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Administrador de Empresas(UEMA), Mestrado em Administração(FGV-RIO), Professor Universitário (FAMA/UFMA), Ex-Presidente do CRA-MA, Ex-Conselheiro Federal de Administração - CFA, Empresário (DEPYLMAR, VIATNT e AGUASHOW), Conselheiro Fiscal da ANGRAD, Consultor de Empresas, Avaliador do INEP/MEC, Maranhense de Pedreiras, filho de Valdinar e Cavalcante Filho, Casado (Graça Cavalcante), 02 Filhos (Nathália Johanna e Diego Henrique), apaixonado pelo Moto Club de São Luís, Botafoguense de Coração e Feliz da Vida...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Administração – Evolução, Situação Atual e Perspectivas




I – Introdução

O ensino de Administração e, a sua prática no mundo das organizações sempre esteve associado a idéia-força de melhorar o desempenho através do treinamento sistemático.

Nada mais simples de entender e nada mais complexo para ser colocado em prática efetiva.

Simples, porque as organizações – grandes ou pequenas, públicas ou privadas, lucrativas ou não lucrativas – são na essência associações de pessoas, agindo predominantemente de acordo com suas experiências, percepções e motivações, que carecem por isso de uma certa identidade de propósitos e intenções para que seus esforços produzam resultados previsíveis e desejáveis. O que pode ser obtido através de treinamento, nas suas mais variadas formas.

Complexo, no entanto, porque é meio vaga a idéia do que seja uma organização eficiente, dotado das características positivas, resultantes de consenso e aprovação.

Adicionalmente, é necessário considerar que as profissões como forma operacional de atuação no contexto de uma sociedade, aparecem e se desenvolvem em consequência de sua utilidade social. O Administrador é ou, deve ser para as organizações, o que representa o Médico para a saúde de cada um de nós.

Nesse particular, qual seria o respaldo e a proposta profissional da Administração? Qual o grau de internalização pela sociedade brasileira em particular e outras em escala global que passarão a incorporar novas demandas face a novos e complexos cenários emergentes? De  valores como eficiência, inovação, ética, racionalidade na aplicação de recursos e na obtenção de resultados que formam a base valorativa da Administração? Qual a importância e a receptividade dadas, em nossa sociedade, ao Administrador como especialista na promoção daqueles valores maximizantes de recursos naturais, humanos e especializados?

Essas questões e indagações encerram, a  um só tempo, as dificuldades e o destaque da Administração, como uma das mais importantes áreas de estudos que foi no final do século passado recente e neste novo século e milênio que se inicia. Tanto, pelo número cada vez maior de pessoas, em todos os países, que com a Administração vem se envolvendo, como pelo rítmo crescente e constante com que se vai descobrindo e constatando que, em qualquer forma de associação humana, só existe um talento capaz de transformar propostas em fatos concretos, países e regiões subdesenvolvidas em sociedades afluentes, ideais de liberdade, em instituições permanentes: o talento de natureza empreendedora e gerencial próprio do administrador.

É natural, portanto que, a preocupação com o ensino de Administração tenha aparecido muito cedo na história de quase todos os países. Embora, cada um tenha cumprido uma evolução própria, até alcançar as soluções compatíveis com suas necessidades. Algumas soluções mundialmente  conhecidas, seguidas e celebradas.

As Três Eras da Administração do Século XX

Era Clássica
1900 – 1950
. Inicio da Industrialização
. Estabilidade
. Pouca mudança
. Previsibilidade
. Regularidade e certeza
. Administração Científica
. Teoria Clássica
. Relações Humanas
. Teoria da Burocracia
Era Neoclássica
1950 – 1990
. Desenvolvimento Industrial
. Aumento da mudança
. Fim da previsibilidade
. Necessidade de inovação
. Teoria Neoclássica
. Teoria Estruturalista
. Teoria Comportamental
. Teoria de Sistemas
. Teoria da Contingência
Era da Informação
Após 1990
. Tecnologia da Informação
. Globalização
. Ênfase nos serviços
. Aceleração da mudança
. Imprevisibilidade
. Instabilidade e incerteza
Ênfase na:
Produtividade
Qualidade
Competitividade
Cliente
Globalização
Fonte: Chiavenato, I. 2.000:657



