terça-feira, 26 de julho de 2011

CINCO PORCENTO

“Sou apenas um, mas ainda sou pelo menos um. Eu não posso fazer tudo, mas ainda posso fazer algo. E só porque não posso fazer tudo, não recusarei fazer o que posso fazer”. Edward Everett
Você conhece cinco bons garçons? Cinco excelentes contadores? Conhece cinco administradores realmente admiráveis trabalhando em uma mesma empresa? Já teve a oportunidade de contar cinco excelentes atendentes ou vendedores?

Pois bem, já percebeu que existem milhares de profissionais que não se destacam.
Já notou que existe uma massa de pessoas que se acotovelam em filas imensas procurando um emprego, gente que fica dois, três ou mais anos sem conseguir um único local para trabalhar.
É incrível a quantidade de gente que aceita receber bem menos do que a função paga por absoluta necessidade. O mais interessante é que essas pessoas abrem um precedente e prejudicam a si e também aos demais profissionais da mesma área, pois não terão nem a paixão e nem a dedicação necessária brilharem.
A quantidade de pessoas sem distinção é tão grande que é possível começar a entender os motivos que levam os salários a se achatarem, as exigências para contratação maiores e a calamidade no trato com os clientes.
Recentemente, lendo o jornal vi o seguinte anúncio:
“Procura-se profissional com curso superior em secretariado executivo ou equivalente, bilíngüe, experiência mínima de três anos na função, com capacidade de liderança, inter-relacionamento pessoal, comunicativo e com ambição. Carga horária semanal de 40 horas, auxílio alimentação e passe de ônibus. Salário líquido final R$ 480,00”.
Fiquei curioso e alguns dias depois liguei para a empresa para saber quantas pessoas tinham aparecido para a entrevista de seleção. Pasmem: 117 pessoas.
Todas dispostas a ocupar essa “maravilhosa” vaga. Aproveitei e perguntei quantas outras tinham subido de cargo ocupando essa mesma função, e a pessoa me respondeu que nenhuma, o cargo era apenas esse.
95% ou mais das pessoas nunca terão distinção. Esse número chega a ser cruel. Mas quer ver como são verdadeiros:
- Juscelino Kubitschek deixou seu nome gravado na história do país. Mas para tanto contou com a ajuda de muita gente.Você já ouviu falar de alguns deles?
- Pelé foi um dos maiores esportistas que o mundo já viu. Fez fama e fortuna. Você sabe quais foram os outros jogadores que o apoiaram dentro de campo principalmente no início de carreira?
- Quais os nomes dos principais generais de Napoleão mesmo?
- Você já passou ou conhece alguém que tenha passado pela situação de realizar algo que tenha gerado resultados em uma empresa, mas quem ficou com os créditos foi o chefe?
Pois é, o mundo não é necessariamente justo e bom para todos. Mas isso não é motivo para se lamentar. Afinal, reclamar é fácil, difícil é ter força e coragem para reverter situações difíceis.
Perceba que destacar-se exige entrega, paixão, dedicação, conhecimento e, sobretudo visão. Ah, uma pitada de sorte também ajuda.
E que infelizmente até chegarmos ao ponto de nos destacarmos leva-se muito tempo trilhando um caminho difícil, isso quando não há um espertinho que toma para si os créditos daquilo que realizamos.
No entanto, nem todos chegam aos cargos clamorosos, nem todos chegam a ser donos de empresas de sucesso. Sendo assim é possível entender que existe algum tipo de “escravidão branca, negra, vermelha e amarela” que coloca milhares de pessoas em empregos medíocres, cubículos apertados, com intermináveis horas realizando serviços burocráticos, destinadas a cumprirem religiosamente uma rotina dura e sacrificante. E que na maioria dos casos essas pessoas passam a vida distantes léguas da vida que desejavam e no final acabam dependendo de uma mísera aposentadoria, muitos sequer tem uma velhice digna.
O que mais incomoda é que essa pessoa no final da vida pode ser você ou eu. E definitivamente nenhum de nós quer acabar dessa maneira.
Acredito que a maioria dos cargos em todos os setores são ocupados por pessoas que tem como prioridade não passarem fome, preocupadas em pagar o financiamento da casa própria, a conta de água, luz, prestações de alguma coisa e assim por diante. O sonho termina quando a companhia de energia corta sua luz. O desespero bate ao perceber que o poder aquisitivo diminui e a gasolina aumentou de novo.
Somente esforço, dedicação e horas e mais horas de empenho não são mais suficientes para destacar alguém.
Quer ver: Imagine dois alunos de colégio público. Ambos necessitam de média sete para passarem de ano. O primeiro tira sete no primeiro bimestre e sete no segundo. Média final sete. O aluno está aprovado. O segundo tira quatro no primeiro bimestre e dez no segundo. Média final sete. Também está aprovado. Dos dois qual chamou mais atenção? O que foi regular ou o que saiu de uma situação desfavorável e reverteu o jogo a seu favor?
Só se destaca aquele que chama a atenção. O que faz diferente ou ainda o que é capaz de agregar algum valor a alguém, surpreender.

