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Administrador de Empresas(UEMA), Mestrado em Administração(FGV-RIO), Professor Universitário (FAMA/UFMA), Ex-Presidente do CRA-MA, Ex-Conselheiro Federal de Administração - CFA, Empresário (DEPYLMAR, ), Ex-Conselheiro Fiscal da ANGRAD, Vogal da Junta Comercial do Maranhão (JUCEMA)Consultor de Empresas, Avaliador do INEP/MEC, Maranhense de Pedreiras, filho de Valdinar e Cavalcante Filho, Casado (Graça Cavalcante), 02 Filhos (Nathália Johanna e Diego Henrique), apaixonado pelo Moto Club de São Luís, Botafoguense de Coração e Feliz da Vida...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu me Apaixonei pela Profissão Errada

Seja por um salário alto, para seguir a vontade dos pais ou escolher a profissão da moda, muita gente acaba enveredando pela carreira errada. A possibilidade de mudar e recolocar a vida profissional nos eixos não é fácil, mas existem caminhos para isso.


A infelicidade no trabalho não é um problema isolado. Segundo pesquisa do Datafolha de abril, 22% dos brasileiros se consideram infelizes ou pouco felizes em seus empregos.

Durante anos, foi o caso do consultor de desenvolvimento humano Sergio Gomes, 38. Formado em administração mercadológica, ele trabalhou no mercado financeiro e em uma multinacional. Mesmo com salário alto e em uma posição hierárquica importante, ele diz recordar estar perto da depressão.

Prestes a entrar em outra multinacional que lhe ofereceu um salário maior, Gomes rejeitou a proposta e pediu demissão.

A "luz amarela" se acendeu quando o novo empregador lhe perguntou o quanto ele gostava de finanças em uma escala de 0 a 10.

"Minha resposta foi 6,5. Fiquei chocado ao saber que todos os que seriam meus subordinados responderam 10. Resolvi mudar de trabalho, mas não tinha ideia de qual eleger", diz.

MÁS ESCOLHAS

Gomes admite que o bom salário pesou quando escolheu -e permaneceu- em um emprego que ele não gostava e sentia-se infeliz.

Mônica Ramos, diretora de gestão de mudança da empresa de transição de carreira LHH/DBM, diz que esse é um dos motivos mais comuns para optar por uma profissão indesejada. "Inúmeras pessoas ainda escolhem suas carreiras apenas pelo valor do salário ou são influenciadas pela opinião dos pais e de amigos. Desse modo, a decisão é tomada sem que se conheça o máximo possível da profissão escolhida", afirma.

Para uma carreira ter mais chances de sucesso, ela explica que o interessado precisa pesquisar muito sobre aquela profissão e saber mais sobre si mesmo. Conversar com quem já atua na área é um dos passos fundamentais.

Gomes lembra que quando conheceu mais sobre si mesmo acabou pedindo demissão. Ele fez um processo de "coaching" por sete meses para entender melhor suas competências e preferências. Descobriu que gostava de desenvolver pessoas. Começou prestando serviços para uma start-up (empresa iniciante de base tecnológica) e, depois, para companhias de vários portes até abrir a consultoria de RH Havik.

"Levei quatro anos para voltar a ter um nível de renda similar ao que tinha no emprego, mas não me arrependo. Foi um pedágio que paguei para ser feliz", ressalta.

FAMÍLIA

Beatriz de Santiago, 34, formou-se em direito aos 22 anos muito influenciada pela mãe, que fez carreira como advogada. Trabalhando no Rio de Janeiro, ela atuou em áreas como civil, trabalhista e tributarista.

Apesar do bom relacionamento com a chefia, ela revela que não se sentia feliz e realizada. Sempre gostou de animais, plantas e de estar em contato com a natureza. Acabou largando a advocacia em busca desses interesses, mas de um modo pragmático. "Passei quatro anos poupando dinheiro e então pedi demissão. Acumulei a quantia que achei necessária para estudar e viajar em busca de uma nova profissão", recorda Santiago.

Ela enfrentou resistência dos pais e do ex-chefe, que não entendiam suas razões. Nesse momento, ela considera que o diálogo com eles foi muito importante para concretizar a mudança.

A ex-advogada afirma que para uma transição dar certo é importante evitar brigas. "Mostrei meus pontos de vista para meu chefe e aceitei ficar mais tempo, conforme ele me pediu." A família só a apoiou depois que ela mostrou aos pais que tinha "um plano para seguir".

Ela fez cursos no Jardim Botânico do Rio e começou a se interessar por paisagismo. Estudou a obra de Roberto Burle Marx (1909-1994) e livros de botânica, além de viajar para diversos países (Alemanha, Inglaterra, Indonésia, entre outros) para conhecer jardins tradicionais de várias culturas. Esse mergulho levou três anos.