II – O Ensino da Administração no Brasil

No Brasil, as preocupações com o ensino de Administração chegaram muito tarde. Muitos autores indicam que a instalação de cursos de Administração no Brasil é contemporânea à instalação da grande empresa multinacional (a partir da década de 1940). Realmente, há uma coincidência histórica no período de ocorrência  desses eventos. Por exemplo, é da época da implantação da grande empresa multinacional no país que datam experiências como “a contribuição pioneira do Pe. Sabóia de Medeiros, ao criar em São Paulo, ao final da década de 1940, a Escola Superior de Administração de Negócios (ESAN)”. Mais ou menos a mesma época a iniciativa  de Armando Salles de Oliveira, ao criar o Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT). Em 1946, a criação do Instituto de Administração da USP. Hoje, seguramente, um dos principais centros sul-americanos, junto com a COPPEAD/UFRJ; EAESP/FGV e PPGA/UFRGS, de vanguarda na área do estudo, desenvolvimento e disseminação da ciência administrativa.

Em 1952, a criação da Escola de Administração Pública (EBAP), no Rio de Janeiro e, em 1954, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), ambas pertencentes a Fundação Getúlio Vargas (FGV) com o apoio da ONU e outros organismos dos USA. Assim, se dos USA nos veio o problema – a necessidade do ensino da administração – também nos chegaram as medidas tendentes à resolve-lo. Buscou-se junto aos USA, todo o conjunto de informações que possibilitassem a formação da categoria necessária. Trouxeram-se professores americanos, produziram-se textos, casos e material de ensino de Administração para o Brasil. Conservando-se grande parte das conclusões americanas, sem a necessária adaptação as especificidades brasileiras do ponto de vista social, cultural e econômica.

A profissão de “Técnico em Administração”, como espaço legal e profissional tem no Brasil, 36 anos (Lei N. 4.769/65) e o especialista da área só venceu sua crise de identidade, ganhando um nome certo – ADMINISTRADOR -  a pouco menos de 16 anos (Lei N. 7.321/85).

Migramos portanto, ou estamos migrando de uma visão singularmente técnica do papel do Administrador para uma visão e papel multi e interdisciplinar/funcional. Hoje exige-se do Administrador possuir e combinar as seguintes habilidades necessárias e indispensáveis na função de gestor de organizações:

Habilidade Técnica – é a capacidade de aplicar conhecimentos técnicos, métodos e equipamentos necessários à execução de tarefas específicas. É adquirida através da experiência, da educação e do treinamento.

Habilidade Humana – é a capacidade e o discernimento para trabalhar com e por meio de pessoas, incluindo o conhecimento do processo de motivação e a aplicação eficaz da liderança.

Habilidade conceitual – é a capacidade de compreender a complexidade das organizações como um todo e onde cada área específica se enquadra nesse complexo. Permite agir de acordo com os objetivos globais da organização, e não em função de metas e necessidades imediatas do próprio grupo.
        
Hoje, como resultado das reflexões e ações ocorridas em diferentes momentos, capitaneadas pelo sistema Conselho Federal de Administração – CFA; Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração – Angrad, com a colaboração e apoio do Ministério da Educação e Cultura – MEC, há um esforço do Sistema de Ensino Superior em Administração do Brasil (faculdades e universidades) em perseguir e  alcançar  de forma crescente e consistente a formação do Administrador com tais características  e habilidades.

Com base nas proposições apresentadas no documento Diretrizes Curriculares para o Curso de Administração, que atualmente encontra-se em tramitação e apreciação no Conselho Nacional de Educação – CNE, para aprovação, vamos, para fins de reflexão, agregar mais elementos referentes ao perfil e habilidades indispensáveis ao Administrador.


O que se pretende alcançar

perfil que o processo pedagógico deve garantir que o graduando demonstre ao final do curso, necessariamente, envolve:

internalização de valores de responsabilidade social, justiça e ética profissional;
formação humanística e visão global que o habilite a compreender o meio social, político, econômico e cultural onde está inserido e a tomar decisões em um mundo diversificado e interdependente;
formação técnica e científica para atuar na administração das organizações, além de desenvolver atividades específicas da prática profissional em consonância com as demandas mundiais, nacionais, regionais e locais;
competência para empreender, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações;
capacidade  de atuar em equipes multidisciplinares;
capacidade de compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento da autoconfiança.

