sendo assim, o conhecimento é construído na relação com os outros mediante a intervenção do professor. É ele quem dá ao aluno espaço para se expressar, questionar e pensar, permitindo que ele desenvolva habilidades intelectuais autônomas sob sua orientação.

De acordo com Libâneo, importante educador brasileiro, “o trabalho docente é atividade que dá unidade ao binômio ensino-aprendizagem, pelo processo de transmissão-assimilação ativa de conhecimentos, realizando a tarefa de mediação na relação cognitiva entre o aluno e as matérias de estudo”.

Nesse sentido, o processo de ensino e aprendizagem precisa ser assertivo, tendo o professor ensinando a teoria e o aluno aprendendo e assimilando os conteúdos, a fim de colocá-los em prática. Porém, a teoria por si só não transforma o mundo, é preciso que ela seja assimilada por quem irá colocá-la em prática, efetivando ações concretas que gerem transformação.

A ideia é apresentar conhecimentos do passado e suas tradições para compreender a estrutura e o funcionamento da sociedade, de modo a redefinir as ações futuras, buscando e realizando melhorias para o mundo. Sendo assim, o professor desempenha um papel primordial na educação acadêmica e tem seu trabalho também como uma prática social.

Exemplo a ser seguido

O professor é capaz de influenciar positivamente seus alunos, pois a maneira como ensina faz toda a diferença para gerar interesse e engajar seus alunos, fazendo com que eles se sintam motivados a buscar conhecimento e seguir seus sonhos.

Por ser uma das figuras mais próximas dos alunos, ele costuma ser tido como modelo e referencial para as crianças e os jovens, que o admiram por sua inteligência e os inspiram a ser como ele.

A importância e atitudes do professor  influenciam e fazem a diferença na vida dos alunos, tanto acadêmica quanto pessoal, pois:

  • Encoraja.
  • Ajuda na resolução de problemas.
  • Incentiva, motiva e estimula.
  • Orienta nas dificuldades.
  • Dá espaço para se expressar, perguntar, argumentar.
  • Considera o esforço dos alunos.
  • Está sempre pronto para responder aos questionamentos e às dúvidas.
  • Respeita a individualidade.
  • Preocupa-se genuinamente com o aluno.
  • É comprometido com seu trabalho.
  • Esforça-se para oferecer o seu melhor e garantir a aprendizagem.

A importância da relação entre professor e aluno

A escola é um dos principais ambientes em que crianças e jovens vivenciam experiências sociais, interagem com seus semelhantes e constroem sua noção de pertencimento.

As primeiras relações sociais são desenvolvidas no ambiente escolar e são mediadas pelo professor, que orienta e configura a adaptação dos alunos ao meio social. Para que isso seja possível, é preciso que haja afetividade, um vínculo entre o professor e os alunos, uma relação de confiança e afeto, para aprenderem a interagir, se comunicar e desenvolver empatia.

A afetividade é fundamental para a educação, pois essa relação permite a aprendizagem emocional e a social, que englobam todos os aspectos da vida, não só o acadêmico. Além disso, o desempenho cognitivo é muito mais eficiente com a afetividade, pois ela motiva os alunos e gera uma aprendizagem mais significativa.

A ressignificação do papel do professor em tempos de pandemia

Com a pandemia, os alunos tiveram que aprender longe da sala de aula, e o professor precisou se reinventar, para continuar cumprindo seu papel mesmo a distância, e repensar o plano de aula, a maneira de dar aulas e apresentar os conteúdos curriculares, as atividades a serem propostas, as formas de avaliação e as estratégias para motivar os alunos a darem continuidade à aprendizagem.

Mesmo distante, o professor continua sendo fundamental para a formação dos alunos, pois é ele quem orienta e direciona a aprendizagem e o desenvolvimento, auxiliando a busca ativa por conhecimento em casa.

Com o retorno das aulas presenciais, a relação entre professor e aluno será ainda mais importante, pois ambos precisarão se readaptar à sala de aula e às mudanças que foram desencadeadas com a pandemia. Será necessário um acolhimento socioemocional por parte dos professores que estimule as habilidades socioemocionais para que os alunos superem suas dificuldades e prossigam com o processo de aprendizagem.

O professor, portanto, é aliado essencial da escola na construção de uma sociedade melhor, ao formar cidadãos responsáveis para utilizar na prática social os conhecimentos adquiridos ao longo da vida acadêmica.

