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Administrador de Empresas(UEMA), Mestrado em Administração(FGV-RIO), Professor Universitário (FAMA/UFMA), Ex-Presidente do CRA-MA, Ex-Conselheiro Federal de Administração - CFA, Empresário (DEPYLMAR, ), Ex-Conselheiro Fiscal da ANGRAD, Vogal da Junta Comercial do Maranhão (JUCEMA)Consultor de Empresas, Avaliador do INEP/MEC, Maranhense de Pedreiras, filho de Valdinar e Cavalcante Filho, Casado (Graça Cavalcante), 02 Filhos (Nathália Johanna e Diego Henrique), apaixonado pelo Moto Club de São Luís, Botafoguense de Coração e Feliz da Vida...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O que faz diferença nas tecnologias?

Professor da Fundação Vanzolini explica que não basta ter acesso a uma tecnologia. É preciso entender o potencial dela e saber tirar proveito.
Não é de hoje que a mesma tecnologia pode ser usada para o sucesso ou simplesmente ser irrelevante. Os ingleses comemoram em setembro os 70 anos de sua vitória na chamada “Batalha da Inglaterra”, a primeira exclusivamente aérea da História, na qual a Royal Air Force venceu a até então invencível Luftwaffe alemã. Os pilotos ingleses ganharam o famoso elogio de Winston Churchill: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”.
Entre vários fatores (como o de estar “jogando em casa”), os ingleses tiveram a seu favor dois trunfos tecnológicos: o avião de caça Spitfire (que até aquele momento era preservado para a defesa do país) e o radar, que trazia a inovação de poder detectar os aviões atacantes com antecedência. O Spitfire garantiu aos ingleses um equipamento que poderia se sair muito bem contra qualquer coisa enviada pelos alemães.
E os alemães tinham aviões muito bons! Já o radar permitiu que os ingleses alocassem seus recursos escassos onde eles fossem realmente necessários. Até porque essa era uma questão crítica, uma vez que a força aérea alemã tinha pelos menos quatro vezes mais aviões do que a britânica.
Os alemães de início não associaram a razão dos ingleses estarem (quase) sempre no lugar correto com aquelas estranhas antenas distribuídas ao longo do litoral no Canal da Mancha. Um atraso de percepção até que passaram a bombardeá-las. Felizmente, para os ingleses, estes ataques não duraram muito e os alemães resolveram se concentrar sobre Londres, facilitando a vida dos defensores. A tecnologia fez a diferença, mas para isto outros fatores tiveram que ser considerados.
Para tirar partido das suas cartadas tecnológicas, os ingleses tinham um serviço de controle altamente eficiente, que rapidamente coletava e interpretava as informações recebidas, permitindo que o Alto Comando tomasse de imediato as decisões necessárias e saíssem vitoriosos. Pouco mais de um ano depois, os norte-americanos também dispunham de radar na sua base de Pearl Harbor no
Havaí, na fatídica manhã de domingo de 7 de dezembro de 1941.
Os numerosos pontos na tela foram inicialmente interpretados com erros do equipamento, depois como bandos de gaivotas e finalmente como aviões amigos que estariam chegando do continente. Pior, para não haver confusão, simplesmente resolveram ignorar novos alertas do radar, chegando mesmo a desligar o equipamento. O fim da história é bastante conhecido: uma reação americana fraca e tardia; diante de um ataque japonês bem-sucedido.
A mesma tecnologia, o radar, estava presente tanto no caso dos ingleses quanto no dos americanos, mas os resultados foram muito diferentes. Qual a razão? Como explicar isso pensando em termos da tecnologia?
Podemos conjecturar alguns fatores. Primeiramente, os ingleses entendiam a importância do alerta da chegada dos aviões inimigos. Depois eles sabiam como interpretar o resultado desse sistema de apoio à decisão pela eficiente estrutura organizacional e de bons processos administrativos e operacionais para colocar as ações em prática.
Também pesou o fato dos ingleses acreditarem no radar e o integrarem à sua estratégia e às suas táticas. Assim também ocorre hoje com a tecnologia da informação. Muitas vezes diferentes empresas usam a mesma tecnologia e obtêm resultados completamente distintos. Nicholas Carr declarou bombasticamente há alguns anos que a TI já não importaria mais, pois todos têm acesso às mesmas tecnologias.
Contudo, no mesmo ano, Diana Farrell afirmou que a TI possibilitaria uma “verdadeira nova economia”, principalmente quando implementada conjuntamente com novos processos. Posteriormente, vários autores rebateram a afirmação de Carr, tal como Rangone e Bertelé, que mostraram que a TI como infraestrutura pode ter se tornado commodity, mas as aplicações de TI continuam a fazer toda a diferença e devem receber atenção como fonte de ganhos estratégicos.
A maneira como a TI está alinhada com a estratégia e os processos operacionais das organizações, a TI pode trazer grandes vantagens competitivas, pois em geral não é algo simples de ser imitado. É preciso acreditar na tecnologia e entender como ela deve ser utilizada em um contexto maior. Além disso, enfoques inovadores podem conceber novos produtos e serviços com alta carga de informações e de conhecimento disponibilizada pela TI.
Não basta ter acesso a uma tecnologia. É preciso compreender sua natureza, seu potencial e continuamente repensar como os processos de operação e de gestão das empresas podem tirar partido dela. E isto faz toda a diferença.
Por - Fernando José Barbin Laurindo (Professor da Fundação Vanzolini (www.vanzolini.org.br), entidade gerida por professores do Departamento de Engenharia de Produção POLI/USP. Email: fjblau@usp.br)

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