As habilidades que contribuem para a formação do perfil do profissional desejado envolvem:

habilidade de comunicação interpessoal e expressão correta nos documentos técnicos específicos e de interpretação da realidade das organização;
habilidade de utilização de raciocínio lógico, crítico e analítico, operando com valores e formulações matemáticas e estabelecendo relações formais e causais entre fenômenos:
habilidade de interagir criativamente face aos diferentes contextos organizacionais e sociais;
habilidade de demonstrar compreensão do todo administrativo, de modo integrado, sistêmico e estratégico, bem como de suas relações com o ambiente externo;
habilidade de lidar com modelos de gestão inovadores;
habilidade de resolver situações com flexibilidade e adaptabilidade diante de problemas e desafios organizacionais;
habilidade de ordenar atividades e programas, de decidir entre alternativas e de identificar e dimensionar riscos;
habilidades de selecionar estratégias adequadas de ação, visando a atender interesses  interpessoais e institucionais;
habilidade de selecionar procedimentos que privilegiem formas de atuação em prol de objetivos comuns.

O que deve ser ensinado

A Resolução N. 02, Conselho Federal de Educação (CFE) de 04 de outubro de 1993, estabelece que os conteúdos adotados como objeto de trabalho para o desenvolvimento das habilidades envolvem matérias de formação básica e instrumental, matérias de formação profissional e tópicos emergentes.

A origem e construção do conhecimento administrativo apresenta diferentes vertentes e contribuições. Iniciemos pelos filósofos [ Sócrates (470 ª C. – 399 ªC); Platão (429 ª C. – 347 ªC); Aristótales (384 ªC. –322 ª. C.; Miccolo Machiavelli (1.469 – 1.527); Francis Bacon (1.561-1626); René Descartes (1.596-1650); Thomas Hobbes (1.588-1.679); Jean-Jacques Rousseau (1.712-1.778); Karl Marx (1.818-1.883)]. A influência da organização da Igreja Católica, nos ensina por exemplo que sua organização hierárquica  é tão simples e eficiente que sua enorme organização mundial pode operar sob o comando de uma só cabeça executiva: o Papa, cuja autoridade coordenadora lhe foi delegada de forma mediata por uma autoridade divina superior. A influência militar com a colaboração dos conceitos de: unidade de  comando, linha, centralização, descentralização, estratégia. Nunca devemos esquecer que as organizações operam numa arena de guerra. Conhecer a vida e a obra de figuras como: [Napoleão Bonaparte (1.769-1.821); Frederico II, o Grande (1.712-1.786); Karl von Clausewitz (1.780-1.831)]. A influência da Revolução Industrial onde foi gestada a Administração na forma como hoje a conhecemos. É impossível apreender e compreender a essência da Administração sem compreender o que representou a Revolução Industrial. A influência dos Economistas Liberais, principalmente de figuras como: [ Adam Smith (1.723 – 1.790) e Joseph Schumpeter (1911)]. A influência dos Pioneiros e Empreendedores nas figuras por exemplo de: [John David Rockefeller (1.839 – 1.937); Adolf von Bayer (1.835 – 1917)]. A influência do eng. Mecânico Frederick Winslow Taylor (1.856-1915), considerado o fundador  da Administração Científica e  Henri Fayol (1.841 – 1.925). A influência do psicólogo George Elton Mayo (1.880 – 1.949) por ter liderado a Experiência de Hawthorne. A influência do sociólogo Max Weber (1.864 – 1.920) com seus estudos sobre burocracia e tipos de sociedade e autoridade. A influência da matemática com as contribuições, entre outras, da Teoria dos Jogos proposta pelos matemáticos Johann von Neumann (1.903 – 1.957) e Oskar Morgenstern (1.902 – 1.962). A influência da biologia pela notável contribuição do biólogo L. von Bertalanffy, pelas idéias contidas na Teoria Geral dos Sistemas (1.950).

Todas essas vertentes, por si só, dispensam enfatizar a importância das matérias de formação básica e instrumental para o Administrador como a Sociologia, Psicologia, Matemática, Informática, Filosofia, Estatística, Economia, Direito e Contabilidade.

Infelizmente, não se sabe ainda, se é por desinformação, falta de articulação de conteúdos, baixa aderência de alunos e professores ou despreparo geral. Tais conteúdos em muitas de nossas escolas de Administração são apresentados e desenvolvidos de forma superficial e inconsistente. Temos comentado com diferentes públicos que um dos maiores desafios atuais para o ensino e domínio da ciência administrativa para uma posterior prática correta, é superar a postura de superficialidade com que são tratadas e desenvolvidas as matérias de formação básica e instrumental de nossos cursos de graduação. Entretanto esses desafios, junto com as matérias de formação profissional (Teorias da Administração, Mercadologia, Recursos Humanos, Finanças e Orçamento, Produção e Logística) e Tópicos Emergentes que envolvem hoje temas como: ética, globalização, ecologia e meio ambiente, constituem um cenário promissor de desafios e novas perspectivas. O conjunto de ações e políticas contidas no bojo das Diretrizes Curriculares para o Curso de Administração e sua operacionalização efetiva pelos agentes da educação superior (universidades e faculdades), sinalizam uma visão consistente para as perspectivas e possíveis tendências a seguir prospectadas.