Na volta, abriu uma loja de arranjos de flores e plantas na Tijuca, zona norte do Rio. O comércio foi fechado -hoje ela trabalha como autônoma e seu foco são reformas de coberturas e paisagismo para apartamentos.

SINTOMAS E AJUSTES

A desmotivação, a insatisfação, a infelicidade, as doenças e os vícios.

Essa é a ordem que Piero Abbondi, proprietário da consultoria de carreiras Spectro, lista como sinais de que o trabalho escolhido foi uma opção errada.

Ele considera que em todas as profissões há dificuldades, "mas [uma pessoa] não está preparada para lidar com muitas delas se seus talentos, características pessoais e valores forem muito diferentes dos exigidos".

Para a coach executiva da empresa R122 Coaching, Juliana de Lacerda, essa inadequação pode aparecer muito rapidamente em gerações mais jovens, que, diferentemente das antecessoras, desistem mais rapidamente em vez de tentar superar uma situação ruim com mais persistência e foco.

Ela aponta aspectos negativos desse comportamento típico dos mais jovens e orienta o desenvolvimento da resiliência para superar obstáculos naturais de todas as carreiras e profissões.

A coach diz que a pressa em decidir, a imaturidade e a necessidade de se provar e ser bem-sucedido muitas vezes levam a decisões erradas.

"Tenho a impressão de que muitos confundem "acertar na carreira" com não ter de lidar com situações de estresse, desconforto ou mesmo insucesso. Isso é uma ilusão."

Abbondi pondera também que a mudança de carreira, às vezes em menos de um ano, não é de todo ruim, se a pessoa procurar entender melhor seu setor profissional.

"Muitas vezes é necessário apenas um ajuste fino. Por exemplo, um engenheiro aeronáutico pode tanto projetar aviões, ser piloto de testes ou até vender aeronaves", afirma ele.

A gerente de marketing da Hypermarcas Karina Leonardo Alves, 31, fez um desses ajustes. Ela começou sua vida profissional em um laboratório que prestava serviços de controle de qualidade para a indústria farmacêutica.

"Sempre gostei de biologia, por isso me formei na área e procurei um trabalho relacionado. Mas odiei porque ficava só no laboratório."

Ela pediu demissão e foi buscar uma carreira em que tivesse mais contato com o público. Interessou-se por marketing, fez cursos e terminou contratada justamente para a área de fármacos da Hypermarcas. "Minha experiência em biologia me ajudou muito."

TRANSIÇÃO SEGURA

Algumas carreiras, além do conhecimento técnico, têm como pré-requisito uma boa rede de contatos.

Até 2010, a hoje escritora Eliane Quintella, 35, era advogada. Ela resolveu largar a profissão para escrever romances e conta que teve de aprender todo o funcionamento do mercado literário.

Quintella fez um plano prático para mudar de carreira. Primeiro, buscou apoio da família. Depois, fez reservas de dinheiro. Negociou com o ex-chefe, aceitando cumprir um longo aviso prévio.

E, paralelamente, começou a exercitar mais seus dotes de escritora, passou a ler mais e fez pesquisas sobre os temas sobre os quais desejava escrever. Esse caminho levou dois anos e, quando ela tinha o primeiro livro, em 2011, começou a formar uma rede de contatos.

Hoje, a rotina de Quintella envolve busca por editoras e outros autores e blogueiros especializados. Ela conseguiu lançar um título e diz ter aprendido técnicas de divulgação de obras literárias.

SATISFAÇÃO

O diretor comercial da start-up carioca Obliqpress, Sergio Reis Alves, 39, também percorreu uma trajetória extensa. Aos 14, ele começou a trabalhar em um banco para "pagar as contas" e deixou de lado a paixão pelas ciências humanas e os livros.

Em pouco mais de um ano, não conseguia sentir satisfação na área financeira e começou a cursar história durante a noite.

Circulando em eventos para revistas de humanas, fez contatos com profissionais do ramo editorial até conseguir um novo emprego como promotor de uma editora. "Eu falava com autores e fazia a divulgação de livros, algo muito a ver comigo."

Neste ano, Alves mudou de novo. Desta vez, apostou em uma nova estratégia: a Obliqpres auxilia editoras, autores e empresas a migrarem para o mercado editorial digital. "Eu me capacitei e estou terminando outra graduação, de biblioteconomia. Mudar para atingir um sonho sempre é bom, mas procuro me embasar antes.


Fonte: Folha de S. Paulo REINALDO CHAVES COLABORAÇÃO PARA A FOLHA - www.cmconsultoria.com.br 

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