Aqui vão algumas dicas, apesar de serem gratuitas pense com carinho a respeito:
· Ao menos uma vez por semana pense em algo que poderia mudar ou fazer melhor;
· Se dedique a analisar a qualidade do que os outros fazem, não para criticar, mas para aprender algo novo;
· Visite site e leia sobre coisas que nunca imaginou fazer por não serem do seu ramo;

· Ao menos uma vez por mês conheça a história de alguém que deu certo ou que fracassou, mas aprenda uma lição com essa pessoa;

· Também pelo menos uma vez por mês pesquise vagas de emprego e veja se você teria condições de ocupar algum dos cargos;

· Leia a biografia de alguém de sucesso e aprenda algo com ela;

· Visite ao menos uma vez por mês um asilo e imagine como se sentiria morando lá;

· Imagine de vez em quando uma vida completamente diferente da que tem.


São pequenos exercícios sem nenhuma comprovação científica (os teóricos podem querer minha cabeça por essas dicas), mas que podem de repente mudar sua vida para melhor.
O homem não nasce pequeno, se deixa diminuir pelas dificuldades da vida.

Fábio Violin,
Mestre em Estratégias e Organizações - UFPR

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Susto Catalisador

A vida dos seres humanos é condicionada aos próximos passos.
Não estudei a origem disso, mas os bichos não tem uma condição como propulsor da vida. Eles acordam, comem, correm por ai, procriam por instinto e se preocupam em manter-se vivos até o dia de amanhã. E só.
O ser humano funciona por objetivos que ele mesmo cria (ou a sociedade).
Perder peso. Trocar de emprego. Ter uma casa própria.
Carro do ano. Visitar a Europa. Arrumar namorada.
E outras infinitas possibilidades.
Se por um lado isso nos move, por outro acaba nos amarrando e causando a sensação de rotina e tempo perdido.
Mais um ano vai passar, o que você fez?
Valorizamos coisas condicionadas e muitas vezes esquecemos que a felicidade realmente está nos detalhes. Nas emoções de cada dia.
Fiz um trabalho sobre “universo 4x4” e o maior insight foi que o legal não era cruzar a linha de chegada, e sim colocar o carro no maior número de emboscadas e buracos possíveis. Viver aquilo.
Não existe um fim, existe o caminho.
Normalmente o ser humano se dá conta disso quando passa por um susto. Sustos como a perda de um amigo/parente querido, um revés profissional ou um fim de casamento fazem a gente acordar para a vida. Sempre há tempo.
Já que o Planejamento procura constantemente o seu papel, pensei em colocarmos no nosso job description o papel de sermos o tal “susto catalisador” dentro de um job, uma agencia e uma marca.
Pode ser interessante. Nunca é tarde para começar uma nova atitude.
Ou pelo menos uma nova visão de como as coisas já são.
Para completar esse assunto, acho incrível o depoimento de Ric Elias ao TED. Tem tudo a ver com uma experiência que te faz ver o quanto rasos são os seus condicionamentos e maneira como encara sua vida.
Ric Elias tinha um assento na primeira fila no vôo 1549, o avião que pousou no rio Hudson, em Nova York em janeiro de 2009. O que passou pela sua mente quando o avião desceu desgovernado? Ele conta sua história ao público pela primeira vez.

Por: 
andre_foresti -.http://www.chmkt.com.br/2011/07/o-susto-catalisador.html

sábado, 23 de julho de 2011

Amar

Amar é sentir na felicidade do outro a própria felicidade.
- Gottfried Wilhelm von Leibnitz

Seis formas de gerar e turbinar negócios na internet

Conheça as principais ferramentas de marketing digital para explorar o mercado de internet no Brasil, que já ultrapassa 80 milhões de pessoas

O mercado de internet no Brasil já ultrapassa 80 milhões de pessoas, o equivalente à população inteira da Alemanha ou duas vezes a da Argentina. E, pelas expectativas da nossa economia, tudo leva a crer que esse número irá aumentar ainda mais este ano. Independentemente do porte ou área de atuação da sua empresa, ser bem sucedido nesse mercado requer cada vez mais conhecimento sobre marketing digital. Ou seja, escolher a ferramenta mais apropriada às finalidades envolvidas, que podem ser vendas, propaganda ou relacionamento com clientes.