Mas para que os professores possam realizar um bom trabalho em sala de aula, a escola precisa dar a ele o suporte necessário, como materiais, recursos, condições de trabalho adequadas, formação continuada, entre outros.

Copiado: https://sae.digital/

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

18 RAZÕES QUE LEVAM AS PESSOAS A PROCURAREM OUTRO EMPREGO

 


O alarme toca cedo na segunda-feira. Qual a sua reação?

Está pronto para enfrentar o dia? Ainda que você não tenha pensado em demitir-se porque existe a necessidade de manter-se empregado, a insatisfação pode tomar conta e clicar em “soneca” torna-se uma constante.

Trocar de emprego ou não?

Eis a questão Se você vivencia a última opção, talvez seja hora de reavaliar sua vida e descobrir qual é o catalisador. Como na maioria dos casos, talvez você descubra que a procrastinação está relacionada ao trabalho.

Talvez isso explique porque é normal as pessoas mudarem 4 vezes de emprego até os 32 anos. Não é todo mundo que tem a chance de sair em busca de outras oportunidades ou de uma mudança radical na vida (Publicitário larga tudo para viver da sua arte). Se você pode mudar (através de buscas pela internet e de networking), mas ainda não tem certeza de disso, observe estes sinais:

  1. 1.  Você está sempre entediado

Apesar de haver vantagens no tédio – pode ajudar a aumentar a criatividade e te tornar mais orientado aos objetivos – se você está gastando o expediente jogando, fazendo compras, sonhando acordado ou vendo as horas, então, é óbvio que você não está fazendo o tipo de trabalho que te excita ou que te desafia.

  1. 2.     Você é constantemente deixado de fora

Podem haver algumas razões do motivo pelo qual você não é convidado para as reuniões de equipe ou eventos sociais fora do local de trabalho. Ou é o último a saber sobre os recentes acontecimentos da empresa. Para começar, você não foi capaz de encontrar uma panelinha. Apesar da amizade não ser a principal razão do porquê você ama seu trabalho, definitivamente, o expediente flui suavemente quando se tem um colega de trabalho. Outra razão pode ser porque seu chefe, ou colega, não valoriza suas contribuições e ideias. Quando as pessoas não escutam suas opiniões, é fácil entender por que você não se sente um membro importante da equipe.

3. O trabalho não vem naturalmente 

Você vê isso o tempo todo no local de trabalho. Sempre tem aquele funcionário que é incansável. Ele é tão produtivo e habilidoso em sua função que faz todos os outros parecerem ruins. E tem aquele funcionário que está com dificuldades para se manter nos prazos e entender tarefas simples. Isso significa que um é mais inteligente e mais determinado que o outro? Não necessariamente. Aquele funcionário está jogando com suas forças, então, o trabalho vem naturalmente. Você, por outro lado, não possui as mesmas habilidades. Então, pode acontecer do seu sucesso e da sua fugirem completamente pela janela.

4. Sentindo-se frustrado com seus objetivos pessoais 

Todos temos sonhos que nunca abandonamos. Mas, acredite ou não, às vezes um trabalho pouco interessante pode nos ajudar a alcançar esses sonhos. Por exemplo, se você sempre quis ser um escritor de ficção científica, mas trabalha como redator em uma agência, então, você está melhorando suas habilidades de escrita com o tempo. E, talvez, aprendendo alguns caminhos de marketing que te ajudarão a ter sucesso como autor.

5. Você não está sendo usado corretamente 

Se você foi contratado para ser um excelente redator em uma agência, mas eles sequer publicaram um texto seu, por que você deveria continuar? Seus talentos estão claramente sendo desperdiçados e isso aumenta o tempo que você levará para encontrar uma nova empresa que vai realmente usá-los.

 6. Seu chefe te ignora 

Apesar de você não ser o melhor amigo do seu chefe, houve um tempo em que você podia conversar, compartilhar ideias ou, até mesmo, recapitular Game of Thrones durante o almoço. Então, um dia, essas conversas pararam. Isso é confuso e podem existir fatores desconhecidos, como o chefe passando por problemas pessoais. Mas, se você é ignorado continuamente, torna-se difícil achar que está tudo bem, como frequentemente nos perguntamos: “O que fiz de errado?”.