III – Perspectivas

Seguramente, nos próximos anos, assistiremos  o fim da forma organizacional de hoje (a organização burocrática) e veremos o surgimento de novos sistemas mais adequados às demandas da pós-industrialização. Resultado de: a) Mudanças rápidas e inesperadas, principalmente no campo do conhecimento, impondo novas e crescentes necessidades a que as atuais organizações não têm condições de atender. b) Crescimento no tamanho das organizações, que se tornam complexos e internacionais. c) Atividades novas que exigem pessoas de competências diversas, criatividade e altamente especializadas, envolvendo problemas de coordenação e, principalmente, de acompanhamento das rápidas mudanças.

Os Paradigmas das Novas Organizações

Modelo do Século XX
Aspectos
Protótipo do Século XXI
Divisão de trabalho e cadeia escalar de hierarquia
Organização
Rede de parcerias com valor agregado
Desenvolver a maneira atual de fazer negócios
Missão
Criar mudanças com valor agregado
Domésticos ou regionais
Mercados
Globais
Custo
Vantagem competitiva
Tempo
Ferramenta para desenvolver a mente
Tecnologia
Ferramenta para desenvolver colaboração
Cargos funcionais e separados
Processo de trabalho
Equipes de trabalho interfuncionais
Homogênea e padronizada
Força de trabalho
Heterogênea e diversificada
Autocrática
Liderança
Inspiradora
Fonte: Chiavenato, I. 2.000:689


Como ficará a Administração? Seu ensino? Seu aprendizado? Sua aplicação no mundo real das organizações?

Certamente, por suas caracteristicas multi e interdisciplinar ela não ficará isolada nesse dinâmico e conturbado contexto globalizado. As especialidades clássicas dentro da Administração como Recursos Humanos, Produção, Marketing, Finanças, etc. deverão cada vez mais serem tratadas em sua verticalidade (especialização) e na sua horizontalidade. A interdisciplinaridade deve, definitivamente marcar a substituição da especialização pela generalização. Não a generalização irresponsável,  descomprometida e superficial com as múltiplas e complexas variantes especializadas. Mas a capacidade de escolher o caminho certo na hora certa. Portanto, não é o conhecimento especializado – por certo necessário em toda atividade de natureza, no caso administrativa e, em muitas outras áreas – que conta, mas a combinação com uma série de competências generalizadas e aparentemente fluidas. Ou seja, todo especialista de primeira linha é também no fundo um bom generalista. À Administração cabe a missão de construir a si própria no espaço e no tempo a identidade comum, capaz de orientar a atuação de todos os membros da organização quanto ao presente e futuro.  


Por si, hoje a tarefa de administrar apresenta variáveis e situações incertas e desafiadoras. O cenário que se projeta é de um sem-número de variáveis e transformações carregadas de ambiguidades e de incertezas. O Administrador se defrontará com problemas multifacetados e cada vez mais complexos com sua atenção disputada por eventos e por grupos situados dentro e fora da empresa que proporcionarão informações contraditórias, complicando o seu diagnóstico perspectivo e a sua visão dos problemas a resolver ou das situações a enfrentar. São exigências da sociedade, dos clientes, dos fornecedores, dos agentes regulamentadores. São os desafios dos concorrentes, as expectativas da alta administração, dos subordinados, dos acionistas, dos governos, das organizações não-governamentais.

Todas essas exigências, desafios e expectativas exigirão do Administrador uma combinação adequada e consistente das habilidades técnicas, humanas e conceituais, ora de cunho especializado, ora de cunho generalista.

A Administração, por e através de seus agentes cada vez mais, necessitará compreender as normas, valores e visões do mundo dos colaboradores diretos, grupos, unidades e de toda a organização. A compreensão de tais questões, formam a base a partir da qual se prescruta  o futuro e se decide sobre os novos conhecimentos que são legítimos e os que não são. Trata-se portanto, de algo que ultrapassa a mera referência à visão/missão da organização, descrição de postos de trabalho, organograma e ferramentas a serviço da organização. As pessoas participam e contribuem para o seu conhecimento, para o conhecimento da organização onde trabalham, para a família, a igreja, o clube social, etc. Todas essas experiências de mão dupla, influenciam a maneira de ser da organização onde trabalham e vice-versa.

