QUEM SOU EU

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Administrador de Empresas(UEMA), Mestrado em Administração(FGV-RIO), Professor Universitário (FAMA/UFMA), Ex-Presidente do CRA-MA, Ex-Conselheiro Federal de Administração - CFA, Empresário (DEPYLMAR, ), Ex-Conselheiro Fiscal da ANGRAD, Vogal da Junta Comercial do Maranhão (JUCEMA)Consultor de Empresas, Avaliador do INEP/MEC, Maranhense de Pedreiras, filho de Valdinar e Cavalcante Filho, Casado (Graça Cavalcante), 02 Filhos (Nathália Johanna e Diego Henrique), apaixonado pelo Moto Club de São Luís, Botafoguense de Coração e Feliz da Vida...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Geração Y? O Jogo Tá Só Começando.


Vamos combinar: não há “nada” de errado com a Geração Y.

Ou, melhor dizendo, não há nada ESPECIFICAMENTE ERRADO COM A GERAÇÃO Y, que não tenha também suas correspondências em outras gerações.

Fato #1: virou moda falar mal da Geração Y.

E, desse ponto em diante, é tudo opinião, tendo você todo o direito de se importar com ela ou não.
Pra contextualizar é importante que você saiba: nasci exatamente na virada da geração X para a geração Y. A X achava que eu era Y, e a Y achava que eu era X.

Posição difícil, pode apostar.
Nessa situação, você estará sempre deslocado, não importa que posição tomar. E, se tentar defender uma para a outra ou vice-versa, vai brigar com as duas partes.

Palavra de um XY de nascença
Se é assim, inevitável, então fica decretado para mim mesmo que não vou escrever com o intuito de agradar ninguém.
Já saio perdendo, de qualquer forma. Também não vou escrever para ser fofo ou repetir os mantras que a galera quer ouvir. Parece que virou senso comum nos blogs e afins: seja fofo, ganhe recomendações e seguidores. Valeu Eden Wiedemann pela inspiração: mais vale uma dose de franqueza que seguidores de ocasião. Você não falou isso, mas foi o que eu entendi de seus posts recentes.

O fato (ok, é meio forte falar “fato” logo depois de dizer que é tudo opinião, mas o filtro é com vocês!) é que não aconteceu nada de errado com a Geração Y.
Nada.

Ou, pelo menos, nada mais nem nada menos errado do que eventualmente tenha acontecido de errado com a Geração X.
Aposto, também, que com a Z não vai ser diferente. Talvez seja um “pouco mais acelerado”, mas a gente se acostuma.

Quero deixar bem claro que essa não é uma resposta direta ao post do Ícaro de Carvalho, super bem elaborado e contundente.

Afinal, nenhum post chega a quase 4 mil recomendações (e contando) se não for significativo. O garoto é bom, decerto não precisa da minha aprovação (e de mais ninguém) e já deu mais de uma prova disso.

Mas minha visão sobre esse assunto é um pouco diferente. Questão de perspectiva.

Parem de glorificar ou desqualificar a Geração X. Tá feio.

Pra começar, vamos falar um pouco dos nossos pais, Baby Boomers tardios ou membros iniciais da Geração X.

Se você conviveu com alguém dessa época, é grande a chance de você ter convivido com alguém que ralou muito. Que ia pro trabalho de transporte público ou em um carro sem ar condicionado, de janelas abertas.

Que não parava várias vezes ao dia para fumar (aquela estratégica escapadinha ao fumódromo), até porque quando fumava, fazia na própria mesa. Era cool.

Que fazia, sim, “serão”. Porque se levasse trabalho pra casa, talvez não tivesse as ferramentas (você acha que sempre tivemos ferramentas até melhores que as do ambiente do trabalho nas nossas casas?) ou todo o arquivo pra consultar (daqueles pesadões, de metal, com as letras nas gavetas e pastas suspensas?).

Que não tinha Google, Dropbox, email, celular e várias dessas parafernalhas que até hoje a gente não sabe se ajudam ou se atrapalham nosso dia a dia.