 7. Você recebe feedbacks ruins 

Há muito tempo, eu era amigo de um barman que sempre recebia pouca gorjeta, junto com um monte de comentários negativos dos clientes. Esse amigo, então, reclamava dos clientes (até para outros clientes) ao invés de admitir que ele não era um bom barman. Não importa a posição que você está, se você recebe feedbacks negativos dos clientes, colegas de trabalho ou em avaliações de performance, então, este é um sinal claro de que você não serve para o trabalho ou o trabalho não é o certo para você.

8. A empresa não combina com seus valores e objetivos de vida 

“Sua empresa te ajuda a realizar sua missão pessoal?”, perguntam Jack Welch, ex-CEO da GE e Suzy Welch, famosa autora. “Essencialmente, é uma pergunta que quer saber se sua empresa combina com seus valores e objetivos de vida”. Por exemplo, é exigido que você “viaje mais do que gostaria, dado o equilíbrio vida-trabalho que você espera? A empresa oferece chances de crescimento de acordo com o seu nível de ambição?”. Lembre-se que não há resposta certa ou errada para tais questões, apenas uma ideia para saber se você está investindo seu tempo na empresa certa ou errada para você.

9. Menos trabalho chegando à sua mesa 

Se você está recebendo menos atribuições, este é um indicador de que houve uma decisão pela alta gerência de que você não deveria ter tantas responsabilidades. Se isso significa que seu empregador perdeu a fé em você ou que seu trabalho pode estar em jogo, este é um sinal de que você deve começar a polir seu currículo.

10. Você não se encaixa 

Quando eu estava na faculdade, era amigo de alguém que queria ser professor. O problema? Essa pessoa não aguentava crianças e só queria entrar na área por causa dos benefícios e das férias (nota da editora: sim, isso nos Estado Unidos). Pouco essa pessoa sabia que professores trabalham duro e que precisam gastar muito tempo com crianças. Essa pessoa não durou muito como professor e voltou para a faculdade para se tornar um advogado. Se você sente que não se encaixa com uma posição ou cultura específicas, é interesse repensar o caminho.

11. Você não está tão desesperado pelo salário 

Primeiro, são poucas pessoas que não necessitam, de fato, dos ganhos. Em nossa sociedade, nós precisamos de dinheiro para pagar despesas de casa, transporte, comida e roupas. Por isso, dependemos de um emprego ou de empreender. Mas, se você for uma exceção e não estiver nessa situação de necessidade, lembre-se do que Paul Graham disse: “Para ser feliz, você tem que fazer algo que admire, não necessariamente do que goste. Você tem ser capaz de achar incrível o que consegue realizar”.

12. Você tem um chefe horrível 

Merideth Ferguson, co-autora de um estudo sobre local de trabalho e professora assistente ma Baylor, disse: “Muitas pessoas deixam os supervisores, não o emprego”. Trabalhar sob um gestor horrível não impacta apenas sua performance, isso afeta sua vida pessoal e até sua saúde, fazendo você se estressar e se sentir ansioso.

13. Você sempre está sobrecarregado 

Você fica facilmente sobrecarregado ou se irrita com a menores tarefas e questões? Eu tive um emprego que não suportava e, toda vez que meu chefe me atribuía um tarefa simples, como responder um e-mail, meu sangue fervia. Mesmo quando meu chefe não fazia absolutamente nada de errado e me pedia algo simples, o trabalho em si me frustrava tanto que não demorava muito para eu me irritar.

14. Você não fala sobre seu emprego ou empresa 

Richard Branson é um dos meu empreendedores favoritos. Seu carisma, transparência e sua história de sucesso me motivam sempre que preciso de um pouco de inspiração. Uma das coisas que admiro é que ele é o maior líder de torcida da companhia que ele fundou, a Virgin. Esse entusiasmo contagia os funcionários. Se você está envergonhado e evita falar sobre sua empresa, isso é, definitivamente, uma bandeira vermelha. Se você não se sente parte do projeto e dos objetivos da empresa, este não é o seu lugar.

15. Sua relação vida-trabalho está desequilibrada 

Não deveria ser novidade mas o equilíbrio entre vida e trabalho é essencial quando se trata da felicidade, motivação e produtividade dos funcionários. Afinal, se você se sente esgotado ao fim do dia e sente que só trabalha, então é hora de encontrar um trampo que permita que você tenha mais liberdade para aproveitar a vida fora do escritório.