A inovação e a criatividade organizacional constituir-se-ão no vetor da Administração. Serão tão importantes para a Administração quanto é hoje considerado o processo administrativo de planejar, organizar, dirigir e controlar.

Caberá a Administração, tornar o conhecimento cada vez mais produtivo. Uma coisa é certa. Esse capital intangível provocará na estrutura de cargos, nas carreiras e nas organizações, mudanças tão dramáticas como as que resultaram na mudança da produção artesanal para a produção em série com a Revolução Industrial, operacionalizada por Taylor e seus seguidores.

Nossas escolas de Administração deverão desenvolver de forma crescente e consistente competências de longo prazo para preparar o Administrador  polivalente/generalista/especialista, o cidadão socialmente responsável e o administrador político, comprometido com o bem-estar coletivo. Isto porque, diante do modelo de especialização flexível e dos novos conceitos de produção, em que a divisão técnica do trabalho se tornou menos evidenciada, com a integração do trabalho direto e indireto e a integração entre produção e controle de qualidade, onde o trabalho em equipe passou a substituir o trabalho individualizado e as tarefas do posto de trabalho foram eclipsadas pelas funções polivalentes, o conteúdo e a qualidade do trabalho do Administrador modificaram-se.

O desenvolvimento do conteúdo informativo das atividades profissionais, a difusão das ferramentas de tratamento de informação e sua inserção em uma rede de informações e comunicação, desaparecerão progressivamente com as fronteiras tradicionais entre outros setores ( produção, armazenagem, distribuição), favorecendo a mobilidade entre os empregos, até agora separados em categorias isoladas. Assim, o trabalho estará crescentemente mais abstrato, mais intelectualizado, mais autônomo, coletivo e complexo. Cada vez mais, as funções diretas e indiretas estarão sendo incorporadas pelos sistemas técnicos e o simbólico se interpondo entre o objeto e o conteúdo do trabalho. O próprio objeto do trabalho, torna-se imaterial. Numa nítida constatação da migração de uma atividade centrada na competência técnica para uma competência interpessoal e conceitual.

As tarefas estarão se tornando crescentemente indeterminadas pelas possibilidades e usos múltiplos dos próprios sistemas e a tomada de decisões passa a depender, cada vez mais, da capacitação de uma multiplicidade de informações obtidas através de redes informatizadas. O trabalho repetitivo, prescritivo é substituído por um trabalho de arbitragem em que é preciso diagnosticar, prevenir, antecipar, decidir e interferir em relação à uma dada situação concreta de trabalho. A natureza deste tipo de trabalho reveste-se da imprevisibilidade das situações nas quais o Administrador ou o coletivo de Administrador, têm que fazer escolhas e opções todo o tempo, ampliando-se as operações mentais e cognitivas envolvidas nas suas atividades.

A passagem da democracia representativa para a democracia participativa, influenciará, significativamente, os membros da organização em todos os seus níveis. As organizações precisarão adotar um modelo de equalização do poder em substituição ao modelo atual de diferenciação hierárquica, para reduzir as diferenças impostas pela hierarquia de autoridade. A revolução política ora em curso nos países mais avançados, está implícita na seguinte afirmação: “ as pessoas cujas vidas são afetadas por uma decisão, devem fazer parte do processo que constrói esta decisão”. Essa passagem da democracia representativa – na qual as pessoas escolhem pelo voto aqueles que irão representá-las no processo decisorial da vida política de um país- para a democracia participativa- na qual as pessoas serão consultadas a respeito de suas opiniões e pontos de vista, de suas convicções e expectativas- é um dado importante na vida de alguns países e já vem ocorrendo no Brasil. A sociedade e a nação de hoje tendem ao pluralismo. Cada tarefa importante é confiada a uma grande instituição, organizada para durar sempre e ser dirigida por Administradores. Essa nova sociedade pluralista, dal qual estamos construindo, constituída por uma infinidade de instituições, traz desafios políticos, filosóficos e sociais que ultrapassam a compreensão dos Administradores.