Para auxiliar nesta questão, seguem abaixo seis ferramentas essenciais de marketing digital e suas vantagens. Elas podem ser usadas juntas ou individualmente, dependendo dos seus objetivos e verbas, mas é fundamental que façam parte de um planejamento prévio envolvendo também público-alvo e expectativa de resultados.

1. Site com "usabilidade": Usabilidade significa facilidade de uso. Quanto maior a usabilidade em um website, maior a rapidez do usuário em aprender a utilizá-lo e a encontrar o que procura. Isso aumenta a satisfação das pessoas que visitam o site e as chances de um contato efetivo.

2. Otimização/SEO: É uma série de técnicas para estruturar as principais informações sobre a sua empresa, produtos ou serviços contidos no site de forma que sejam facilmente localizadas pelos buscadores. A base desta organização são as palavras-chave, frases e títulos dos conteúdos do site, que devem ser específicas, constantemente atualizadas e estar diretamente relacionadas ao negócio.

    Radu Razvan/ iStockPhoto    
       
     O mercado de internet no Brasil já ultrapassa 80 milhões de pessoas     


3. Links Patrocinados: são os novos classificados da internet, em que você pode vincular os seus anúncios para aparecer ao lado dos principais resultados de pesquisas nos sites de busca. Por exemplo, se você possui uma loja de câmeras fotográficas, seu anúncio vai aparecer ao lado dos resultados de pesquisas de assuntos relacionados à fotografia. Além de vincular a oferta do seu produto ao público interessado, outras vantagens é que você pode gerenciar a campanha por meio de vários recursos e só paga pelos anúncios que forem clicados.

4. Programa de Afiliados: É uma modalidade que vem crescendo no Brasil e vincula o anúncio diretamente ao conteúdo. Utilizando o mesmo exemplo da fotografia, seu anúncio vai aparecer associado a um site, blog ou reportagem sobre o assunto. Já existem várias empresas oferecendo esse tipo de publicidade e a mais conhecida é o AdSense, do Google.

5. Redes Sociais: Redes sociais como Orkut, Facebook e MySpace, assim como as mídias sociais (Twitter, Flickr e Slideshare) são a grande sensação do momento. Não há como contestar sua importância como canais de comunicação direta entre a empresa e seus clientes. Mas antes é preciso entender como funcionam, como seu público-alvo interage e, com base nestas informações, definir a melhor estratégia.

6. E-Mail Marketing: Um e-mail marketing pode ter diferentes propósitos: transmitir informações relevantes para o receptor (caso das newsletters), oferecer uma promoção, destacar os diferenciais de seus produtos e serviços ou ser uma ferramenta de relacionamento. O retorno nesse investimento vai depender da definição desse foco e da qualidade do mailing no qual é direcionado.

Silvio Tanabe - é consultor de marketing digital da Magoweb e autor do blog Clínica Marketing Digital. - 
http://www.administradores.com.br

sexta-feira, 22 de julho de 2011

JORGENCA: Estratégia e Tática - 02

JORGENCA: Estratégia e Tática - 02: "Repito a frase usada no dito artigo por enfatizar nosso propósito: - Um dos primeiros usos do conceito ‘estratégia’ ocorreu há aproximadam..."

Estratégia e Tática - 02

Repito a frase usada no dito artigo por enfatizar nosso propósito: - Um dos primeiros usos do conceito ‘estratégia’ ocorreu há aproximadamente 3.000 anos pelo estrategista chinês Sun Tzuo (Mintzberg 1998 – pág 24) que afirmava que “Todos os homens podem ver as táticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas”.