16. Você não se sente desafiado 

Robert O’keane, consultor internacional da Charles Francis Cooper, escreveu: “Se você perceber que sua atribuição se tornou confusa ou que pessoas em cargos de gerência começam a dar conselhos conflitantes, então pode valer a pena considerar outras opções”. Ele adiciona: “Ninguém quer ficar preso em uma situação onde não se pode ganhar e, se seu trabalho faz você se sentir assim, por que não procurar outra coisa? Seu cargo deveria fazer você se sentir estimulado e desafiado – como se estivesse avançando em algo, ao invés de fazer você sentir que está perdendo uma luta e não está alcançando nada”.

17. Você não pode ser autêntico 

Há uma rede de restaurantes na Inglaterra, chamada Wagamama, que tem um dos melhores slogans que já vi: “Seja você. Seja Wagamama”. Abaixo desse slogan está a frase: “Nós celebramos as coisas que te fazem diferente”. Essa empresa adota as variadas habilidades e personalidades que os funcionários possuem e as utiliza para criar um negócio de sucesso. Se você sente que não pode ser você mesmo, talvez esteja na hora de procurar pastos mais verdes.

18. Você não consegue se imaginar na empresa por mais de um ano 

Outra ótima questão dos Welches: “Você pode se imaginar na sua empresa daqui um ano?”. Usamos esse prazo porque é, normalmente, o tempo necessário para encontrar um trabalho novo e melhor após a pessoa decidir sair. Então, olhe para o futuro, o melhor que puder, e preveja se estará na empresa, qual trabalho estará realizando, quem estará gerenciando e quem gerenciará você. Se este cenário te trouxer excitação, então, você está prestes a ficar muito tempo. Demitir-se é uma opção?

Caso esses sinais esteja muito evidentes em sua vida, está na hora de repensar seus objetivos. Às vezes, entramos em uma zona de conforto por acreditar que não temos alternativas. 

Se você tem condições de buscar uma nova experiência, pode ser uma grande mudança na sua vida.

Fonte: https://tutano.trampos.co/11742-razoes-demitir-procurar-outro-emprego/

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

PRECONCEITO e TRANSFORMAÇÃO CULTURAL

 


Vamos falar de PRECONCEITO e TRANSFORMAÇÃO CULTURAL? 

Mas vamos falar de peito aberto mesmo... Nasci mulher, preta, num bairro pobre do Rio de Janeiro, e demorei muito pra entender que o preconceito sempre esteve presente na minha vida, só que por vezes com um doce disfarce. 

Cresci ouvindo que eu tinha que ser a melhor em tudo o que eu fizesse, caso contrário o mundo me engoliria (o que de certa forma é verdade), e assim o fiz. 

Melhores notas, disciplina extrema, e cada vez mais regras e padrões que eu tinha que me encaixar pra ser aceita: Não fale alto, sente direito, seja uma mocinha, seu cabelo não é bom (tem que alisar), e assim fui crescendo. E achei de fato que era verdade, que eu não era boa o suficiente, e que tinha que me adequar pra ser alguém. 

Passei pela escola, pela universidade, iniciei minha vida profissional, mas sempre com um incômodo interno muito grande. 

Comecei então a duvidar: será que eu realmente tinha que mudar a minha essência pra me encaixar? 

Só que o que antes era um doce preconceito camuflado, passou a ficar mais evidente e escancarado, como mãe, profissional e mulher. Como mãe, por vezes ouvi comentários como "Nossa, você é mãe dela? Não parece, ela é tão branquinha!"... Sim, o mais adequado é que eu fosse a babá da minha filha branca. Isso doeu! 

Como profissional, me vi ganhando menos e trabalhando mais, mesmo tendo por vezes mais competência e preparo. Vi julgamentos absurdos e comparações inadequadas.


 
Me transformei... Passei a falar, questionar, me posicionar. E a primeira reação foram comentários como "Você é muito bruta!" ou "A Helen não tem controle emocional". Sim, porque mulheres não podem questionar ou argumentar. Passei a ouvir "A Helen é forte, parece um homem!". Me indignei! Não, não pareço um homem! Sou mulher e por isso sou forte! Porque tenho que parecer um homem, ou aceitar esse tipo de comparação? Ouvia isso de pares, líderes e etc. 