O Terceiro Setor, ou setor sem fins lucrativos, deverá ser aquele que mais crescerá nas sociedades desenvolvidas deste novo século XXI.  É ali que a Administração Sistemática, aprendida e construida nas Faculdades e Universidades, baseada na teoria e guiada por princípios universalmente testados e aprovados, pode render maiores resultados em menos tempo. Basta pensar nos enormes problemas e desafios com que o mundo se defronta – pobreza, saúde, segurança, educação, tensões internacionais – que a necessidade de soluções administrativas e eticamente construídas se tornam  claras e urgentes.

Aos que estudam, desenvolvem e praticam  Administração, caberá uma participação significativa no desenvolvimento da idéia de solidariedade. A administração por essência envolve participação e parceria para que as coisas possam acontecer. A grande palavra do século XXI deverá  ser a solidariedade. O profissional não pode estar alheio a este fato. A globalização tem efeitos tremendamente espetaculares, o que pode aumentar nossa riqueza na comunicação, nos conhecimentos que estamos desenvolvendo, na geração do conhecimento. Porém, esses processos também conduzem ao aumento de desigualdades sociais e nisto a questão da cidadania, a reação do profissional com a cidadania é cada vez mais importante. Demasiadamente influenciadas pela eficiência econômica, os profissionais muitas vezes se esquecem de que têm que buscar a igualdade social em suas gestões, têm que buscar, também, fortalecer a cidadania e fortalecer a igualdade social.

Outro grande desafio do século XXI será o multiculturalismo. O profissional de Administração não será alguém que tenha a multiculturalidade, mas que precisamente aproveite a multiculturalidade para enriquecer socialmente as organizações de que participa. Para compreender a dimensão desse desafio e saber explorá-lo construtivamente como é importante compreender sociologia, antropologia, política... para poder transitar entre diferentes realidades sociais e culturais neste mundo globalizado!

A Administração está percorrendo caminhos para constituir-se tanto em “ciência” como em “arte” e “técnica”. Há em Administração princípios, teorias, instrumentos e técnicas. Está emergindo uma linguagem comum da Administração e talvez até haja uma disciplina universal. Sem dúvida alguma, há uma função genérica mundial que chamamos de “administração” e que atende a mesma finalidade em toda e qualquer sociedade desenvolvida. Como decorrência, a Administração também é uma cultura de valores e crenças. Pode ser considerada a ponte entre uma civilização que está se tornando mundial e uma cultura que manifesta tradições, valores, crenças e patrimônios divergentes. A Administração precisa tornar-se cada vez mais um instrumento pelo qual a diversidade cultural passa a atender as finalidades comuns da humanidade. Porém, ao mesmo tempo, a Administração está sendo cada vez mais exercida dentro das fronteiras de uma única cultura, legislação ou jurisdição nacional. A Administração deve e pode, tornar produtivos os valores, as aspirações e as tradições do indivíduo, da comunidade e da sociedade, para atender a uma finalidade produtiva comum. Se a Administração não tiver êxito em colocar a funcionar o patrimônio cultural específico de um país, de uma região, de uma comunidade, não pode ocorrer o desenvolvimento social e econômico.

A Administração se tornará, rapidamente, junto com a tecnologia, o recurso estratégico dos países desenvolvidos e a necessidade básica daqueles em desenvolvimento como o Brasil. Por constituirem-se em alvo de interesse específico de um setor, isto é, das instituições econômicas da sociedade, não só a Administração como também, os Administradores, estão se tornando segmento genérico característico constitutivo da sociedade desenvolvida. O que a Administração e os Administradores fazem, tornar-se-á, portanto e apropriadamente, cada vez mais uma questão de interesse público e não um assunto reservado aos “peritos”. A Administração se preocupará, cada vez mais, com a manifestação de crenças e valores, tanto quanto com a acumulação e conservação de resultados economicamente mensuráveis. Defenderá, cada vez mais, a qualidade de vida de uma sociedade quanto o seu padrão de vida.

Todavia, a mais importante mudança que o futuro reserva para a Administração é que, nos países desenvolvidos, as aspirações, os valores e, de fato, a sobrevivência, mesmo da sociedade, virão a despertar, cada vez mais, do desempenho, da competência e dos valores dos Administradores. A importante tarefa que está reservada à próxima geração é, portanto, tornar produtivas, para o indivíduo, à comunidade  e à sociedade, as novas instituições organizadas de nosso novo pluralismo. E, isso, é o que constitui acima de tudo, o novo papel da Administração, fundado na Ética, na Democracia, na Participação, no Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado, no respeito à Vida, no Pluralismo e na participação de todos dos resultados e bens da humanidade.

Por: Luiz Tatto - http://www.urutagua.uem.br/

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