Entendimento do conceito: estratégia(s) pressupõe um conjunto de medidas (planos) abrangentes que num tempo futuro visem a vantagem competitiva. Uma somatória de esforços empreendidos no intento de influenciar, encantar, seduzir, conquistar, subjugar, impactar, transformar, iludir... o ‘ser ou objeto de interesse’, sem ações de contato direto, imediatistas ou contundentes.
  •  No âmbito militar: subjuga-se o adversário para conquistar seus bens, pois as guerras, preponderantemente têm interesses econômicos!
  •  No campo pessoal: influencia-se, encanta-se para conquistar a pessoa desejada!
  •  No aspecto mercadológico, o cliente é o ente de disputa. Empreendem-se estratégias para alterar sua percepção em favor do próprio negócio.
  •  Na conjuntura político-econômico-social: o governo tem inimigos intangíveis (corrupção, inflação, sonegação, criminalidade, epidemias, analfabetismo – a lista é longa), variáveis sobre as quais não tem governança e que necessita combater para satisfazer sua clientela – a sociedade.
Poderíamos relacionar outros aspectos, porém o objetivo aqui é o entendimento e não o mapeamento das inúmeras conjunturas e contextos! Estratégias são utilizadas para obtenção de propósitos fora do escopo da governança, senão bastaria usar o poder, a força, a autoridades, a liderança, sendo desnecessário medidas sutis e engenhosas.

E quanto à tática? Ela assume características visíveis, pontuais, circunscritas a áreas ou situações específicas. (“...podem ver as táticas pelas quais conquisto...”. Sun Tzuo):
  •  No âmbito militar, são exemplos de táticas: sitiar o inimigo, ataque surpresa, etc.
  •  No campo pessoal: bem, aqui as táticas são muito pessoais! Cada um tem as suas.
  •  No aspecto mercadológico: melhorias na qualidade (processos), excelência no atendimento (vendas, AT), pronta disponibilidade de bens (logística), etc.Na conjuntura político-econômico-social: política tributária justa, serviços de saúde eficiente, programa de educação efetivo, atuação proficiente, etc.
Alguns exemplos de medidas operacionais de ordem tática: internalizarão de nova tecnologia (equipamentos computadorizados), implementação de metodologia (sistema ISO, qualidade contínua), racionalização de produtos (P&D), modificação de portfólio (inovação), melhoria das competências (D&T).
A estratégia se locupleta pela adoção de medidas táticas que por sua vez, viabilizam-se através de ações operacionais levadas a termo nos nichos funcionais da empresa formando a cadeia de resultados: ações operacionais -> ações táticas -> ações estratégicas, orientadas na dimensão temporal do curto ao longo prazo.
As ações operacionais (curto prazo) que compõem as táticas (médio prazo), que por sua vez viabilizam as estratégicas (longo prazo) quando orientadas, seqüenciadas, articuladas, formalizadas e sistematizadas estruturam o conjunto de medidas que formam o planejamento estratégico.
Exemplos de desenvolvimento de estratégicas exclusivamente para a compreensão do conceito:

Caso I (política pública) – Melhorar as condições de saúde da sociedade.
  • Estratégia: melhorar o ar que respiramos deteriorado pelo trânsito. (medidas de impacto, transformação)
  • Tática A - diminuir a emissão de gases poluentes.
  • Ações operacionais:  
  1. Implementar um programa de troca de combustíveis atualmente usados pelos menos poluentes (gás, álcool) na rede de transporte publico;
  2. Incentivos (financiamentos, subvenções...) aos proprietários de táxis e alternativos para adaptação ou compra e de veículos bicombustíveis e estendida aos particulares;
  3. Incentivos à pesquisa e desenvolvimento de filtros mais eficazes na contenção da poluição e intensificação da fiscalização;
  4. Rodízio no uso diário da frota de caros particulares
  • Tática B - melhorar e baratear o transporte público para massificar a utilização do mesmo.
  • Ações operacionais:
  1. criar mais terminais onde se possa fazer conexões de linhas de ônibus sem pagar nova passagem, barateando o transporte 
  2. veículos mais confortáveis e rotas mais rápidas.
Assim, para minimizar um grande problema nas grandes cidades, atacaríamos o grande inimigo que é a poluição do ar pela redução na emissão de gases no trânsito a partir de duas táticas e várias ações operacionais respectivas.

Caso II (política empresarial) – Melhorar a participação da empresa no mercado. (medidas ‘influenciadoras’ para promoção do crescimento, sustentabilidade)
  • Tática A - encantar o cliente pelo atendimento diferenciado.
Ações operacionais:
  1. treinamento e doutrinação do corpo de vendas;
  2. implementar um ambiente agradável e acolhedor
  3. melhorias na infra-estrutura interna do ponto de vendas (conveniências).
  • Tática B - melhorar os serviços pós-vendas:
  • Ações operacionais:
  1.   entregas no prazo (logística), instalação do produto, assistência técnica...
  2.   criar uma ouvidoria para atender sugestões e reclamações...
No exposto acima, os exemplos de escopo e interações não pretendem resolver nem esgotar soluções de problemas semelhantes e sim, mostrar o encadeamento de ações para a implementação de estratégias.