Tá, ajudam. Melhor diminuir a polêmica.
Uma geração que tinha muito trabalho a fazer, na agência, no escritório, na repartição, onde quer que fosse.
Até porque nessa época também se construíam prédios, faziam-se operações bancárias, desenvolviam-se softwares e realizavam-se neurocirurgias, além de dezenas de outras coisas sofisticadas.

E, talvez por isso, vi muitas vezes meu pai trazer pastas e pastas do trabalho. Ele fazia jornada dupla. Era professor e empreendedor (tinha uma pequena gráfica onde fazia de quase tudoda venda ao design, da produção gráfica ao acabamento). Algumas noites eram dedicadas à correção de provas e lançamento de notas, outras trabalhando na arte final (com aqueles decalques ou fazendo transposição de imagens como papel digital) de algum trabalho da gráfica. Aprendi muito vendo ele trabalhar.

Era uma galera que, sim, só tinha meia dúzia de canais na TV, que ficava anos no plano de expansão da Telerj (ou equivalente) para conseguir uma linha telefônica, que só podia beber Antártica, Brahma e Kaizer (ou alguma cerveja de baixa qualidade parecida), que financiava o apartamento em 30 anos na Caixa (com o saldo devedor aumentando, por mais que pagasse as prestações) e que andava em carros que hoje a gente chamaria de carroças. Que ralava pra cacete, muitas vezes dedicando 30, 35 anos a uma mesma empresa. E muitas vezes ao mesmo chefe.

A vida profissional “acabava” aos 40
Lembro também do desespero de amigos do meu pai ou pais de amigos que perderam “o emprego da vida” perto dos 40 anos.
“Ninguém contrata ninguém mais velho que 40 anos”, eles diziam. E eu acreditava. Até porque não tinha Uber pra salvar. E economia colaborativa era pedir ajuda ao amigo pra pagar as contas no fim do mês, enquanto o bico ou o novo emprego não vinham.
Hoje eu tenho perto disso (ok, faltam alguns anos, mas chego lá em breve), e “desemprego” é algo que nem de perto me aflige. Até porque é cada vez mais fácil viver “sem emprego” e sem chefe.

Geração perdida é o cacete!
Aí vem alguém vaticinar que a Geração Y é uma Geração perdida.
Que deu errado. Que a culpa é do diabo! (Foi mal, Ícaro, não é pessoal. Foi só uma referência).
“Uma geração que dá sua vida por uma empresa que enche seu saco 24 horas por dia, que finge criar um lugar legal pra trabalhar e que dá pizza e cerveja pra quem trabalhar até mais tarde”.

Vamos falar sério?
Esses tais de “Y” são espécimes de 30 e poucos anos que vão viver até 120, 150.. Que vão ser produtivos por muitas e muitas décadas. Ou até mais, quando vier alguma disrupção na longevidade humana que supere o que representaram a penicilina e o marcapasso.
Terapias genéticas? Substituição de órgãos? Backup do cérebro? Não importa, elas virão.

O Jogo nem começou
E aí o “titio” aqui (podem me considerar um primo mais velho, dada a pouca diferença de idade) vai contar um segredinho pra vocês. O jogo nem começou. Até aqui foi no modo easy. Era só aquecimento. Trailer. Amostra grátis.

Foram quase 20 anos de bonança. Farra das commodities. Pleno emprego, onde qualquer indivíduo medianamente formado conseguia uma posição no mercado. Onde saber ligar o computador já contava pontos para trabalhar em TI. Um período no qual as empresas queriam ser “as melhores para se trabalhar”, pois precisavam se vender a vocês (a nós, no caso). Muitos dizem que isso moldou uma geração que se acha “merecedora”, que age como “bebês”.

Bora mudar o jogo
Eu não concordo. Acho que ainda tem jeito.
Mas a farra tá acabando. Ou a gente muda o jogo, como bem defende o Gustavo Tanaka, ou vai ser complicado se divertir e vencer.
Esse jogo, desse jeito, com essas regras e com essa mecânica, tá complicado.