Fui assediada de algumas formas absurdas. Mas mulher não pode reclamar né? Tem que ouvir "Passa um batom que assim ele vai te ouvir" ou "Ah, mas ele só te trata bem porque você é mulher!". 

Enfim, me libertei! E hoje eu entendo que não, não tenho que mudar pra me adequar, eu sou suficiente! Sou mulher, preta, forte! A transformação cultural vem de dentro pra fora, e não com textos prontos e palavras bonitas. 

Transformar é entender que eu posso fazer a minha parte pra um ambiente saudável e justo. Que eu não preciso ter um cabelo liso pra ser adequada profissionalmente (ou na sociedade), que eu não tenho que me calar por ser mulher, que eu não preciso ter medo de ser julgada por me posicionar, e que eu posso ser agente do bem pra outras pessoas. 

Só quando você se cura de pensamentos equivocados é que pode pensar em trazer o mundo a sua volta pra essa jornada de transformação. E então, vamos transformar? #transformacaocultural #precisamosfalar #vale #women

Copiado.Helen Facci  https://www.linkedin.com/in/helen-facci-ab44a04b/

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Afinal, é Velho e Velha? Terceira idade? Melhor Idade? Idoso e idosa?


Os meios de comunicação e as nossas conversas cotidianas refletem bem os valores, conceitos e preconceitos que temos em relação a alguém ou ao grupo social do qual essa pessoa faz parte. O texto de hoje vai discutir termos comumente usados para se referir as pessoas que já envelheceram. E não será uma tarefa fácil.

  • · Não será tão fácil porque o primeiro ponto que coloco é: o que é envelhecer?
  •  É atingir uma certa idade e adotar isso como um critério? 
  • É perceber as mudanças fisiológicas e anatômicas no corpo humano, reflexo dos anos vividos, como pele mais enrugada, manchas, mudança na distribuição dos dentes, a massa muscular diferente da fase adulta, o cabelo, a cor dele ou a falta dele? 
  • É pensar no quanto estamos ainda dispostos a viver, a aprender e estar ativo na vida?

Veja que a definição de velho ou velha já causa dificuldade e mostra uma complexidade que nos convida e pensar para além do campo da saúde. Ser velho ou velha também pode ser uma postura em relação a aceitação de novos modos de vida e de relações sociais.

Aqui não caberia qualquer desprestígio ao que é velho, seria o oposto ao novo, a novidade. Mas sabemos que muitas sociedades agregam valor financeiro a isso e, a partir desse momento, tudo que é velho não serve mais.

No nosso mundo capitalista, países subdesenvolvidos e em desenvolvimento definem como pessoa idosa aquela com 60 anos ou mais, e para países desenvolvidos é a partir dos 65 anos. Dessa forma, o Brasil adota como idoso, velho, idosa ou velha quem tem 60 anos ou mais.

Ainda que estejamos passando por uma rápida mudança demográfica, que se caracteriza por um maior envelhecimento populacional, começar a adotar aqui o critério de 65 anos pode ser perigoso. Tal mudança pode aumentar a vulnerabilidade de grupos de pessoas idosas que, seja pela cor da pele, pelo local onde reside, pelo seu gênero, pela sua classe social, já tem muitas (às vezes, enormes) dificuldades para chegar aos 60 anos.

Pode-se afirmar que chegar bem aos 60 anos de idade ainda seja uma possibilidade, uma maior chance para um grupo seleto de pessoas que residem no nosso país. E o que dirá chegar aos 80 anos ou mais!

Precisamos também considerar o impacto da covid-19 na expectativa de vida da nossa população. Pesquisadores e pesquisadoras já apontam para uma redução de dois a três anos na expectativa de vida, dependendo do estado onde a pessoa reside.

Seguimos definindo os termos. Terceira idade acaba sendo as pessoas que já foram crianças/adolescentes, adultas e agora estão na tal terceira idade. Um conceito bem subjetivo.

Muitas pessoas velhas e estudiosos da gerontologia não gostam desse termo. Alguns dizem que tudo é melhor na terceira idade, outros que tudo é ruim. Sem consenso, só discussão. Foi uma tentativa de minimizar o preconceito e a discriminação em relação às pessoas que não são crianças, nem adolescentes, nem adultas.