Wagner Herrera: Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP)

Estratégia e Tática - 01

Um dos primeiros usos do conceito “estratégia” ocorreu há aproximadamente 3.000 anos pelo estrategista chinês Sun Tzuo (A Arte da Guerra), que afirmava que “todos os homens podem ver as táticas pelas quais eu conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas”.
O vocábulo teve sua origem na Grécia Antiga, significando inicialmente, “arte do general” (STEINER e MINER,1981), adquirindo posteriormente uma conotação voltada para a guerra, denotando “General” (estratego) – “a arte e a ciência de conduzir um exército por um caminho”. (MEIRELLES, 1995)
“Poucas palavras são objeto de tantos abusos no léxico das empresas, são tão mal definidas na literatura gerencial e estão tão expostas a diferentes significados quanto a palavra estratégia”. FAHEY (1999)
Gosto particularmente de uma definição para o conceito: “intenção sutil e engenhosa ...” (principalmente quando não quero entrar em detalhes) por ser assertiva, sem firulas. Porém nem todas ações sutis e engenhosas são estratégicas, o que deixa a definição incompleta! O que está faltando? No dicionário, um dos significados sem conotação militar é “arte de aplicar com eficácia os recursos de que se dispõe ou de explorar as condições favoráveis de que porventura se desfrute, visando ao alcance de determinados objetivos” (Houaiss), porém considero incompleta também!
Vamos listar algumas definições (em Administração) clássicas do vocábulo:
  •  “Medidas que visem diretamente modificar o poderio da organização em relação à concorrência”. (Konichi Omae)
  •  Orientações que possibilitem melhor posicionamento da organização no ambiente.
  •  “Conjunto de decisões que determinam o comportamento a ser exigido em um determinado espaço de tempo”. Simon)
  •  “Forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados”. (Mintzberg)
Se analisarmos os conceitos acima notaremos um primeiro traço comum: medidas, orientações, decisões, forma de pensar no futuro, termos que no contexto das respectivas frases nos dão a idéia de “intenção” e “ação futura”.
Continuando a análise observamos a alusão à uma condição: poderio, posicionamento, comportamento (exceção à Mintzberg).
Uma terceira observação é quanto ao referencial: concorrência, ambiente, (excluindo Simon e Minzberg) sugerindo a participação de outros atores.


Decompondo o conceito:
  • Objeto (o quê) – intenção, ação futura.
  • Objetivo (para que) –obter poderio, vantagem, supremacia
  • Condição (como) – alterar posicionamento, comportamento
  • Referência (a fim de) – concorrência, ambiente externo.
A(s) estratégia(s) pressupõe um conjunto de medidas (plano) abrangentes que num tempo futuro visam a vantagem competitiva da organização. Uma somatória de esforços empreendidos no intento de desenvolver ou potencializar competências centrais (essenciais) tornando-as competências de vanguarda.
E quanto à tática? Ela assume características mais visíveis, pontuais, circunscritas à áreas específicas da organização. (“...podem ver as táticas pelas quais conquisto, mas o que ninguém consegue ver é a estratégia a partir da qual grandes vitórias são obtidas”. Sun Tzuo). Uma das acepções do termo Tática: “método ou habilidade para sair-se bem em empreendimentos, disputas, situações de vida, relativo a arranjo, organização, alinhamento, manobra hábil”. (Houaiss)
Alguns exemplos de táticas: uma nova tecnologia (equipamentos computadorizados), implementação de metodologia (sistema ISO), racionalização de produtos (pesquisa), modificação de portfólio (inovação), melhoria de competência (treinamento) ...
A estratégia se locupleta pela adoção de medidas táticas que por sua vez, viabilizam-se através de medidas operacionais levadas à termo nos nichos funcionais da empresa formando a cadeia de resultados: ações operacionais -> ações táticas -> ações estratégicas, orientadas na dimensão temporal do curto ao longo prazo.
Imagino que o leitores tem agora, plena condição de completar a definição que iniciamos no quarto parágrafo! (a da definição sem autor, que construí – sem pretensão!).
As ações operacionais (curto prazo), as ações táticas (médio prazo) e as ações estratégicas (longo prazo) orientadas, seqüenciadas, articuladas e formalizadas compõe o conjunto de medidas que estruturam o planejamento estratégico.
 