A vantagem é que, de um jeito ou de outro, vocês (nós) moldaram competências que vão salvar vocês (nós) daqui pra frente. Sabe-se lá por que, mas eu falo disso mais adiante.
Trabalhar por muito tempo não é trabalhar o tempo todo
Outro ponto que eu quero falar antes é sobre a crítica “a dedicação extrema e as horas extras”.

Vamos fazer uma análise? Pega um dia de trabalho seu, típico.
Toda vez que você parar pra fazer alguma coisa fora do escopo do trabalho você anota (eu faria no papel, de repente você faz no EverNote, ou qualquer outra geringonça online que eu não conheço).
Facebook, SnapChat, consultar o email pela décima-quinta vez naquela mesma hora, WhatsApp, Jornal Online, Spotify… 

Você diz.
A gente trabalha muitas horas, mas poucas são efetivamente produtivas.
Sério. Sejamos honestos. Nos falta foco.
Sim, você pode processar muitos canais ao mesmo tempo, muito mais do que a geração anterior. Mas foco continua sendo importante, baby. É físico-bio-químico. Seus neurônios, se mudaram, não mudaram tanto assim.

É claro que você tem que ter vida. E qualidade de vida. E vida social. E mais vidas no Candy Crush, no Angry Birds ou.. Sei lá, cara, algum jogo da moda.
Eu só entendia de Mario e Tetris, facilita a minha vida. Você entendeu. Você precisa de uma vida fora do mundo corporativo.
O problema é que ela tá toda misturada com seu dia a dia de trabalho.

E agora, como é que separa?
Pois é, não separa. Ou, pelo menos, não separa mais.
Não é bom, nem ruim. É um fato.
Trabalhamos 8, 10, 14 horas? Mas às vezes demoramos muito mais para entregar essas mesmas horas do que nossos pais demoravam.
Temos que parar de pensar em horas e começar a pensar em impactos

Ainda dá tempo.
A questão, no entanto, é que nada disso é catastrófico, mortal ou destruidor como querem vender. Tem seu lado bom.
Então, que competências da Geração Y que vão salvá-la, enquanto há tempo (e muito, por sinal)?

  • É uma geração que sabe colaborar e construir coletivamente como nenhuma outra.
  • Que desconstrói, desapega e reconstrói com mais facilidade.
  • Que domina a tecnologia e celebra a diversidade.
  • Que não sabe diferenciar o digital do real, até porque não precisa (mais).
  • Que faz. É hacker, é maker, é taker e baker.
  • Que tem resiliência e flexibilidade, porque se acostumou a viver em constante mudança.
  • Que tá aprendendo a aprender e aprendendo a empreender.
  • E que, ao empreender, consegue fazer de forma holocrática. E em rede.
  • Que, inspirada nos videogames, não tem problema em dar o reset ou trocar o jogo.
  • É uma geração que é ela mesma. Sem filtros.
  • É, talvez, a primeira geração realmente inspirada por propósitos.
  • Uma geração que valoriza a qualidade de vida, a saúde, a vida social, as conexões… Mesmo que alguns queiram descaracterizá-las pelo fato de serem predominantemente eletrônicas ou virtuais.
Tá na hora da Geração Y tomar de verdade as rédeas dessa bagunça toda
A verdade é que não é coisa de uma geração ou outra.
O mundo, em geral, que tá uma bagunça. Volátil, incerto, complexo, ambíguo.
Empregos que pareciam eternos desaparecem a cada dia. E outros, surgem.
Pessoas trocam de empresa com cada vez mais frequência. E de carreira. E até de vida!
Cinco ou seis gerações estão convivendo por aí, ao mesmo tempo. E esse número vai crescer.

Inovações disruptivas aparecem a todo o instante. Ninguém está a salvo. Ainda bem.
E são vocês, os caras da geração Y, os únicos capazes de articular tudo isso.
Os membros da Geração Z tão chegando, e daqui a pouco vai ser hora (errada) de falar mal deles.
Aperta o play!!!
Por: 


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