Há um outro termo definido como "melhor idade", já que seria uma fase da vida onde tudo estaria bem resolvido: poucas obrigações com o trabalho remunerado necessário, a realização do trabalho por prazer ou voluntariado, mais tempo para viajar, praticar hobbies, ficar mais com a família, cuidar mais da saúde e estar saudável, com companheira e companheiro presentes e também saudáveis, filhos e filhas com bons empregos e cuidando dos seus filhos a maior parte do tempo.

É um quase paraíso e que está muito longe de acontecer para a maior parte da população. Muitas pessoas envelhecem com problemas de saúde, dificuldades para manter sua autonomia ou sua independência física para deslocamentos, com dívidas, com sonhos não realizados, pagando aluguel e enterrando o plano da casa própria, gastando mais de um terço do salário com plano de saúde ou medicamentos, viúvas, trabalhando na informalidade para complementar a renda. Bem, melhor idade parece não ser o melhor termo também.

Velho e velha. Para algumas pessoas poderá parecer preconceituoso ou discriminatório. Mas se falamos para quem tem sete anos que ela é uma criança ou para quem tem os seus 28 anos que ela é adulta, por que seria errado falar para uma pessoa de 78 anos que ela é velha?

Não deveria ser problema se não existisse o peso da discriminação por ter muitos anos de vida, o que é definido como etarismo, idadismo ou ageísmo. Algo "velho" está, infelizmente, associado com o não servir, estar ultrapassado, sem serventia, sem importância, obsoleto, desnecessário.

Como se não bastasse, ainda vivemos em uma sociedade que busca tornar patológico o ser velho, velha e ainda mais velhes, pensando na perspectiva de gênero e que poderia ser ainda mais ampliada quanto a sua orientação sexual.

São milhares de profissionais e empresas prometendo a jovialidade, a negação dos cabelos grisalhos, da pele enrugada, da postura um pouco mais curvada. Houve um episódio do grupo Portas dos Fundos cuja cena mostrou uma pessoa idosa tratada de forma infantilizada, como que seus comportamentos tivessem que ser acompanhados por uma pessoa adulta.

E o que isso nos mostra? Cenas de idadismo, etarismo, ageísmo. E isso constitui o olhar da sociedade sobre a pessoa velha e também dela sobre ela mesma. E tudo isso repercute também nas diversas áreas da nossa vida: trabalho, conjugalidade, aprendizado e lazer, por exemplo. Para o Porta dos Fundos, por que não incluir atores e atrizes mais velhas no seu elenco fixo?

Negamos o que é muito evidente. Já parou para perceber que boa parte dos nossos presidentes eram velhos quando assumiram o cargo ou tornaram-se velhos enquanto estavam na gestão do país? Mas quantos defenderam a bandeira em defesa dos direitos da população idosa?

Por que incomoda tanto "a musa" de uma certa década agora ter envelhecido e não mais trazer uma imagem jovial? Por que ainda queremos elogiar as pessoas dizendo que elas parecem mais jovens do que a idade que possuem? No Brasil, o velho ou a velha é sempre a outra pessoa.

Estamos a todo momento praticando um pouco ou muita discriminação contra a pessoa idosa ou negando o fato de que envelhecer é uma conquista da sociedade, uma oportunidade para se fazer muito para si e para outras tantas pessoas. É um momento ainda de crescimento pessoal, de novos relacionamentos, de novos projetos, de novas descobertas. Na cultura do Mali, um país do continente africano, há um provérbio que diz que "cada ancião que morre é uma biblioteca que se queima".

A velhice é desigual para muitos idosos e idosas negras e indígenas que morrem precocemente, sem usufruir dessa fase da vida, sem nos contemplar com seus ensinamentos, sem escrever mais páginas das suas histórias, sem nos ajudar a fazer um mundo melhor.

Quem é a velha ou o velho aqui? A escolha é sua. A construção ou redefinição dos termos é nossa. Velho pode ser uma qualidade positiva para um bom vinho, para um conhecimento atemporal, para amizades duradouras, para enaltecer uma árvore frondosa, um rio que nunca deixou de abastecer gerações de pessoas de um povoado, é uma profissional extremamente competente no que faz e que alia prática com conhecimentos, é uma obra de arte como um quadro ou uma obra arquitetônica do Egito.

Enfim, ser velho ou velha pode ser bom.      Na dúvida, chame pelo nome. Isso sintetiza a coluna de hoje.

Copiado: Alexandre da Silva -  https://www.uol.com.br/vivabem/