Wagner Herrera: Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Competitividade: sua empresa reúne as condições necessárias para competir no mercado?

Competitividade é o conjunto de qualidades e competências que nos habilitam a competir. Assim, se você não conhece as regras do basquete e não praticou seus fundamentos não está em condições de competir, mesmo que em ambiente amador!
Muitos empresários arriscam seu capital, tempo e saúde sem observar com maior rigor as regras dinâmicas (em constante mudança) de um mundo dos negócios altamente competitivo, e sem praticar os fundamentos básicos de uma boa gestão.
Isso explica, por exemplo, o insucesso de muitos negócios, cujos empresários esquecem-se da importância da informação, do conhecimento e da experiência frente ao mercado. Carecendo das ferramentas mínimas de gestão e administração, estas pessoas correm riscos quando deveriam assumir riscos, o que um bom administrador optaria por fazer. O mesmo ocorre em diversos setores da economia envolvendo a indústria, comércio e serviços, tanto com empreendedores individuais como com profissionais liberais.
A falta de conhecimento da dinâmica do mercado e das ferramentas de gestão e administração comprometem o sucesso de centenas de milhares de negócios em todo o país.
Este desconhecimento condena estas empresas a estarem entre as últimas em produtividade e lucratividade, inviabilizando sua possibilidade de inovação, competitividade e sustentabilidade. Estas empresas lançam-se ao mercado como cordeiros frente a leões, e quando devorados perguntam-se: "Onde foi que eu errei?"
Ser o último em negócios não significa criar sua empresa em mercado ou segmento já liderado por outras, ou lançar seu produto após o da concorrência – significa não estar em condições de competir!
Vivemos em uma era de alta velocidade de informação e muitas empresas ainda se permitem ao custo de serem lentas!
Em uma era onde os consumidores demandam por produtos e serviços 24/7 (vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana) milhares de empresas ainda se permitem trabalhar no horário de conveniência delas e não no de seus clientes.
Em uma era onde precisamos reduzir os custos ao mesmo tempo em que precisamos aumentar o valor percebido por nossos clientes, muitas empresas acreditam que podem triunfar aplicando somente uma destas estratégias.
É incrível, mas em plena Economia da Experiência, ainda encontramos empresas que não se dedicam a encantar seus clientes fornecendo-lhes as experiências memoráveis e fidelizando-os.
No centro da Era da Convergência, onde o mercado demanda por soluções integradas e não isoladas, ainda encontramos empresas despreparadas para associar serviços aos seus produtos.
Falamos de sustentabilidade e muitas empresas esperam por uma legislação punitiva para tomarem as medidas mais simples de respeito ao meio ambiente.
Estamos cansados de ouvir os empregadores dizendo que as pessoas são o maior capital das empresas, mas estas mesmas pessoas continuam a não ser reconhecidas e remuneradas de acordo com sua importância.
Nossos melhores cientistas são requisitados pela Europa e Estados Unidos para lá realizarem suas pesquisas e descobertas; nossos melhores jogadores de futebol estão continuamente jogando fora do Brasil. E nós? Quais cientistas importamos para o Brasil, para aqui fazerem suas pesquisas e descobertas? Quais os grandes jogadores que contratamos para jogar no país na última década?
Há um problema comum em todas as questões que atingem empresas públicas e privadas no Brasil, falta de gestão estratégica. Observem que não é falta de planejamento estratégico, mas falta de gestão. Gestão inclui execução. Muitas empresas possuem o seu planejamento estratégico, seu plano de negócios, mas quantas, efetivamente, o executam com excelência?
Ainda há excesso de discurso e prática insuficiente, ainda somos muito retóricos.
Vencida a era da informação, instalou-se a era do conhecimento. Se antes o mercado era um lugar desafiador para todo e qualquer empreendedor, hoje ele é ainda mais seletivo. Se antes era possível vencer em função de existirem poucos concorrentes, hoje, em uma economia global com demandas atendidas por múltiplos canais de venda, incluindo o e-business, estamos concorrendo com todo mundo e com o mundo todo!
Empresas e profissionais brasileiros precisam acordar para o fato inequívoco de que no mundo dos negócios, os últimos serão sempre os últimos!
A sustentabilidade do nosso modelo de negócios está na ordem do dia. Reveja seus conceitos, mude suas atitudes e construa a melhor versão do futuro.

Carlos Hilsdorf: economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano